O corpo fala

Anos atrás li o livro do cardiologista Dr. Marco Aurélio Dias da Silva, “Quem ama não adoece”. Estava preparando uma palestra sobre saúde para um Encontro de Terceira Idade. Encontrei neste livro muitas histórias e entendimentos que mostram o quanto a saúde mental, afetiva e espiritual afeta nossa saúde física. Não importando nossa idade. Mais tarde, encontrei numa loja de produtos esotéricos, o excelente livro de dois psicólogos alemães Thorwald Dethlefsen e Rüdiger Dahlke  “A doença como caminho”. Eles procuram identificar através do órgão enfermo qual o conflito emocional a que ele se relaciona e se expressa. Assim, quando alguém tem problemas muito frequentes de pele (que é nosso órgão de contato com o meio ambiente, com as pessoas e com o mundo a nossa volta) este sintoma sinaliza a dificuldade que esta pessoa tem em seus relacionamentos. Pode parecer loucura, mas sempre observei em minha prática clínica e pessoal, a coincidência entre o conflito psíquico e seu correspondente físico. Todas às vezes em que tive minhas crises de labirintite, percebi que estava vivendo momentos de fadiga física e emocional, perdida, sem saber que caminho seguir. Meu equilíbrio emocional – tão precioso em minha prática profissional – estava prejudicado. A forma de me parar e me reencontrar, era sinalizado por meu corpo que também perdia o equilíbrio. Era ele, que através da doença, me parava. Assim, sempre que observo as doenças entre as pessoas que me cercam, procuro seu correspondente psicológico. São incríveis as pistas que nosso corpo nos dá. Ele nos delata e mostra aquilo que não queremos ver. Como diz Pierre Weil, o corpo fala. O problema é que insistimos em não ouvir nem ver o que ele tem a nos dizer. Observar e respeitar esta comunicação corporal nos garantiria um corpo mais saudável e uma mente mais equilibrada e feliz. Muitos ignoram esta comunicação, talvez por faltar-lhes conhecimento, ou, como muitos dizem, por não terem tempo para este tipo de coisa. Mesmo assim, quando algo em nosso corpo não vai bem, ele emite sinais potentes e insistentes. Convivemos cada vez mais com diagnósticos de câncer de mama, mastectomia, histerectomia, miomas e tumores, depressão, problemas cardíacos e de pressão arterial, cânceres variados. O início da menopausa, as doenças do sistema reprodutor feminino, as variações de humor e as perdas da meia-idade, colocam-nos em sinal de alerta. Começamos a perder amigos e pessoas queridas, e, por tabela,  a ver nossos corpos como mortais e frágeis, e não mais como eternos e indestrutíveis. É hora de mudar nossa forma de nos relacionar com o nosso corpo. É hora de conhecê-lo como um todo, de ouvi-lo, de saber suas necessidades e suas fragilidades, seus pontos fortes e fracos. É hora de amá-lo e respeitá-lo. E principalmente, é hora de atendê-lo e entendê-lo. Incondicionalmente.

                                                                               Lajeado, junho de 2007

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