Sem luz

Acabou a luz faz um bom tempo. Tipo duas horas. Acendi quatro velas ao meu redor e coloquei a lanterna sob meu travesseiro (nunca se sabe). Não faço a mínima ideia do que aconteceu. Lá fora o breu é funebre. Tipo assombração. Um gerador liga ao longe. Ficar sozinha numa casa deserta, numa noite escura, com o mar roncando desvairadamente ao lado, é meio assustador. Ainda bem que tenho um Lexotan, pois as baterias do celular e do computador acabaram de morrer. Pra quem queria passar a noite lendo e escrevendo … Por algum motivo pensei na complicada e depressiva Virginia Woolf. Será que já existia eletricidade na época em que ela escrevia? Quantas velas eram necessárias para iluminar um aposento, ou pelo menos, uma mesa de trabalho? Ficar sem luz é morrer para as possibilidades da noite. Virginia se suicidou. Minha noitada literária também. Vou dormir.

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