Manhã de caminhada

Bom amanhecer com o pé na areia e o olho no mar.

O mar manso, espelho para nuvens, chuva e sol.

Algumas ondas e conchas, miúdas.

Quero-queros, pombos, gaivotas. Alguns.

Andarilhos, caminhantes, atletas. Poucos.

O dia recém mostra sua cara que começa a acontecer:

no mar, o retrato do céu de outono começa a invernar,

tatuíras mergulham de ponta-cabeça na areia molhada,

a chuva se aproxima, as nuvens escurecem, o sol se esconde. Os pássaros voam.

Apresso o passo.

A chuva cai.

Volto pra casa.

Lá, o sol, encabulado, me aguarda.

Amanhecer 2

Solidão

Particularmente, adoro.

Quando estou sozinha consigo me organizar, criar, descansar, fazer um monte de coisas, que acompanhada, acabo não fazendo.

Mas, existe um tempo para este bem-estar na solidão.

Tem hora que o espaço do outro se agiganta e clama por ocupação.

Lendo o intrigante livro “Ousadia em estar feliz” o autor Dinael Corrêa de Campos cita outro autor, que cita as diferentes formas de solidão.

Ei-las:

  1. Solidão do ressentimento – por reação de lembranças dolorosas;
  2. Solidão por enclausuramento – por falta de respeito pelo que o outro tem de diferente;
  3. Solidão da perda – pela ausência de alguém;
  4. Solidão da disjunção – por desunião do que antes foi união;
  5. Solidão da procura – por busca incessante de conexão;
  6. Solidão possessória – que tenta substituir o vazio do ser pelo delírio do ter;
  7. Solidão dos desapossados – associada à privação dos bens de sobrevivência mínimos;
  8. Solidão depressiva – por falhas no encontro com o outro ou consigo mesmo;
  9. Solidão por opção – por descoberta da identidade na interioridade;
  • Solidão por descrença – por ausência de afetos e de esperança;
  • Solidão por indiferença – derivada do sentimento de falta de significado por parte de quem nos rodeia.

Conseguiu identificar qual a solidão que te aflige?

Melhor sofrer com a solidão que escolhemos viver. Todas as outras, me parecem, relacionam-se com algum tipo de falta.

E solidão escolhida, é solidão preenchida.

 

 

 

 

 

Presente do mar

Anne Morrow Lindberg

O livrinho, pequeno em tamanho e gigantesco nas reflexões, foi originalmente escrito em 1955, e reeditado em 1975. A autora buscou na solidão de uma ilha e no contato com as conchas, um bálsamo para seus conflitos pessoais.

conchas 2

“Pois ser mulher é ter interesses e obrigações que irradiam em todas as direções a partir de um núcleo materno central, como os raios que partem do centro de uma roda. O padrão de nossas vidas é circular em sua essência. Precisamos estar abertas a todos os pontos da circunferência: marido, filhos, amigos, casa, comunidade: tensionadas, expostas, sensíveis a cada apelo, como uma teia de aranha que balança a cada brisa que sopra. Como é difícil alcançarmos um equilíbrio entre tantas tensões contraditórias! E, ao mesmo tempo, esse equilíbrio é essencial para o funcionamento adequado de nossas vidas.” (p. 37-38)

“E aqui me confronto com um estranho paradoxo. Instintivamente, a mulher quer se doar; no entanto, fica ressentida por se dar em pequenas doses. Seria este um conflito básico? Ou eu é que estaria simplificando demais um problema muito mais complexo? Acredito que a mulher não se ressinta tanto por se dar em pequenas doses, mas por se dar em vão. Não receamos o fato de que nossa energia possa estar sendo escoada por pequenas brechas, mas que possa estar se perdendo pelo caminho. O problema é que não vemos os resultados de nossa doação de forma tão concreta, como acontece com o homem em seu trabalho.” (p. 53)

