Esposa Moderna

Você é uma esposa moderna?

Trabalha fora,

Organiza a casa, os jantares, as férias, os Natais,

Paga as contas, faz as compras,

Ganha uma boa grana – talvez mais que seu marido -,

Leva os filhos e vai nas reuniões da escola,

Leva ao shopping, teatro, cinema, parquinho,

Administra empregada, sogra, mãe, amigas

Os amigos dele,

E não deixa faltar a cervejinha gelada?

Sinto muito. Você é uma esposa à antiga.

Agora, se vc acorda, dá beijo de bom dia,

E daí……….

faz o que der na veneta:

Volta pra cama, bate papo no Facebook,

Twitta, manda mensagens via Blackberry,

Smartphone, baixa filmes e livros no IPad,

E o escambal virtual, a torto e direito,

Leva os filhos aos trancos e barrancos

pra escola, natação, inglês, kumon,

Vai pra academia,

Zanza pra cima e pra baixo

O dia todo

E telefona o tempo todo….

É bom conhecer vinhos, gastronomia e expressões de impacto,

Se bem que comer também saiu de moda.

Reclamar é moderno

Reclame sempre

Do trânsito, da agenda,

Do stress, do excesso de tudo,

Mas está fora de moda reclamar

Da empregada e do marido

Hoje, eles são perfeitos

Ou descartáveis.

Os filhos são sempre poupados.

É a eterna culpa feminina

Mas a condecoração da mulher

Pra ser uma esposa moderna

É assistir a dez programas ao mesmo tempo:

Discovery, Animal Planet, Sport TVs, Telecines,

HBOs, Globo News…….

Sem reclamar.

Coroamento garantido.

Enfim, os convites!!!

 Depois de tanto tempo – em que parece que nada aconteceu, mas aconteceu – é hora de retomar os preparativos do casamento. Hora de distribuir os convites. Hora de fazer visitas, incumbir padrinhos, acionar os correios. A roda do projeto começa a girar e os planos começam a ganhar vida. Arrepios e embrulhos. Foi dada a  largada. Hora de perceber os enganos, de ouvir comentários, de questionar escolhas, de arrepender-se ou alegrar-se. O primeiro passo é convidar e como é bom ver a alegria estampada no olhar surpreso de quem jamais imaginou ser convidado. Desde o início a ideia era fazer uma festa apenas para os mais íntimos. Nada de exageros megalomaníacos. Mas, na hora de definir nomes, surgem tantas pessoas – que mesmo não sendo mais íntimas – foram muito importantes na vida da noiva e do noivo. Então, os convidados parecem se encaixar numa grande colcha de retalhos, cada retalho uma época, um grupo, sonhos, expectativas. No conjunto, espero que a colcha fique harmoniosa e que a festa tenha um colorido que só os convidados são capazes de dar.

Convites

Uma novela! Depois de 20 dias, enfim, os arquivos dos convites foram encaminhados para a gráfica. Depois de …….enas de ligações (dezenas ou centenas, nem a própria Fernandinha tem ideia do quanto saturou as semanas da pobre Lorenza). Depois de inúmeros “bonecos” (moldes), impressões, revisões, dúvidas e choro. Depois de tudo, os convites ficaram como ela queria. Agora é só esperar e ver a arte impressa. Convites supõe convidados. Outra novela!!!! A lista de convidados é um capítulo à parte. Até o desligado do Felipe entrou na roda. Expert em “Excell” criou listas inteligentes para o detalhamento e organização da irmã. Foram várias versões e atualizações, até chegarmos à versão final. Convidados da noiva e do noivo, da família da noiva e do noivo, confirmados que vem, confirmados  que não vem, quem é dúvida, nomes, endereços,  telefones, e-mails, quem precisa de acomodação, transporte. Pura logística e uma maratona de telefonemas, atualização de agendas, notícias e fofocas. Verdadeiras visitas por telefone. Como disse a Fernanda: “Essas ligações não rendem”. Ficou a promessa de que no dia do casamento teremos a noite inteira para conversar e colocar anos de vida em dia. Dizem que casamentos e funerais são como reuniões familiares. É quando revemos parentes e amigos de longa data, há muito não vistos. Ao ligar para uma antiga babá da Fernanda – que não a vê há mais de vinte anos – esta se emocionou, chorou, se atrapalhou e chegou a adoecer de tanta alegria. Amigos e parentes ficam felizes pela lembrança e pelo convite. Pena não podermos convidar todos à revelia. Muitos com quem gostaríamos de dividir a alegria do casamento acabam ficando de fora. Felizmente, apenas fora da festa. Jamais da alegria.

