Dia dos Pais sem Internet

Difícil ficar sem. Ainda mais no Dia dos Pais. Não sei se o problema é geral ou particular. Será que tem zilhões de pessoas tentando contatar os pais e por isso o sistema está congestionado, colapsado, truncado? Quero acreditar que seja isso. Imaginar ter de chamar algum técnico da OI, TIM ou VIVO chega a me dar cólicas, ainda mais em tempo de pandemia, com uma semana cheia de compromissos, e a atendente, certamente vai marcar qualquer hora do dia. Das 8 as 18 horas e eu presa em casa esperando, esperando. Recém é domingo e pelos meus cálculos o melhor dia para perder será na quinta-feira. Talvez não seja nada disso e daqui a pouco o sistema se restabelece assim, magicamente. Seria demais. Improvável demais. Já cansei de tirar o plug da tomada, contar até 30, recolocar o plug na tomada, e, nada. Continuo sem internet. Às vezes,  uma enxurrada de notificações pinga feito pingo de chuveiro persistente. É o tempo de eu chegar ao telefone e então ele emudece, na maior covardia, e por mais que eu mexa nas configurações do aparelho nada acontece. Começo a ficar encucada que de tanto mexer nas configurações do meu aparelho, ele esteja irremediavelmente desconfigurado. Será caso de oficina? Um aparelho novo? Vou esperar pra depois das 22 horas. Quem sabe depois da meia noite, mas daí já passou o Dia dos Pais. Meu pai não liga pra este tipo de coisa. Já abracei o retrato dele hoje. Fazem anos demais que não o vejo, nem ouço sua voz. Chorei e me emocionei feito criança ao encontrar fotos 3X4 escondidas na minha carteira, entre cartões de apresentação antiquíssimos e desatualizadíssimos. Depois de uma devassa nas mídias sociais e a certeza de não ter nenhum álbum dele na casa onde estou passando a temporada, foi um alívio encontrar aquelas fotos. Quatro fotos antigas e de idades diferentes. A última a mais próxima da imagem que guardo com amor e carinho em minha memória. Foi minha mãe quem as deu ao longo dos anos. Com a separação conjugal, e depois, com a morte dele, volta e meia ela encontra objetos dele e pergunta se eu quero. Claro que eu quero. Aliás, minha última aquisição foi uma navalha de tirar a barba, Por algum motivo, e prefiro não ser freudiana nem Agatha Christi ou Sherlock Holmes a guardei no criado mudo. Vai que eu precise. Assim como guardar estas fotinhos 3X4 na carteira foi uma ótima ideia. Hoje eu precisei e lá estavam elas. Bom saber que tenho meu pai assim, na palma da mão. Tem dia que é tudo de que a gente precisa. Obrigada pai, por esta  eterna disponibilidade.

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