Novos tempos ou um novo lugar?

Desde que comecei a atender em Jurerê – Florianópolis/SC, tenho observado algumas mudanças significativas na forma como os atendimentos evoluem. Isso desde o primeiro paciente, etre 2016/17. Um ou outro se tornaram exceção.

Quando iniciei meus atendimentos presenciais, o maior desafio era criar uma clientela, ser conhecida e reconhecida. Não lembro mais quem foi meu primeiro paciente. Possivelmente porque ele veio apenas uma vez e nunca mais retornou nem o contato nem ao consultório. De lá para cá, com a chegada da COVID19 e o início dos atendimentos online, pouca coisa mudou.

Faz muito tempo que não trabalho mais com a ajuda de uma secretária. Bons tempos aqueles. Toda parte burocrática ficava com ela, enquanto eu apenas atendia e me preocupava com os conflitos e evolução dos meus pacientes. 

Hoje, desde o primeiro contato, tudo é combinado e acertado entre mim (a terapeuta) e o paciente: horários, valores, pagamentos, faltas, remarcação de horário, enfim, o dia a dia de um relacionamento profissional, onde o terapeuta planeja e organiza tudo o que acontece, ou não acontece, no consultório ou atendimento online. Com o passar dos anos, a experiência e a evolução tecnológica, tenho dado conta de atender a todas as demandas: minhas e dos meus pacientes. Assim penso eu.

Um dos motivos, possivelmente, tem a ver com a clientela reduzida, desde sempre. A questão não é marcar a primeira consulta. Pesquisas no Google batem recorde e contatos via Whatsapp, idem. A questão é o envolvimento e a permanência em atendimento por um longo período. Uma raridade.

Uma ou duas sessões. Um mês. E o paciente começa a desmarcar sessões até, finalmente, decidir que não precisa mais de atendimento. Ele se sente bem e seguirá em frente sozinho. Obrigada. Se precisar, volto a te procurar, ok?

Ok.

Todos os entendimentos psicanalíticos para o corte abrupto e a finalização do acompanhamento psicoterapêutico de forma tão precoce, num primeiro momento, abalaram minha confiança. Segui em frente, sempre analisando o que ocorria. 

Com o passar do tempo, e discutindo com colegas que atendem no mesmo bairro, percebi que elas sofriam do mesmo problema. A baixa adesão era uma característica local. Um ou outro permaneciam mais tempo: 6 meses, 1 ano. 2 anos. Meu recorde. A maioria era turista no consultório. Vinham como quem vinha por temporada. Ou seja, num balneário recheado de turistas e gente de fora que se apaixona por Floripa, em algum momento  desistem e vão embora. Abandonam casa, amigos, planos, empregos, sonhos e, a psicoterapia. Além desta categoria, outra muito comum é aquela de quem tem pressa e vem em busca de conselho, resultados e soluções imediatas. Senão, byby. Outros vem apagar o fogo, o incêndio de suas vidas. Sempre que a operação rescaldo falha, eles somem e voltam uma ou outra vez. Até sumirem de vista, definitivamente.

A ideia de continuidade e profundidade no atendimento psicoterápico, cada dia se distancia mais na realidade de hoje. 

Lembrei de um antigo livro de Zigmund Bauman – Amor Líquido (depois vieram o Sociedade Líquida, o Medo Líquido, e tantos outros Líquidos) e entendi que o processo que estamos vivendo, pouco tem a ver comigo ou com o formato da Psicoterapia. O que estamos vivendo é uma verdadeira e profunda revolução de costumes e valores, onde a profundidade das relações não combina com a superficialidade da sociedade fast food em que vivemos. 

A maioria das relações se tornaram líquidas, passageiras e superficiais. Inclusive a relação psicoterapêutica. Tudo precisa ser rápido e superficial. Tempo é dinheiro e relacionamentos são descartáveis. 

Como dizem, “A fila anda”.

Inclusive entre os psicoterapeutas. São poucos os pacientes que aguentam ouvir o que não querem, sem sumir a perder-se de vista (a realidade dói, machuca, assusta) em busca de outro veredicto, e assim, até chegar o dia em que as coisas são como são e ponto final. Vou constelar, seguir um guru, terapias alternativas, grupos de apoio do serviço público, etcetcetc.

Aquele trabalho árduo de associação livre, sonhos, sinais e insights talvez esteja irremediavelmente perdido no passado. 

Consola saber que existem alguns que ainda buscam o autoconhecimento e não soluções a jato. São raros, mas, habitam este Novo Mundo.

omo tudo nesta vida, para sobreviver é preciso se adaptar. E cada vez mais ouço sobre “pacotes de atendimento”. Tipo: leve 5 sessões pelo preço de quatro. A velha e boa Psicoterapia Breve (com mais ou menos 3 meses de duração e foco definido) precisa  se adequar num pacote promocional.

Tenho uma colega que trabalha assim. Dias atrás me disse que cobra antecipado por 5 sessões. É tempo suficiente pra quem quer de fato resolver suas questões.

OooooooKkkkkkkkkkk.

Será?

Pacientes e mídias sociais 1

Dias atrás me dei conta que perdi dois pacientes por postar material político no Instagram. Não sei como minhas mensagens foram parar lá. Além de usar pouco esta mídia, sei que vários pacientes meus a usam. Sinceramente, devo ter dado um tilt, ou, as mídias se espelharam em algum momento. Nada está flegado, então não faz sentido. O fato é que aconteceu. Quem comentou comigo foi minha nora, usuária assídua do Insta. Pelo menos entendi por que motivo os dois pacientes – de longa data e bem engajados no tratamento psicoterápico – abandonaram suas terapias. 