Festa decorada

Toalhas, “sousplats”, talheres, copos, guardanapos, velas, flores, castiçais, cristais, vasos, transparências. Arranjos pequenos médios grandes altos e baixos. Cadeiras escuras claras ou douradas. Mesas longas redondas ou quadradas.  Padronagens texturas cores tipos e preços. Extremos exorbitantes ou a modesta simplicidade. Engana-se quem pensa que “menos é mais” é menos. Definitivamente, casar custa caro. Pagando o preço, qualquer sonho vira realidade e a noiva pode ter seu dia de Cinderela. Basta listar, pesquisar, providenciar, pagar e o sonho se realiza. Um conversível último tipo e um requintado salão de festas decorado com esmero e bom gosto colocam a carruagem da Cinderela e o palácio do Príncipe Encantado no sapato. Fácil, fácil. Materiais vistos, várias sugestões e ideias. Algumas pé no chão, outras siderais. Lá pelas tantas, sentei-me num dos sofás – do espaço “lounge” a ser alugado – folheei revistas e aterrissei:  “De quantos precisa?” Muitos. “Quanto custa?” Um absurdo. “E este?” HaHã. Duas horas voaram e não decidimos nada. Tudo ficou suspenso e são infinitas as possibilidades. Lembrei de fazer um “Making Off” da manhã. Ideias.

Ainda manobrando o carro, no estacionamento da loja, vem a pergunta à queima-roupa: “Por que você não opinou? Devia ter falado mais.” “Eu? Mas eu montei duas mesas completas e já tinha gente demais, falando demais, e opinando demais.”(Mãe está sempre errada ou devendo algo. Ou monopoliza a conversa ou se omite, dá opiniões esdrúxulas ou maravilhosas, não precisava ter ido junto ou onde estava que não estava junto, gafe imperdoável ou comentário inteligente. Mãe é culpada ou responsável por quase tudo. Coisas de Freud!!!!) Fui convidada a falar? Soltei o verbo. Pra que fazer uma guirlanda de 450 reais se uma de 80 é quase a mesma coisa? Mandar fazer duas toalhas de brocado exclusivas ou alugar duas mesas. O que vale mais a pena? Alugar taças de espumante verdes apenas pra realçar a mesa? Depois de várias interrogações, a certeza de que é hora de colocar tudo na ponta do lápis e ver o que é prioridade. Porque além da decoração – da igreja e do salão – tem a comida, bebida, docinhos, bolo, garçons, fotógrafo, DJ, iluminação, convites, roupa, cabeleireiro, documentos e um tanto de outras providências. Tudo passa a ser  prioridade. Sei que dinheiro não é tudo, mas limite tem que existir. Bom senso também. Uma festa de casamento pode custar um carro ou um apartamento!! E não estou exagerando. É neste momento que a criatividade e o bom gosto são fundamentais, porque nem sempre o melhor é o mais caro. O simples é muitas vezes o mais sofisticado e chique. Frase da Glória Kalil? Se não for, é minha. Posso não ter falado e comentado muito, mas estou atenta a tudo. E mesmo estando – quase sempre – errada, tenho lá minhas ideias e opiniões. Que habitualmente são bem-vindas. Senão, porque preciso abrir mão dos meus programas e participar de reuniões, degustações e audições, a qualquer hora do dia ou da noite?

PS: Fernanda não gostou e não concorda com minha crônica, pois deu a impressão de que ela não gosta das minhas sugestões. O que, segundo ela, não é verdade. Minhas ideias e sugestões são sempre bem-vindas. Ainda bem. Errada??????

Doces Viajantes

Conheci os doces da D. Helena há aproximadamente 18 meses, quando comecei a pensar no casamento da Fernanda. Esta primeira tentativa foi adiada pois ela queria planejar e organizar o próprio casamento. Bendito adiamento!!!! Algumas providências daquela época ainda se mantém e uma delas é a confirmação dos doces viajantes da D. Helena. Como da primeira vez, o contato foi telefônico o pagamento bancário e a retirada feita na rodoviária.

