No hospital

Há três dias convivo com ruídos

vinte e quatro horas por dia:

Televisão falação pacientes médicos enfermeiros movimento agito telefone mensagens.

“Ela acha que a força está no cabelo”

“Não agüento mais este suco”. Jogo um último gole no ralo da pia.

Fraldas, banho de gato,

toalhas dependuradas, piso molhado, cadeira de rodas,

soro, choro, gemidos, dor.

Um entra e saiu constante,

angustiante.

Desencontro de orientações pós-alta e pré-exame.

O cheiro de comida contamina o ar,

o farfalhar de embalagens aguça a curiosidade,

o gotejar do soro quer ser observado,

a campainha toca,

chama,

sobe-desce a cabeceira da cama, põe-tira cobertor,

chegam visitas, o espaço fica apertado,

a poltrona cor gema de ovo que não reclina,

lá fora a carreata colorada comemora a tetra-campeonato gaúcho,

a manhã é fria e enevoada,

o café é Iguaçu,

friofracofresco.

Chamo a enfermeira.

As horas não passam.

A vida, em algum momento, voltará ao normal.

Tudo passa.

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