Ninho Vazio

Etimologicamente falando, ninho é a habitação das aves, feita por elas para a postura de ovos e criação dos filhotes. Pode ser refúgio ou abrigo, e, por conseguinte, a casa paterna. Nosso lar. Imagina quantos outros ninhos existem! Vários. Inclusive alguns ninhos de cobras! Infelizmente. Ninho de cobras, segundo o Aurélio, é o lugar onde há pessoas de índole má e traiçoeira. E o ninho vazio? Psicologicamente falando, é quando os pais estão entre os quarenta e os sessenta anos e os filhos estão saindo de casa. Um ciclo natural. Vejo em muitos National Geograph e Discovery Chanel os pais jogando seus filhotes dos ninhos, literalmente expulsando-os. Não é o que nós, humanos, normalmente fazemos. Não vejo – na natureza – nenhum sofrimento neste comportamento animal, apenas a certeza instintiva e inata de lançar filhotes prontos ao mundo.

Será que nosso sofrimento reflete a incerteza sobre os filhos que lançamos ao mundo? Será que sobreviverão em meio aos ninhos de cobras, às intempéries e à vida em si?

Pesquisas mostram que a dor e a angústia típicas do ninho vazio duram em torno de dois anos. No máximo. A exceção se cria quando existe patologia materna, conjugal, familiar, ou, no próprio rebento. Além da saída dos filhos, outras características marcam este período. O relacionamento conjugal muda, porque marido/pai e mulher/mãe mudam; o relacionamento não se faz mais necessário para a sobrevivência da prole, a esta altura, pronta e lançada para o mundo/vida; assoma-se a isto uma nova forma de relação entre pais e filhos – agora adultos – de gerações, hierarquia de poder e idéias diferentes; nossa relação como filhos de nossos pais também passa por um momento único – a resolução de antigas farpas e desentendimentos encontram o melhor momento para serem solucionadas – frente a seu envelhecimento percebemos que não temos, nem eles têm, todo o tempo do mundo. A meia-idade fica espremida entre a terceira idade e o adulto jovem. Ficamos no meio do sanduíche. Espremidos dos dois lados. Vivemos esmagados tentando encontrar alternativas para estas três gerações: nossos pais, nós e nossos filhos. Vemo-nos sem saída! A sensação é de que nosso ninho começa a desmoronar. Afinal, para abrigar tanta novidade ele precisa de novos contornos e muito mais espaço. Nosso universo familiar precisa se expandir. Acaba explodindo muitas vezes! Rasgamos contornos familiares para integrar nossos próprios pais, noras, genros, netos…… E a nós mesmos. Assim, esmagados pelas necessidades e peculiaridades de ser jovem demais ou velho demais, precisamos seguir em frente. É o único caminho possível.

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