Necessidade ou desejo de mudança

Ao longo dos anos mudei muito. Mantive o essencial: o amor e a dedicação a minha família, meu casamento, meus princípios e valores. Mudei de cidade, de casa, de Estado, de país. Mudei de emprego, de local de trabalho e de função. Fui psicoterapeuta, psicóloga escolar, professora, palestrante, dinamizadora de grupos, perita, mediadora, escritora. Fiz parte de equipes multidisciplinares, ou, a própria equipe. Exerci funções diferentes dentro de minha profissão e em locais muito específicos. Prefeituras, escolas, salas de aula, consultórios particulares e em parceria, associações comunitárias, postos de saúde com grupos de mulheres, de gestantes, de pais, de jovens. Felizmente o trabalho em psicologia nos permite isso. Diria mais; nos exige isso! Pude ser uma psicóloga diferente diversificando minha função e trabalho. Estas mudanças sempre foram uma opção, um meio de conhecer o novo, o diferente, o outro. Tiveram seu preço e seu bônus. Certamente houveram mais bônus. Percebi o quanto nossas escolhas e decisões são questionadas, estimuladas ou desestimuladas, criticadas ou aplaudidas. Quando ousamos mudar, mexemos muito com as pessoas que nos cercam. Ao nos permitir explorar o novo, sair da mesmice, arriscar e acreditar no diferente tocamos nos medos e nos desejos dos outros. Vivemos uma busca interminável do melhor para nós e nossa família. Mas nem sempre –  ou quase nunca – sabemos o que é o melhor. Entre permanecer no bom que se tem/é, ou arriscar buscar o melhor que poderíamos ter/ser, nem todos arriscamos.  Incrível a capacidade humana em permanecer em verdadeiros infernos e guerras, usando as mais diferentes técnicas de administração do caos (como costumo dizer), pelo medo de tentar, de mudar e ser feliz. Pessoas se mantém em casamentos violentos sem amor sem carinho sem respeito sem prazer. Pessoas se mantém em empregos, vítimas de assédio moral, desvalorizadas no seu fazer e desrespeitadas no seu ser. Pessoas se mantêm em carreiras que lhes corrompem a alma, mantendo-se prisioneiras de um diploma ou de uma história familiar. Pessoas dormem e convivem com o inimigo diariamente. Pessoas adoecem física e emocionalmente insistindo em suas escolhas originais. Muitos tem medo de diversificar seus conhecimentos buscando novas áreas de atuação por recear a crítica e a opinião dos outros (como se os outros soubessem o que é o melhor para nós!!!!). Sempre acreditei que existem pessoas que mudam pelo prazer da mudança, e outras, porque não existe outra alternativa. Melhor fazer parte do primeiro grupo. Mudar depende de planejamento, uma cota de sacrifício, dedicação, apoio, fé na própria capacidade e coragem para ser feliz. O risco de não dar certo existe, assim como existe o risco de dar errado se permanecermos como estamos. Somos nós que escolhemos qual risco correr. No meu balanço de escolhas e mudanças, tanto profissionais como afetivas, sempre me permiti ousar, mudar e explorar coisas novas. Jamais me violentaria mantendo-me sufocada, aprisionada ou paralisada numa situação aparentemente segura.

O custo de tudo oriundo deste tipo de sacrifício é extratosférico e impagável.

Prefiro me arrepender por tentar e não conseguir.

Quando não dá certo, faz-se o caminho contrário. É fácil e conhecido.

(Los Canales, agosto de 2007)

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