Estado de Espírito: Dieta

Acho que entrei num estado permanente de dieta desde que meus hormônios se manifestaram e comecei a me desenvolver em todas as direções. São mais ou menos 40 anos às voltas com a balança, o espelho, receitas, contagem de calorias, livros e tipos diferentes de dietas e exercícios, academias e alternativas pra driblar o apetite e os P-M-G do armário. São incontáveis tentativas e fracassos de emagrecer e manter o peso. Emagrecer já foi mais fácil – aos 50 anos o corpo já cansou de brincar de estica e puxa e está mais resistente, e a reeducação alimentar tornou-se uma saga de avanços e retrocessos permanentes. Chega uma hora em que a gente acha que sabe tudo sobre o que fazer pra emagrecer, e o nutricionista ou endocrinologista, assumem a ingrata função de fiscais da nossa rebeldia alimentar. Só que saber não é poder, muito menos, fazer. De tempos em tempos, me rebelo com a disciplina alimentar e, invariavelmente, recupero tudo o que perdi em termos de peso – quando não adiciono mais alguns quilinhos indesejáveis. Nunca fui obesa. Fofa, robusta, encorpada, sim. E magra, só quando me chamavam de mosquito elétrico, até os 10 anos de idade. Pelo que me lembro, fui uma criança magra e espoleta, uma adolescente em busca da aceitação do novo corpo (como todos os adolescentes) e uma adulta em constante processo corporal. De tudo que vivi e aprendi até hoje sobre o assunto peso/dieta, certeza absoluta é que pra mim, emagrecer ou engordar é puro estado de espírito. Tem épocas que meu corpo quer mais e mais e mais doces.Tem épocas em que ele rejeita doces e se contenta tranquilamente com poucas calorias e uma alimentação saudável. Entre meus períodos ansiosos e depressivos e meus períodos tranqüilos, engordo e emagreço. Pra entrar no estado de espírito de engorda é rápido e fácil: é só não saber ou querer controlar minhas emoções. Muitas vezes me saboto e engordo por motivos conscientes e inconscientes. Pra entrar no estado de espírito de vida saudável (alimentação + exercícios) é mais trabalhoso e demorado. Meu nível de conscientização precisa atingir níveis elevados e alcançar um estranho equilíbrio fisio-psicológico. É quando seguir à risca o que posso e devo comer e fazer, torna-se natural e perfeitamente possível. É quando meu corpo não se sente esfomeado nem fatigado. É quando os limites e a disciplina se incorporam perfeitamente à minha natureza e meu dia-a-dia. É quando estou em paz comigo mesma. E, como a vida alterna períodos ansiosos e tranqüilos, alterno meus estados de espírito na mesma sintonia. Por isso, quando o equilíbrio se instala, é hora de retomar a dieta.

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