Tailândia – um overview

O sonho de conhecer a Tailândia era antigo: da época do tsunami (2004), e por mera questão de destino, não estávamos lá. Os anos passaram, o sonho se manteve. Nas palavras do meu marido “a Tailândia é como qualquer país da linha do Equador”. Pobre, sujo, quente, populoso, desorganizado. Mas, tem lá seus encantos! Como todo país da Linha do Equador. Em Bangcoc, a capital, o antigo e o novo convivem de forma harmoniosa.

O novo e o antigo em harmonia.
O novo e o antigo em harmonia.

A infraestrutura rodoviária na capital impressiona: são quilômetros e quilômetros de viadutos sobrepostos (e ainda insuficientes), um Aeroporto Internacional que põe Cumbica no chinelo, vários Shoppings Centers com milhares de lojas. De repente, uma avenida moderna desemboca numa viela pobre, com lixo a céu aberto, suja e malcheirosa. Cheiro de fritura e comida, sucata atirada a esmo, novelos emaranhados de fios de luz, gente, muita gente mesmo: nativos e turistas do mundo todo. Mochileiros, famílias europeias e casais em lua de mel. A cidade é uma verdadeira Torre de Babel.

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O tailandês é atencioso, prestativo e agradecido. O gesto reverente de baixar a cabeça e cruzar as mãos em forma de oração é repetido milhares de vezes durante o dia. Do porteiro do hotel, ao maitre do restaurante, à vendedora de loja, à prostituta do “ping pong show”. Uma unanimidade nacional que surpreende e encanta. Apesar da pobreza e da simplicidade do povo, a violência praticamente inexiste,  o que surpreende a nós brasileiros, que associamos violência à pobreza. Talvez um traço cultural, talvez influência do budismo, mas a marca do povo tailandês é sua religiosidade sem cerimônia.

Momento de meditação e mantras dos monges tailandeses.
Momento de meditação e mantras dos monges tailandeses.

Além de templos magníficos esparramados por toda Bangcoc, cada estabelecimento/casa tem seu templo particular de oração e adoração à Buda. Da loja de motos e quinquilharias, aos hotéis, restaurantes, boates de strip-tease, salas de massagem, praças. Pra onde o olhar aponta, encontra templos de variados tamanhos e modelos ou monges budistas, enrolados em seus “sarongues” cor laranja, na displicência do cotidiano.

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O trânsito é caótico com “tuc-tucs” disputando centímetros das avenidas e vielas com motos, táxis multicoloridos, vans e todo trânsito comum às grandes cidades. Motos também circulam na contramão ou nas calçadas, com famílias inteiras na garupa sem capacete ou qualquer segurança.  As feiras pululam por toda parte, vinte e quatro horas por dia, com pirataria de primeira e preços em “baths”. Cada “real” equivale a 12 baths. Pra quem gosta de pechincha, pirataria e preços baixos, a Tailândia é o paraíso.

Tuc Tuc, mais caro e desconfortável que o táxi comum. Mas precisa experimentar.
Tuc Tuc, mais caro e desconfortável que o táxi comum. Mas precisa experimentar.

Se o dia fervilha de excentricidades e atrações, a noite em Bangcoc mantém o ritmo, desfilando atrações mundialmente famosas: o exotismo das casas noturnas nas “red areas” é inigualável e incomparável. Nem Hamburgo (Alemanha), nem Amsterdan (Holanda) se equivalem. Aliás, Bangcoc no quesito turismo sexual, põe até o Brasil no chinelo. É comum ver hordas de homens do mundo todo em grupo, usufruindo da noite tailandesa e de mulheres de todas as idades que se  prostituem, com a benção das autoridades e de Buda. Pra quem gosta de gastronomia, pimenta e chilli, da dupla doce/salgado, vai amar a cozinha tailandesa. Caso contrário, a cozinha internacional está muito bem representada por restaurantes de luxo e as insubstituíveis cantinas italianas. Massagens também fazem parte do cardápio tailandês. Entregue-se. Seu corpo vai agradecer – ou protestar. Experimente pelo menos a “Thai Massage”.

A Praia
A Praia

Outro destino é o Mar da Tailândia: Krabi, Phuket e Koh Phi Phi (“A praia” imortalizada no cinema, por Leonardo di Caprio) foram nossas eleitas. O mar é de um azul esverdeado cristalino e a temperatura extremamente convidativa. O ideal é agendar pacotes ou ir de “taxi boat” até as praias mais afastadas e isoladas. Mergulhos, Jet Ski, Paraglider, singelos banhos de sol e mar, compras ou a simples observação do seu semelhante, já é um prato cheio: a fauna humana desfila sua graça e criatividade de nariz empinado. Senti-me ET na neutralidade do meu maiô preto e do rabo de cavalo. Quanto à comunicação, improvise.

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Impossível ler e entender tailandês e o inglês/tailandês é sofrível, quando não incompreensível. Coisas do tipo “ha pa tu” (entenda-se “half past two) são comuns. Dificuldades que a boa vontade, a generosidade e o desejo de se fazer entender, resolvem. O Mercado Flutuante e o “Tiger Temple” engoliram um dos nossos dez dias de Tailândia, que certamente não esgotaram nem meu sonho, nem minha curiosidade.

Tiger Temple
Tiger Temple

Da próxima vez que for – e sei que vou voltar – lembrarei que a Tailândia é um país da Linha do Equador. Vou de primeira classe e hotel 5 estrelas. De preferência, num cruzeiro marítimo.

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