Sobre a arte

Tenho evitado comentar sobre a exposição das 270 obras do Santander Cultural de POA – RS, o QueerMuseu – Cartografias da Arte Brasilleira – e do MAM.

Primeiro por não ser especialista no assunto.

Segundo, por preguiça.

São tantos os viés do tema, que só de pensar em escrever …

isso não quer dizer que não tenho pensado no assunto, nem que não tenha opinião a respeito … muito pelo contrário.

Então, vamos lá.

Mais um pitaco num universo de pitocos.

Quando saíram as primeiras postagens, imagens e comentários sobre a exposição da QueerMuseu em Porto Alegre, fiquei sem palavras. Embasbacada, me definiria melhor.

Primeiro,

por ter sido usada verba federal (Lei Rouanet) no valor de R$ 800.000,00 (supõe-se que o valor seja devolvido aos cofres públicos) para patrocinar uma exposição destinada a gerar reflexão sobre a homofobia, lembrando que o respeito à dignidade humana é direito de todos, e a arte, um poderoso instrumento de expressão.

Segundo,

porque a mostra artística fez parte da programação escolar de estudantes da capital gaúcha mesmo trazendo imagens pornográficas, de zoofilia e desrespeito a símbolos religiosos. Embora o Santander Cultural não tenha um levantamento sobre quantas escolas levaram alunos para ver as obras, o próprio projeto da mostra estabelecia ações voltadas a esse fim. Ou seja, visitas e distribuição de material impresso para alunos e professores.

De opiniões do tipo “Vai quem quer”, “A mostra é de ódio e não de arte”, Arte é a representação da coisa. A representação da coisa não é a coisa.”, “não se persegue obra de arte.”, As crianças veem coisas piores na internet”, “a molecada faz coisa que até Deus duvida”…. Ok. Concordo. Vai quem quer? Sim. Vai quem quer. Particularmente, adoraria ver. Nada que aos 55 anos me traumatize ou ofenda. Certo? Não sei. Não vi.

O que sei é que vivemos tempos bizarros, de valores invertidos; uma sociedade líquida em que tudo é fluido, transitório e passageiro. Onde a corrupção, os interesses e a violência banalizam a vida. Onde as regras são meras sugestões, e a verdade, sempre relativa.

O que acredito é que o tema proposto e o objetivo inicial da mostra se perdeu. Não acredito que a comunidade LGBT se identifique com grande parte das obras da exposição. Daquilo que vi nas mídias, tenho certeza de que a mostra não é, em absoluto, destinado à crianças e adolescentes menores de 18 anos.

Não tenho diploma nem de Artes Plásticas, nem de Belas Artes. Sou psicóloga, arteterapeuta, especialista em psicoterapia psicanalítica de crianças e adolescentes, entre outras especializações e formações na área Psi. Artista autodidata de garagem/porão de pintura, papel, barro, pedra. Enfim, uma apaixonada por arte. Uma viajante inveterada que passa horas em museus do mundo todo, apreciando as mais diferentes formas e expressões artísticas. Do Prado ao Louvre. Do Museu de Picasso ao de Miró. Do Museu das Armas ao Museu do Sexo, em Paris. Museus de História Natural, ao ar livre e tantos outros. Já vi, imagino, um pouco de praticamente de tudo. De cadeira masturbatória no Museu do Sexo, em Paris, à Mona Lisa (A Gioconda, ou, Mona Lisa del Giocondo) de Leonardo da Vinci, no Louvre, também em Paris. Do teatro erótico em Hamburgo (na Alemanha) ao ping pong show em Bangkok (na Tailândia).

São 55 anos de experiências e vivências culturais. 55 anos.

Fico imaginando o que se passa pela cabeça de uma criança ou de um adolescente em fase de maturação sexual ao ver as cenas bizarras e/ou perversas de sexualidade – mostradas nas mostras, ditas artísticas – e mais ainda, se este tipo de exposição não seria uma forma de abuso sexual. Por mais precoces e informadas que sejam as novas gerações, a maturidade emocional destas crianças e adolescentes precisa, e deve, ser preservada. Cada coisa no seu tempo e contexto. A estimulação erótica inadequada, de forma alguma, irá contribuir na formação e resolução de uma personalidade coesa e saudável. Muito pelo contrário.

Quanto à exposição, acredito que existam espaços adequados para ela. Existe quem gosta deste tipo de “arte”. Se chegar à Floripa, certamente vou visitá-la. O que considero fundamental é a utilização de um método classificativo por faixa etária recomendada para assistir este tipo de arte. Afinal …

“Mais que representar alguma coisa, a obra criativa representa seu autor, uma época, uma cultura.” (Sara Paim)
“O artista é um homem coletivo que exprime a alma inconsciente e ativa da humanidade.” (Nise da Silveira)

Dito isso, espero que a polêmica das recentes exposições do QueerMuseum e do MAM estimulem uma profunda reflexão sobre o mundo em que vivemos e sobre o mundo que queremos construir para nossos filhos, netos e bisnetos.

No mosaico de fotos acima, um pouco da herança artística de nomes consagrados (outros, nem tanto) que marcaram seu tempo e fizeram história.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s