Aquele armário antigo, uma questão de intuição

Acordei bem cedinho … quase um milagre.

Mas era preciso.

Depois de uma semana me esgueirando feito um bicho preguiça em férias, chegou a hora de retomar o que ficou pra trás. Você já viu uma casa 100% em ordem? Só em revista ou loja de decoração, casa sem criança, sem bicho, sem arte, sem alquimia …

brincar de casinha vai ser o programa do mês.

Dizem que o ano começa em março. Depois do carnaval. Decidi então, que fevereiro será o mês de deixar a casa preparada para o longo ano de estagnação (previsto) do tipo, a casa vai sair do primeiro plano e passar para o quarto ou quinto plano. O que tiver de ser feito, será feito, no indevido tempo. Por isso, o mês vai ser de muita arrumação, reorganização, reformas e restaurações.

Lembra do armário antigo da avó do meu marido?

O primeiro da lista.

Mal chegou já foi deixando um rastro de farelo de cupim. Aliás, ele mal chegou e eu soube na hora que não havia sido um boa ideia restaurá-lo. Ficou muito aquém do esperado. Mal acabado. Replicado. Assim que o vi, arrependida até o tutano, pensei em possibilidades: provençal, pintura acrílica, craquelê, colagem de tecido, papel, laca ou acetinado. Como já gastei os tubos com ele, optei por um trabalho caseiro. Ainda não sei qual. Só sei quem vai fazê-lo: Eu. Por enquanto, a meta é o extermínio dos cupins: doses cavalares de gimo cupim, pincel e seringa nele. Um verdadeiro banho e tratamento de higienização e beleza.

O pior de tudo, é que minha intuição me avisou, me açoitou, me encurralou no canto da parede, me estapeou, arregalou meus olhos, puxou meus cabelos, me trucidou implacavelmente. Fui teimosa – esperançosa, talvez – queria aquele armário. Me fiz de surda, burra, desintendida e insensível. Toquei em frente. Acreditei. Pior, é que não é a primeira vez que isso acontece.

Um padrão de funcionamento antigo e velho conhecido.

Intuição, pra que segui-la?

O jeito agora, é arregaçar as mangas, calçar luvas, um pouco de pernas pra que te quero, e restaurar de vez o armário antigo da vó Angelina. Desta vez, com capricho, arte e amor.

Pernas pra que te quero,

hora de comprar um galão de gimo cupim.

armario antigo

Optei pelo acrílico com tinta óleo. Ainda preciso dar acabamento na base do armário + gavetas. Agora é hora de esperar a tinta secar, e depois, dar o toque final.

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