Nina e a conversa das coisas

A gente se comunica e se trumbica o tempo todo. Mais experiente, começo a suspeitar que tudo acontece por algum motivo, e que nada acontece por acaso. Clichezaço!!!! Mas começo a suspeitar da comunicação da matéria. Dias atrás, usei um vestido comprado (um ano antes) para a formatura do meu filho, depois que minha assistente queimou “sem querer” a gola da camisa de seda, comprada na véspera, para ser usada com uma calça rendada. Depois de um ano, o vestido ficou com cara de muito “senhora”  e a dupla camisa de seda + calça rendada estava infinitamente melhor cotada. Pra completar, minha costureira teve problemas de saúde e estava impossibilitada de costurar e reformar, e eu, sem alternativa, tive de cumprir a promessa de um ano antes: usar o vestido verde rendado. Simplesmente um complô cósmico materialista. Só mencionei esta “coincidência” pra falar, de novo, da minha gata Nina.

Minha gata é uma grande tagarela. Como passo um período afastada, minha assistente é quem fica atenta e me repassa o que minha gata quer e pede. Rapidamente, assimilo a simbologia dos miados, poses e atitudes. Tem o miado do “estou com fome”, o miado do “quero colo”, o miado do “quero sair e passear”. A cabeça sobre o notebook ou sobre o livro deixa claro quem deveria estar em primeira opção de atenção e dengo. O arranhar dos sofás, a correria por entre as cadeiras, o se esconder e se deitar de barriga, deixa claro a hora da brincadeira. O ronronar e os grunhidos quase inaudíveis, demonstram o prazer de estar junto. Na noite passada, ela veio de mansinho e se deitou no travesseiro ao meu lado. Normalmente ela fica nos pés ou mais afastada, mas na noite passada, ela literalmente se apossou do travesseiro do meu lado. Fiz chamego nela e deixei-a curtir o momento, já que no dia seguinte eu não estaria mais com ela. Ela ronronava e dormia placidamente. Decidi lhe dar as costas pra continuar lendo. Em segundos escutei um grunhido forte, me virei pra ver o que era e lá estava ela, com a cabeça virada, olhos fixos nos meus, como quem diz “que história é esta de me dar as costas?”. Me revirei e ela voltou a fechar os olhos e dormiu. Ela disse tudo. Aliás, essa gata só falta falar.

2 comentários sobre “Nina e a conversa das coisas

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