“Na verdade, este é um dos momentos mais importantes de nossas vidas – quando estamos sozinhos. Algumas fontes começam a jorrar apenas quando estamos sós. O artista precisa ficar só para criar; o escritor, para elaborar seus pensamentos; o músico, para compor; o santo, para rezar. A mulher precisa de solitude para reencontrar sua verdadeira essência, núcleo indispensável a partir do qual será tecida toda uma gama de relações humanas. Ela precisa encontrar a quietude interior que Charles Morgan descreve como “a quietude da alma em meio às atividades da mente e do corpo, para que ela se torne tão serena como o eixo de uma roda em movimento.”(p. 57)

“As ondas ecoam atrás de mim. Paciência, fé, compreensão. É isto que nos ensina o mar. Simplicidade, solitude, intermitência … Mas há outras praias para se explorar. Há outras conchas para se encontrar. Este é apenas o começo.”(p. 127)

Inferno astral existe?

Ontem foi um daqueles dias em que tudo que eu queria era descansar o corpo e a cabeça. Entre um cochilo e outro pesquisei vários assuntos: Plantão Psicológico, Atendimento Psicológico Online, Palestras/Aulas Online. Por algum motivo – entre um assunto sério e outro – fui levada à 3 aulas gratuitas de Astrologia. Assunto sério!? Pura curiosidade. Me inscrevi. Passei e.mail. E olha, o que chegou hoje!!!! Um mês antes do meu aniversário.

Inferno astral existe?

O que é o inferno astral? Em geral, as pessoas dizem que o inferno astral corresponde ao mês que antecede o nosso aniversário, no qual aconteceriam muitas coisas difíceis e desagradáveis. Será que é isso mesmo?

Divido uma curiosidade com vocês: faço aniversário no mês de março. Na época em que eu estudava, as férias eram sempre em fevereiro, então, o meu suposto inferno astral era um “céu astral”. Eu saía da escola, ia à praia e curtia todas. Sempre achei o máximo o mês anterior ao meu aniversário e só mais tarde fui saber, quando eu estudava astrologia, que as pessoas falavam nesse tal de inferno astral.

Vamos pensar no seguinte: o ciclo anual corresponde a 12 meses. O nosso ano astrológico começa no nosso aniversário, no dia em que completamos mais um ano de vida. O mês anterior seria uma espécie de balanço que deve ser feito acerca do ano que passou. Uma época de pisarmos mais leve, de ficarmos um pouquinho mais quietinhos, refletirmos sobre o que se viveu e pensar no que se quer pra essa próxima etapa de vida. Neste ponto é que uma espécie de revolução interna começa e queremos resolver e mudar tudo pra ontem. Então, não é exatamente um inferno astral, a gente é que vai com tudo e não para pra refletir.

Fazendo um paralelo, sabemos que é muito comum o mês de dezembro ser trabalhoso: o mês em que fechamos as contas, fazemos a análise do ano, vimos o que deu certo, o que deu errado, e, a partir disso, planejamos e traçamos as metas do ano seguinte.

Dificuldade não é exatamente um inferno. Pode não! Regularmente, mesmo longe do nosso aniversário, atravessamos momentos que astrologicamente são anunciados como tempos difíceis e fazem parte da vida. Nada melhor do que entendermos como tudo isso funciona e nos prepararmos da melhor forma possível para tempestade que vem pela frente, com força, determinação, coragem e olhos atentos aos aprendizados.

Que também possamos viver plenamente esse momento.

Um beijo,
Claudia

Pra quem ficou interessado basta procurar pelo canal da astróloga Claudia Lisboa no Youtube. De repente a gente se encontra na sala de aula online!!!! Enquanto isso, vou ficar atenta ao meu “inferno astral”.

Ser mãe: como lidar com culpas e conflitos

Minha primeira aula online!

https://events.genndi.com/replay/169105139238454117/38445fec27/0/

Eu + 156 pessoas participaram da aula de 60 minutos da Psicóloga Anna Patrícia: “Ser mãe: como lidar com culpas e conflitos”.

Nunca havia participado desta modalidade de aula, nem conhecia a professora. Quem me indicou foi uma colega do grupo Trocas Psi. Com um olho na aula (computador) outro no caderno (página em branco WORD) tentei fazer o que sempre faço quando estou em aula: prestar atenção e anotar o máximo possível. Óbvio que perdi o bonde tanto nas explicações, quanto nas anotações.

