Por onde (re) começar?

Depois de mais de 30 dias sem escrever – literalmente sem escrever – estou de volta, esperando ficar mais tempo desta vez. Eternamente, quem sabe. Minha ausência foi apenas uma questão técnica: MAC pifado, duvidas sobre trocar por um PC … resolvi dar uma segunda chance pro meu MAC e investi numa nova placa mãe, o que custou o equivalente a um PC novinho e simplinho e 45 dias de espera, sem contar no vácuo das postagens e uma sensação de ter perdido as asas, pernas e braços, a imaginação, a inspiração e a mão para a escrita. Neste período surgiram zilhões de ideias para romances, crônicas, contos, reflexões … pensava em como faziam Proust, Nietzsche, Shakespeare e tantos outros gigantes da Literatura … Pensei em apelar e lascar os dedos na velha Olivetti de teclas cor de rosa. Desisti e fui pintar telas, crochetar mantas, arrumar gavetas, preparar bolos, caminhar na praia, cair das pedras e esfolar diabolicamente o calcanhar, assistir bons filmes e ler excelentes livros. Descobri a autora inglesa Jojo Moyes e me encantei com “Um mais um” e “ A ultima carta de amor”. Li o livro “Livre” de Cheryl Strayed e me arrepiei inteira – haja coragem pra tamanha aventura. Teve a fase “ aluna dedicada” e li textos e livros de Arteterapia. Jung se encaixa nesta fase. Neste momento estou percorrendo “O caminho de Swan” com Proust.

Mas nada se compara a escrever as próprias palavras. Sem escrever, quase me perco de mim mesma. Nas minhas palavras, reencontro momentos e situações. O não escrever implica numa miopia do próprio dia a dia. Por isso, volta e meia navegava no meu blog e me encantava com meus escritos. Não sou nenhuma Clarice Lispector, Lia Luft ou Martha Medeiros (sou mais a Danuza Leão – alguém leu a crônica dela na revista Claudia “Perigoso contagio”? Excelente!!!!!). Quando escrevo me descrevo e me insiro no meu ambiente. Me reencontro nas minhas palavras. Gosto disso, e isso me basta.

Neste período quem apareceu foi a Mia, uma gata preta de rabo pitoco e quebrado. Me apaixonei pela aleijada carinhosa e cheia de energia que já caiu do mezanino, na piscina e de muitos degraus espalhados pela casa. Ela cai, levanta e sai correndo. Assim, meio que estabanada, mas, absolutamente obstinada em conhecer todos os cantos e possibilidades do imenso universo que deve representar a nova morada. Como a maioria dos filhotes, ela desconhece o medo. E isso me inspira. Também tenho que superar medos, conquistar novos espaços, ser obstinada no meu novo viver. Aprenderemos juntas a evitar as quedas desnecessárias. Sobreviveremos.

Foi tempo para adiantar a obra, sublocar uma sala pra clinicar e praticar a psicologia que tanta falta me faz. 45 dias sem escrever palavra alguma. Mesmo assim, inscrevi o que quer ser descrito e escrito pra não ser esquecido. Por onde começar?

Pelo começo.

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