De que macaco descendemos?

Poucos discutem hoje a validade da teoria da evolução da espécie de Charles Darwin. Por mais que nos choque ou nos extasie, por mais que irritemos religiosos do mundo todo, temos a convicção de que somos a evolução mais bem sucedida de nossos ancestrais macacos. Cada vez mais vemos e lemos sobre experimentos que comprovam semelhanças entre nós e os macacos. Como psicóloga e terapeuta de casais, ao longo dos anos li, sob várias perspectivas diferentes, o funcionamento dos relacionamentos humanos. Teorias psicanalíticas e sistêmicas sempre foram as minhas preferidas. O que uma não explicava bem, a outra dava conta. Anos atrás li um livro excelente chamado “Anatomia do Amor” da escritora e antropóloga americana Helen Fisher, que abordava o amor e suas manifestações, sob a ótica evolucionista e antropológica. Achei surpreendente e pude comprovar na prática (na minha vida pessoal e também com meus pacientes) suas teorias. Realmente, muito do que fazemos é herança instintiva e evolucionária de nossos antepassados e que por terem sido utilizadas, garantiram a preservação da espécie humana. Incluem-se aí desde os jogos de sedução, as raízes do ciúme e da infidelidade, a poli ou a monogamia, entre outras questões. Recentemente chamou-me a atenção o enfoque do psiquiatra norte-americano Frank Pittman, autor do livro “Mentiras Privadas”, sobre a infidelidade e os diferentes modelos ancestrais quanto à forma dos relacionamentos humanos. Ele questiona se o casamento é algo natural na vida da espécie humana. E discorre sobre quatro diferentes modelos de relacionamentos entre os símios: gibões, gorilas, orangotangos e chimpanzés. Segundo ele, gibões são monógamos e podem afugentar os próprios filhotes da relação com sua companheira; os gorilas são polígamos, o macho dominante tem seu harém particular de fêmeas; os orangotangos são solitários e anti-sociais e esporadicamente tem encontros com fêmeas na floresta; os chimpanzés são promíscuos e mantêm-se afastados do grupo de fêmeas e filhotes, e só invadem o grupo para se acasalar com qualquer uma das fêmeas, com aquela que lhes agradar naquele momento. Seguramente conhecemos pessoas que seguem mais ou menos estes padrões de relacionamento. Interessante!!! Surpreendente!!! Será???? Como entender o formato dos nossos relacionamentos sob a ótica evolucionista? Quantas justificativas encontramos para nós mesmos e para nossos cônjuges frente à infidelidade? Afinal, existem numerosas explicações que apontariam causas inconscientes, situacionais ou contextuais para entendermos nossos relacionamentos como também a presença da infidelidade na vida a dois! Possivelmente na teoria evolucionista poderíamos deduzir que o antepassado de nosso companheiro poderia ter sido um chimpanzé, ou quem sabe um gorila. O que é menos pior na nossa sociedade monogâmica? Poderíamos pensar em como seria bom se nosso companheiro fosse descendente de um gibão, mas mais evoluído quanto aos ciúmes dos próprios filhos! Poderíamos encontrar resposta para as queixas de dez entre dez mulheres, de que existem poucos machos disponíveis, e deduzir que eles poderiam ser descendentes dos orangotangos, e que certamente estão escondidos por aí, e só saem esporadicamente para encontros fortuitos com as fêmeas, sem chance para compromissos mais sérios! Será que tudo se resume a nossa evolução? Será que ainda estamos evoluindo? Com certeza, e felizmente, estamos em permanente e constante processo de evolução. Independentemente de a explicação ser psicanalítica, sistêmica ou evolucionista.

                                                                              Los Canales, setembro de 2006.

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