Pior é que eu sabia que este assunto chegaria ao consultório. Tinha até um discurso preparado. Espero que ambos voltem, e que, mesmo atrasada, eu possa lhes explicar meus motivos para minha posição, além de trabalhar uma série de questões como confiança, respeito à opinião alheia, preconceito, etcetcetc.

Política, religião e time de futebol são temas sensíveis para quem é profissional autônomo. Sempre evitei qualquer um destes temas e pouco me posicionei. Neutra, bege, não fede nem cheira. Esta era eu com relação a estes temas. 

Sou colorada e convivo bem com os gremistas. Piadas e congratulações povoam nosso relacionamento desde sempre. 

A mesma coisa com religião. Respeito todas e sempre me senti respeitada. A crença do outro é sagrada para mim.

Penso que são temas pacificados para a maioria das pessoas. Fanáticos existem e existirão sempre. 

A política é tema novo. Adormecido há anos, explodiu em 2018, e de lá para cá, não existe consenso nem meio termo. É guerra de informação, narrativas, enganos, mentiras, agressividade e muito desrespeito. De ambos os lados. 

Acredito que o tempo, respeito e o diálogo serão o antídoto para amenizar o mal estar, as intrigas e rompimentos que tem sido inevitáveis nestes últimos tempos.

Neste ambiente de polarização e sendo uma profissional autônoma vivo um grande dilema: mantenho postagens de política ou volto a me abster do discurso político brasileiro? Dia após dia vou amadurecendo meu posicionamento. 

Sou a favor da troca de ideias, projetos e visões de mundo. Política se aprende em casa no trato, combinações e acertos entre todos os membros da família: marido e mulher, pais e filhos, entre irmãos, etcetcetc. Entre amigos. No trabalho e em todos os espaços onde acontecem relacionamentos humanos a política está presente. Aliás, o que seria da política da boa vizinhança se assim não fosse?

Ando tanto com a perna direita quanto com a perna a esquerda. Sei que minha mão direita domina a esquerda. Não sou canhota.Minha mãe e minha filha são. Já meu olho direito sofre mais do que o esquerdo. Os graus elevados de astigmatismo, hipermetropia e estrabismo são essencialmente destros. Temos órgãos essenciais a esquerda e à direita: pulmões, rins. Membros, idem. Ninguém vive sem os dois lados: a esquerda e a direita.

Espero que os opostos se entendam e aprendam a conviver em harmonia. 

Atendimento online de casais

Já estava atendendo individual online, há pelo menos um ano, quando um casal de brasileiros, morando em Londres/Inglaterra entrou em contato para fazermos sessão de casal online. Eles haviam acabado de retornar à capital inglesa depois de passarem um mês na casa de familiares aqui em Jurerê. Haviam me encontrado pelo Google e decidiram entrar em contato quando estivessem prontos para iniciar um trabalho terapêutico.

Num primeiro momento, fiquei apreensiva. Nunca havia atendido casal no formato online. Mas, como o casal estava em Londres e eu no Brasil, era a única forma possível. Marcamos a sessão. A duração da psicoterapia foi breve, com reencaminhamentos para atendimentos individuais de cada um dos membros do casal. O mesmo, teria acontecido se o atendimento fosse presencial.  A psicodinâmica do casal exigia que cada um tivesse um espaço pessoal de atendimento. Desde então, outros casais toparam esta modalidade de atendimento com excelentes resultados. Costumo fazer um período diagnóstico, no qual uso duas ferramentas chaves: um questionário de avaliação e, sempre que possível, o genetograma familiar (o mapa familiar das duas famílias, em paralelo) de cada um dos cônjuges. Utilizo papel A3 e faço o mapa de cada família. O objetivo é perceber casais que tem o mesmo padrão de funcionamento do casal em atendimento. É muito interessante, impactante até, o casal perceber que está repetindo a história de outro casal da família de um/outro/ambos. Tendemos a reproduzir comportamentos e relações familiares (pais, avós, tios) por identificação. Mesmo na sessão online, faço este mapa. O cônjuge vai me apresentando sua família e vou montando o esquema(mapa) que depois é enviado a cada um dos cônjuges, via e-mail. O mesmo é feito com o questionário. Num primeiro momento, mando o questionário, que é respondido individualmente em casa, depois me é enviado via e-mail. Costumo imprimir uma cópia de cada questionário, para ter o material em mãos. As 19 perguntas do questionário retratam o histórico do casal e do conflito.  O importante é a troca de informações: o entendimento do universo de cada um, decepções, frustrações e expectativas. 

Depois a psicoterapia segue os moldes do atendimento individual online. Com os mesmos prós e contras multiplicados por 2. 

Apesar de gostar muito do atendimento online, enquanto paciente/terapeuta, percebo que a maioria dos pacientes ainda prefere o modelo presencial. Casais ainda mais. O que muitas vezes define a escolha da modalidade é a questão do horário. Tem de haver a sincronia entre a disponibilidade de horário do coworking, do terapeuta, do paciente A e do paciente B (os cônjuges). Um equação nem sempre fácil de resolver. Outro fator é a diferença de preço. No atendimento online, praticamente não existem custos. No atendimento presencial, além da taxa paga ao coworking, existe o gasto de combustível para chegar ao local do atendimento, estacionamento, etcetcetc, algo em torno de 25% do valor da sessão. Esta quantia, acaba sendo incorporada ao preço final do atendimento.

