Check 1

Ter encontrado um vestido de noiva pronto em São Paulo foi o equivalente a encontrar a agulha no palheiro. Dizem que em São Paulo, o que você imaginar você encontra e se em São Paulo não existir é porque ainda não inventaram. Digo que para agradar ao gosto minimalista, perfeccionista e exigente da minha filha é preciso ser impecável, exclusivo e estonteante. Dá para imaginar minha filha e o milagre branco encontrado em São Paulo? Quase me ajoelhei frente à tamanha façanha. Ambas sabemos do que nos livramos: uma peregrinação a estilistas, provas e mais provas do vestido com a incerteza do resultado final. Sem contar na ironia do destino ou apenas na bela coincidência: A estilista do vestido é australiana. A Fernanda adora dizer que foi pra Austrália conhecer  seu marido brasileiro, e que veio ao Brasil encontrar seu  vestido de casamento australiano. Então “check” no vestido de noiva.

Segundo item: convites. Chegando a POA ontem pela manhã em vôos diferentes, ao avistá-la fui comunicada dos avanços e compromissos do dia. Além de alguns itens mais pessoais, duas visitas a serigrafias para conhecer papeis. Sim. Conhecer quais materiais estarão à disposição para a criação exclusivíssima dos convites de casamento é o primeiro passo para que minha filha – publicitária e designer – visualize e crie o convite. Nada de peças prontas ou cópias de convites lindíssimos. A ideia é que seja único e que transmita como são os noivos e como será a festa de casamento. Gosto disso, mas soa como “Pra que fazer fácil se pode fazer difícil”. Ideias rabiscadas, troca de experiências, termos novos aprendidos. A data limite para o envio do projeto dos convites é dia 14, para que estejam em mãos – no máximo em 3 semanas – e Fernandinha possa respirar aliviada e retornar tranquila à Austrália, com mais um check na lista.  Acho que isto me dá um dia – no máximo dois – de folga.

Mas antes, já está agendado horário com o cerimonialista no local da festa. Minha presença é fundamental, por que ÀS VEZES, tenho ótimas ideias. Mereço!!!! Na minha vã ingenuidade, imaginei participar deste tipo de decisão e preparativos num estágio mais avançado de organização. Mas, como ÀS VEZES, tenho ótimas ideias, vai que surge um diamante bruto. Por conta disso, tive de me resignar a tomar meu Lexotan 3mg ontem à noite mesmo. A estratégia era tomar um comprimidinho rosa assim que acordasse durante a noite – certeza de uma insone experiente – e garantir horas a mais de sono tranquilo e revigorante, manhã adentro. Talvez no feriado. Ou no fim de semana

Tomara que possamos dar vários “checks” naquela lista mirabolante, e torcer para que eu tenha várias ótimas ideias.

Missão Mãe da Noiva

Hoje, sexta-feira, foi dia de provar vestidos de noiva. Quatro lojas agendadas e mais de 30 vestidos provados. A noiva, a mãe da noiva, a amiga da noiva e a amiga da mãe da noiva. Agito certo, opiniões divergentes, muitas risadas e conclusões. Dos 30 apenas dois selecionados. Amanhã nova prova. Diferentemente de quando casei – quando a melhor costureira da cidade é quem costurava o vestido da noiva – hoje existe uma infinidade de vestidos pra comprar e alugar. Um mais lindo que outro. Românticos, hyppie chique, com balonê, modernos, rendados, plissados, etcetcetc. Palco redondo, tapete vermelho, espelhos e produção digna do grande dia. Véu e buquet de flores criam o clima .

Semana passada assisti ao filme “Missão Madrinha de Casamento” pra me inspirar e me animar. Uma comédia que certamente não traduz a emoção feminina nestas situações. Pra quem quer rir, recomendo o filme. Pra se inspirar, é melhor arregaçar as mangas e permitir-se cada momento deste longo processo festivo que culmina com o grande dia.

Este é o trailler do filme. O dia de hoje foi muito diferente, mas igualmente divertido. Porém, infinitamente mais emocionante. Palavra de mãe da noiva.

