Solidão e a “capacidade de estar/ficar só”

É fundamental distinguir o que é o estado de solidão e a “capacidade de estar/ficar só”, muito bem desenvolvida pelo pediatra e psicanalista infantil Dr. D. W. Winnicott.

A “capacidade de estar só” é um fenômeno que ocorre no início da vida e serve como base para a maturidade emocional. Há vários tipos de experiências que levam à formação da “capacidade de estar só”, porém, existe uma – que é básica – e sem a qual, esta capacidade não se desenvolve: é a experiência de ficar só –  como lactente ou criança pequena – mesmo na presença da mãe. É quando o bebê fica acordado, sozinho em seu berço, olhando para um ponto qualquer que lhe chama a atenção. Muitas vezes a mãe – ou quem a substitui – por suas necessidades e não pelas do bebê, tira-o destes momentos únicos e ricos para seu autoconhecimento. Estes momentos a sós criam um tipo especial de relação consigo e com o mundo: é quando o bebê ou a criança pequena que está só, percebe a mãe/ou sua substituta, representada pelo berço, carrinho de bebê ou pela atmosfera geral com cheiros e características conhecidas. É o ambiente seguro.

Maturidade e “capacidade de estar só” significam que o indivíduo teve oportunidade de construir a confiança num ambiente bom e seguro onde as suas necessidades foram decodificadas e respeitadas. A sintonia entre os desejos e necessidades da mãe e do bebê vai criando um ambiente seguro onde a imaturidade do bebê vai sendo compensada pelo apoio da mãe. Esta nem sempre decodificará o que seu bebê necessita, mas se ela estiver disponível alcançará o objetivo da díade mãe/bebê. O clímax desta capacidade é atingida com a maturidade emocional que permite “ouvir a si mesmo”. Portanto, é fundamental ser capaz de estar só com as próprias vontades, desejos, dificuldades, tristezas e todo tipo de pensamentos e sentimentos, desde bebê.

A forma de lidar com a solidão propriamente dita,  varia conforme a capacidade de ter ou não desenvolvido a “capacidade de estar/ficar só”, com confiança em si e no outro. Atualmente, mesmo com a facilidade de comunicação do mundo moderno, as pessoas tem se isolado, por inúmeros motivos (competição, timidez, vergonha, insegurança, etcetc). Tornou-se mais fácil e simples a comunicação via computador, sem contato. Ou via televisão, onde recebemos informações sem precisar expressar nossas ideias e sentimentos. Vale salientar que os meios de comunicação devem ser usados como auxiliares no relacionamento entre  as pessoas e não como substituto delas.

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