Sobre o tempo das coisas e o Natal

Dizem que o tempo nos faz parecidas com nossas mães. Esta afirmação me indignava. Como muitas outras constatações que a maturidade traz, me identificar com quem me deu vida, confirma apenas de onde vim e para onde vou. E isto não me enfurece mais. Hoje não tenho vergonha de dizer que assim como ela, também sou apaixonada pelo Natal. Aliás, minha filha também é. Então, acho que este troço natalino, passa de geração em geração … o que é bom demais.

Por conta da idade avançada da minha mãe (ela que não leia este disparate, afinal, “quando eu ficar velha” aos 79 anos …) sou eu quem faço a decoração interna da casa dela. Isso quer dizer que monto a árvore de Natal e distribuo arranjos por toda a casa. Mas antes, preciso consertar e arrumar praticamente tudo. De cola à tinta, passo um dia às voltas com estes consertos e adequações.

Apaixonados por Natal são, em tese, colecionadores de tranqueiras de Natal. Guardo até hoje, meu primeiro Papai Noel mais pomposo, de quando era recém casada. Coisa de 39 anos atrás. De lá pra cá dá pra imaginar o tamanho do meu acervo natalino. São caixas sobre caixas que revestem quase uma parede inteira no depósito de casa. Imagina o acervo da minha mãe. Ela guarda coisa do tempo da “venda”. Eu guardo coisas do tempo das “vacas magras” e das viagens que fiz, e minha filha, guarda de tudo um pouco e muito do que ela encomenda da internet. Todas temos, apreço por nossas bugigangas antigas, desbotadas e destruídas pelo tempo, pela baixa qualidade de produtos “made in China ou Taywan” e pelos meses ensacadas ou encaixotadas em porões, sótãos, armários e garagens.

A arte de reciclar preciosidades me lembra a arte de requentar comida apresentando-a como se fosse fresca e recém saída das panelas. Há de ter vontade, criatividade e ingredientes coringas de qualidade.

Reciclar o Natal dá trabalho. Meche com as emoções. Exige medidas extremas e decisões radicais. Arranjos são sumariamente destruídos e reconstruídos, usando sobras de outros arranjos destruídos. Coisas de todas as épocas vão para a esteira da modernização e fazem a alegria do Natal com uma das estrofes mais repetidas e aprendidas com minha mãe: isto aqui tem 30 anos e comprei em tal lugar; este anjo de crochet ganhei de fulana; paguei em 6 vezes este meu “JesusMariaeJosé”, que custou os olhos da cara, mas é a peça mais linda de todas; isto aqui veio de Monte Sião ou  Campos de Jordão? Muitos adornos falam de viagens, negócios, dificuldades, desejos, amizades, de desentendimentos, de arrependimentos, de planos futuros.

A árvore cheia de penduricalhos mostra por onde e com quem andamos vida a fora.

Para completar este momento mágico, minha mãe vai ao piano e toca músicas natalinas  do tempo do colégio (dela) ou roda velhos LPs na vitrola de agulha desdentada. A maior modernidade são os CDs lançados pelos grupos de corais dos quais faz parte. O cenário seria perfeito se não fosse o choro da minha mãe. Ela lembra dos que partiram: meus avós, parentes, vizinhos, colegas, as amigas do coral da igreja, as amigas de infância. Gente que viveu e conviveu com ela por muitos e muitos Natais. São histórias e lembranças demais pra deixar passar sem um pequeno xilique. Este ano tive de apelar: ou ela parava de chorar ou eu parava de decorar a casa para o Natal. Nem ela parou, nem eu parei. Seguimos fazendo e recontando histórias, rindo e chorando juntas. Ao final de dois dias, muita cola quente e glitter, finalizamos enfim, a decoração de Natal da casa da minha mãe.

pinheiro 5

A felicidade só não foi completa porque vislumbrei meu próprio arsenal natalino encaixotado há um ano, louco pra ser repaginado e realocado em cada canto, cada prateleira e mesa da minha casa. Um arsenal digno do Tio Sam. Melhor respirar fundo, brindar com café e biscoitos amanteigados e deixar que o espírito natalino paire sobre mim e baixe feito estrela cadente.

