Sobre o tempo das coisas e o Natal

Dizem que o tempo nos faz parecidas com nossas mães. Esta afirmação me indignava. Como muitas outras constatações que a maturidade traz, me identificar com quem me deu vida, confirma apenas de onde vim e para onde vou. E isto não me enfurece mais. Hoje não tenho vergonha de dizer que assim como ela, também sou apaixonada pelo Natal. Aliás, minha filha também é. Então, acho que este troço natalino, passa de geração em geração … o que é bom demais.

Por conta da idade avançada da minha mãe (ela que não leia este disparate, afinal, “quando eu ficar velha” aos 79 anos …) sou eu quem faço a decoração interna da casa dela. Isso quer dizer que monto a árvore de Natal e distribuo arranjos por toda a casa. Mas antes, preciso consertar e arrumar praticamente tudo. De cola à tinta, passo um dia às voltas com estes consertos e adequações.

Apaixonados por Natal são, em tese, colecionadores de tranqueiras de Natal. Guardo até hoje, meu primeiro Papai Noel mais pomposo, de quando era recém casada. Coisa de 39 anos atrás. De lá pra cá dá pra imaginar o tamanho do meu acervo natalino. São caixas sobre caixas que revestem quase uma parede inteira no depósito de casa. Imagina o acervo da minha mãe. Ela guarda coisa do tempo da “venda”. Eu guardo coisas do tempo das “vacas magras” e das viagens que fiz, e minha filha, guarda de tudo um pouco e muito do que ela encomenda da internet. Todas temos, apreço por nossas bugigangas antigas, desbotadas e destruídas pelo tempo, pela baixa qualidade de produtos “made in China ou Taywan” e pelos meses ensacadas ou encaixotadas em porões, sótãos, armários e garagens.

A arte de reciclar preciosidades me lembra a arte de requentar comida apresentando-a como se fosse fresca e recém saída das panelas. Há de ter vontade, criatividade e ingredientes coringas de qualidade.

Reciclar o Natal dá trabalho. Meche com as emoções. Exige medidas extremas e decisões radicais. Arranjos são sumariamente destruídos e reconstruídos, usando sobras de outros arranjos destruídos. Coisas de todas as épocas vão para a esteira da modernização e fazem a alegria do Natal com uma das estrofes mais repetidas e aprendidas com minha mãe: isto aqui tem 30 anos e comprei em tal lugar; este anjo de crochet ganhei de fulana; paguei em 6 vezes este meu “JesusMariaeJosé”, que custou os olhos da cara, mas é a peça mais linda de todas; isto aqui veio de Monte Sião ou  Campos de Jordão? Muitos adornos falam de viagens, negócios, dificuldades, desejos, amizades, de desentendimentos, de arrependimentos, de planos futuros.

A árvore cheia de penduricalhos mostra por onde e com quem andamos vida a fora.

Para completar este momento mágico, minha mãe vai ao piano e toca músicas natalinas  do tempo do colégio (dela) ou roda velhos LPs na vitrola de agulha desdentada. A maior modernidade são os CDs lançados pelos grupos de corais dos quais faz parte. O cenário seria perfeito se não fosse o choro da minha mãe. Ela lembra dos que partiram: meus avós, parentes, vizinhos, colegas, as amigas do coral da igreja, as amigas de infância. Gente que viveu e conviveu com ela por muitos e muitos Natais. São histórias e lembranças demais pra deixar passar sem um pequeno xilique. Este ano tive de apelar: ou ela parava de chorar ou eu parava de decorar a casa para o Natal. Nem ela parou, nem eu parei. Seguimos fazendo e recontando histórias, rindo e chorando juntas. Ao final de dois dias, muita cola quente e glitter, finalizamos enfim, a decoração de Natal da casa da minha mãe.

pinheiro 5

A felicidade só não foi completa porque vislumbrei meu próprio arsenal natalino encaixotado há um ano, louco pra ser repaginado e realocado em cada canto, cada prateleira e mesa da minha casa. Um arsenal digno do Tio Sam. Melhor respirar fundo, brindar com café e biscoitos amanteigados e deixar que o espírito natalino paire sobre mim e baixe feito estrela cadente.

Vou precisar!!!

