Terapias

Retomei minha terapia.

Depois de muito, muito tempo, eis que me vejo sentada no chão, frente a frente com minha terapeuta. (Sim, psicólogo também precisa fazer terapia. E como precisa!!! Porque, pensando bem, como ele pode ajudar seus próprios pacientes, se não está com seus conflitos trabalhados? Quando comecei a atuar como psicoterapeuta, lá atrás, nos idos anos 90, além da psicoterapia individual, fiz dois anos de supervisão, e várias especializações nas áreas sistêmica, psicanalítica, e digamos, um rápido flerte com a linha junguiana – sem maiores conseqüências.)

Meu retorno à terapia, além de ser uma exigência do curso de Arteterapia, veio de encontro a uma necessidade pessoal. Estava na hora de costurar meus retalhos e colar meus quebrados. Afinal, quem não os tem?

Quando morava e atuava no interior do RS sempre que necessitava de algum “ajuste emocional” recorria aos profissionais conhecidos – professores e supervisores – de Porto Alegre. Chegando em Floripa meu desafio foi o da grande maioria dos leigos que se aventuram na selva exótica que é a Psicologia. Quem poderia ser meu terapeuta neste momento único da minha vida? Quem poderá driblar minhas muralhas e armaduras das mais límpidas e bem tecidas Defesas Psicológicas?

Optei por uma linha alternativa. Algo que conheço pouco, e exatamente por isso, de difícil controle. A ideia era fazer sessões de Arteterapia. Queria viver na pele as técnicas e teorias que aprendo no curso. E porque não dizer, queria aprender a ser arteterapeuta, vivendo, entendendo e vendo como usar meu novo arsenal de conhecimentos e adequá-lo ao que já conheço e pratico há décadas. Tipo, um encaixe. Ajustado e compatível. Não que as aulas, os ateliers, as dinâmicas e as ferramentas do curso não cumpram este propósito. Queria aprofundar e mergulhar, ainda mais, nos meus próprios insights.

A profissional foi indicada por uma colega da Arteterapia. Ela, a profissional, ao saber da minha expectativa, foi logo avisando que eu não me decepcionasse. Sim, ela tem formação em Arteterapia, mas usa ferramentas e técnicas de outras linhas e formações. Adepta de Reich, da medicina chinesa e do Sandplay Psicodramático. Além do crânio sacro essencial. Já viu, né ? E eu, Felizinha da Silva, animadíssima pra conhecer e me reconhecer neste inexplorado Admirável Mundo Novo. Um cardápio de terapias corporais, e quem diria, um pouco de teatro – em miniatura – mas, de novo, expressão corporal. A alemoa aqui vai ter que rebolar.

A Psicologia é composta por um leque de enfoques, linhas e Escolas totalmente diferentes entre si, mas absolutamente idênticas quanto ao objetivo maior: o bem estar do ser humano. Nem sempre a Psicanálise consegue resolver todos os conflitos emocionais, nem a Gestalt, a Cognitivo Comportamental. Nem mesmo a Linha Sistêmica que eu adoro. O ser humano é complexo e único. Como esperar que uma única linha psicológica dê conta de toda a gama de problemáticas, ciclos de vida e diversidade humanas?

Sempre fui adepta da utilização das técnicas mistas. O que a Sistêmica não resolve, a Psicanálise pode apresentar melhores resultados. Quem sabe o Behaviorismo de Skinner? Óbvio que não tem como lançar mão de tudo que existe. Seria o verdadeiro caos. Mas, conhecer e se aprofundar em duas ou três linhas, é absolutamente possível. Diria mais, recomendável. Num mundo tão dinâmico e fluido, como ser um pintor ortodoxo, usando uma única cor, quando a palheta de tons é tão generosa e multicolorida?

Assim, neste meu novo momento de buscar o novo, me vejo estimulada a beber e me embriagar de novos néctares, sons, sabores, cores e fontes. Não sei se vou gostar. Nem mesmo se vou prosseguir e evoluir por muito tempo. Afinal, sou talhada pela psicologia mais tradicional e conservadora daquele leque de opções. Mas, não posso esquecer jamais, que o ser humano só sobreviveu por ser absolutamente capaz de se adaptar. Física e psicologicamente. Corporal e emocionalmente. sandplay

Minha aventura psicológica está apenas começando. Um misto de apreensão e curiosidade me acompanham, mas principalmente, a vontade de vislumbrar-me de outro ângulo e perspectiva.

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