Uma noite indiana

Contei 12 sáris de festa. Do que mais gostei foi de um verde azul turquesa com bordado floral marrom com barra larga dourada. Mas, o de seda lilás com azul claro, azul marinho com rosa pink, pretos luminosos, pink com laranja estilo boliwood são tão lindos quanto. Nibha não usa nenhum deles, no dia a dia na Austrália, apenas quando retorna à India ou em eventos muito especiais, como nas Bodas de Prata, comemorada nas areias da praia de Leighton, há dois anos atrás. Ela, Nibha, descendente de família real indiana. Ele, Anil, descendente de família real nepalesa. Imigrantes na Austrália há mais de 20 anos, construíram uma vida ocidental, cultuando a publicidade, o comando de navios mercantes, e acima de tudo, a família. Nem imaginam voltar à realeza nas regiões de seus países, onde a água encanada e a energia elétrica não são garantidos. Somos recebidos com o celestial e universal “Namastê”, um sorriso franco e aberto, tempero demais na hospitalidade, menos na comida, adaptada ao gosto ocidental, shukriya, obrigada . A noite foi regada a vinhos australianos, “arroz branco” com “Lamb ao curry”, “beans radjma” (no norte da Índia este prato de feijão é servido com iogurte), “frango tandore” com “Anil’s special potatoes” e muitas histórias sobre a família e a cultura indiana. A maltês “Coco” mostrou que os meses de “Puppy School” valeram à pena, uma dama peluda, companheira no sofá e na mesa, com olhos pidões comportados. “Mubarak”. Parabéns. Anil entrevistou dezenove pretendentes para sua irmã Anita, que casou de forma tradicional com um soldado do exército nepalês. Segundo as tradições indianas, o dote normalmente é compatível com o status da família e serve basicamente para comprar o “Trosseau”, enxoval da noiva. Mas, o dote é um assunto totalmente particular para cada família, e nem todas seguem esta tradição. Nibha conta que a festa do casamento é cheia de simbolismos. A pintura feita nas mãos da noiva, “mehndi”, serve para ela descansar e não fazer nada no dia do casamento, que pode durar vários dias. Este tempo faz-se necessário, pois representa a alegria de encaminhar a filha, como também o luto de perdê-la para a família do noivo.  “Suniya”, escute. Existem palavras que não encontram eco na cultura indiana. Por favor e me desculpa, parece não terem correlatas por lá, e quando necessárias, acontecem por gestos e expressões. Qual será a palavra, expressão ou gesto que define um sinal, uma comunicação do universo? Não é por acaso que este encontro aconteceu. Agora tenho uma “hostess” pra me guiar pelos caminhos e mistérios da Índia. Um sonho, uma viagem futura. O encontro preliminar já aconteceu, agradou e encantou. Nibha, shukriya!!! Além do jantar impecável, a figura dividida de Serena na capa do meu primeiro livro publicado, é obra desta indiana talentosa, publicitária, artista, amiga.

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