Preparando a casa para o Natal

Quase o pinheiro inteiro.
Quase o pinheiro inteiro.

Dias atrás alguém me disse que deveríamos estar com a casa arrumada e preparada o ano todo, não concordando com esta história de arrumar a casa para o Natal. Em parte, até concordo. Casa limpa e organizada faz bem pra saúde, pro olhar, pra vida, pra tudo o ano todo. Mas tem que ter equilíbrio, senão vira mania de limpeza, TOC e outras excentricidades, dignas de constar de algum compêndio de psiquiatria.

espaço criança
espaço criança

Preparar a casa para o Natal é quase como preparar a casa para a chegada de alguém muito querido, como um filho, um neto, amigo, parente, um bichinho de estimação , até mesmo, para a chegada da primavera/verão/outono/inverno. Toda esta expectativa e preparos remetem à reverência e respeito. Alguém que chega e que importa. Que faz a diferença. Que traz alegria e promessa de bons e novos momentos. Sabe como é, visita é bom, mas nada de exageros, senão …

outro pedacinho do espaço criança
outro pedacinho do espaço criança

Quando alguém avisa que vem me visitar, procuro adequar, na medida do possível, meu espaço ao espaço do outro. No mínimo, uma gentileza. Quando as estações se revezam, revezo a própria casa. Mesmo preferindo as estações mais amenas ou o frio do inverno, o sufocante verão também recebe as boas vindas, com cangas e conchas esparramadas aqui e acolá por toda a casa. Na primavera a delícia de  alguma planta nova, a troca das mantas de lã por cangas de praia ou mantinhas de linha. E o que dizer do milagre que acontece quando trocamos bugigangas e adornos de lugar – ou doamos, ou restauramos e pintamos móveis antigos e judiados. As casas pedem, imploram por mudança de ares, novas perspectivas e algum incremento. Pode até parecer dispendioso, mas nem sempre é.

Presépio que meu pai deu pra minha mãe há 40 anos atrás. Anos atrás uma amiga restaurou todo o presépio. Este camelo sempre foi minha paixão.
Presépio que meu pai deu pra minha mãe há 40 anos. Ele foi restaurado há algum tempo. Este camelo foi minha grande paixão natalina, quando criança.

Particularmente prefiro restaurar o antigo a comprar algo novo. O familiar me conforta e vem embebido de histórias e recordações. Na casa nova, além dos móveis sob medida (basicamente armários e balcões) todo o resto foi repaginado, restaurado ou resignificado. Foram meses de experimentações, até encontrar o canto certo pra cada coisa. Sobre restaurações de móveis, prometo escrever outro post. Óbvio que vem algumas modernidades por aí.

Uau!!! Pedaço de mesa + resto de tudo misturado.
Uau!!! Pedaço de mesa quariquara + resto de tudo misturado.

Voltando ao Natal. E preparar a casa para o Natal.

A tão esperada visita. O sagrado do Natal: Jesus/Maria/José. Todo o presépio foi disposto em souplat de espelho (estes repaginados do casamento da Fernanda)
A tão esperada visita. O sagrado do Natal: Jesus/Maria/José. Todo o presépio foi disposto em souplat de espelho (estes repaginados do casamento da Fernanda)

O kit básico que faz toda a diferença quando o assunto é decoração natalina é a cola quente (de boa qualidade) + os arames + (sprays são opcionais) e muita, muita inspiração. Criatividade e tempo também são fundamentais nesta equação. Melhor reservar alguns dias para fazer tudo sem pressa.

Uma vaso antigo + bolas de tecido + pinhas + arame = bouquet natalino.
Uma vaso antigo + bolas de tecido + pinhas + arame = bouquet natalino.

Sou uma colecionadora de Natal. Sempre que posso, trago alguma traquitana do lugar por onde andei. Normalmente compro coisas pequenas, de preferência de tecido ou madeira e, leves. Algo típico e diferente.

casal de papai e mamãe noela trazidos na última viagem.
casal de papai e mamãe noela trazidos na última viagem.

Pra começar a preparar a casa, trago as trocentas caixas de tudo que tenho guardado há mais de 35 anos. Esparramo tudo pra lembrar de tudo que tenho. Inclusive álbuns de Natais passados.  

Cada ano repito a operação de esparramar tudo. Jamais a decoração se repete.
Cada ano repito a operação de esparramar tudo. O prêmio é sempre uma decoração inédita.

É difícil dizer por onde começo. Gosto de pensar que começo com quem me chama primeiro. Limpo, separo e começo a colar o que descolou do ano anterior. Quando invento de reformar algum arranjo antigo, opto por destruir tudo e começar tudo praticamente do zero (manter a base pode ser fundamental, mas, nem sempre) e acrescento coisas que sobraram de outras destruições.