Potes de conchas

Para quem mora à beira mar, não podem faltar elementos praianos na decoração da casa. Conchas, principalmente. Em Jurerê onde moro, nem sempre o mar nos oferta com conchas. Existem períodos em que vc não encontra nenhuma. Outros em que são encontradas conchas pequeninas. E existe o período em que as grandes aparecem. Pra quem presta atenção, sabe que por aqui as conchas grandes dão o ar da graça nos meses de outono e inverno. Nem todos os dias. Mas tem dia que a praia fica tapetada de conchas estilosas, de formatos, cores e texturas bem diversificadas. Adoro estes períodos. Mas não deixo os outros períodos passarem em branco. São as conchas pequenas que fazem o acabamento de qualquer trabalho artístico/artesanal. Por isso, não dispenso nada de interessante que o mar oferece. Nem mesmo conchas quebradas. São elas que podem fazer o encaixe perfeito. 

Além das bolas e pinheiros de Natal, adoro distribuir pela casa, em mesas, aparadores, bancadas, prateleiras, estantes e criados mudos, potes de vidros recheados de conchas. Como a colheita é feita de pouco em pouco, aos poucos os potes vão se enchendo e se multiplicando pela casa. São estes potes que irão fornecer a matéria prima para produzir tudo que a inspiração praiana mandar. E projeto é o que não falta.

Por hora, o negócio é abastecer os potes. 

Atendimento individual online

Atendimento Online – Vc sabe como funciona?

Depois de quase 3 anos convivendo com os atendimentos psicoterápicos online, primeiro como paciente, depois como psicoterapeuta, penso ser interessante escrever sobre as reflexões e conclusões que a experiência me proporcionou.

Não é um texto técnico.

Aliás, não li nenhum texto ou livro sobre o assunto, e escrevo a partir da minha vivência e experiência. Acredito que muitos estudos serão escritos sobre o assunto. Enquanto isso, vou aprendendo com a prática. Escrever sobre o tema é abrir espaço para o debate e reflexão.

Atendo nas duas modalidades: presencial e online.

Como tudo na vida existem os prós e os contras para ambas as modalidades.

Foram mais de 30 anos atendendo presencialmente. Nunca atendi no divã. Gosto do olho no olho. O corpo, as expressões, posturas, ritmos, olhares, roupas, manias, FALAM. Muitas vezes gritam. Um psicólogo atento lê esses sinais, interpreta e os usa durante a psicoterapia. O setting terapêutico – que nada mais é do que como funciona a sessão, combinações e contrato terapêutico – é outro aspecto a ser trabalhado pelo psicólogo: faltas, atrasos, não pagamento, silêncios, desvios de tema, atos falhos, omissões, esquecimentos, choro, gargalhadas ajudam o profissional na percepção do comportamento do paciente. Como dizia uma antiga supervisora “90% de tudo que vc precisa saber sobre seu paciente acontecem na primeira sessão.”

Olho, intuição e atenção no modo extremo.

Corroboro com a opinião da minha supervisora. Mas, é obvio que quanto mais tempo vc atende alguém, mais detalhes vc terá para entender e ajudar seu paciente. As reações, mudanças de comportamento, utilização variada ou não dos mecanismos de defesa, fuga de temas, a quantidade de informação obtida na própria relação terapeuta/paciente, na relação transferência e contra-transferência são guias fundamentais para o sucesso ou fracasso de qualquer terapia.

Grande parte disso fica prejudicado no atendimento online. Prejudicado: não extinto.

Muito do enquadramento presencial é mantido, basta atenção e experiência. O mesmo que para o atendimento presencial. Às vezes, elefantes voam pela sessão e o psicoterapeuta não vê/percebe. Bom saber que, independente da percepção do psicoterapeuta, o paciente vai continuar trazendo os temas(elefantes) até serem percebidos e trabalhados.

A maior parte dos pacientes online usam o Whatsapp, Skipe ou Face Time como mídia para o atendimento. É prático e quase todo mundo tem. Diria que o Whatsapp é o mais usado. No pequeno enquadramento do visor do telefone, que é o meio mais usado pela maioria, vc vê apenas o rosto do paciente, e o paciente, o seu. Existe o Zoom e o Meeting; pouco usados. A maioria tem dificuldades com estes aplicativos/ ferramentas (inclusive eu). Acaba prevalecendo o que é mais prático e conhecido.

Por outro lado, nos atendimentos online, a gama de facilidades para acontecer o atendimento contrabalançam com as dificuldades: disponibilidade de horários é absurdamente maior; já atendi paciente às 6:30h, as 21:00h, no sábado de manhã, algo inimaginável no atendimento presencial, onde vc depende da disponibilidade da sala de atendimento, do horário da clínica, da possibilidade de deslocamento casa/consultório. No atendimento online, vc e seu paciente estão onde precisam estar: cada um na sua residência, conectados um ao outro via internet. Não há interferência do trânsito, não há perda de tempo buscando a roupa perfeita para a ocasião (cansei de atender arrumada apenas da cintura pra cima), não há gasto com sala de atendimento, estacionamento, variedade de roupas e calçados. Quando o paciente não comparece, vc pode colocar em dia qualquer afazer doméstico ou profissional (costumo mandar uma mensagem no dia do atendimento para relembrar o paciente do seu horário, procedimento muito comum entre médicos e outros profissionais de saúde). Em caso de falta, costumo mandar um recado, caso a sessão tenha sido confirmada, de que estou no aguardo do paciente até o final do horário agendado. Todos são avisados sobre o pagamento em tais casos, assim como acontece nos atendimentos presenciais.

Uma das maiores vantagens do atendimento online é a grande variedade de horários e locais disponíveis para atender. A única variável é o seu tempo e do seu paciente. Já atendi paciente sentado no próprio carro, no seu local de trabalho e até com o paciente fazendo sua caminhada diária. Pacientes naturais do Brasil, mas que moram no exterior, podem manter seus atendimentos sem problema algum.

