“Água para elefantes”

Tenho ido pouco ao cinema e acho que o último filme que assisti foi “Água para Elefantes”. Além do filme, li o livro também. A história dos circos, de certa forma, meche muito comigo. Hoje, de todos os entretenimentos é do que eu menos gosto, e se puder, evito ir. Odeio o retumbar dos tambores. Fico aflita e ansiosa ao ver malabaristas e trapezistas fazendo números difíceis, e aquele som nervoso e estridente, parece anunciar a eminência de uma catástrofe. O fracasso ou o sucesso. Acho que minha pressão sobe às alturas!!!!!
Quando menina, os circos eram um grande acontecimento na pequena vila em que me criei. Lembro do agito, dos artistas, do retumbar dos tambores e de vários fracassos. Artistas derrubados por uma bola, corda, vara ou bicicleta. A rede de segurança sempre os protegeu de se espatifarem no chão, mas não da sensação de derrota e do trabalho mal feito. Normalmente o fracasso era contemplado com brincadeira de palhaços, mas aquela palhaçada me deixava mais nervosa ainda. Cheiro de grama pisoteada e molhada misturada ao esterco de animais ainda são muito presentes em minhas lembranças, e mesmo depois de mais de quarenta anos, ainda são muito intensos.
Durante o filme “Água para Elefantes”, sentada confortavelmente na sala de cinema, foi aquele cheiro que me invadiu e me transportou àquela época tão distante e de repente tão próxima. Por pouco não levantei e saí. Mas a promessa de uma grande história de amor me fez ficar e assistir ao “maior espetáculo da terra” até o final.
O filme foi baseado no livro de Sara Gruen. E, apesar das sensações e lembranças gostei tanto do livro como do filme. Jacob é o narrador da história que intercala capítulos de lembranças da vida no circo com capítulos sobre a dificuldade de ser um velho de 93 anos, vivendo longe da família, num lar geriátrico.
Aliás, memória é coisa estranha. Dizem que nossa memória é o arquivo de nossa história. Fico imaginando quanta coisa já se perdeu nas catacumbas e quantas ainda vão se perder. Felizmente algumas são sobreviventes. São aquelas situações que ficam gravadas a ferro e fogo (o circo na minha infância) enquanto outras simplesmente desaparecem, como se jamais tivessem acontecido (minha primeira viagem a Itu há 25 anos).

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