Para escrever

Faz dias, semanas que não escrevo. Sequer sei sobre o que ou como escrever. Dias atrás, passei algumas horas com um amigo escritor, imaginando que por osmose, este saber ou este querer, milagrosamente, se apossasse de mim. Que nada. Disse-me ele algo que aplacou minha ânsia: estava eu fazendo coisas demais, viajando demais, agitando demais. Depois, mostrou seu canto de escrever: um quarto pequeno, uma janela pequena, uma mesa pequena. À sua volta, o universo de sua personagem. Nada de horizontes a perder de vista, nem a inspiração, as palavras ou a vida na vitrine, ou a imensidão de tudo podendo se perder ou sumir no turbilhão da contemporaneidade. O escrever exige a limitação de estímulos. Quer ser o próprio estímulo. Acho que é isto. Ando cheia de planos, projetos, viagens, cursos, festas. Ando muito fora de mim mesma. Ando cheia de mundo. Preciso regressar em mim e reencontrar minhas palavras. Sim, a escrita é e quer ser um ato solitário. Sim, a escrita é egoísta e exigente. Decidi não ser dela agora.

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