Acredito que o ideal seria fazer um mix de sessões online com algumas presenciais. Atendo muitos pacientes assim. Em algum momento do atendimento online, a sugestão de que se faça uma sessão presencial, tem sido sempre muito bem vinda. Se bem que, dias atrás, dei alta para uma paciente em atendimento online, após dois anos. Nunca nos vimos presencialmente e avalio o resultado da psicoterapia dela como na média de todos os outros.

Importante ressaltar que esse é o universo das sessões online individuais.

Mas como funcionam as sessões de casal, criança ou adolescente?

Segue num próximo post.

Retomando, revisando, reprogramando

Outro texto antigo de 14/11/2021 escrito e não publicado. textos do período em que o WordPress estava com problemas. Ou seria meu computador? ou seria eu? importante que está aqui, pra me fazer relembrar o que foi o ano de 2021.

A fase não é das melhores. O dia é de mau humor. É domingo. 14/11/2021. Ando dolorida: joelho direito entravado, nervo ciático inflamado e as emoções pululando. Acabei do voltar do RS (82 anos da mãe + tomografia do crâneo + exame cardíaco). Antes estive uma semana na Praia dos Carneiros (80 km do Recife) em Pernambuco, com amigos da Caminhada de Santiago de Compostela + Maurício e Hortência. “Cadê Susi” era o chamado diário de Lígia, nordestina da gema, que adora uma festa, muvuca, barulho, música. Enquanto isso, Susi estava refugiada onde o silêncio conseguia penetrar. Nesta reta final, a ideia é fechar ciclos, terminar trabalhos, consumir materiais. Certamente tenho me esforçado. Me esgarçado. Me sobrecarregado:

  1. O jardim da casa de minha mãe no RS está 80% pronto. O sol forte, a falta de chuvas e o verão que se inicia nos sugere uma parada. A retomada ficou para março de 2022. Retomada e revisão: alguns setores merecem novos olhares, um ajuste aqui, outro acolá. Está ficando prático, lindo, mas principalmente, convidativo.
  2. A casa de minha mãe vai precisar de uma nova investida e renovada. A recém contratada faxineira Ivete, tem sido uma benção (como diz minha mãe). Por enquanto ela mantém, avança alguns ambientes e evita que a casa volte ao que era antes de 2020. Para lá, poucas ideias. Por enquanto, lavar, limpar, organizar, sucatear materiais antigos e reaproveitar as sobras da casa de Lajeado e o apartamento de São Paulo (Felipe).
  3. A casa de Lajeado foi alugada pela segunda vez este ano. Espero que o segundo casal (um psiquiatra e uma dentista se adaptem e se apaixonem pela casa, jardim e bairro e comprem a casa após um ano de contrato, apesar de sentir  falta do meu eterno refúgio. Quando penso que deveria desopilar e dar um tempo na vida, me vejo naquela casa. Dias atrás passei pela lateral e vi que está tudo em ordem. Me surpreendi com o sistema de segurança colocado no local (cerca eletrificada e muitos cartazes de vigilância monitorada). O lugar onde me sinto amada, acolhida e protegida desperta medo e insegurança nos estranhos. Que assim seja.
  4. A casa de Floripa precisa de um gigantesco trabalho de pintura, faxina, limpeza, organização, sucateamento e reaproveitamento de materiais. Depois de 30 meses cercados/ abraçados por construções e reformas das casas dos vizinhos mais próximos, começo a vislumbrar dias sem barulho e poeira e o tempo necessário para transformar a casa tornando-a do jeito que sempre sonhei. Alguns móveis novos à vista.
  5. Neste meio tempo, estou liquidando todo material do ateliê. Dos 30kg de argila, devo ter algo em torno de 500gr para trabalhar. Como a argila é atóxica, estou finalizando algo em torno de 60 peças utilitárias que podem servir pratos, ir ao forno ou micro-ondas, ser presenteados e fazer parte da louçaria da casa. A argila ganhou forma. Algumas já foram queimadas, outras estão na esteira e as últimas estão sendo moldadas ou secando. Depois vem a esmaltação, e por fim, a última queima. Dezembro promete o encerramento deste ciclo. Depois, lavar e limpar os materiais e acomodar nas prateleiras e aguardar novo ciclo cerâmico.
  6. Esta semana devo finalizar a manta de crochê. Um trabalho entremeado com as séries da Netflix ou Prime Vídeo. A presenteada da colcha será ou a Vivi, ou a Simone. Daí me esbaldo na colcha dos círculos de crochê. Sem previsão de término. Junho de 2023, uma possibilidade.
  7. Também nesta semana, a ideia é preparar os pilotos de velas e velas redondas. Muita vela acabada precisando de reciclagem.
  8. Decoração de Natal e início dos preparativos para Natal.
  9. Felizmente, os aromatizadores de ambiente foram feitos e já perfumam a casa.
  10. O consultório vai bem. Ainda atendo muito mais via online do que presencial. Tenho escrito pouco. Estou lendo na média. Meu computador está em fase terminal. Idem para meu telefone.
  11. Minhas emoções? Em pandarecos. Mas hoje, é melhor deixar tudo como está. Amanhã será um novo dia.