 Os famosos doces percorrem os 27 quilômetros entre Encantado e Lajeado de ônibus e ficam aguardando no setor de encomendas da rodoviária. Nos fins de semana, várias caixas lacradas desembarcam e ficam empilhadas nas prateleiras empoeiradas aguardando sua retirada para degustação, aprovação, dando água na boca de muita gente, detonando dietas ou fazendo a festa em casas e salões da cidade.

O chocolate branco, amargo e ao leite impregnam a casa. O sabor do coco, das nozes e amêndoas, maracujá e licores exóticos se exibem em bocadas, aos bocados. A plenitude satisfaz os olhos, o paladar, o olfato. A transcendência na doçura conforta e apazigua. O farfalhar dos celofanes chama a audição que convida o tato a abraçar os pequenos embrulhos adocicados. O clímax explode na boca.

 Poético demais? Prove e verá poesia. Ouvirá poesia. Sentirá poesia.

Tradição e Inovação

Em agosto fomos ao casamento da filha de grandes amigos em São Paulo. Dez dias antes do casamento lembrei que precisava providenciar o presente dos noivos. Uma tradição dos casamentos. Retirei o convite do envelope, chacoalhei e nada do bilhetinho com as Lojas e Listas de Presentes. Pensei que tivessem esquecido de anexar.  Li e reli o convite e nada. “Só podem ter esquecido”, pensei. Ligamos e nos disseram para acessar o endereço eletrônico localizado abaixo do nome da noiva, no convite.  EUREKA!!!!! Em poucos minutos, além das lojas e lista de presentes, conheci um pouco da história dos noivos, vi fotos do casal, da igreja onde aconteceria a cerimônia, um mapa para chegar ao local da recepção, sugestões de hospedagem, pontos de táxi, mandei um recado pra noiva (que conheci criança e possivelmente nem lembrava mais que eu existia) e me senti acolhida naquela festa de uma forma inédita. Todas as informações sobre o casamento estavam no toque de minhas mãos. Foi assim que descobri o Icasei, site virtual para casamentos. Fiquei encantada. Fernanda já tinha comentado que faria um. Eu nunca tinha visto. Além de todas as informações sobre o casamento, a lista de presentes (embora muito parecida com a tradicional do bilhetinho anexado ao convite) pode ser muito diferente. No caso dela – que vive na Austrália, já divide o teto com o noivo e tem praticamente de tudo – carregar utensílios e outros itens, seria inviável pra não dizer impossível. Existem alguns sites e cada um tem um jeito próprio de funcionar. Normalmente, os noivos pagam uma taxa e o site repassa em dinheiro, os presentes aos noivos. Por exemplo, no site adotado pela Fê, os convidados compram determinado item da lista (que pode ser desde uma travessa, batedeira ou um jantar em Veneza) mas os noivos recebem em dinheiro o presente ofertado. Assim, quando retornar da lua-de-mel na Austrália, eles compram lá os presentes recebidos no Brasil. Fantástico. Pensando bem, num mundo virtual e globalizado, onde o tempo é escasso e as necessidades únicas, os recasamentos e os casamentos modernos precisavam desta inovação. Por isso, a noiva já arregaçou as mangas e está alimentando o site com todas as informações necessárias para que os convidados se sintam acolhidos, esperados e informados. Nada de bilhetinhos, postits ou telefonemas.

Delícia de fim de semana

Os checks da lista mirabolante de preparativos para o casamento estão avançando. Semana de reuniões com o fotógrafo o cerimonialista o decorador e o gerente do local da recepção. O fim de semana foi brindado com degustações.

Opções em canapés, saladas, pratos principais, acompanhamentos, massas, sobremesas e vinhos.

Pra finalizar, docinhos. De duas doceiras recomendadas. Durante a semana, prorrogação com os docinhos caramelados.

Dieta detonada, taxa de açúcar e bom humor recuperados. Aplausos para a gula.

Os convidados podem ficar tranquilos. Se depender do nosso empenho, sacrifício e dedicação, a orgia gastronômica da grande noite já está garantida.

Mais um check na lista.