A jornada do casal

foto da internet
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A teoria é de Susan Forward. O tema, a vida conjugal. O formato é um mapa e uma viagem. O texto é meu: sucinto e breve.

O mapa da Jornada do Casal, de Susan Forward, é como qualquer outro e pode levar a diferentes destinos, sinalizando apenas o que vem pela frente. A viagem é a dois, o tempo, variável: a jornada é do casal.

Quando pensamos em casamento – e aqui me refiro a todo tipo de relacionamento a dois – pensamos numa instituição fechada e estática, muitas vezes baseada em contos infantis de príncipes e princesas e no “viveram felizes para sempre”. Já adultos, vemos que o conto de fadas não existe e que a vida entre príncipes e princesas é um constante processo de busca, reencontro e redefinição. Senão, o conto de fadas, real, a dois, acaba. O casal se forma pela união, não apenas de dois seres e corpos, mas sim, de duas famílias distintas: a dele e a dela. Cabe ao casal definir quais regras, culturas, crenças, costumes e histórias familiares vão servir de base para o casal, futura família.

O antigo, velho e ultrapassado do relacionamento precisa ser constantemente abandonado, e o novo, adotado. Durante a jornada saber desapegar-se é prioridade para que a jornada continue, o casal expanda seus limites, cresça e sobreviva como tal. O mundo muda, nós mudamos e, consequentemente, o relacionamento também muda. Conflitos e dificuldades são comuns e necessários. É assim que evoluímos.

Embora cada casal seja único, existe um padrão previsível de obstáculos, armadilhas e ilusões que todos encontramos pelo caminho. Por isso, o mapa. Ele sinaliza o terreno por onde a jornada acontece, demarcando por onde todos passamos, as encruzilhadas e desvios encontrados. A jornada do casal não tem ponto final. Enquanto houver casal, a jornada prossegue. Somente a morte de um dos parceiros dá fim à vida conjugal: nem divórcio, nem separação, conseguem interrompê-la (principalmente quando existem filhos envolvidos).

A primeira parte da jornada a dois é marcada pelo romantismo. É quando nos apaixonamos pelo parceiro e por tudo que fantasiamos a seu respeito: ele é especial e perfeito: Aumentamos as semelhanças e qualidades. Diminuímos as diferenças e defeitos. É essa obsessão – de fato – que permite a ligação, o vínculo dual. Talvez este seja o único trecho do trajeto com limites conhecidos e pré-estabelecidos: de seis meses a dois anos (é o tempo que a paixão resiste). Existem explicações neurológicas e científicas que explicam o fenômeno da paixão. Esta fase nos faz lembrar do clássico “Romeu e Julieta” de Shakespeare, que termina com a morte do casal. Com a morte – único ponto final para o relacionamento conjugal – somos poupados e impedidos de saber da evolução do romance mundialmente famoso, que certamente teria outro dessfecho, caso o casal vivesse, dia a dia, seu relacionamento .

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Na jornada do casal, o romance não acaba com a morte física, mas com a morte da ideia de fusão, perfeição e simbiose do casal. Surgem (?) as diferenças e a constatação de que “o outro não era quem eu pensava que fosse” ou “não somos o que imaginávamos ser”. O príncipe se transforma em sapo. A princesa vira gata borralheira. Muitos casais desistem da jornada neste ponto: desiludidos, desapontados, bravos, sentindo-se enganados. Outros tentam consertar o parceiro e adequá-lo a sua fantasia, desejos e anseios.

É quando avançamos no mapa e adentramos no que pode ser chamado de “Guerra dos Sexos”. O casal mergulha numa batalha de poder usando de ameaças, manipulações e domínio, tentando recuperar o que pensa ter perdido (o parceiro perfeito e ideal). Muitos casais se perdem aí. E, ou passam a vida conjugal nesta batalha, ou desistem. Para os que amadurecem, reconhecem e aceitam quem são e o que o parceiro é, desistem da fantasia da perfeição, de harmonia sem luta e das realizações sem esforço, a jornada continua. Para os demais, ou a jornada termina ou se transforma num pesadelo a dois.

Depois da “Guerra dos Sexos” e do desgaste desta etapa, surge o terreno estável, e com ele, a harmonia conjugal: as cobranças e disputas minguam e o casal percebe que o casamento, por si só, não consegue satisfazer todas suas necessidades, tornando-se necessário o investimento no próprio “eu”, além do “nós” na relação. Para a paz ser mantida, o casal estipula regras e normas para negociarem e conciliarem suas diferenças e evitar novos confrontos. Percebem que podem amar o parceiro e ao mesmo tempo odiá-lo, sem o risco de se perderem como casal. Desistem de reformar o parceiro, aceitam suas falhas e questionam questões e situações, sem temer a volta da disputa pelo poder (o terreno vencido).

Alguns casais chegam ao ponto mais extremo da jornada, tornando-se solidários, criativos e atentos à comunidade e coletividade, sem descuidar do relacionamento, que deve ser monitorado e cuidado, etapa à etapa, ponto a ponto.

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Nesta longa jornada do casal, que envolve quase toda a vida adulta, as encruzilhadas e dificuldades podem acontecer em qualquer ponto do trajeto, não seguindo uma ordem cronológica – podemos regredir e avançar constantemente –, ou seja, podemos nos apaixonar aos 20, 45, 70 anos pelo mesmo parceiro; podemos renegociar regras e normas conjugais aos 30, 50, 80 anos. Somos seres e tempos mutantes e convém ajustes, sempre que necessário.

Fundamental é não esquecer dos itens básicos e obrigatórios da bagagem para esta jornada: amor, respeito, dedicação, perdão, cumplicidade, companheirismo,  intimidade.

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