Casamento à vista

Schützenfest

Quando casei, tudo era muito diferente. Tá certo que casei grávida. Naquela época, quanto antes acontecesse as núpcias, melhor. Mesmo que todos soubessem não ficava bem a barriga de grávida aparecer. O que não aconteceu com a minha. Conforme o ângulo, lá estávamos nós – a adolescente inconsequente e irresponsável e meu barrigão de cinco meses. Entre a descoberta do inesperado e o casório foram apenas três meses. Passados quase 32 anos, minha barriga cresceu mais, nasceu, se criou e hoje está prestes a se casar. Minha filha se tornou uma bela mulher. E vai casar. Virei a mãe da noiva, a sogra. Como da primeira vez, foi sem querer e lá vou eu de novo, rumo à outra festa de casamento na família. Desta vez, como deve ser. Assim espero. Minha filha noivou há quase três anos. De lá pra cá, muito se falou sobre o grande dia. Já foi marcado, desmarcado e remarcado. Agora vai. Sem saída para as duas. Ela finalmente vai casar e eu enfrentar tudo o que envolve uma festa de casamento. Tenho uma certa aversão à festas. Talvez trauma seja a palavra mais adequada, afinal, nos meus quinze anos meu avô paterno estava em coma no hospital. Quando casei, duas horas antes de iniciar a cerimônia religiosa, meu avô materno (meu segundo pai) morreu de câncer. Nem preciso dizer que ao longo dos anos evitei casamentos. Comemoro meus aniversários de casamento com jantares intimistas ou viagens a dois. O casamento da minha filha me coloca frente a frente com um assunto mal resolvido. Certamente com o passar dos anos, a lembrança do meu dia de festa de casamento suavizou, foi racionalizado e intelectualizado sem tristezas. Acredito que meu avô cedeu seu lugar para meu marido. Acredito também que festa de casamento e casamento são coisas totalmente independentes. Apesar da minha festa de casamento dividir espaço, convidados e atenções com um funeral, meu casamento propriamente dito foi a maior festa. São 32 anos de parceria, altos e baixos, vacas gordas e magras, encontros e desencontros. No balanço, são anos de um casamento feliz e bem sucedido. Por conta disso – meu trauma com festas de casamento e minha concepção do que seja casamento – até tentei outra via: uma cerimônia intimista e uma bela lua de mel. Quase fui fulminada e deserdada com a proposta, tida como indecente e insensível. Minha filha quer casar em grande estilo. Então mãos à obra!!!!! Semana que vem ela aterrissa e faz conexão em São Paulo, depois, Rio Grande do Sul. Juntas. Hora de dar corpo às reservas de igreja, cerimonial, recepção. Hora de definir flores, menu, arranjos, vinhos, docinhos, lista de convidados, convites, som, iluminação, violinos, vestido de noiva, buquê, velas, lembranças, lista de presentes, despedida de solteira, chá de panela ou lingerie…….. A parafernália é enorme, assim como as opções. Existe uma indústria casamenteira que gira fábulas para realizar sonhos de noiva princesa. Mas o que espero verdadeiramente é que a viagem a dois – que é o casamento – seja única, fenomenal, normal, e no somatório de tudo, traga felicidade, satisfação e realização aos noivos. Quanto a mim – a mãe da noiva – desta vez espero curtir e fazer as pazes com festas. Diferentemente de quando casei, pretendo flutuar pela nave da igreja sem barrigão. Porque meu barrigão de hoje é fruto do pecado da gula. O outro barrigão era o fruto proibido do paraíso, e por isso, exibido com orgulho. Nada de pecados. Para tanto já iniciei meus preparativos pessoais para o grande dia: dieta, academia e peeling. Vislumbres de uma lipoescultura, prótese ou plástica. São mais de dez anos amadurecendo estes radicalismos. Se não for agora, então, acho que nunca mais. A ideia é ficar bem na foto. Se bem que me acho linda e plena com meu barrigão em minha festa de casamento e em todas as fotos daquela noite inesquecível. Espero que minha filha esteja assim em seu grande dia, afinal, experiência de entrar exibida e chamativa pela nave da igreja ela já tem.