 

Preparando o Natal 2018

Fazem 5 anos que vivo à beira mar entre o calor e as ondas, entre as gaivotas e as conchas. Desde o primeiro Natal, em 2013, imaginava como seria fazer um Natal bem praiano. Nada a ver com o excesso de vermelhos e verdes e Papai Noeis da Lapônia. Queria os tons de areia e mar vestindo a casa de praia na temperatura de verão em pleno Natal. Como ainda faltam aproximadamente 50 dias para o dia 25 de dezembro, arregacei as mangas e comecei a preparar nosso primeiro Natal Praiano: conchas recolhidas na orla de Jurerê, bolas de isopor antigas (dá pra imaginar que aprendi a fazer bolas de isopor revestidas de tecido? Hora de reciclar!!!) e cola quente. Fácil e rápido. O problema são os dedos: Não tem como, de vez em quando, não encostar na cola quente e fsfsfsfsfsfs a pele ficar sapecada e dolorida.

Bola de concha 1

Além das bolas natalinas, pinheiros, adornos, pingentes e um universo de possibilidades começa a ganhar vida.

Pinheiro conhas

Preparando a casa para o Natal

Quase o pinheiro inteiro.
Quase o pinheiro inteiro.

Dias atrás alguém me disse que deveríamos estar com a casa arrumada e preparada o ano todo, não concordando com esta história de arrumar a casa para o Natal. Em parte, até concordo. Casa limpa e organizada faz bem pra saúde, pro olhar, pra vida, pra tudo o ano todo. Mas tem que ter equilíbrio, senão vira mania de limpeza, TOC e outras excentricidades, dignas de constar de algum compêndio de psiquiatria.

espaço criança
espaço criança

Preparar a casa para o Natal é quase como preparar a casa para a chegada de alguém muito querido, como um filho, um neto, amigo, parente, um bichinho de estimação , até mesmo, para a chegada da primavera/verão/outono/inverno. Toda esta expectativa e preparos remetem à reverência e respeito. Alguém que chega e que importa. Que faz a diferença. Que traz alegria e promessa de bons e novos momentos. Sabe como é, visita é bom, mas nada de exageros, senão …

outro pedacinho do espaço criança
outro pedacinho do espaço criança

Quando alguém avisa que vem me visitar, procuro adequar, na medida do possível, meu espaço ao espaço do outro. No mínimo, uma gentileza. Quando as estações se revezam, revezo a própria casa. Mesmo preferindo as estações mais amenas ou o frio do inverno, o sufocante verão também recebe as boas vindas, com cangas e conchas esparramadas aqui e acolá por toda a casa. Na primavera a delícia de  alguma planta nova, a troca das mantas de lã por cangas de praia ou mantinhas de linha. E o que dizer do milagre que acontece quando trocamos bugigangas e adornos de lugar – ou doamos, ou restauramos e pintamos móveis antigos e judiados. As casas pedem, imploram por mudança de ares, novas perspectivas e algum incremento. Pode até parecer dispendioso, mas nem sempre é.

Presépio que meu pai deu pra minha mãe há 40 anos atrás. Anos atrás uma amiga restaurou todo o presépio. Este camelo sempre foi minha paixão.
Presépio que meu pai deu pra minha mãe há 40 anos. Ele foi restaurado há algum tempo. Este camelo foi minha grande paixão natalina, quando criança.

Particularmente prefiro restaurar o antigo a comprar algo novo. O familiar me conforta e vem embebido de histórias e recordações. Na casa nova, além dos móveis sob medida (basicamente armários e balcões) todo o resto foi repaginado, restaurado ou resignificado. Foram meses de experimentações, até encontrar o canto certo pra cada coisa. Sobre restaurações de móveis, prometo escrever outro post. Óbvio que vem algumas modernidades por aí.

Uau!!! Pedaço de mesa + resto de tudo misturado.
Uau!!! Pedaço de mesa quariquara + resto de tudo misturado.

Voltando ao Natal. E preparar a casa para o Natal.

A tão esperada visita. O sagrado do Natal: Jesus/Maria/José. Todo o presépio foi disposto em souplat de espelho (estes repaginados do casamento da Fernanda)
A tão esperada visita. O sagrado do Natal: Jesus/Maria/José. Todo o presépio foi disposto em souplat de espelho (estes repaginados do casamento da Fernanda)

O kit básico que faz toda a diferença quando o assunto é decoração natalina é a cola quente (de boa qualidade) + os arames + (sprays são opcionais) e muita, muita inspiração. Criatividade e tempo também são fundamentais nesta equação. Melhor reservar alguns dias para fazer tudo sem pressa.

