Hotel Sta. Helena

Entre Rutherford e Calistoga, no coração do Napa Valey, na Califórnia – USA, situa-se a pequena e antiga cidade de St. Helena. E na 1309 Main Street, o Hotel Sta. Helena. Jamais ouvimos falar daquele que se intitula o ambiente mais elegante desde 1881(Since 1881 A Most Elegant Inn). Quiçá, lembraremos dele futuramente. Ao longo dos anos, inúmeras viagens, incontáveis hotéis, eis que alguns mantém-se íntegros na memória. O “Sheraton” de Toronto, o “Sun City” na Africa do Sul,  aquele no Lago Königsee, na Alemanha, de nome impronunciável. Teve também o Hotel de Cancun, o de Parati. Muitos mantém-se gravados pelos momentos, situações, beleza, aconchego,  conforto. Lembranças completas ou apenas flashes vagos destinados ao esquecimento total. É a memória engolindo a história. Nesta última viagem, certamente os melhores foram o Paris-Las Vegas, em Las Vegas e o Wuksachi Lodge, no Sequoia National Park. Por enquanto, inesquecíveis. O Hotel Sta. Helena entra para uma categoria totalmente diferente. Bizarro. Esquisito. Amedrontador. O perfeito cenário para Alfred Hitchcock. Talvez eu mesma o utilize no futuro.

Depois de um dia abafado e calorento, depois de várias vinícolas visitadas, depois dos chardonays, zinfandels, cabernet sauvignons, merlots, sauvignon blancs, portos, rieslings, pinot noirs, depois de muitas milhas rodadas, caminhos e estradas erradas, depois de muitos hotéis sem vaga, enfim, espremido num centro comercial, o Sta. Helena surgiu como uma dádiva divina. Haviam quartos. E havia também a oferta de um desconto substancial. Parecia perfeito. Até entrarmos e falarmos com a proprietária. Uma mulher alta, magra, de olhos esbugalhados e um texto decorado. Olhava para mim e falava sem perceber que metade das orientações entravam por um ouvido e saíam pelo outro. Além do inglês rudimentar, doses e mais doses de vinhos californianos ditavam minha compreensão e discernimento. Ao redor, a decoração contrastava absurdamente com os Westhern, Holliday e Confort Inn dos últimos dias. Despenquei no túnel do tempo e caí numa cama de ferro no segundo andar passando pelo carpete cor de vinho, os móveis antigos, a coleção de bonecas de porcelana, o cavalo do carrossel, os relógios de corda, os lustres e abajures da década de 50.

Ao acordar, durante a noite, lembrei das bonecas de porcelana, e subitamente e inadvertidamente, lembrei-me do Chuck, o boneco assassino. Também lembrei de filmes sobre quartos e hotéis assombrados. A cama rangente, o banheiro de azulejos amarelados, a grade no teto do quarto com a presilha para bloquear o ar condicionado central, o estranho silêncio, me faziam pensar que éramos os únicos hóspedes do hotel. Os olhos esbugalhados da proprietária voltaram a me fitar e procurei rápida e desesperadamente meu “Lexo”. Poucas horas depois, eram meus os olhos esbugalhados na elegante sala do café da manhã, onde outros 6 hóspedes desfrutavam de um café servido por uma senhora alta, magra, de cabelos brancos e olhos esbugalhados. Seriam a mesma pessoa? Acredito que não. Acredito que foi excesso de vinho e muita imaginação.

A foto vermelha, eu sei, ficou horrível. E se disser que foi a única em mais de 3000 fotos que ficou assim, volto a pensar. Assombração ou ressaca?

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