Fantasia

Quarta-feira de cinzas.

Lá estava ela. Eu. Você. Qualquer um ou uma de nós.

 

Ela se arrastava pelo dia.

Feliz. Apaixonada. Realizada. Plena de si mesma.

Queria apenas que aquele momento

jamais terminasse.

Queria, mesmo assim, sabendo

que aquele momento duraria o tempo de um suspiro.

Era rebento da mais perversa fantasia. Fruto do delírio e do desejo.

Não era nenhuma princesa, diva ou realeza.

Era apenas ela, fantasiada de plumas e ventos,

de canto e desespero, de mentira e purpurina.

 

Era ela, e não apenas ela, querendo ser o que não era.

 

Maldição desta vida louca,

que quer o que não tem, ser o que não é, fazer o que não pode nem consegue.

Quer a vida de outrem, o corpo de alguém, a casa de ninguém.

Maldição deste tempo sem tempo,

onde a fantasia e o desejo aguilhoam feito reza, feito religião.

Ela, eu, você, qualquer um ou uma de nós,

Somos o que somos. Existimos.

 

Ainda bem que a fantasia colore e adoça a vida.

O desejo,

instiga a existência.

 

 

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