Mulheres são desdobráveis

A expressão não é minha. É da poetisa Adélia Prado, citada pelo jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, autor do livro “Minhas Amigas – Retratos Afetivos”, entrevistado na revista Cláudia, do mês de Maio de 2012. (Ainda não comprei o meu, mas está na lista dos compráveis.) Depois de anos, voltei a assinar a revista, que foi minha companheira durante anos. Tenho a impressão – ao lê-la – de que ficou melhor. Mais madura. Mas, voltando às mulheres desdobráveis. Assim o somos? Penso que sim. De manhã à noite, de segunda à segunda, de janeiro à janeiro, o que vejo do universo e do discurso feminino é dinamismo e versatilidade. O desdobramento feminino. É a mãe que leva o filho à escola, vai à academia, ao trabalho, paga contas, passa no supermercado, busca o filho, prepara o jantar, faz a lição com o filho, conversa com o marido, telefona para a mãe, para a amiga, organiza a casa, namora, se preocupa, planeja o dia seguinte, apaga. É a filha que acorda cedo, conversa com os pais, vai à faculdade, ao meio dia passeia pelo shopping, vai ao trabalho, sai pra jantar com as amigas, fala dos homens, anseia por um, lê um bom livro, sonha,  apaga. É a noiva que acorda com o casamento na cabeça, liga pros fornecedores, pro amado, pro trabalho – vai chegar atrasada – faz reuniões, decide aplicações, vai ao curso, discute escolhas, apaga. Três histórias entre zilhões de outras. Pensei no meu dia a dia, minhas semanas, meus anos. Uma montanha-russa de altos e baixos, caminhos ondulantes e nauseantes. A vida seguindo seu curso e seu percurso. De menina à mulher – madura de 50 – do namoro ao casamento, dos filhos criados e encaminhados, das casas e cidades de parada e transição, dos estudos ao trabalho e dele retornando ao casamento, o velar do pai moribundo, as novas necessidades, a reciclagem da história dos móveis, das fotos, das coisas de uma vida. Os ciclos lineares e circulares de emoções, alegrias, tristezas, mágoas, ressentimentos. De sonhos e arrependimentos. A vida se desdobrando e, dentro dela – como muito bem diz Adélia Prado – uma mulher desdobrável.

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