O que eu sei da vida ???

Dias atrás li em algum lugar que a Oprah lançou um livro com este título. Sem querer, fiquei pensando no assunto: o que EU sei da vida???? Sei que nada sei? seria um bom começo. Desconfio que sei de algumas coisas. Tipo: a mudança é inevitável. A gente e o mundo mudam constante e eternamente. Querendo ou não, mudamos. O que eu queria um ano atrás não é exatamente o que eu quero hoje. Pode parecer inconstância, insegurança, falta de foco. Sim, parece tudo isso. E, é tudo isso. Existem aqueles valores, sentimentos e projetos que são o tripé da existência humana – querer uma família feliz, saúde, amor, harmonia, grana, trabalho – acho difícil alguém não querer estas coisas. Mas, existem aqueles projetos que dão vida à vida, tipo vou construir uma casa nova e me mudar, vou trocar de emprego, de carreira, de hábitos de vida, vou me separar, me divorciar, vou vender tudo e viajar mundo afora … Enfim. Tem projeto que acorda na noite e dorme de dia pra entrar num coma glicêmico e despencar de vez no arquétipo do herói ou no inconsciente freudiano. Pior é acordar no meio da noite e perceber que o projeto está de pé. Escorado, mas de pé. O que fazer com ele: desistir, ou, levar adiante?

Ando farta destas encruzilhadas – ou pontos Y – que nos fazem escolher o tempo todo. Sim. Porque outra coisa que aprendi com a vida é que a gente escolhe ininterruptamente, de sol a sol, de janeiro à dezembro, de primavera à primavera, o tempo todo: do papel higiênico no supermercado, do filme no cinema, do médico no catálogo telefônico, do gasto ou não no cheque especial, de permanecer ou não no emprego que paga as contas, mas corrompe a alma e o fígado. Isso eu sei da vida. Que viver é escolher o tempo todo, senão, a vida escolhe pela gente. O que fazer com o projeto escorado, de pé? Aprendi que enquanto não sei o que fazer, não faço nada. Decidir no meio do furacão, só em caso de total emergência. O risco de erro é colossal, e o arrependimento, abissal. Enquanto isso, vivo a rotina da familiaridade: da caneca Route 66 do café da manhã ao Jornal Nacional, do crochê ao Best Seller da lista dos mais vendidos da Veja, da música ao ator preferido. São nestas horas incertas que nossas ideias certas funcionam como bóias, bússolas ou bengalas. Não abro mão de nenhuma delas: nem mesmo de um dia de cama, do quarto escuro, da maratona de filmes, de escrever poesia, de não fazer nada, passar a tarde perambulando pela praia, pelo shopping, pela casa … de ler, arrumar gavetas, meditar, falar sozinha, cuidar das plantas, contemplar o horizonte … tem hora que a poeira assenta, e com ela, mais uma escolha se apresenta.

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