Sobre a Arte 2

Com o passar dos anos e das viagens, viajar tem sido um excelente exercício para os sentidos. Além de alguns pontos turísticos indicados, um dos programas tem sido a visita à museus e galerias. Na medida certa que é nada de exageros.

Ao visitar o impressionante National Gallery of Vitoria, em Melbourne – AU, pode-se observar a evolução da arte decorrente da própria evolução da raça humana, da arte e dos próprios artistas. Obras de Matisse e Picasso, de início de carreira, me empolgaram (eles também fizeram trabalhos questionáveis). Por toda a galeria, – ela própria um verdadeira obra arquitetônica da arte contemporânea – a exposição “Linguagem dos Ornamentos” mostra a evolução da arte (pinturas e esculturas), roupas, móveis, utensílios domésticos(cerâmicas e porcelanas) até chegar ao momento atual com impressoras 3D, o computador e o cinema 3D.

A mudança no conceito de arte – do século 13 até os dias atuais – exorbita aos olhos: a Arte Sacra, uma Pietá originária da Alemanha, Marco Antônio e Cleópatra, entre tantas outras esculturas, talhadas à mão, em mármore e pedra, evoluindo para os polímeros sintéticos das caveiras de Ron Mueck; a pintura lúgubre de El Greco à coloridíssima de Mark Rothko e Andy Warhol … sem contar a arte dinâmica de Yayoi Kusama (onde todos somos convidados a participar, colando flores adesivas em qualquer espaço do apartamento exposto), além da grande tela formada com espaguetes coloridos de piscina (coloquei a minha lá) … Pela primeira vez, cheirei aromas da natureza em peças de exposição. Sissel Tolaas é uma smell designer. Sua biblioteca pessoal é de 7000 aromas (como será que ela guarda os cheiros? Tipo essência?). Para ela aroma é informação. Quantas lembranças surgem instantaneamente quando algum cheiro familiar é deflagrado? Lembrei de um perfume da Avon que usava quando adolescente: Sweet Honesty: O aroma, ainda hoje, me transporta àquele tempo e lugar. Uma viagem no tempo e no espaço. E sem sair do lugar.

Sobre a arte? Ela mudou. E muito.

À primeira vista, a impressão é de pressa, pouco detalhamento, pouco acabamento, pouco conhecimento, pouco talento. Mas esta é a arte do nosso tempo. Ela, assim como os aromas, transmite quem somos e como vivemos. Nosso tempo. Nossa época. A abstração como forma metafórica de se fazer entender.

 

 

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