Chegando em Santiago de Compostela

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O marco dos 100km, caminhados por uma trilha melhor, com subidas e descidas longas. O bom tempo e o percurso apaziguaram o dia anterior. De Palas de Rei à Arzua, passando por Melide, o quinto dia foi o mais longo: 34,7km em 11 horas de peregrinação. Provamos o prato típico da Galícia: pulpo – polvo. E minha parceira Angela, do grupo hard, que não amaciou as botas e teve uma distenção no Tendão de Aquiles no dia anterior, aplicou o golpe do caminho: em cada cidade até chegar a Compostela, comprava calçado novo pra caminhada. Esperta ela! Dia de chuva pra lavar até os piores pensamentos e desejos. Desabamos ao chegar em Pazo de Santa Maria, um hotel confortável e extremamente aconchegante. Nossos desconjuntados corpos agradeceram!!! “A mochila representa o peso das nossas escolhas. Escolhemos coisas úteis, fúteis, necessárias, desnecessárias e imprescindíveis, assim como na vida”. Outra pérola entre as pedras e flores do caminho. O que fazer com o peso e a dor? Suportar ou abandonar? Desistir ou prosseguir? O caminho extenuante nos remete à própria vida, nossas escolhas e tomadas de decisões. No dia seguinte, e abaixo de um enjoado “xixi de mosca” que virou borrasca que virou chuva forte , o caminho continuou testando nossos limites e vontades, por mais 27 Km, até chegar a Amenal. Mais cãimbra e exaustão. O jantar regado a vinho e brincadeiras nos incentivou para os últimos 14km até chegar na Catedral de Santiago de Compostela, na manhã de 09.05.2010, domingo Dia das Mães. Saímos no escuro, sete horas de uma manhã chuvosa e gelada. A perspectiva pelo final da caminhada foi a força maior para chegar lá. Cada quilômetro parecia longo demais, cada subida alta demais, o peso no corpo e no espírito, uma agonia ambivalente entre a alegria da vitória e o sacrifício da carne. Aquela mochila, tão significativa, manteve-nos firmes durante os dias chuvosos e gelados, e todas as noites, ao retirá-la das costas, uma estranha sensação de desequilíbrio e falta de firmeza se apoderava de cada um de nós. Como não é permitido entrar na Catedral de Santiago de Compostela com a mochila, as deixamos no hotel, antes de nos dirigir à missa dos peregrinos, tomar bênções e agradecer pelo êxito da caminhada. Ao chegarmos na praça da catedral, muito tumulto e filas enormes para entrar na catedral. Qualquer fila nos levava ao interior e escolhemos a menor de todas. Uma passagem por trás da figura do apóstolo Tiago, com direito a abraço, mais agradecimentos e muitos pedidos. Vibração e emoção no encontro dos grupos hard e light. Voltávamos a ser novamente, um grupo de amigos com o desafio cumprido. Todos chegamos lá. Hora de buscar nosso Certificado Compostelano, comprar bugigangas na cidade e tirar muitas, muitas fotos. À noite, jantar no Hostal de Los Reis Católicos.  Nossa peregrinação chegava ao fim.

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