Vida e morte: uma escolha

Às vésperas da minha viagem para New York, fiz o que as mulheres fazem antes de viajar: cabelo, pé, mão, depilação. Enquanto todo o processo de recauchutagem acontecia, olhei uma revista de fofocas. Há pouco para ler, há mais para ver. E como raramente leio este tipo de revista fiquei chocada com a matéria sobre o suicídio de uma atriz que pulou do sétimo andar de seu prédio, dois meses após o suicídio de seu noivo. O choque se deu, pois foram publicadas cartas, pedidos de desculpas aos pais, filhos, amigos, e.mails de despedida, fotos horas e minutos antes do acontecido, etcetcetcetc, numa infinidade de páginas em meio a tantas outras celebrando a pujança, a fartura, a beleza da vida em todo seu esplendor e futilidade. Tudo devidamente registrado e publicado para o Brasil inteiro testemunhar. Para quem não conhece a história, e para quem conhece, sabe que estou atrasada três meses na notícia. Mas não é sobre a notícia que pretendo escrever. É sobre a modernidade do suicídio que se transformou em notícia macabra e sensacionalista de consumo rápido. Assim como eu, milhares de pessoas devoraram esta história mórbida, e o que sempre ficou restrito ao ambiente familiar, foi motivo de fofoca – tomara de reflexão – país a fora.
Após o choque pela banalização deste momento desesperador, pensei em como esta história poderia ser catártica a milhares de leitores. Potenciais suicidas, familiares inconsoláveis pelo suicídio dos seus……cada qual absorvendo e elaborando sua parte.
Sinceramente acredito que o suicídio é apenas uma escolha entre morrer e viver. A tonalidade fica por conta dos motivos e a forma com que ele acontece, banhado sempre por uma dor lancinante e, como acreditam os suicidas, insuportável. Quem tem presença garantida nestes eventos é a senhora depressão.
Muitos de nós nos suicidamos/morremos um pouco a cada dia. A atriz mencionada alegou que não estaria se suicidando, afinal se sentia morta em vida e que morrer por amor não seria pecado. Assim como Romeu e Julieta.
Concordo que suicídio não é pecado. É escolha.
Morrer por amor todos morremos um pouco todo dia. Por amor a um companheiro, filhos, familiares, amigos que nos decepcionam; por amor a carreiras interrompidas, saúde perdida, planos pulverizados, sonhos dinamitados. Decepções e perdas diárias que a vida impõe.
Quanto ao amor romântico, motivo alegado pela atriz para seu suicídio, eu o respeito. Habitualmente todos somos vítimas dele.
Passado seu “frison”, a fantasia cede espaço à realidade. É ela quem nos prepara e nos garante a sobrevivência e o dia de amanhã, assim como o amor romântico morto cede espaço ao amor maduro e seguro. Real e humano.

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