Lágrimas de março

Fábio, meu cabeleireiro de 48 anos, morreu. A Covid19 o levou. Desabei. Ele era a felicidade em pessoa. Tínhamos altos papos, éramos da mesma região do RS – quase vizinhos – e falávamos de coisas que eram muito comuns aos dois. Quando soube de sua morte, foi um baque: inacreditável que o Fábio não estivesse mais entre nós. Em 2020, devo ter ido três vezes ao salão. Ele comentou que de cada 10 clientes, 7 haviam desaparecido, inclusive eu. O vi a última vez em novembro/2020. Ele vai fazer falta na minha vida. Ir ao salão e encontrá-lo era uma injeção de ânimo, uma massagem no ego de proporções consideráveis. 

Nesta mesma toada de perdas, estou acompanhando minha amiga Candinha, que sofreu um AVC isquêmico, fazem 3 semanas, e continua em coma. Já foi entubada e neste momento, o maior problema é a septicemia hospitalar. Ela não está nada bem. Todo dia pela manhã ao abrir o whatsapp fico apreensiva. Candinha e eu estreitamos nossa amizade, depois que nossos maridos se aposentaram. Temos muitas coisas em comum, além da paixão pela pintura e cerâmica. Em minhas preces, oro para que ela fique bem. O que necessariamente não quer dizer que fique viva cheia de sequelas neurológicas. Ela odiaria vegetar. Que ela fique bem.

Também morreu minha professora da pré-escola e primeiro ano primário. Edith tinha 89 anos e será sempre uma querida lembrança. Foi ela quem me apresentou os carimbos, as letras, a caligrafia, as palavras, frases, e por fim, o catecismo. Ela, assim como minha mãe, adorava as plantas e a música. Sempre que passo em frente à casa onde ela viveu e envelheceu, admiro o enorme gramado, os agapantos e as strelitzas. Entre tantos professores, Edith é sempre nome lembrado, alguém que fez diferença na minha vida.

Viviane – minha assistente doméstica – ainda não retornou ao trabalho. São 15 dias sem dar sinal de vida. Pelo menos, sei que sua filha se recuperou do trauma físico das mordidas do cachorro. Já os traumas emocionais ainda são uma incógnita. Nestes 15 dias tenho me superado nos afazeres de casa. Todo santo dia é insano.  Amanheço sem saber por onde começar. Onde quer que eu olhe tem algo a ser feito ou providenciado. Quando as pernas não aguentam meu fardo nem meu corpo, espicho o esqueleto e as levanto sobre uma pilha de almofadas. 

Aprendi a não desistir. 

O segredo é descansar e seguir em frente. 

Porque coisas boas e ruins acontecem a todos o tempo todo.

Texto de 28/03/21

Impressões sobre a evolução dos atendimentos psicoterapêuticos – do atendimento presencial ao atendimento online.

Tenho de admitir que, após muita relutância, hoje sou ferrenha defensora desta modalidade de atendimento psicoterapêutico.

Atualmente, 95% dos meus atendimentos acontecem via online.

Muito antes da COVID19, entre 2016/2017, formamos um grupo de psicólogas no Jurerê, em Florianópolis/SC, para onde havia me mudado no final de 2013. Encontrávamo-nos 1 ou 2 vezes por mês, para discutir as mais diversas questões. Ana foi a última integrante do grupo de cinco psicólogas de idades, cidades, tempo de formação e linhas de atuação diferentes. Em comum, vivermos todas a beira mar e o interesse de avivar o consultório num bairro badalado, onde crises e conflitos pareciam não existir. Os problemáticos iam ao centro se tratar. Queríamos criar um espaço terapêutico atento e disponível a toda comunidade, na própria comunidade.

Ana nos sacudiu com a modernidade da mídia na divulgação, no formato de cursos e atendimentos. Admito que fiquei chocada. Formada há mais de 30 anos, com inúmeras formações e especializações, uma vasta experiência clínica, o universo apresentado por Ana não tinha nada de romântico, nada de indicações, nada de projetos detalhados e encaminhamentos. Freud e Jung deveriam estar se remexendo na tumba com a forma moderna de entrar no mercado de trabalho, apresentar-se e representar-se. As expressões coworking, impulsionamentos no Facebook, reunião via zoom, página no Google, entre tantas novidades que, ou não registrei ou esqueci, só me mostraram o quão jurássica havia me tornado em muito pouco tempo. Uns 3 ou 4 anos. 

A conclusão: Ana era uma mercenária que só pensava em dinheiro e ser muito reconhecida num espaço de tempo recorde. Nada de 5 anos de muito trabalho, palestras, artigos e entrevistas, voluntariado até ser conhecida e ter uma agenda considerável.

O grupo estremeceu. Ana saiu do grupo. Não havia espaço para ela. 

Naquela época, Vanessa pagava o Doctoralia (uma espécie de Páginas Amarelas virtual), eu fazia projetos e encaminhava para escolas, Elaine ainda estava se encontrando entre Rondônia, coaching, psicologia e o casamento, e Angela queria montar grupos de Contoterapia. Todas providenciando cartões de apresentação e agendando com profissionais ligados a área para eventual parceria e encaminhamentos futuros. Me propus a escrever para o jornal do bairro. Angela participaria de atividades de Arteterapia no Open Shopping. Elaine nos falava sobre técnicas de coaching de emagrecimento. E a Psicologia? Ela não sabia exatamente por onde seguir, mas lia de tudo e fazia todo tipo de curso online que aparecia. Eu olhava com o rabo do olho, exausta com minha recém finalizada formação – Arteterapia – e a dúvida sobre novos cursos. Angela falava de Constelação Familiar. Elaine estava estudando, via online, Hipnoterapia. Céus, quanta heresia! Como alguém poderia trabalhar com uma técnica tão perigosa, tendo por base, um cursinho online? Constelação Familiar? Vanessa já havia constelado. O rabo do olho só aumentava. E céus, onde eu estava quando o mundo virou de pernas para o ar? 

