Impressões sobre a evolução dos atendimentos psicoterapêuticos – do atendimento presencial ao atendimento online.

Tenho de admitir que, após muita relutância, hoje sou ferrenha defensora desta modalidade de atendimento psicoterapêutico.

Atualmente, 95% dos meus atendimentos acontecem via online.

Muito antes da COVID19, entre 2016/2017, formamos um grupo de psicólogas no Jurerê, em Florianópolis/SC, para onde havia me mudado no final de 2013. Encontrávamo-nos 1 ou 2 vezes por mês, para discutir as mais diversas questões. Ana foi a última integrante do grupo de cinco psicólogas de idades, cidades, tempo de formação e linhas de atuação diferentes. Em comum, vivermos todas a beira mar e o interesse de avivar o consultório num bairro badalado, onde crises e conflitos pareciam não existir. Os problemáticos iam ao centro se tratar. Queríamos criar um espaço terapêutico atento e disponível a toda comunidade, na própria comunidade.

Ana nos sacudiu com a modernidade da mídia na divulgação, no formato de cursos e atendimentos. Admito que fiquei chocada. Formada há mais de 30 anos, com inúmeras formações e especializações, uma vasta experiência clínica, o universo apresentado por Ana não tinha nada de romântico, nada de indicações, nada de projetos detalhados e encaminhamentos. Freud e Jung deveriam estar se remexendo na tumba com a forma moderna de entrar no mercado de trabalho, apresentar-se e representar-se. As expressões coworking, impulsionamentos no Facebook, reunião via zoom, página no Google, entre tantas novidades que, ou não registrei ou esqueci, só me mostraram o quão jurássica havia me tornado em muito pouco tempo. Uns 3 ou 4 anos. 

A conclusão: Ana era uma mercenária que só pensava em dinheiro e ser muito reconhecida num espaço de tempo recorde. Nada de 5 anos de muito trabalho, palestras, artigos e entrevistas, voluntariado até ser conhecida e ter uma agenda considerável.

O grupo estremeceu. Ana saiu do grupo. Não havia espaço para ela. 

Naquela época, Vanessa pagava o Doctoralia (uma espécie de Páginas Amarelas virtual), eu fazia projetos e encaminhava para escolas, Elaine ainda estava se encontrando entre Rondônia, coaching, psicologia e o casamento, e Angela queria montar grupos de Contoterapia. Todas providenciando cartões de apresentação e agendando com profissionais ligados a área para eventual parceria e encaminhamentos futuros. Me propus a escrever para o jornal do bairro. Angela participaria de atividades de Arteterapia no Open Shopping. Elaine nos falava sobre técnicas de coaching de emagrecimento. E a Psicologia? Ela não sabia exatamente por onde seguir, mas lia de tudo e fazia todo tipo de curso online que aparecia. Eu olhava com o rabo do olho, exausta com minha recém finalizada formação – Arteterapia – e a dúvida sobre novos cursos. Angela falava de Constelação Familiar. Elaine estava estudando, via online, Hipnoterapia. Céus, quanta heresia! Como alguém poderia trabalhar com uma técnica tão perigosa, tendo por base, um cursinho online? Constelação Familiar? Vanessa já havia constelado. O rabo do olho só aumentava. E céus, onde eu estava quando o mundo virou de pernas para o ar? 

As férias chegaram, o grupo relaxou e cada uma seguiu seu rumo. Sem prazo nem data para retornar. Todas percebemos que o Admirável Mundo Novo nos atingira em cheio. Havia uma única saída para todas nós. A adaptação. 

Ana não era uma mercenária. Era a portadora da notícia. A porta-voz do Novo Mundo.

Ao nos reencontrar, alguns meses após o final das férias, cada uma havia achado um jeito próprio de existir. Vanessa criou um coworking, onde todas atendemos por horário de atendimento; Angela criou o grupo das Lobas; Elaine se separou do marido, mudou e montou um consultório na Praia dos Ingleses. E eu? Eu me cadastrei no Google, como psicóloga em Jurerê, fiz alguns cursos online de escrita criativa, assisti algumas lives, podcasts e afins.

A procura por atendimento aumentou. A ferramenta de busca do Google é primordial para quem está recomeçando. Mas, me mantive fiel ao Setting Terapêutico: atendimento presencial com tudo que a Psicologia do final do século XX apregoava. 

Até chegar a COVID19. 

Na época, por questões pessoais, retornei ao RS e encaminhei meus 5 pacientes para minhas colegas. Foram sete meses de período sabático. Nesse meio tempo, 3 dos meus pacientes encaminhados, pediram para que eu os atendesse online. Eu mesma estava fazendo atendimento online, pois minha psicoterapeuta não estava atendendo presencial.

Ok,Ok,Ok.

Entrei em contato com o CRP-RS e me informei sobre as regras desta forma de atendimento. Busquei na internet. Me inspirei na minha própria psicoterapia. E aderi a esta forma de atendimento.

A conclusão: Amo de paixão e se puder, atendo 100% online. 

Quer saber como funciona? Vou comentar no próximo post. 

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