Zoos

Neste fim de semana – Dia dos Pais – o passeio foi uma inocente ida ao Zoo SP. Taí um passeio esquisito. Diferente. Triste. Alegre. Reflexivo. Agitado.
Fazia mais de vinte e dois anos que visitamos o Zoo de São Paulo. Nestes anos todos visitei vários outros, mas com a chegada do filhote Felipe (por ocasião do Dia dos Pais) decidimos que seria um passeio quase inédito. A última vez que fomos ele tinha apenas 8 meses. Era um bebê fofucho e lindo!!!! Continua assim: fofucho e lindo!!!!! Fofucho quer dizer querido e amado, nada a ver com gordo, fui clara?

Aqui em casa cada um gosta de bichos distintos: o meu favorito é sempre o elefante. Adoro ver aquele gigante de olhos pequenos e meigos deslizando suavemente e desajeitadamente para lá e para cá. Adoro ver a tromba subir e descer e levar comida até a boca delicada, além das orelhas de abano servindo de leque e mensageiro. Os elefantes sempre me cativam, onde quer que estejam. No Animal Planet, no Kruger Park, no Zoo, em fotos ou revistas. Eles sempre me pegam. Um dia ainda vou andar de elefante. Já o maridão adora os pássaros. Todos. Do menor ao maior.

Felipe adorava os jacarés. Quando pequeno ele zanzava pela casa com um enorme “jaca” arrastando e se esfregando pela casa. Era com um “jaca” que ele dormia à noite. Mas sábado, nenhum jacaré do Zoo SP chamou sua atenção.

Já minha filha Fernanda (também fofucha e linda!!!!!)sempre foi e ainda é apaixonada pelos felinos. (Viu Fernanda? Elogios iguais aos dois. Ciúmes é coisa levada a sério na nossa família. Como anda a contagem de vezes em que cada nome aparece????rsrsrsrsr)

Apesar de admirá-los e fotografá-los de vários ângulos e posições, ver os animais naquele grande Animal Big Brother sempre me entristece. Assim como me entristeço quando vejo animais expostos em Pet Shops. Parecem simples mercadorias para compra e venda. Quando na verdade são seres vivos intensos em sentimentos e alma. Vê-los, assim expostos, sem privacidade nem sossego, é algo, desanimal. Quase desumano.

Lembrei de uma experiência feita anos atrás quando um casal foi colocado numa jaula. Como animais. Na época, a cena chocou. De lá para cá muita coisa mudou. Com a chegada e o sucesso do Big Brother e de todas as mídias sociais, cheguei à conclusão de que todos somos animais num grande zoológico global. Porém, diferentemente dos animais do Zoo SP (e de tantos outros visitados) que se esgueiram pelos cantos buscando paz e invisibilidade em seus espaços enjaulados, cada vez mais, nós – seres humanos – nos expomos narcisicamente. Queremos ser vistos, admirados e fotografados. Ansiamos por este reconhecimento que nos permite ser e existir como seres únicos, mesmo vivendo em tribos, manadas e rebanhos – como zebras e búfalos.
A vida humana não é um grande Animal Planet?

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