Viajando pelos EUA

Vou chover no molhado ao falar da maravilha que é viajar. Mas não tem como fazer diferente depois de 15 dias fuzilada diariamente por mil estímulos. Sentidos afiados sorvendo tudo o tempo todo. Com os anos aprendi a viajar inteira, deixando em casa preferências, amores e saudades. Paradoxalmente vou vazia e receptiva por imagens, sons, sabores, texturas. O novo se entranha de manhã à noite em paisagens exuberantes, gentes diferentes, culturas interessantes, sons inebriantes, sabores exóticos e cheiros penetrantes. Os chafés sem graça, sem gosto. Mas cheios de charme e glamour. Hollywood tem sempre um copo de café fumegante com tampa na mão de mocinhos e bandidos. Os brownies fofos cheios de mirtilos roxos e azedinhos. Os waffles fresquinhos banhados pelo “siroup” molhado e doce. Abundância calórica e saborosa sabotando diariamente a dieta intimidada por obesos felizes e fartos. Os vinhos rascantes, suaves, brancos, tintos e rosês. Americanos de Napa Valley degustados durante 15 dias. Mesmo criticados –  e traídos duas vezes, um português e um italiano – tiveram sua chance. Seu “terroir” refletiu primorosamente o dinamismo e a objetividade do povo americano. Nada de descansos prolongados em barris de carvalho. Os sucos cozidos e industrializados e os refrigerantes aguados em porções generosas de gelo. Carnes, peixes, frutos do mar, pastas, pizzas, hambúrgueres, hot dogs. O paladar regozijou-se ante a variedade e a intensidade. Aplausos para os “nachos mexicanos”, o “salmão rei” e o “ribyne well done”. Vaias para a gula provocada diariamente pelas impressionantes praças de alimentação distribuídas pelas milhas serpenteantes das “highways” percorridas ou pelas barulhentas, confortáveis e famosas “Harley Davidson” de 1800 cilindradas ou pelos carros alugados por singelos 60 dólares diários. 3000 quilômetros entre desertos áridos e pedregosos, canyons espetaculares, montanhas salpicadas de neve, florestas  de mágicas e gigantes sequóias ou energéticas florestas petrificadas, praias cheirando salgado, surfistas e esquilos obesos, plantações de frutas com mega-morangos californianos e apetitosos e inesquecíveis “abricôs”, Vegas/Frisco/LA e vilarejos simpáticos. A genialidade no “O” do Circo de Soleil. A calçada da Fama em Hollywood. O Grand Canyon via IMAX e helicóptero. O luxo de Beverly Hills e da vinícola “Opus One”. As compras: eletrônicos, bugigangas, outlets, shoppings. Meus scraps.  A nostalgia dos bondes de São Francisco. 15 dias com cara de mês. Hora de integrar o que ficou em casa e o que se agregou na viagem. Hora da rotina da vida. Porque ninguém é de ferro.

4 comentários sobre “Viajando pelos EUA

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