As férias chegaram, o grupo relaxou e cada uma seguiu seu rumo. Sem prazo nem data para retornar. Todas percebemos que o Admirável Mundo Novo nos atingira em cheio. Havia uma única saída para todas nós. A adaptação. 

Ana não era uma mercenária. Era a portadora da notícia. A porta-voz do Novo Mundo.

Ao nos reencontrar, alguns meses após o final das férias, cada uma havia achado um jeito próprio de existir. Vanessa criou um coworking, onde todas atendemos por horário de atendimento; Angela criou o grupo das Lobas; Elaine se separou do marido, mudou e montou um consultório na Praia dos Ingleses. E eu? Eu me cadastrei no Google, como psicóloga em Jurerê, fiz alguns cursos online de escrita criativa, assisti algumas lives, podcasts e afins.

A procura por atendimento aumentou. A ferramenta de busca do Google é primordial para quem está recomeçando. Mas, me mantive fiel ao Setting Terapêutico: atendimento presencial com tudo que a Psicologia do final do século XX apregoava. 

Até chegar a COVID19. 

Na época, por questões pessoais, retornei ao RS e encaminhei meus 5 pacientes para minhas colegas. Foram sete meses de período sabático. Nesse meio tempo, 3 dos meus pacientes encaminhados, pediram para que eu os atendesse online. Eu mesma estava fazendo atendimento online, pois minha psicoterapeuta não estava atendendo presencial.

Ok,Ok,Ok.

Entrei em contato com o CRP-RS e me informei sobre as regras desta forma de atendimento. Busquei na internet. Me inspirei na minha própria psicoterapia. E aderi a esta forma de atendimento.

A conclusão: Amo de paixão e se puder, atendo 100% online. 

Quer saber como funciona? Vou comentar no próximo post. 

As 10 leis do Gambatte

  1. Esforce-se o máximo que puder

Isso significa gambatte.

Significa dar o melhor de si a cada momento, segundo sua capacidade. O resultado não importa; você terá a satisfação de saber que fez o melhor possível.

  • Esquente a pedra

Como o ditado japonês que convida a sentar durante 3 anos para derreter um obstáculo, o sucesso não depende de um esforço pontual e desmesurado, mas da constância naquilo a que você se propôs.

         Um pouco a cada dia.

  • Caia para a frente

Não importa cometer erros, se com o erro você aprender uma lição que lhe permita avançar.

A ciência avança por tentativa e erro.

Tentar, falhar e melhorar é a melhor maneira de se transformar.

  • Seja flexível e resiliente

A palavra resiliência se aplica aos metais que não se rompem quando dobrados, pois são maleáveis e voltam à posição inicial depois de liberados da pressão.

         Seu esforço deve se ajustar a mudanças das circunstâncias da vida.

  • Descarte na hora certa

Há uma linha muito tênue entre jogar a toalha cedo demais ou tarde demais.

Não insista no que já está provado que não dá certo.

Seja perseverante, mas escute seu coração para saber quando é o momento de deixar um caminho para começar outro.

  • Olhe para seus pés e para o horizonte ao mesmo tempo

Concentre-se em cada passo, em suas rotinas diárias, mas, ao mesmo tempo, tenha em mente seus planos de longo prazo.

Este olhar lhe permitirá conseguir coisas que agora você só consegue imaginar.

  • Os rituais são mais importantes do que as metas

Um projeto concluído é fruto de hábitos concretos que se aplicam dia a dia até que você consiga aquilo a que se propôs.

Para os japoneses, a forma de fazer é mais importante do que o próprio resultado.

Concentre-se no caminho para chegar melhor ao destino.

  • Tudo começa na mente

Antes de conseguir algo, imagine.

Projete em sua tela mental o esforço que o fará chegar ao lugar sonhado e traduza esse propósito em passos e etapas.

  • Desfrute da viagem

Não faça de seus objetivos uma ansiedade constante.

O prêmio está no próprio caminho, quando você usufrui aprendizados, pessoas e experiências que você encontra na travessia.

Estar em movimento já é uma vitória.

10. Comece agora mesmo, gambatte!

Seja o que for, aquilo a que você se propõe só começará a se tornar realidade se não for deixado para amanhã.

Faça já. E, se desanimar em algum momento, lembre-se:

Gambatte!

(Gambatte, Nobuo Suzuki, pg 163/164/165)

Temporada materna

Quando começaram as notícias desesperadoras sobre a COVID19, no final de março de 2020, com a divulgação do que aconteceu na Itália e Espanha e depois USA, optei por passar uma temporada no RS, onde vive minha mãe, hoje com 83 anos. Como ela vive sozinha, pensei que o mínimo que eu poderia fazer era estar disponível para atendê-la nas suas necessidades diárias, até que o pior tivesse passado. Aproveitei e fiz um período sabático de 7 meses. Foi maravilhoso. Relendo os posts deste período, percebi que escrevi muito pouco a respeito desta parada tão importante na minha vida. Talvez escreva.

Quatro dias da semana ficava  na casa dela. Nos outros dias, ficava na minha casa. Na casa dela, além de mantê-la segura e protegida, comecei a cumprir a antiga promessa de arrumar e modernizar sua casa. O processo foi e continua sendo exaustivo e constante. Haja tranqueira pra organizar, limpar, arrumar, sucatear e guardar. Chega a me dar calafrios quando penso sobre o futuro de todos os pertences dela. A empreitada passa por uma avaliação séria sobre o destino de tanto material. Virará sucata ou será doado a algum museu? Ambiente por ambiente, o processo – passados dois anos – ainda se mantém. Entre temporadas e dias mais focados, a gente reveza tomando café, discutindo política, assistindo TV, fofocando, fazendo crochê, mosaico, dormindo, aprendendo a mexer no celular, tocar piano e, principalmente, trabalhando no jardim. Vislumbro novas temporadas pela frente.

