Velas deprimidas

Depois do casamento da minha filha Fernanda, em março deste ano, fiquei – entre outras sobras – com um saco cheio de restolhos de velas. Sou uma apaixonada por velas que uso sem cerimônia em jantares, bate-papos com amigos, pra namorar, ler, perfumar e iluminar a casa. Uma vela é sempre um bom motivo e qualquer motivo é sempre bom com uma vela.  Assim…….o que fazer com todo este material? Óbvio: reciclar. Primeiro passo: aprender a fazer e reciclar velas. Em junho fiz um curso no Empório das Velas, em Moema, São Paulo, onde aprendi o básico suficiente pra me aventurar na arte das velas artesanais.

Segundo passo: comprar o material. Já aproveitei na saída do curso e com orientação da professora (faltou um mini-maçarico para os acabamentos – uma aquisição futura) Terceiro passo: mãos à obra. A primeira tentativa – depois do curso e do olhar atento da professora – foi no meu fogão de inox LOFRA, no apartamento em Sampa. Caos total na cozinha. Ainda bem que era dia de faxina: enquanto a faxineira arrumava de um lado eu zoneava do outro. Por incrível que pareça, ainda hoje (semanas depois da empreitada) me vejo raspando vela no granito branco polar da bancada ao redor do fogão. E olha que eu cuidei ao máximo!!!!!! Uma meleca. Juntei todo material e decidi que este é o tipo de atividade pra se fazer em lugar adequado – meu atelier de Lajeado-RS.

Nada de improvisos. Valeu a primeira tentativa pra adequar procedimentos e providenciar materiais faltantes absolutamente imprescindíveis.

Chegando em Lajeado, preparei meu atelier: juntei todos restolhos de velas (tanto os do casamento, quanto outras velas usadas no dia-a-dia),

forrei piso e mesa com papelão em rolo, emprestei um fogareiro com um bocal potente (outra aquisição futura), comprei um panelão (para uso exclusivo), recolhi xícaras, potes, formas, etcetcetc. Comecei fazendo velas dentro de recipientes. Adoro usar peças antigas, como esta xícara da minha bisavó.

Dá pra perceber a depressão da vela? É essa “caída” no centro que faz uma vela deprimida. Quem diria!!!!! Mas ela tem remedinho. São estes quadradinhos – feitos da própria parafina – que preenchem o vazio que se cria no âmago de toda vela.

Na forma, quando a vela deprime, a gente recorta – no momento apropriado – à 1 cm da borda, escorre a parafina líquida de volta pra panela e preenche com os quadrados (remedinhos). Depois de preenchida com o remedinho, acrescenta-se parafina a 120 graus pra uniformizar, deixa descansar e espera secar. Se a vela deprimir de novo um simples preenchimento resolve a questão.  

Gosto de velas artesanais com elementos. Escolhi umas sementes velhas (que antigamente tinham um perfume maravilhoso mas que sumiu), comprei umas pimentas, folhas amareladas e grãos de café. Amanhã vou recolher alguns ramos com folhas do plátano na calçada da minha casa e fazer velas outonais.

Neste momento, meu atelier está gestando o trabalho do dia. Durante a noite, espero que minhas velas recicladas e devidamente medicadas e preenchidas, recuperem a beleza e a funcionalidade.

Encerrado este processo noturno, o amanhã reserva a hora derradeira: desenformar as velas e dar o acabamento. Mas este é outro assunto e outro dia. Isso se as velas saírem ilesas e inteiras. O amanhã dirá.

2 comentários sobre “Velas deprimidas

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