Mãe e filha

“Filha sai da água, depois você reclama que está morta de cansaço. Água cansa.

Precisa de alguma coisa? Estou aí pra te ajudar. É só mandar.

Filha, come alguma coisa. Você comeu pouco. Vai passar fome durante a viagem. O ônibus só para em Sombrio durante 20 minutos. Tem de ser rápida e anota o número do ônibus, pra não pegar o errado.

Você não precisa fazer xixi? Vai enquanto o ônibus não chega. Vou ficar olhando suas coisas. Se precisar ir durante a viagem, o banheiro fica bem na entrada.

Você lembrou de trazer um casaquinho? Olha que no ônibus o ar condicionado é forte. Se precisar, fala com o motorista. Não vai ficar doente.

Minha filha, esta roupa não fica bem em você. Sou sua mãe e tenho de lhe dizer. Você não é gorda, mas aquela calça com a blusa de bolinhas te deixou mais fofa. Possante. Você não é gorda. Você puxou o corpo da sua tia Ivone. Usa aquele seu vestido longo que te deixa bem.

Vai descansar. Deixa que eu arrumo a cozinha. Aproveita as férias. Comprei doce de amendoim que você adora. E balas também. Quer que eu faça torta de carne moída? Encomendei “pizzinhas” da Rejane. Não vai passar fome aqui em casa.

Vou tocar piano pra você. “Sobre as ondas” ou “Danúbio Azul”? Seu avô adorava o “Adeste Fidelis”.

Minha filha, faça como você quiser: quer ir dormir em Lajeado? Vai. Quer dormir aqui em casa? Dorme. Eu penso que cada um deve fazer as coisas do jeito que gosta. Sei que você adora ficar em casa sozinha. Eu também gosto. Não precisa se preocupar comigo. Eu estou bem. Muito bem pra minha idade. Porque quando eu ficar velha, aí sim, vou precisar de ajuda.”

Porque mãe é tudo igual.

Esta é a minha, aos 80 me tratando como se eu tivesse 5 anos.

Bom saber que tem alguém que ama a gente assim: sem medidas.

Quando eu crescer quero ser igualzinha a ela.

Poltronas restauradas

Sabe aquelas poltronas de rattan ou vime queimadas pelo sol?

Tinta nelas.

Já tinha feito, anos atrás, uma pintura provençal. Não gostei.

Nesta nova repaginada, primeiro pensei no preto. Depois, vermelho. Laranja. Goiaba.

Queria ousar. Fui de verde. Desisti.

Me ative ao programado: preto combina com tudo.

Sem arrependimentos.

Mulheres

Todo ano acontece a mesma coisa. Hoje é o Dia Internacional da Mulher e não produzi nenhum texto para o dia. Todo mundo escreve, e eu, escritora de araque, não pensei em nada, nem escrevi nada.

Andei ocupada demais. Como em todos os anos dos últimos anos da minha vida.

Não estou reclamando. Nem me justificando. Apenas constatando.

Quando acordei, vi na agenda, um compromisso agendado para hoje: Mulheres que transformam/2019, às 19:30h. Dias atrás, fui convidada a participar. Aceitei. Depois vou ver do que se trata. Aliás, stop, vou me informar.

Voltei. Depois de esclarecer as dúvidas sobre o evento, pulverizei uma mensagem legal para o dia internacional da mulher – como quase todo mundo faz – para minha lista de Whatsapp e Facebook. Acho que tudo que precisa e pode ser dito rola solto nas mídias sociais. Todo mundo fala bonito. Nada mais me ocorre.