Há vários posts sobre restauração de móveis (na sub-categoria restauração) e alguma coisa sobre o jardim da casa. A jardim da casa da minha mãe me soa como um bom livro a ser escrito, pois ambos: o jardim e eu, passamos por uma tremenda revolução externa e interna.

O que li nos dois últimos anos


Faz tempo que não escrevo sobre o que ando lendo. De fato, ando lendo de tudo
um pouco. Várias releituras, livros encalhados e novos, indicações de pacientes,
colegas e amigos, e desde 2021, livros do Clube TAG. Todo final de mês recebo
uma caixa com o livro do mês (as xs dois) algum mimo, um roteiro de leitura com
dicas de livros semelhantes, músicas para embalar a leitura, enfim … a
experiência me lembrou de quando eu fazia parte do Clube do Livro, na década
de 70. Sinceramente, estou avaliando se continuo ou não sendo sócia da TAG.
Tem livro excelente, outros nem tanto. Ando saudosa das tardes entre os livros
na livraria, da minha eterna e infinita listinha de indicações, encomendas, Black
Fridays com preços baixézimos. Dias atrás fui ao shopping em busca de
presentes de Natal. E livros são presentes que adoro dar e não podem faltar. Fiz
minha encomenda, comprei pra dar de presente (reavaliando ….) e comprei dois
livros da minha famigerada e ultrapassada lista de livros indicados.
Na livraria, fiquei atônita com a quantidade de livros, autores e títulos. Quanta
novidade!!!A vontade era de levar de braçada. Masmasmas … tem o gasto fixo da
TAG, tem livros a perder de vista ainda não lidos. Outros tantos que quero reler.
Sem contar as Obras de Freud, que aguardam leitura e estudo há uma vida, pelo
menos.
Relendo posts antigos percebi que não publiquei nem a lista dos livros lidos em
2021, nem a de 2022, quase finalizada. Por isso, seguem as listas:

  1.  Claraboia – José Saramago
  2. Consciência à flor da Pele – John Updike
  3. O formigueiro – Ferreira Gullar
  4. Primeiro Caderno do alumno de poesia – Oswald de Andrade
  5. A crise da meia-idade feminina – Sue Shellenbarger
  6. A revolução das plantas – Stefano Mancuso
  7. A consciência de Zeno – Ítalo Svevo
  8. Assim foi Auschwitz – Primo Levi
  9. Arte como terapia – Alain de Botton&John Armstrong
  10. Herois Comuns – Scott Turow
  11. Sol da meia-noite – Stephenie Meyer
  12. A trança – Laetitia Colombani
  13. Terra Americana – Jeanine Cummins
  14. Meu corpo minha casa– Rupy Kaur
  15. Ser artista (Guia para uma carreira sólida no mundo da atuação) –
    Marcos Montenegro com Arnaldo Bloch
  16. Toda luz que não podemos ver – Anthony Doerr
  17. Casais em perigo (Novas diretrizes para terapeutas) – Peggy Papp
  18. Tudo é rio – Carla Madeira
  19. A ridícula ideia de nunca mais te ver – Rosa Montero
  20. Enclausurado – Ian Mc Ewan
  21. Segredos – Domenico Starnone
  22. O livro das Semelhanças – Ana Martins Marques
  23. Herdando uma biblioteca – Miguel Sanches Neto
  24. Encaixotando minha biblioteca – Alberto Manguel
  25. Woody Allen – A Autobiografia
  26. A trégua – Mário Benedetti
  27. Os cem anos de Lenni e Margot – Marianne Cronin
  28. Aprender a falar com as plantas – Marta Orriols
  29. A biblioteca à noite – Alberto Manguel
  30. Correspondências – Clarice Lispector
  31. Água viva – Clarice Lispector
  32. O museu do silêncio – Yoko Ogawa
  33. O arroz de Palma – Francisco Azevedo
  34. Um amor de gato – Melinda Metz
  35. Clara da luz do mar – Edwidge Dandicat
  36. Perdas & Ganhos – Lya Luft
  37. Pensar é transgredir – Lya Luft
  38. É tudo tão simples – Danuza Leão
  39. Roube como um artista – Austin Kleon
  40. A Parisiense – Inês de La Fressange
  41. Bonsai – Alejandro Zambra
  42. Erros fantásticos – Neil Gaiman
  43. Sete minutos depois da meia-noite – Patrick Ness
  44. Na sala com Danuza – Danuza Leão
  45. Trem Bala – Martha Medeiros
  46. Feliz por nada – Marta Medeiros
  47. Coisas da vida – Martha Medeiros
  48. Fique comigo – Ayobami Adebayo
  49. Divã – Martha Medeiros
  50. Quase tudo, memórias – Danusa Leão
  51. Lições de vida das grandes heroínas da Literatura – Erin Blakemore
  52. Seca – Jane Harper
  53. Eu sou eles – Francisco Azevedo
  54. Southernmost – Rumo ao sul – Silas House
  55. Tempo de migrar para o norte – Tayeb Salih
  56. Indígenas de férias – Thomas King
  57. Uma questão de vida e morte – Irvin Yalom & Marilyn Yalom
  58. A caderneta de endereços vermelha – Sofia Lundberg
  59. Mulheres de minha alma – Isabel Allende
  60. O meu melhor – Martha Medeiros
  61. Você não está sozinha – Seraphina Nova Glass
  62. Casas Vazias – Brenda Navarro
  63. O parque das irmãs magníficas – Camila Sosa Villada
  64. K. – B. Kucinski
  65. Com armas sonolentas – Carola Saavedra
  66. Talvez vc deva conversar com alguém – Lori Gottlieb
  67. Antes que o café esfrie – Toshikazu Kawaguchi
  68. A ilha das árvores perdidas – Elif Shafak
  69. As melhores dicas de Garden Design n. 1 – Um guia prático e de
    inspirações
  70. Apocalipse Bebê – Virginie Despentes
  71. Um Caso Mortal – Agatha Christie
  72. Desculpe o exagero, mas não sei sentir pouco – Geffo Pinheiro
  73. Cartas a um jovem terapeuta – Contardo Calligaris
    Difícil indicar o melhor.
    “A Revolução das Plantas” de Stefano Mancuso em 2021 e “O parque das irmãs
    magníficas” de Camila Sosa Villada em 2022 são memoráveis. O primeiro pelo
    tema absolutamente novo e singular: a flora vista como um enorme organismo
    vivo em movimento e constante evolução. Surpreendente.
    ”O parque das irmãs magníficas” é por demais impactante. O universo LGBT
    retratado de forma única.
    Ambos, valem a leitura.