Mesmo assim, valeu a experiência. Algumas anotações:

  • Ser mãe é maravilhoso, difícil e ameaçador.
  • Se a maternidade está difícil e você está exausta, demandada e sobrecarregada, não adianta criticar seu marido ou seu casamento. Você apenas irá dobrar seus problemas.
  • Cada filho inaugura dentro de nós um ser/estar diferente. Assim, cada filho que nasce tem uma mãe diferente. O mesmo acontece com o relacionamento conjugal e com nosso trabalho. O tempo e as circunstâncias operam mudanças significativas em nosso modo de ser/estar/existir.
  • O caminho para superar as dores da maternidade, está em nosso relacionamento com nossas mães e nas mulheres de família com quem nos relacionamos. A forma como fui e sou filha, como lido com minha mãe é como lido com a minha maternidade.
  • O processo de cura para as culpas e conflitos maternos passa pela reconciliação com os pais e com os próprios filhos.
  • Não existe mãe perfeita, a vida não pára para que possamos ser perfeitas. Lidamos – assim como nossas mães lidaram – com todo tipo de problemas. Mesmo assim, todas temos de conciliar e fazer o melhor que pudermos como mães, independente do que estiver acontecendo.
  • Podemos ser mães de nossas próprias mães? Não. Como filhas, precisamos de colo. Esta hierarquia social deve ser preservada sempre. Seremos sempre filhos/as de nossa mãe, não importa a idade e a condição em que ela está. Só poderemos ajudá-la se permanecermos no papel de filhos. Podemos e Devemos ser mães dos nossos próprios filhos.
  • Cada nova família deve criar suas regras; um manual para criar e educar os próprios filhos (mulher Lego Redondo X Homem Lego Quadrado = Regras Familiares).

Além de nos reconciliar com as figuras femininas de nossa família/história, outros itens devem ser observados quando pensamos em viver harmoniosamente nossa feminilidade e maternidade:

  • A construção da identidade feminina (a mãe que nos tornamos a partir do nosso relacionamento com as mulheres, a filha que somos)
  • Amor e dor na relação com a mãe e todas as mulheres da família;
  • Escolhas e renúncias , Luz e sombra ao ser mãe;
  • A mãe, amamentação e alimento (transtornos alimentares relacionados com o relacionamento com a própria mãe;
  • Mães e filhos, vínculos e continuidade ( a mãe de todas as relações);
  • Gestação, parto e pós-parto: portais de transformação.
  • Conflito entre Maternidade e Vida Profissional (carreira)

Ou seja, tudo muda. Mesmo assim, tudo continua muito igual. Segue o baile.

Arrumação: apego ao passado ou medo do futuro?

Duas vezes por ano, normalmente antes do Natal e nas férias de inverno – há muitos e muitos anos – faço uma senhora arrumação em casa. Do tipo

  • esvaziar, limpar e reorganizar guarda-roupas, armários, gavetas, prateleiras;
  • revisar, colar, lavar, polir, pintar, lixar, envernizar ou passar óleo de peroba/betume em adornos e móveis menores ou de apoio;
  • lavar ou mandar para lavanderia roupas mofadas ou amareladas e para a costureira, roupas que merecem algum tipo de ajuste ou concerto (não tenho mandado nenhum calçado ao sapateiro, o custo benefício tem sido inviável.

Ou seja, viro a casa do avesso, e com ela, viro do avesso também. Ao longo dos anos, fui fazendo e aprendendo. Costumo dizer que sou algo bagunceira, algo indisciplinada e algo organizada. Em parte, pelo tanto que produzo (velas, cerâmica, scrap, mosaico, pintura, literatura) e pelo tanto que guardo (do fio ao pavio, folhas, botões, chaves velhas, papeis, adornos quebrados, etcetcetc). Tudo, absolutamente tudo, pode ser reaproveitado e transformado. Reciclado e estilizado no melhor estilo “fui eu que fiz”. Haja disposição, criatividade, dinheiro e tempo. Tempo é fundamental. Só comece se tiver tempo pra terminar. Por isso, estipule uma meta: Um fim de semana, uma semana, um mês. Aproveite para desintoxicar sua casa e reencontrar muita coisa. Mas termine o que começou. E já planeje a próxima etapa. Além de selecionar, limpar e colocar no sol pra ventilar roupas e demais artigos, pratique o desapego.