Por acaso, estou sozinha. A casa está arrumada. A roupa lavada. As contas pagas. Os filhos encaminhados, trabalhando e tocando a vida. O marido foi tirar mel das abelhas. O máximo que me atrevo é falar um zilhão de vezes que tome cuidado e que o amo demais. Verdade. Morro de medo de abelhas. E o amo demais. Passei os últimos dias ajudando minha mãe e ontem bati o maior papo cabeça com uma grande amiga eternamente deprimida. Ela escolheu ser assim. A respeito porque as dores são dela e ela não se importa de sofrer. Pelo menos assim me parece. Se eu fosse ela – coisa que não sou – já teria chutado o balde há séculos. Ela prefere encher ainda mais o balde. Torço para que o balde entorne. Para o bem dela.

Tô me estendendo, eu sei.

Coisa de mulher conversar, oferecer ombro e colo e ajudar amigos. Cuidar e amparar os pais. Preparar e proteger os filhos e manter a chama piloto do amor acesa para todo o sempre e ainda estimular explosões e labaredas. Transformar casas em lar. Providenciar comida e carinho e roupa lavada. Ganhar e economizar um dinheirinho. Ajeitar o jardim e lembrar de comprar presentes, cantar parabéns e festejar quem amamos … levar ao médico, dentista, fazer massagem, sair de mãos dadas … A gente nem percebe o quanto faz. Só quando não faz.

E aí todo mundo percebe.

Por isso hoje, decidi comemorar o Dia Internacional da Mulher, mesmo sendo avessa a este tipo de comemoração. Os Dias de alguma coisa, esparramados estrategicamente no calendário, me soam comerciais demais. Reconheço o valor da luta feminina por igualdade e agradeço a todas as mulheres que fizeram e ainda fazem sua parte neste eterno e constante processo de evolução humana.

Parabéns a todas nós!!!!!! Eu, você, nossas mães, avós, bisavós, amigas, conhecidas, mulheres do mundo todo. Cada uma, do seu jeito e no seu tempo fazem a diferença.

Por isso, tin tin. Um brinde a todas.

 

Arroz Integral com Cardamomo

arroz de cardamomoEsta receita de arroz integral é minha favorita para aqueles dias politicamente corretos em termos de alimentação. De gosto acentuado de especiaria, este arroz não é para todos os dias. Quando faço, como apenas um prato bem servido e uma salada verde com tomates cereja pra acompanhar. Mas se vc é do tipo que precisa de algum tipo de carne, sugiro uma receita básica de peixe grelhado para acompanhar.

Ingredientes:

  • ½ xícara de arroz integral
  • ½ xícara de tipos diferentes de arroz(branco, selvagem, preto, etcetc)
  • óleo de coco a gosto
  • sal
  • 2 pedaços de canela em pau (5cm cada um)
  • 10 sementes de cardamomo descascado (use só as sementinhas)
  • 3 xícaras de água fervente.

Modo de fazer:

Misture o arroz com o óleo de coco e o sal e dê uma rápida fritada. Como adoro o gosto de coco no arroz, costumo ser generosa na quantidade do óleo, mas sem exageros para não encharcar. Acrescente o cardamomo, a canela e a água fervente. Deixe cozinhar. Lembre-se que o arroz integral precisa de mais tempo para cozinhar. Esta receita pode ser feita com 100% arroz integral, caso vc não tenha a variedade sugerida.

Bon apetit!!!!!

Sobre o tempo das coisas e o Natal

Dizem que o tempo nos faz parecidas com nossas mães. Esta afirmação me indignava. Como muitas outras constatações que a maturidade traz, me identificar com quem me deu vida, confirma apenas de onde vim e para onde vou. E isto não me enfurece mais. Hoje não tenho vergonha de dizer que assim como ela, também sou apaixonada pelo Natal. Aliás, minha filha também é. Então, acho que este troço natalino, passa de geração em geração … o que é bom demais.

Por conta da idade avançada da minha mãe (ela que não leia este disparate, afinal, “quando eu ficar velha” aos 79 anos …) sou eu quem faço a decoração interna da casa dela. Isso quer dizer que monto a árvore de Natal e distribuo arranjos por toda a casa. Mas antes, preciso consertar e arrumar praticamente tudo. De cola à tinta, passo um dia às voltas com estes consertos e adequações.

