“O Segredo da Bastarda”

Não lembro bem o motivo – pois não é meu hábito – mas li sobre um livro que havia comprado numa promoção, do qual nunca havia ouvido falar: “O Segredo da Bastarda”, de Cristina Norton. Acho que foi num blog. Li que o livro era bom, mas complicado de entender, com os personagens misturados, narradores oniscientes, etcetcetc. Com estas informações comecei a ler o romance que conta a história verídica e abafada pela corte portuguesa, do envolvimento amoroso entre D. Joao VI e a dama de companhia de Carlota Joaquina, Eugenia de Meneses. Deste “romance” nasceu a filha bastarda, Eugenia Maria.

Li as primeiras 20 páginas e abandonei o livro. Voltou `a prateleira para ser lido em outro momento. Ontem, por algum motivo, ao ler a lombada do livro, o tomei e comecei a ler. E não parei mais. Foram algumas horas de leitura prazerosa. 319 páginas lidas entre uma caneca e outra de leite quente com melão, num final de tarde chuvoso, de corpo dolorido e sedento por boa literatura. O livro me surpreendeu, e o comentário sobre a confusão entre os diferentes narradores da história, não atrapalhou em nada a leitura do romance, nem a compreensão das diferentes perspectivas. Muito pelo contrário. Como já havia começado a ler o texto anteriormente, prestei muita atenção no início da trama, para entender bem o papel que cada narrador ocupa na história. O fato de haverem dois personagens – de épocas diferentes – com o nome Eugenia, me parece ser a maior dificuldade, que vai desaparecendo aos poucos, na medida em que fica claro quem é quem no enredo. Certamente, uma artimanha usada pela escritora, pra fazer correr no paralelo uma segunda trama, quando a filha bastarda conta sobre sua ascendência, no afã de prolongar a vida de sua própria filha, tuberculosa. “ O Segredo da Bastarda” também me estimulou a ler “1808” e “1822” de Laurentino Gomes, que aborda a vinda da corte portuguesa e a história da independência do Brasil.

Memórias perdidas no período colegial, tão importantes para entender melhor, porque nos tornamos um povo aculturado e quase sem memória, sem contar no país, tão cheio de disparates.

 

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