Cascalhos – Esculturas com Pedras do Rio

Venho protelando há anos uma empreitada que ao mesmo tempo me empolga e me assusta: iniciar-me num elemento mais duro, forte, firme: A Pedra. O cascalho.

Nasci e cresci ao lado do Rio Taquari no RS, onde os cascalhos são matéria prima abundante, e extremamente interessantes. Já vi trabalhos de pintura com estas pedras: não me identifiquei. Já vi canteiros e muros revestidos com eles: sofrível. Não faz meu tipo.

Cresci correndo sobre os cascalhos, queimando e torcendo os pés, brincando no rio adornado por eles, jogando sapata (amarelinha) com o cascalho perfeito. Eles me lembram Liberdade. Brincadeira. Natureza. Infância. Casa. Lar. Alegria. Vida. Mundo. A perfeita Imperfeição.

Em algum momento, possivelmente zanzando pelo Pinterest, que eu adoro, encontrei as Esculturas com Pedras de Rio. Amor à primeira vista. Paixão total e irrestrita.

Soube de imediato que trabalharia com os cascalhos e faria uma cidade de esculturas no jardim da casa da minha mãe. 

O que ainda não aconteceu.

Mas vai acontecer. 

Começou a acontecer.

Dias atrás, levei minha filha de 42 anos, para conhecer o rio, suas histórias, a vida da família e da comunidade. A importância daquele espaço para todos nós. Depois vi de longe, as praias de cascalhos formadas no calor do verão, devido a escassez de chuvas, e lembrei do antigo projeto. No verão modorrento do RS, desci as barrancas do rio, me deliciei nas águas mornas deitada sobre a cascalheira, por onde a água descia numa calma contagiante. A meu redor um mundo de cascalhos.

Vico, o jardineiro e pau pra toda obra da casa de minha mãe, foi acionado. 

A primeira leva de cascalhos aguarda o banho de lava-jato. Amanhã buscaremos a segunda leva. E tantas outras quantas forem necessárias. 

O primeiro passo para a construção da cidade das esculturas com Pedras do Rio, no jardim da casa de minha mãe, é juntar o material e prepará-lo, deixando-o pronto para ser usado. 

O segundo passo é definir os lugares onde montar as esculturas.

O terceiro passo é buscar inspiração. 

Por fim, como fazer acontecer. Quais materiais serão utilizados? Cola? Cimento? Broca?

Certeza única é a experimentação e a busca por soluções duradouras e esteticamente aceitáveis.

Inspiração é o que não falta.

Vontade de fazer também. 

Velas de Gelo

Fazia tempo que não fazia velas. Setembro de 2021.O processo se inicia com a coleta dos restolhos de velas antigas, usadas ou não, e da vontade de renovar a estoque da casa. Adoro as noites com velas pontuando algum canto da casa, transmitindo paz e aconchego. As visitas também. E assim, as visitas acabam saindo de casa com alguma vela de presente. Adoro. Gosto da ideia de espalhar luz entre as pessoas. Qualquer tipo de luz. Inclusive de velas. Tenho preferido a simplicidade das velas piloto e a facilidade das velas de gelo. As velas com elementos (folhas, pimentas, conchas, canelas, etcetcetc), além de muito trabalhosas, não me agradam mais.

Na última temporada, além dos restolhos de velas, usei frutas feitas de parafina, que encontrei no porão da casa de minha mãe. Duas sacolas bem generosas. O processo é sempre o mesmo: separar as velas por cor, derreter a parafina na panela, coar num pano de prato velho e descartável, preparar formas e pavios, untar com vaselina, levar a parafina a 90 ou 120 graus, e preparar as novas velas. Na feitura das velas piloto, a necessidade dos remedinhos; nas velas de gelo, a necessidade de muito gelo.

Da última vez, adorei a rapidez e a facilidade de fazer as velas de gelo. Além de enormes, o problema do pavio com luz fraca não aconteceu, já que a base é feita com vela simples comprada em supermercado. Para as formas mais longas, usei uma vela sobre a outra, colada com a própria parafina. Nenhum acidente, nenhuma queimadura, resultados excelentes, tanto em quantidade como em qualidade. A ideia, depois de 2 anos, é fazer uma nova remessa, catando velas antigas, mal feitas e não usadas (lembrei das conchas iluminadas) e repetir a última temporada. A inovação, talvez seja a vela de areia. Um projeto antigo.