O chilrear dos gaúchos

Durante a primavera,  além das flores e do clima ameno, gosto de acordar com o suave cantar e chilrear dos pássaros no raiar do dia. O melhor despertador do mundo. Uma orquestra matinal de sons suaves e etéreos massageando de leve os sentidos, os músculos e os pensamentos, preparando-os para a maratona diária de compromissos e atividades.

Era assim, até me mudar para São Paulo.

Primavera, flores, clima ameno, despertador, sentidos, músculos e pensamentos estão tão presentes lá como cá. Mas o trilar dos pássaros é outro. É neurótico, agudo, estridente, impaciente, apressado. Em suma, estressado. Quando chega setembro, acordo com o grito desesperado de um sabiá, todas as noites, por volta das 4 horas. Já tentei localizá-lo com um estilingue nas mãos. Nem sinal do danadinho. Ou dos danadinhos. Só sei que volto a dormir somente depois que ele – ou eles – conseguem seduzir suas fêmeas e sossegam o bico. Ou seja, com o dia já despontando e meu humor agonizando.

Aqui em Lajeado acordo com o mesmo alarido matinal dos pássaros, mas a sensação é de paz, tranquilidade e sossego. Tentando ser imparcial e racional deduzo que o problema dos pássaros de SP são os ecos na selva de pedra. Me recuso a acreditar em pássaros estressados. Se bem que, já tive uma cachorra e um gato estressado. Tadinhos.

E eu, com a funda na mão, vociferando horrores aos pobrezinhos. Pobrezinhos, nada!!!!! Porque não voam para uma selva verdejante e aconchegante? Porque não me seguem até Lajeado?

Pensando bem, melhor ficarem em São Paulo.

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