Meu menor abandonado

O gato nas fotos ao lado se chama Logan. Ele é meu companheiro pulguento e mal humorado, mas extremamente fiel e carinhoso. Lolô. Lolinho, Loloco como também o chamo é um gato de 1 ano e 6 meses, resgatado de um gatil no qual foi abandonado. Quando chegou em casa estava assustado e arredio. Foi meu presente no Natal de 2010. Após a surpresa?!?! todos em casa tivemos que nos habituar com aquele ser estranho que não saía do meio das madeiras no porão, ou que fugia de qualquer um correndo desesperado e alucinado por toda a casa, receando o contato físico e o carinho. Pobrezinho!!!!! Ele estava apavorado. Logo imaginei o ser traumatizado que estava adotando. Passado o choque inicial, me atirei na tarefa de torná-lo mais tranqüilo, carinhoso e afetivo. Pensei seriamente em ler algo sobre psicologia animal, mas acabei seguindo minha intuição e meus sentimentos. Muitas vezes fui chamada de Felícia (gatinho, te amo, te amo, te amo), pois fui implacável e determinada na missão de domesticá-lo e torná-lo um ser mais sociável e agradável. E principalmente mais feliz. A começar pelo nome. Dizem que dar o nome é dar um presente precioso que nos acompanha a vida toda. Assim, escolher um nome adequado àquele vira-lata preto e branco sempre pronto pra se defender com unhas e dentes demorou algumas semanas. Após um período em que cada um o chamava como queria, o nome Logan caiu como uma luva. Lembram? Logan, Volverine, garras retráteis de adamantium, X Man? Era a cara dele. Feroz, cara de mau, garras em prontidão, desconfiado. Enfim, o nome perfeito. Mas com a convivência e o afeto aumentando, o nome Logan ficou pomposo e sério demais. Aos poucos foram surgindo apelidos apropriados às diversas situações e confusões. Lolinho é quando ambos queremos chamego. Lolô é quando chego em casa e aviso: Lolô, cheguei!!!. Loloco é quando ele apronta algo. Logan quando falo dele para alguém. E assim, o ser estranho assustado e arredio transformou-se num ser vivo conhecido e querido. Cheio de humanidade.
Minha vinda a São Paulo colocou-me frente a várias questões, e uma delas refere-se ao que é o melhor para meu bichano. Deixá-lo na casa que ele adora, livre para correr pelo jardim e caçar sem piedade os passarinhos mal avisados que insistem nos vôos rasantes e que irremediavelmente acabam em sua boca, feliz e saltitante, ou, trazê-lo para morar comigo num apartamento no sexto andar correndo o sério risco de cair – porque em SP tem muito passarinho sobrevoando minha sacada – além de passar períodos de 10 a 15 dias com algum estranho ou hotel? Afinal, não posso carregá-lo pra lá e pra cá toda vez que passo uma temporada no sul. Além de oneroso demais seria uma tortura para ele. O barulho, a agitação e pessoas estranhas ainda o apavoram. Nestas situações ele costuma sumir.
Até agora a escolha tem sido deixá-lo sozinho em Lajeado. Sozinho, sozinho, exatamente não. Todos os dias minha tata passa algumas horas com ele e se certifica de que não falte nem comida nem água. Mas ela morre de medo de pegá-lo no colo. Fica faltando o afeto e o toque que é tão importante a qualquer ser vivo. Sempre que pode meu filho passa o fim de semana com ele, mas quando não pode, Logan tem que se contentar com os passarinhos, com os gatos que insistem em invadir seu território e consigo mesmo. Três dias no máximo. Mas são três dias abandonado à própria sorte. Literalmente. Volta e meia ele se mete em briga com outros gatos, tentando defender seu reino e sua comida, mas normalmente, ou quase sempre, é ele quem apanha mais. De alguma forma a questão se resolve.
Sempre que o reencontro em meio a sua solidão, ele me recepciona com um miado desesperador. Miiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaauuuuuuuuuuu. É um lamento que vem do fundo da garganta e da alma. E rasga minha decisão de deixá-lo na casa. Depois de alguns minutos ele volta a correr e brincar e em poucas horas ele some pela casa ou pelo jardim. Volta e meia ele faz sua inspeção pelos quartos e pela sala. Será que ele apenas está se certificando de que tem alguém com ele? Será que alguma lembrança de abandono ainda o atormenta? Depois de rodar e circular no ambiente em que estou ele acaba indo dormir em algum recanto da casa. Sozinho.
Que saudade do meu Lolinho!!! Pena que ele não saiba falar ao telefone ou mexer na internet. Seria tão mais fácil!!!!!

2 comentários sobre “Meu menor abandonado

  1. Oi, Suzete! É a Clarissa, amiga da Fer, aqui de Porto Alegre. Adorei o texto! Um amor! Eu, que não sou muito apegada a gatos, até fiquei com vontade de adotar um! Aliás, parece que vocês resolveram trocar os cães pelos gatos, né? (Logan e Matisse). Por enquanto, sigo morando sem animais de estimação. Só afofando e quase sufocando, nos finais de semana, o pastor alemão da minha mãe, o Boris. Depois te mando uma foto dele! A Fer achou ele muito brabo! rs. E essa coisa de dar nome sempre me lembra a minha primeira visita à Lageado (ou Lajeado? Nunca sei), quando tu perguntou porque eu me chamava Clarissa, no caminho do salão de beleza. Eu, que nunca tinha pensando nisso, acabei descobrindo porque, talvez, eu tenha virado redatora, depois de ter o nome tirado de um livro. Saudades de vocês e da Fer. Abraço, Clarissa.

  2. Oi Mae!Viu… a Clari te deixou um comentario!!! Eu acho que e tudo papo teu! O Logan deve continuar super atacado! Mas agora eu nao posso falar nada! O "primo" dele nao para mais em casa! Alias, nos ultimos dias, resolvi deixar a natureza seguir seu curso… agora o Matisse passa as noites na rua. Do jeito que ele sempre quis. Resultado? Hoje ele passou o dia em casa! Cochilando na cama dele, se espreguicando pelo sofa da area… Parece que tem coisas que nao da pra gente lutar contra!

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