Casa de mãe

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o número delata a hora.

A buzina infernal e inflamatória,

se esparrama ao léu, no breu da hora.

O coração palpita. Acordo aos poucos.

Maldito trem!!!

Máquinas e vagões rasgam a noite

ecoando estridente no túnel os trilhos metálicos.

Os cachorros, gatos, sapos, grilos … e eu,

ansiamos silêncio.

Busco água. A sede é de madrugada.

Baratichas, pernilongos e formigas,

riscam paredes decoradas e espatuladas de

casas, lagos, montanhas, frutas e flores.

Desemboco no meio de balcões atulhados de bibelôs.

Nos sofás, sacos plásticos cheinhos de acontecimentos.

Almofadas e sacolas. Notas musicais.

O dia a dia apressado e descuidado.

Na mesa do jantar, balas e biscoitos, parafusos e notas fiscais. Mais bibelôs.

Mais ferramentas, lembretes. Outras notas musicais.

Uma procissão de potes tuperware cheinhos de remédios.

Os guardanapos de crochê engomados sacramentam onde estou.

Estou na casa da minha mãe.

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