Uma vaso antigo + bolas de tecido + pinhas + arame = bouquet natalino.
Uma vaso antigo + bolas de tecido + pinhas + arame = bouquet natalino.

Sou uma colecionadora de Natal. Sempre que posso, trago alguma traquitana do lugar por onde andei. Normalmente compro coisas pequenas, de preferência de tecido ou madeira e, leves. Algo típico e diferente.

casal de papai e mamãe noela trazidos na última viagem.
casal de papai e mamãe noela trazidos na última viagem.

Pra começar a preparar a casa, trago as trocentas caixas de tudo que tenho guardado há mais de 35 anos. Esparramo tudo pra lembrar de tudo que tenho. Inclusive álbuns de Natais passados.  

Cada ano repito a operação de esparramar tudo. Jamais a decoração se repete.
Cada ano repito a operação de esparramar tudo. O prêmio é sempre uma decoração inédita.

É difícil dizer por onde começo. Gosto de pensar que começo com quem me chama primeiro. Limpo, separo e começo a colar o que descolou do ano anterior. Quando invento de reformar algum arranjo antigo, opto por destruir tudo e começar tudo praticamente do zero (manter a base pode ser fundamental, mas, nem sempre) e acrescento coisas que sobraram de outras destruições.

Depois do tombo de ponta cabeça, a solução foi manter a base, mas refazer todo o resto.
Depois do tombo de ponta cabeça, a solução para o arranjo, foi manter a base, refazendo todo o resto.

Tem também aqueles objetos que estão prontos, eternamente prontos. O máximo do possível é trocá-los de lugar.

Paixão à primeira vista desde sempre.
Paixão à primeira vista desde sempre.

 

Lembranças

Cada um tem um jeito diferente de viajar e lembrar da viagem que fez. Tem aqueles que lembram da viagem pelas paisagens, pela companhia, pela comida, bebida, por situações vivenciadas, por compras realizadas. Além das fotos, fatos, filmagens e alguns jantares, o que mais aguça minha memória são os cacarecos que trago dos lugares por onde passei. Passado algum tempo, o souvenir funciona quase como um portal do tempo e espaço. A imagem, o cheiro, o gosto, o toque, me transporta para o momento ou lugar de onde veio o objeto comprado. Chamo meus souvenirs de cacarecos de viagem. Prefiro objetos de madeira (mais leves) do que de pedra. Prefiro objetos de tamanho compatível com o espaço onde pretendo colocá-lo. Raramente compro algo que não sei onde colocar. Quando compro é porque foi amor à primeira vista. Então, qualquer lugar serve. Evito escritos do lugar. Tipo: lembrança de Paris, ou simplesmente, a palavra Paris escrita na peça. O objeto, por si só, deve me remeter ao lugar de onde vem. E compro de tudo: colher de pau, tela de pintura à oleo, panela, pano, livro, adorno, prato, abajour, toalha, roupa, brinco, caneca, lenço, enfim … Se for bonito, de preço razoável, não for muito grande, nem muito pesado com certeza encontro espaço e trago comigo. Já trouxe um jogo de Fondue da Suíça (panela, richeau, garfos e pratos) no colo. Já comprei mala pra caber tudo que gostei e comprei (na viagem à Africa do Sul, com o R$ valendo 8 vezes mais que o rand (a moeda sul-africana) não tive nem dúvida, nem dó. Além do que, o artesanato sul-africano é lindo e sempre ultramoderno. O mesmo vale para Bali e Tailândia. Como diz uma amiga: haja disposição pra gastar. Mas, tenho de admitir que minha disposição já não é mais a mesma. Cada vez trago menos coisas. Com o tempo a casa ficou atulhada. Por isso é fundamental trazer peças de bom gosto e totalmente curingas. Fazer um remanejo pela casa, de vez em quando, ou tirar de circulação, pode ser uma ótima opção. Houve épocas em que trazia folders, postais, ingressos pra fazer scrap. Houve épocas em que trazia lembrança para amigos. Hoje, muito pouco. Até trago folders e um ou outro postal. Atualmente tenho preferido os patch que mando colocar numa jaqueta ou mochila de viagem. Para os amigos trago apenas quando acho algo de muito especial. O mesmo vale para a casa.