O DESAPEGO é a parte mais importante da arrumação. Do que vou me desfazer. O que vai pra doação? O que vai para o lixo?

A dificuldade de se desfazer de coisas que não usamos mais, pode ser decorrente do apego ao passado ou medo do futuro. Ambas podem governar o modo como nos relacionamos com coisas, e, pessoas. Trata-se de um padrão de funcionamento. Mantemos em nossas vidas apenas o que realmente queremos? Ou estamos entulhados de objetos, reféns de uma sociedade de consumo? Nos transformamos em acumuladores compulsivos e competitivos?

Como diz Marie Kondo, no livro A mágica da Arrumação – A arte japonesa de colocar ordem na sua casa e na sua vida: “Há três maneiras possíveis de lidar com nossos pertences: encará-los agora, algum dia ou evitá-los até a morte. A escolha é sua. Acredito piamente que é bem melhor encará-los agora. Se reconhecermos o apego ao passado e o medo do futuro ao analisar com sinceridade nossas coisas, conseguiremos enxergar o que é realmente importante.”

Li o livro, enquanto reorganizava a casa.

Marie Kondo dá várias dicas interessantes para REALMENTE arrumar a casa. Não concordo com todas. Talvez porque seja psicóloga e o passado faz parte do meu fazer profissional. Talvez por ser arteira e qualquer caco pode ser reciclado e transformado. Talvez por ser ecologicamente correta, diminuir o consumo e reciclar é fundamental, enfim …

Para mim, organizar a casa é organizar a própria vida. Quando não estou bem, minha casa (de alvenaria, madeira ou pau a pique) e meu corpo físico (espírito, alma) também não estão. À medida que a casa fica arrumada e ordenada, me ajeito também. Ver as coisas limpas, organizadas e colocadas em seus devidos lugares dá tranquilidade e leveza. A casa – e a própria alma – se enchem de energia e alegria. Prontas para o próximo passo.

Dentre os apontamentos da autora, de mais de dois milhões de livros vendidos, achei interessante:

  • faz mais sentido classificar as pessoas – no quesito organização – por suas ações do que por seus traços de personalidade. Existem os que “não conseguem jogar fora”, os que “não conseguem colocar de volta no lugar” e 90% dos casos, os que “não conseguem nem jogar fora, nem colocar de volta no lugar”. Ufa, a grande maioria.
  • Há dois tipos de organização: a “diária” e a “organização como evento especial” (esta que estou fazendo agora). Ela sugere que se pegue cada peça/objeto e ao observá-lo, perceber se ele nos traz felicidade. Se sim, fica. Se não, descarta.
  • Além do valor material, existem outros fatores que atrapalham na hora do descarte: funcionalidade, informação, apego emocional e raridade.
  • É importante organizar (e descartar) por categoria. Junte tudo, retire do cabide, das prateleiras, das caixas. Jogue tudo no centro da sala ou do quarto. Olhe peça por peça, dialogue com ela. A primeira categoria a ser trabalhada são as roupas, depois vem os livros, papeis e documentos, itens variados, e por último, artigos de valor sentimental. Ao manusear artigos de valor sentimental e decidir o que descartar, você processa seu passado.
  • O tipo de organização chamado de “enviar as coisas para a casa dos pais” deve ser evitado. Despachar objetos para outro lugar é como varrer a sujeira pra debaixo do tapete.
  • O “clique do suficiente” é difícil de ser alcançado. O certo é que vivemos com mais coisas do que de fato, precisamos.

Ok. Preciso trabalhar alguns destes tópicos. Mas, nada de exageros.

Percebo como o menos tem me agradado mais. O quanto tenho descartado. Quão pouco tenho comprado. Encontrar nos armários, balcões, gavetas e caixas aquilo que gosto, os livros organizados, o ateliê idem, alguns móveis restaurados e reposicionados, tem trazido leveza à minha vida.

Ao descartar o que não mais me define, abro espaço para o novo.