Apaixonados por Natal são, em tese, colecionadores de tranqueiras de Natal. Guardo até hoje, meu primeiro Papai Noel mais pomposo, de quando era recém casada. Coisa de 39 anos atrás. De lá pra cá dá pra imaginar o tamanho do meu acervo natalino. São caixas sobre caixas que revestem quase uma parede inteira no depósito de casa. Imagina o acervo da minha mãe. Ela guarda coisa do tempo da “venda”. Eu guardo coisas do tempo das “vacas magras” e das viagens que fiz, e minha filha, guarda de tudo um pouco e muito do que ela encomenda da internet. Todas temos, apreço por nossas bugigangas antigas, desbotadas e destruídas pelo tempo, pela baixa qualidade de produtos “made in China ou Taywan” e pelos meses ensacadas ou encaixotadas em porões, sótãos, armários e garagens.

A arte de reciclar preciosidades me lembra a arte de requentar comida apresentando-a como se fosse fresca e recém saída das panelas. Há de ter vontade, criatividade e ingredientes coringas de qualidade.

Reciclar o Natal dá trabalho. Meche com as emoções. Exige medidas extremas e decisões radicais. Arranjos são sumariamente destruídos e reconstruídos, usando sobras de outros arranjos destruídos. Coisas de todas as épocas vão para a esteira da modernização e fazem a alegria do Natal com uma das estrofes mais repetidas e aprendidas com minha mãe: isto aqui tem 30 anos e comprei em tal lugar; este anjo de crochet ganhei de fulana; paguei em 6 vezes este meu “JesusMariaeJosé”, que custou os olhos da cara, mas é a peça mais linda de todas; isto aqui veio de Monte Sião ou  Campos de Jordão? Muitos adornos falam de viagens, negócios, dificuldades, desejos, amizades, de desentendimentos, de arrependimentos, de planos futuros.

A árvore cheia de penduricalhos mostra por onde e com quem andamos vida a fora.

Para completar este momento mágico, minha mãe vai ao piano e toca músicas natalinas  do tempo do colégio (dela) ou roda velhos LPs na vitrola de agulha desdentada. A maior modernidade são os CDs lançados pelos grupos de corais dos quais faz parte. O cenário seria perfeito se não fosse o choro da minha mãe. Ela lembra dos que partiram: meus avós, parentes, vizinhos, colegas, as amigas do coral da igreja, as amigas de infância. Gente que viveu e conviveu com ela por muitos e muitos Natais. São histórias e lembranças demais pra deixar passar sem um pequeno xilique. Este ano tive de apelar: ou ela parava de chorar ou eu parava de decorar a casa para o Natal. Nem ela parou, nem eu parei. Seguimos fazendo e recontando histórias, rindo e chorando juntas. Ao final de dois dias, muita cola quente e glitter, finalizamos enfim, a decoração de Natal da casa da minha mãe.

pinheiro 5

A felicidade só não foi completa porque vislumbrei meu próprio arsenal natalino encaixotado há um ano, louco pra ser repaginado e realocado em cada canto, cada prateleira e mesa da minha casa. Um arsenal digno do Tio Sam. Melhor respirar fundo, brindar com café e biscoitos amanteigados e deixar que o espírito natalino paire sobre mim e baixe feito estrela cadente.

Vou precisar!!!

 

Preparando o Natal 2018

Fazem 5 anos que vivo à beira mar entre o calor e as ondas, entre as gaivotas e as conchas. Desde o primeiro Natal, em 2013, imaginava como seria fazer um Natal bem praiano. Nada a ver com o excesso de vermelhos e verdes e Papai Noeis da Lapônia. Queria os tons de areia e mar vestindo a casa de praia na temperatura de verão em pleno Natal. Como ainda faltam aproximadamente 50 dias para o dia 25 de dezembro, arregacei as mangas e comecei a preparar nosso primeiro Natal Praiano: conchas recolhidas na orla de Jurerê, bolas de isopor antigas (dá pra imaginar que aprendi a fazer bolas de isopor revestidas de tecido? Hora de reciclar!!!) e cola quente. Fácil e rápido. O problema são os dedos: Não tem como, de vez em quando, não encostar na cola quente e fsfsfsfsfsfs a pele ficar sapecada e dolorida.