Ao longo dos anos amealhei uma verdadeira Torre de Babel de tranqueiras e cacarecos. Cada um conta uma história. Cada um fala de pessoas, lugares e momentos que vivi e adoro relembrar.

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Lugar de honra para o Buda trazido de Bangcoc – Tailândia. 

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Uma manadinha de elefantes de pedra, trazida do Kruger Park, África do Sul. Ficam uma graça em qualquer lugar.

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Arte peruana. Moderno e étnico. Combina com qualquer casa e qualquer canto.

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Meu primeiro Buda foi comprado na grande muralha da China, assim como o vaso closonê chinês. Já os candelabros árabes, foram trazidos de Dubai.

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Adoro pratos e cerâmicas. Os pratos servem como porta trecos, apoio de copos e transformam qualquer cafezinho informal numa viagem internacional. Basta usá-los como pires de xícaras de café ou chá. Este veio da Rota 66.

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Tecido africano/tribal transformado nesta bela tela que fica bem em qualquer lugar. Esta já decorou hall de entrada, serviu como tela de fundo de cabeceira de cama, decorou corredores, enfim … basta ter uma parede. A carranca, trazida do Rio São Francisco, dá as boas vindas e afasta possíveis mau-olhados.

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De tempos em tempos retomo minha coleção de ímãs. Se tivesse guardado tudo o que já trouxe das nossas viagens, hoje a geladeira estaria recoberta de cima a baixo.

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Sem comentários. Um souvenir brega. Mesmo assim, adoro estes globos de água.

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O globo chinês. A companhia perfeita para os livros de viagem.

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Esta foi a grande aquisição trazida na nossa primeira grande viagem à Europa. Hoje o relógio está desativado – por causa do barulho – mesmo tendo um dispositivo pra calar o cuco – que de meia em meia hora sai de casa e canta. O nosso cuco é antigo e ainda funciona à corda, diferente dos atuais, que já funcionam com bateria. 

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Cestaria africana. Uma eterna paixão. 

anfora-grega

Uma ânfora grega. Minha peça predileta.

apache-americanoUm apache americano. Reconheço que é brega, mas lembra minha infância e o Forte Apache do meu irmão. Volta e meia eu surrupiava alguns apaches pra brincar com minhas bonecas. (USA)

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O porta porpouri foi trazido de Cancun, de Krabi veio o sapinho coaxante preto, a caixa peruana dourada serve de caixa de tesouro de bugigangas e papeizinhos e o cristal sueco branco, é um legítimo castiçal Costa Boda.

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O último Buda comprado. Este veio de Bali.

Tem mais coisas? Tem. Tem muito mais. Cada coisa no seu canto. Ou na sua caixa.

 

 

Repaginando o jardim 1

O tempo passou. Conforme tínhamos planejado, arregaçamos as mangas – meu marido e eu – e fizemos o nosso jardim. Nós mesmos. Sem ajuda alguma. Algumas coisas deram certo, outras não. A maioria não deu. Pelo menos, a entrada de serviço – feita com uma seleção de arbustos – ficou exatamente como tínhamos imaginado. Este ano, possivelmente. faremos a primeira poda e modelagem.

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Costumo dizer que não basta apenas ter vontade pra fazer jardim. Tem que ter conhecimento, equipamento e principalmente, força. Força física mesmo. Foi aí que nossa vontade e nosso jardim se perdeu. A natureza cobrou o preço pelo amadorismo e improviso e avançou. Somadas à falta de força, juntou-se a falta de tempo e regularidade. Jardim precisa de carinho e atenção constantes. O tempo da natureza não é o mesmo tempo da gente. Você até pode ficar um tempo sem fazer nada, descansando ou esperando pelo melhor clima ou temperatura. A natureza não espera. Ela simplesmente acontece. Quando a gente percebeu, ela escapou das nossas mãos, se rebelou e tomou conta.

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Desde sempre jardins me encantam. Adoro o verde, o colorido e o perfume das plantas. Adoro pisar na grama recém aparada, colher frutos das árvores e fazer arranjos de flores com o que tem no jardim. Sem contar que um jardim bonito, planejado e bem arrumado é um dos melhores lugares para se ficar, meditar, orar e agradecer, apreciar e conviver entre amigos, família e amores. E não foi nada disso que conseguimos com o nosso jardim autodidata. Ele me deixava nervosa e deprimida. Fui a primeira a jogar a toalha. Precisávamos de ajuda. Difícil foi convencer o marido. Ainda é difícil, mas agora, sem volta. O jardim já está nas mãos de dois experientes jardineiros.