Vou precisar!!!

 

Preparando o Natal 2018

Fazem 5 anos que vivo à beira mar entre o calor e as ondas, entre as gaivotas e as conchas. Desde o primeiro Natal, em 2013, imaginava como seria fazer um Natal bem praiano. Nada a ver com o excesso de vermelhos e verdes e Papai Noeis da Lapônia. Queria os tons de areia e mar vestindo a casa de praia na temperatura de verão em pleno Natal. Como ainda faltam aproximadamente 50 dias para o dia 25 de dezembro, arregacei as mangas e comecei a preparar nosso primeiro Natal Praiano: conchas recolhidas na orla de Jurerê, bolas de isopor antigas (dá pra imaginar que aprendi a fazer bolas de isopor revestidas de tecido? Hora de reciclar!!!) e cola quente. Fácil e rápido. O problema são os dedos: Não tem como, de vez em quando, não encostar na cola quente e fsfsfsfsfsfs a pele ficar sapecada e dolorida.

Bola de concha 1

Além das bolas natalinas, pinheiros, adornos, pingentes e um universo de possibilidades começa a ganhar vida.

Pinheiro conhas

Aromatização de Azeites

Dias atrás participei de um workshop de aromatização de azeites. Simples, fácil e rápido de fazer.

Há diversos processos para aromatizar azeites. Alguns  contemplam o aquecimento do azeite, outros não.  Uma das formas de elaboração que confere rapidez e simplicidade na preparação é aquecendo o azeite, com a posterior imersão do ingrediente desejado, seguido de descanso.

azeite 2

Azeite aromatizado com laranja Bahia ou Umbigo.

Ingredientes:

– 200 ml (aproximadamente uma xícara de chá) de azeite de oliva extra virgem (pode ser um bem barato). São recomendados azeites das variedades Arbequina (espanhola), Galega (portuguesa), Taggiasca (italiana) ou outros azeites suaves;

– Casca de três laranjas da variedade “bahia”ou “umbigo”, previamente lavada e seca. Corte bem fino, evitando deixar uma grande quantidade da parte branca na casca, pois o azeite poderá ficar um pouco amargo.

Rendimento: 200 ml

Dicas:

. Harmonização: Ideal para usar em aves, peixes, cordeiro, carne de porco, saladas verdes, saladas de frutas e como cobertura em sorvete de creme.

. Caso desejar uma nota de azeite mais neutra, substitua o azeite extra virgem por um azeite de oliva de boa qualidade.

Modo de Preparo

  1. Aqueça o azeite em fogo baixo até aproximadamente 100°C, tomando muito cuidado para não deixar queimar. Caso não tenha um termômetro culinário apropriado, você vai observar que quando o azeite começa a apresentar um movimento de leves “ondas” na panela é indicativo de que a temperatura está adequada;
  2. Quando o azeite estiver na temperatura adequada, adicione as cascas das laranjas. Você vai observar a formação de pequenas “bolhinhas”. Desligue o fogo imediatamente e deixe ”curtindo” até esfriar. Após atingir a temperatura ambiente coloque na geladeira e aguarde aproximadamente 4 horas antes de consumir;
  3. Retirar a casca da laranja usada para aromatizar;
  4. Guardar o azeite em garrafa de vidro esterilizada e bem seca, de preferência na geladeira. Consumir em até 15 dias.

