Memórias, sonhos, reflexões – Carl Gustav Jung

Do analista junguiano li outros livros. Exigência da minha formação em Arteterapia, cuja teoria faz pano de fundo para todo entendimento arteterapêutico. Mas, diferentemente dos outros livros, o livro de Memórias de Jung mescla teoria, vivência, a infância, adolescência, os pais, a religião, a morte, o dia a dia, viagens, opiniões, dados sobre a família, cartas, etcetcetc. Quase uma autobiografia. Tudo muito espontâneo. A teoria que acompanha textos e comentários mais parece um processo cognitivo em busca de sentido. Algo como a construção de um entendimento a partir de ideias e lembranças, sonhos e devaneios … um eterno amadurecer, onde complementos são sempre bem vindos e adequações, idem. A obra de uma vida com gosto de obra inacabada.

O texto, em alguns momentos agradável de ler, parece um diário. Em outros momentos, o texto é denso e pesado. Pulei algumas partes. Por isso, o livro continua na cabeceira pra ler o não lido, reler o esquecido, reconsiderar hipóteses, me aprofundar no imaginário de Jung e me inspirar em sua coragem.

Acompanhar a linha de raciocínio de Jung é inspirador. Imagino como era pensar e registrar os mais estapafúrdios pensamentos e ideias há mais de 100 anos, e mesmo assim, acreditar e perseverar. Lembro-me de quantas vezes pensei em soluções, ideias e projetos, cheia de energia e criatividade, para depois, ao perceber por onde andaram meu bom senso e racionalidade, acabar boicotando atitudes, textos e programações. Jung acatava as mensagens que vinham do seu inconsciente e não se importava com o que os outros iriam pensar, nem o quanto ele precisaria se desviar do que estava fazendo para implementar aquilo que lhe apareceu em sonhos, devaneios, observações e insights. São tantos os momentos em que Jung fez o que sentiu que deveria fazer que, se vivesse na atualidade, seria visto como pessoa disfuncional. A ideia da personalidade nº1 e nº2, onde a nº1 era objetiva e a nº2 absolutamente subjetiva, possivelmente seria considerada um distúrbio de personalidade. Dissociação. Jung não esconde suas fases depressivas e esquisitas, nem o quanto foi importante contar com a família, amigos e a própria arte como forma de superar estes períodos sombrios. Mesmo indeciso e inseguro com suas escolhas e ideias, seu inconsciente sempre lhe deu sinais – que ele considerou e levou à sério – para seguir em frente.

Pra variar vou ter de reler o texto. Ele vale. E o recomendo a todos que querem conhecer um pouco mais sobre Jung e se inspirar em sua coragem, foco e determinação.

Como sugestão:

  • Leia aos poucos.
  • Saboreie temas e frases.
  • Deixe-se levar.
  • Possivelmente Jung tenha sido o maior expedicionário e explorador do universo do inconsciente humano.
  • Não tenha medo.
  • Se entregue.
  • Entre em contato com seu próprio inconsciente. Escute-o. Dê-lhe espaço e atenção. Ele sabe muita coisa sobre você, que você nem desconfia.

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