Chuviscando

Gostaria de saber o que se passa na cabeça das pessoas. Ou melhor: será que os olhos não veem o que o cérebro e o coração não registra?

Uma 5a chuvosa em Jurerê. Estou a quase duas semanas envolvida com a mudança. Tudo começa pelo orçamento, definir melhor preço e estrutura, preparar o seguro. Depois organizar e etiquetar materiais (afinal são quatro destinos diferentes), receber a equipe e começar: são dois dias de embalagem. Outro dia pra carregar o caminhão, com direito a içamento e guincho. Mais um dia para o deslocamento de São Paulo à Florianópolis. Exausta pela maratona dos  dias anteriores + um dia de viagem de carro, eis que encontro um pintor lixando a parede. Pois é, sujeira e bagunça pouca é pros fracos. Ela ainda vai piorar. Ele me avisa que precisa de mais um dia pra pintar e secar a parede. Perfeito. Fazer o quê. Oooooooouuuuuuuummmmmmmm. Uma enxaqueca pra comemorar. Enfim, o tão sonhado dia: Descarregar. Enfim, livre dos nove homens simpáticos e prestativos, envolvidos na mudança. Obrigadão!!!!! Valeu, deu tudo certo, chegou tudo aparentemente bem. Hora de localizar avental, roupa de faxina, uma música cheia de energia, prender os cabelos, jogar o cansaço pra escanteio e começar a organizar a nova vida. Por enquanto, sem a suíte máster. Gosto de pensar que minha casa está onde meu amor está. Mas nunca penso num lugar cheio de caixas e totalmente desorganizado. Difícil me encontrar se nem sei por onde começar. E assim, passo sábado, Dia das Crianças, domingo, segunda, terça, ops, quarta estou exausta, moída, fatigada e 100% dolorida: o corpo se redescobre em músculos, milímetros, ossos e fibras atrofiadas. Doo inteira, irritada de abrir caixas, desembalar materiais, limpar, guardar em algum lugar provavelmente provisório, arrancar-lavar-polir a fuligem de São Paulo dos móveis brancos e vimes patinados e provençais, sobe escada, desce escada, passa pano, vassoura, aspirador de pó, liga pela enésima vez pra NET, SKY e nem sinal dos técnicos, preciso providenciar lâmpadas, transformadores, adaptadores, faxineira, empregada … definitivamente, não tenho mais idade pra isso. Pra não jogar tudo no “hobby box” (é assim que os “catarina” chamam o depósito) ou no quarto de hóspedes, passar a chave e perdê-la por um ano, tirei o dia de folga. A ideia era caminhar na beira da praia, conhecer a vizinhança, entrar nas lojinhas e ver – e apenas ver – novidades, coisas bonitas, a moda neste verão. Preciso de um parêntesis pra guardar livros, adornos, materiais de scrap, roupas, louças, cristais, papeis, tapetes, quadros, móveis, sapatos, bolsas, lenços, CDs, DVDs, vinhos, miudezas, remédios … fecha parêntesis. Não tenho mais espaços. Nem pros meus sentimentos. Estou lotada. “Full”.

E o dia amanheceu chuviscando minhas pretensões. Perfeito pra não fazer nada.

Um comentário sobre “Chuviscando

  1. Jacinta Zuch

    Ufaaa … fiquei cansada só de ler o texto !!! 😦
    Tadinha da minha amiga !!! sózinha !!!
    Força amiga, um dia acaba essa função e vai ser só alegria nesse paraíso que é Jurere !!!
    saudades !!! logo logo estarei aí para caminhar e tomar muitos cafés contigo !!! 🙂
    beijam

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