Bola de concha 1

Além das bolas natalinas, pinheiros, adornos, pingentes e um universo de possibilidades começa a ganhar vida.

Pinheiro conhas

Aromatização de Azeites

Dias atrás participei de um workshop de aromatização de azeites. Simples, fácil e rápido de fazer.

Há diversos processos para aromatizar azeites. Alguns  contemplam o aquecimento do azeite, outros não.  Uma das formas de elaboração que confere rapidez e simplicidade na preparação é aquecendo o azeite, com a posterior imersão do ingrediente desejado, seguido de descanso.

azeite 2

Azeite aromatizado com laranja Bahia ou Umbigo.

Ingredientes:

– 200 ml (aproximadamente uma xícara de chá) de azeite de oliva extra virgem (pode ser um bem barato). São recomendados azeites das variedades Arbequina (espanhola), Galega (portuguesa), Taggiasca (italiana) ou outros azeites suaves;

– Casca de três laranjas da variedade “bahia”ou “umbigo”, previamente lavada e seca. Corte bem fino, evitando deixar uma grande quantidade da parte branca na casca, pois o azeite poderá ficar um pouco amargo.

Rendimento: 200 ml

Dicas:

. Harmonização: Ideal para usar em aves, peixes, cordeiro, carne de porco, saladas verdes, saladas de frutas e como cobertura em sorvete de creme.

. Caso desejar uma nota de azeite mais neutra, substitua o azeite extra virgem por um azeite de oliva de boa qualidade.

Modo de Preparo

  1. Aqueça o azeite em fogo baixo até aproximadamente 100°C, tomando muito cuidado para não deixar queimar. Caso não tenha um termômetro culinário apropriado, você vai observar que quando o azeite começa a apresentar um movimento de leves “ondas” na panela é indicativo de que a temperatura está adequada;
  2. Quando o azeite estiver na temperatura adequada, adicione as cascas das laranjas. Você vai observar a formação de pequenas “bolhinhas”. Desligue o fogo imediatamente e deixe ”curtindo” até esfriar. Após atingir a temperatura ambiente coloque na geladeira e aguarde aproximadamente 4 horas antes de consumir;
  3. Retirar a casca da laranja usada para aromatizar;
  4. Guardar o azeite em garrafa de vidro esterilizada e bem seca, de preferência na geladeira. Consumir em até 15 dias.

Atenção: Após lavada a laranja (ou qualquer outro ingrediente que venha a utilizar para aromatizar o azeite), secar bem para evitar a presença de água, que em contato com o azeite quente pode “espirrar” o azeite e causar queimaduras.

azeite 3

Outros ingredientes que podem ser utilizados para aromatização de azeite:

MANJERICÃO: Utilizando sempre o mesmo procedimento, substitua a laranja, e utilize as folhas de três ramos de manjericão fresco, separados dos caules, após lavado e bem seco; ou 3 LIMÕES SICILIANOS; ou PIMENTA DEDO-DE MOÇA; ou CANELA; ou ALECRIM; ou qualquer ingrediente de sua preferência. Há quem goste de utilizar FOLHAS DE ERVA-MATE. É importante salientar a necessidade de lavar e secar bem, para evitar que respingue durante a breve fritura no azeite.

Uma excentricidade digna de nota é a utilização do azeite aromatizado com limão siciliano como cobertura no sorvete de creme. Ou, o azeite aromatizado com pimenta como cobertura de sorvete de chocolate. Sublime!!!!!!

Azeite 1