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Coube a uma paisagista apenas a feitura do cactário. A logística de carregar terra, areia, pedras e plantas para o topo do escritório exigia uma fenomenal força física. Um dia de trabalho, dois homens num sobe e desce frenético, para enfim, o cactário ganhar forma.

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Refazer o jardim, neste momento, tem algumas vantagens: de tanto olhar e experimentar já sei o que dá e o que não dá no nosso terreno. Das plantas que plantamos, nasceu um grande amor por algumas: destaco as costelas de Adão (Monstera deliciosa)e as orelhas de elefante pretas (alocasia gigante orelha de elefante). Foram elas quem nortearam toda a reforma da frente de casa, junto com a compra de 3 vasos pretos enormes. Gosto de pensar que a frente e os fundos da casa precisam conversar entre si. Por isso os vasos foram distribuídos na área da piscina(1) e a frente de casa(2). Dois bambus mossôs + grama amendoim para revestimento do canteiro principal + as resistentes babosas finalizaram a entrada principal. Agora é esperar e ver como fica.

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Com certeza, a reforma do jardim manteve nossa ideia original. A concepção inicial era paisagismo sem modismo. Queríamos um jardim que tivesse personalidade, usando  plantas comuns, relativamente baratas, mas principalmente, plantas de que gostamos. A reforma segue em frente. O luxo de que disponho são um a dois dias por semana com a ajuda dos dois jardineiros + um orçamento enxugado + muitas plantas pra reaproveitar.

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Próxima etapa: a área da piscina.

Vestindo a casa de Natal

 

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Tem gente que não gosta. Já eu, adoro Natal e Reveillon. Tenho de reconhecer que `a medida que os anos passam, a vida vai puxando o tapete e as pessoas que amamos, e cada vez mais, juntar quem a gente ama pra fechar o ano, brindar, trocar presentes e confraternizar, vai ficando mais difícil. Aquele familiar que faleceu, o que não pode vir, os filhos que fazem uma programação própria, … o ano que passou e levou com ele sonhos e ilusões, a percepção das perdas e fracassos, dos projetos parados ou adiados. Tanta coisa a lamentar. Independente a isso, todos temos algo pra comemorar. A começar pelo simples fato de estarmos vivo em tempos tão violentos, termos o básico necessário para viver, ter a quem amar e ser amado, ter amigos, uma casa pra morar, roupas pra vestir.

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Enfim, alguns mais, outros menos, mas todos temos algo porque se alegrar e fazer valer este período de festas. O espírito natalino pede espaço pra invadir nossos corações e nossas casas. Cabe a nós permitir esta invasao.

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Costumo vestir a casa, de cima a baixo, para o Natal. São mais de 35 anos inovando, aprimorando, reformando e adaptando utensílios e decorações. Cada ano que termina traz consigo uma nova ordem, um outro olhar sobre o velho, o antigo, o desgastado.

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Gosto de reservar alguns dias para decorar a casa. É quando limpo, colo e pinto o que se estragou neste período encaixotado. É quando a cola quente, os sprays dourados, os glitters e as pinhas, renovam velhos arranjos natalinos. É quando a casa vem abaixo e os papais noeis procuram um novo lugar para ficar.

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Tem objetos esperando pelos netos (que ainda são meras promessas). Tem objetos comprados no impulso que nunca encontram onde ficar. Ou voltam para as caixas ou são doados. Tem objetos consagrados que apenas mudam de lugar, quando muito. Tem lugar garantido há anos pois trazem o sagrado do Natal.

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Outros objetos trazem recordações de outros tempos e lugares. No todo, reaproveito quase tudo. E antes de comprar qualquer coisa nova, avalio a real necessidade da aquisição.

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O coringa da decoração de Natal são as pinhas. Elas combinam com absolutamente tudo e são a cara do Natal.

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Gosto delas ao natural. Nada de sprays dourados. As minhas são da época em que morava em Lajeado. Catei elas nas caminhadas que fazia na beira do Rio Taquari – onde havia um pinheiro muito produtivo. Passado o Natal, elas voltam para a caixa de papelão, onde ficam guardadas o ano todo, esperando fazer bonito em novos arranjos, árvores, fruteiras e tantos outros detalhes natalinos.

