Os segredos de Serena

Esta foi a matéria que saiu no jornal “O Informativo” , no dia 02/10/2009, por ocasião do lançamento do meu livro.

Os segredos de Suzete

A psicóloga Suzete Herrmann, que trabalhou no Centro Evangélico Alberto Torres
até 2006 e atua como terapeuta de casais e de família, mostra agora seu lado escritora.
O romance será lançado na Feira do Livro de Lajeado.

A psicóloga Suzete Herrmann faz sua estreia como escritora, autora de um romance, na Feira do Livro de Lajeado. O livro Os Segredos de Serena será lançado com sessão de autógrafos no dia 8 de outubro, a partir das 18h, no estande da Livraria Cometa.
Quando morou na Venezuela, em 2006, Suzete redescobriu o prazer de escrever. Seu primeiro livro, “Um Ninho pra chamar de seu”, ainda sem edição, reflete o momento de guinada em sua vida, retratado por meio de crônicas.
O livro que acaba de sair da editoria, conta a história de Serena, uma bem sucedida psicóloga clínica que esconde um grande segredo em sua vida. Num determinado momento este segredo começa a ser desvendado e revelado, deixando Serena ambivalente e insegura com o que virá a partir de então. A trama que se segue procura retratar o lado humano e falho de qualquer psicólogo. Com o objetivo de retratar as emoções e os sentimentos de todos os personagens envolvidos na vida de Serena, de forma intensa e bem urdida, o livro procura também mostrar as dúvidas, os conflitos, as angústias e os erros que uma profissional de saúde mental pode cometer.
Outra característica marcante da trama é a constante repetição de situações e sentimentos, demonstrando a circularidade nos relacionamentos e nas estruturas familiares. “Apenas repetimos aquilo que não está resolvido em nossas famílias e em nossas vidas”.
Suzete conta um pouco sobre a produção da obra.

Lazer – Como surgiu a ideia de escrever um romance?
Suzete Herrmann – Adoro ler romances, livros policiais, de suspense e drama. Escrever o romance talvez seja um sonho antigo, pois quando menina pensava ser jornalista, e quem sabe um dia, me tornar escritora. Me tornei psicóloga, leitora voraz de livros técnicos da minha área. Aos poucos percebi que poderia escrever de forma não técnica, um livro interessante e envolvente e que abordasse de forma clara e leiga o universo Psi. Quando surgiu a oportunidade, diga-se tempo e disposição, coloquei no papel a história de Serena.
Lazer – A história de Serena tem a ver com a tua própria história como psicóloga? Tem inspiração nas experiências relatadas por teus colegas de profissão?
Suzete – Serena tem um pouco de mim e um pouco de vários profissionais psicólogos com quem convivi ao longo dos anos. A história de Serena, ou seja, o enredo do livro, é pura ficção.
Lazer – Qual o público que tu pretendes destinar tua obra?
Suzete – Qualquer pessoa que goste de ler. Para profissionais da área da psicologia acredito que o romance crie oportunidades de identificação, quem sabe de aprendizado. Para as demais pessoas é uma leitura gostosa, penso eu, que conduz o leitor de uma situação pacata e cotidiana para uma reviravolta onde os fatos, sentimentos e lembranças se sucedem de forma intensa, criando suspense e expectativa com relação à história e ao passado de Serena.
Lazer – O livro tem uma mensagem especial, algum tipo de reflexão para a vida das pessoas e de outros profissionais?
Suzete – Acredito que a maior de todas as mensagens é de que o erro faz parte de todo e qualquer aprendizado. É com ele que podemos nos transformar em pessoas melhores. O contrário também é possível. A história de Serena aborda o erro e suas consequências e demonstra como podem haver erros transgeracionais (que se repetem entre gerações) e de como podemos lidar ou elaborar nossos próprios erros através do erro de outras pessoas.
Lazer – Para tua carreira, o que simboliza o livro?
Suzete – Digo que é meu terceiro filho, que foi gestado ao longo de vários meses e agora vai ser lançado ao mundo. A publicação e o lançamento são quase como um parto. Tem sido difícil e me vejo angustiada e aflita com a recepção que ele terá. Sei que vai agradar alguns e decepcionar outros. Profissionalmente, demarca um novo caminho, uma nova possibilidade. No dia a dia como psicóloga sigo teorias, estratégias e diretrizes, segundo preceitos testados e aprovados dentro da ciência da Psicologia. Como escritora me permito a liberdade da criação, da imaginação, do brincar com as histórias, de transmitir coisas sérias na forma de um romance, por exemplo. Quando escrevo, não é a psicóloga que escreve, é a pessoa Suzete que está escrevendo, com suas experiências, suas percepções, lembranças, opiniões, e que por acaso, é uma psicóloga.

Desde o lançamento, “Os segredos de Serena” tem tido excelentes feedbacks, me deixando feliz e animada a prosseguir. Ele ainda é um filho tímido em busca de reconhecimento num universo maior e desconhecido, mas já cumpriu uma importante missão: colocar-me em movimento, me reinventando enquanto pessoa.
Todos devemos buscar movimento e transformação.
Com certeza, a publicação do livro foi, e ainda é um marco em minha vida. Ele demarca uma nova fase: A fase do tornar-se. Do ainda não ser. Mas do querer ser. No meu caso, ser escritora.
Sempre que me perguntam o que faço digo com toda segurança e orgulho que sou psicóloga até o último fio de cabelo. Sinto-me integralmente como tal e não tenho dúvidas quanto a isso.
Ser escritora ainda não se incorporou a minha identidade pessoal e profissional. Estou na fase do tornar-me. Ou seria melhor dizer: sentir-me escritora. É algo como dizer “estou ligeiramente grávida”. Ainda não estou/sou mas estou a caminho de estar/ser.
Ao longo da vida vários são os momentos em que somos investidos de novos papeis e funções. Alguns tem a ver com nosso querer, outros não. E os que tem a ver com este “querer ser” muitas vezes geram medo, incerteza e ansiedade.
Particularmente acredito que SOMOS O QUE ESCOLHEMOS SER. E fazer escolhas não é uma tarefa fácil: podemos errar ou acertar.
Alguém duvida disso?
Por isso gosto da expressão “tornar-se”. Soa como algo em movimento, em transformação. O que nos dá tempo de digerir e processar nossas escolhas, permitindo-nos mudar ou alterar rotas e destinos, adequando-os constantemente ao nosso querer.
Acho que é por isso, que ainda sinto que “estou ligeiramente escritora”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s