De “novo, novo mesmo” pretendo adotar uma conversa diária com a casa que me acolhe, com os móveis que participam do dia a dia em família, com as roupas e calçados que me agasalham, com os livros, fotos e documentos que registram momentos e acontecimentos. Aos objetos descartados, agradecimento. Foram úteis, importantes, necessários. Também eles precisam seguir em frente.

Sabe aquele presente que você ganhou e não tem nada a ver com você, mas que você guarda assim mesmo? Desapegue. Ele já cumpriu a função dele: foi o presente que alguém escolheu pensando em você. É hora dele seguir adiante.

 

 

 

 

 

 

Viajar

Viajar é ótimo. É tudo de bom.

(tô chovendo no molhado. sei disso. todos conhecemos e usamos este clichê)

Viajar cansa. Estressa. Irrita.

(e a gente finge que não sabe ou prefere esquecer certos detalhes:

porque tem sempre uma cama desconfortável, um amigo chato,

o pior lugar do avião, a roupa errada,

o café frio e fraco,

a comida trocada,

o tempero enjoado,

o programa de índio, enfim …

todos conhecemos este script inconfesso)

Pernas exaustas, exauridas e doloridas

Pés inchados, machucados e cheio de bolhas.

(um horror.

e quanta dor.

alguns míseros comentários.

porque na volta, tudo vira história

pra cortar e gargalhar)

Quem sabe um creminho de cânfora,

alguns travesseiros extras: pernas ao alto.

(e uma caixa inteirinha de Band Aid

+ a desculpa perfeita pra comprar um novo par de tênis.

Se for do tipo Sketch melhor ainda.

Eu recomendo.

Foi o que me salvou nesta nossa última aventura torturante)

Pra quem pensa que ser turista é fácil

não sabe o quanto o corpo padece.

pra ir e vir, de cá pra lá , de lá pra cá.

(a revista Caras, a National Geographic e tantas outras,

deveriam ser processadas:

comentam sobre mosquitos, subidas íngremes,

estradas empoeiradas e esburacadas,

pousadas e hotéis exóticos do tipo muquifo ¼ de estrela,

comidas e personagens imperdíveis,

dignos do mais amarelo dos sorrisos com os quatro caninos à mostra,

prontos pro ataque.

entre tantas outras extravagâncias,

nem sempre (ou quase nunca)

são do agrado daqueles que querem apenas passear,

conhecer lugares legais, comer bem.

Um simples e honesto programa de turista.)

Ombros e coluna também capengam.

Mochilas e bolsas carregadas de tudo,

amanhecem como passarinhos,

anoitecem feito elefantes.

(aconchegam celular, máquina fotográfica,

água, chicletes, grãos, biscoitos, balas,

chapéu, boné, documentos,

cadernos de anotações, mapas, folders, óculos de soldepertodelonge,

souvenirs, camisetas, lembrancinhas

+ tanta coisa que ninguém acredita que precisa, mas carrega.

Vai que precisa.

E mulher que se preza precisa estar prevenida e valer por duas!!!!

Se não for pra valer por duas,

que seja pra não se sentir pelada)

E a cabeça?

Perdida entre o fuso horário e o admirável mundo novo,

que o dia a dia, de hora em hora, impõe.

(haja neurônios pra lidar com a rotação da terra,

com sono de menos e comida demais,

com um inglês, sorry, can you speak slowly? aulas do yázigi?

tanta coisa pra ver e conhecer e comprar e experimentar .

tem sempre alguém chamando, apressando e fazendo confusão sobre

o que precisa e não precisa,

o que é bonito e o que é feio.

vamos ou não vamos? vai levar ou não?

enfim,

escolhas de manhã à noite + dúvidas, miseráveis de tão idiotas:

porque se arrepender por algo que fez ou deixou de fazer,

comprou ou deixou de comprar,

faz parte de viajar)

Mesmo assim (e apesar de tudo) reitero.

Viajar, sair da rotina e do lugar comum, é ótimo.

Voltar pra rotina do dia a dia, também é ótimo.

Acreditem.

Ir e vir é tão ótimo, mas tão ótimo, que consegue ser maravilhoso.

(mesmo que meu sonho de consumo nos próximos doze meses seja

deixar o esqueleto com a bunda em casa)