Atenção: Após lavada a laranja (ou qualquer outro ingrediente que venha a utilizar para aromatizar o azeite), secar bem para evitar a presença de água, que em contato com o azeite quente pode “espirrar” o azeite e causar queimaduras.

azeite 3

Outros ingredientes que podem ser utilizados para aromatização de azeite:

MANJERICÃO: Utilizando sempre o mesmo procedimento, substitua a laranja, e utilize as folhas de três ramos de manjericão fresco, separados dos caules, após lavado e bem seco; ou 3 LIMÕES SICILIANOS; ou PIMENTA DEDO-DE MOÇA; ou CANELA; ou ALECRIM; ou qualquer ingrediente de sua preferência. Há quem goste de utilizar FOLHAS DE ERVA-MATE. É importante salientar a necessidade de lavar e secar bem, para evitar que respingue durante a breve fritura no azeite.

Uma excentricidade digna de nota é a utilização do azeite aromatizado com limão siciliano como cobertura no sorvete de creme. Ou, o azeite aromatizado com pimenta como cobertura de sorvete de chocolate. Sublime!!!!!!

Azeite 1

 

 

 

Assumindo os cabelos brancos 2

Bem que tentei!!!

Não consegui. Fracassei.

(pela segunda vez)

Fui precipitada, apressei o processo,

descolori o cabelo.

Me transformei

– em poucas horas –

numa vovó de cabelos brancos esturricados e mal cortados.

Fica a dica:

quando decidir assumir seus cabelos brancos,

relaxe e espere pacientemente.

A natureza tem seu tempo.

Respeite-os:

o tempo, a natureza e seus cabelos.

 

 

Assumindo os cabelos brancos

Difícil precisar o que determinou a decisão de assumir meus cabelos brancos. Um misto de rebeldia e maturidade me parecem bem pertinentes. Também a constatação de que ficaria careca se não parasse de intoxicar meu couro cabeludo – a cada 15/21 dias. A coceira pós-retoque me alertava sobre os riscos da química das tinturas de cabelo. Afinal, se mulher grávida não pode pintar o cabelo porque faz mal ao bebê, o que nos garante que não faz mal para a própria mulher? Sem contar a estranha e ininteligível necessidade de solidificar um novo visual que retrate exatamente este novo momento de vida. Sim, o corpo fala. Foram 22 anos ininterruptos pintando as madeixas.

O processo tem seus dias!! Alguns mais penosos que outros. Mais fácil seria cortar os cabelos bem curtinhos ao estilo Sandra Annemberg. Se às vezes, nem eu me reconheço com os cabelos brancos, com eles ainda curtos, me sentiria uma E.T.

Por enquanto, não. Ainda não.

Desde que me conheço como gente, sempre usei cabelo escuro: castanho ou acaju borgonha. Mesmo tendo pele e olhos claros, minha alma e essência, nunca/jamais foram loiras. Prateada? Quem sabe. Loira não. Mas, estar loira, faz parte deste processo.

A primeira foto deste mosaico foi tirada no dia do meu aniversário de 55 anos. Um mês  depois, em junho de 2017, a certeza de que o momento de assumir os cabelos brancos/grisalhos havia chegado. Depois de 45 dias sem retocar as raízes fui cabeleireiro. Na primeira etapa descolori os cabelos e cortei uns 15 cm do fio. Ficou horroroso. Suportei o espelho e os comentários lendo blogs e fotos que tratavam do assunto: A Revolução Grisalha.

Fiz uma segunda descoloração. De novo não ficou legal. Definimos como projeto viável e suportável esquecer as descolorações e fazer mechas com um tonalizante mais escuro, usado no cabelo masculino. Além de adotar uma máscara roxa ao invés de shampoo  e  condicionador comum, a cada lavagem de cabelo. Por enquanto estou sobrevivendo.

E sempre que a vontade é recair e lambuzar o cabelo com a tintura acaju borgonha, marco cabeleireiro pra fazer uma hidratação profunda e escova. Nada que mãos habilidosas não transformem.

O importante é se manter firme. E caso no final do processo o resultado não for o que imaginei, um universo de cores me aguarda. Abaixo alguns cabelos grisalhos que servem de referência e estímulo para seguir em frente. Com saúde e liberdade.