Jardinando novidades

Jardim Floripa 014Depois da casa parcialmente pronta – e a recusa em contratar paisagista e equipe de jardinagem – porque não fazemos nós mesmos o nosso jardim? sentencia o marido,  exausto dos gastos exorbitantes e dos preços astronômicos pra “plantar grama e algumas plantinhas”. Ok, combinado, e lá vou eu pesquisar plantas, imaginar e planejar um novo jardim.

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Terreno na beira da praia só tem areia, certo? Certo. Então, antes de colocar o tapete de Grama Esmeralda ao redor da casa, foi necessário acertar a topografia do terreno, e cobrir com 10 cm de barro vermelho, terra preta e algum adubo. Em várias etapas, a grama foi cobrindo o terreno, além de plantas e mudas trazidas da antiga casa. E assim, sem planejamento algum, começa a nascer nosso novo jardim.

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Amador, mas bem a nossa cara.

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A concepção inicial era paisagismo sem modismo. Queríamos um jardim que tivesse personalidade, E, com as plantas de que gostamos. Queríamos árvores frutíferas, temperos, chás, plantas bonitas, cheirosas, floridas e coloridas. De preferência, com preço atraente e diferente dos jardins padronizados e uniformizados que vemos ao nosso redor. A idéia era criar setores em pontos distintos do terreno: o setor de plantas tropicais, o jardim europeu e o deserto! Além do Orquidário. Exagerados? Não, apenas apaixonados pela natureza e pelas plantas.

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Então, o que temos até agora, além da grama esmerada e da grama preta, é: 1 cerca viva com 200 Podocarpos, 1 Abélia, 3 Alamandas amarelas e 1 roxa, 4 Antúrios, 2 Lírios da Paz, 5 Ráfias, 1 Árvore da Felicidade, 2 Crótons Petra, 2 Fênix, 4 Helicônias vermelhas, 2 Helicônias Bihai, 1 Hibisco Variegata Colorama, 2 Jasmins do Cabo, 3 Jasmins dos Poetas, 1 Mil Cores branca, 6 Costelas de Adão, 2 Palmeiras Macarthur, 3 Palmitos, Lavandas, Unhas de Gato, Rabos de Gato, Xaxins, Bromélias Ananás Mini e outras tantas trazidas de Lajeado, Espadas de São Jorge, vários tipos de Cactus, Comigo Ninguém Pode, Samambaias, Babosa, Cicas, 1 Bromélia Imperial, 1 Quaresmeira, 2 Patas de Elefante, Fitônias, Fucreas Amarelas e 1 Buganvile.

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Faltam os Fórmios, as bubines, o Ipê Amarelo e mais 2 Palmeiras Macarthur.

Jardim Floripa 015Nossa tempereira já tem Arruda, Boldo, Camomila, Cana Limão, Cânfora, Sálvia, Alecrin, Bonsai de Romã, Mangerona, Pimenta, Salsa, Cebolinha. Nosso pomar já tem Jabuticabeira, Limão Galego e Siciliano, Pitangueira e Laranjeira Japonesa. Todas ao redor da piscina, quem diria!!!!

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Faltam o Figo, a Acerola, a parreira de Uva, a Pokan, a Bergamota do Céu, as Bananeiras, alem dos maracujás e chuchus. Essas frutíferas devem ficar esparramadas pelos cantos do terreno. Concordamos com o paisagista que diz que “Uma frutífera no terreno é algo a ser reverenciado. Merece tornar-se a protagonista do jardim.” Elegemos várias e só não colocamos mais, por absoluta falta de espaço. Afinal, comer fruta do pé é delicioso.

Jardim Floripa 008Sei que a lista de plantas está enorme. Ela deve aumentar. Estamos aguardando o Pinheiro Alemão de Natal (presente da amiga Ivone) e outras plantas de que gostamos, mas que ainda não encontraram o seu espaço.

Jardim Floripa 018

Assim, o projeto vai se ajeitando conforme as plantas vão chegando e cochichando entre si. Como diz o escritor Edgar Allan Poe “Fico surpreso que ninguém tenha descrito o jardineiro como poeta, pois a formação de um jardim oferece às musas a perfeita oportunidade de criação.”