Depois do tombo de ponta cabeça, a solução foi manter a base, mas refazer todo o resto.
Depois do tombo de ponta cabeça, a solução para o arranjo, foi manter a base, refazendo todo o resto.

Tem também aqueles objetos que estão prontos, eternamente prontos. O máximo do possível é trocá-los de lugar.

Paixão à primeira vista desde sempre.
Paixão à primeira vista desde sempre.

 

Lembranças

Cada um tem um jeito diferente de viajar e lembrar da viagem que fez. Tem aqueles que lembram da viagem pelas paisagens, pela companhia, pela comida, bebida, por situações vivenciadas, por compras realizadas. Além das fotos, fatos, filmagens e alguns jantares, o que mais aguça minha memória são os cacarecos que trago dos lugares por onde passei. Passado algum tempo, o souvenir funciona quase como um portal do tempo e espaço. A imagem, o cheiro, o gosto, o toque, me transporta para o momento ou lugar de onde veio o objeto comprado. Chamo meus souvenirs de cacarecos de viagem. Prefiro objetos de madeira (mais leves) do que de pedra. Prefiro objetos de tamanho compatível com o espaço onde pretendo colocá-lo. Raramente compro algo que não sei onde colocar. Quando compro é porque foi amor à primeira vista. Então, qualquer lugar serve. Evito escritos do lugar. Tipo: lembrança de Paris, ou simplesmente, a palavra Paris escrita na peça. O objeto, por si só, deve me remeter ao lugar de onde vem. E compro de tudo: colher de pau, tela de pintura à oleo, panela, pano, livro, adorno, prato, abajour, toalha, roupa, brinco, caneca, lenço, enfim … Se for bonito, de preço razoável, não for muito grande, nem muito pesado com certeza encontro espaço e trago comigo. Já trouxe um jogo de Fondue da Suíça (panela, richeau, garfos e pratos) no colo. Já comprei mala pra caber tudo que gostei e comprei (na viagem à Africa do Sul, com o R$ valendo 8 vezes mais que o rand (a moeda sul-africana) não tive nem dúvida, nem dó. Além do que, o artesanato sul-africano é lindo e sempre ultramoderno. O mesmo vale para Bali e Tailândia. Como diz uma amiga: haja disposição pra gastar. Mas, tenho de admitir que minha disposição já não é mais a mesma. Cada vez trago menos coisas. Com o tempo a casa ficou atulhada. Por isso é fundamental trazer peças de bom gosto e totalmente curingas. Fazer um remanejo pela casa, de vez em quando, ou tirar de circulação, pode ser uma ótima opção. Houve épocas em que trazia folders, postais, ingressos pra fazer scrap. Houve épocas em que trazia lembrança para amigos. Hoje, muito pouco. Até trago folders e um ou outro postal. Atualmente tenho preferido os patch que mando colocar numa jaqueta ou mochila de viagem. Para os amigos trago apenas quando acho algo de muito especial. O mesmo vale para a casa.

Ao longo dos anos amealhei uma verdadeira Torre de Babel de tranqueiras e cacarecos. Cada um conta uma história. Cada um fala de pessoas, lugares e momentos que vivi e adoro relembrar.

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Lugar de honra para o Buda trazido de Bangcoc – Tailândia. 

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Uma manadinha de elefantes de pedra, trazida do Kruger Park, África do Sul. Ficam uma graça em qualquer lugar.

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Arte peruana. Moderno e étnico. Combina com qualquer casa e qualquer canto.

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Meu primeiro Buda foi comprado na grande muralha da China, assim como o vaso closonê chinês. Já os candelabros árabes, foram trazidos de Dubai.

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Adoro pratos e cerâmicas. Os pratos servem como porta trecos, apoio de copos e transformam qualquer cafezinho informal numa viagem internacional. Basta usá-los como pires de xícaras de café ou chá. Este veio da Rota 66.

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Tecido africano/tribal transformado nesta bela tela que fica bem em qualquer lugar. Esta já decorou hall de entrada, serviu como tela de fundo de cabeceira de cama, decorou corredores, enfim … basta ter uma parede. A carranca, trazida do Rio São Francisco, dá as boas vindas e afasta possíveis mau-olhados.

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De tempos em tempos retomo minha coleção de ímãs. Se tivesse guardado tudo o que já trouxe das nossas viagens, hoje a geladeira estaria recoberta de cima a baixo.

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Sem comentários. Um souvenir brega. Mesmo assim, adoro estes globos de água.

globo-chines

O globo chinês. A companhia perfeita para os livros de viagem.

cuco

Esta foi a grande aquisição trazida na nossa primeira grande viagem à Europa. Hoje o relógio está desativado – por causa do barulho – mesmo tendo um dispositivo pra calar o cuco – que de meia em meia hora sai de casa e canta. O nosso cuco é antigo e ainda funciona à corda, diferente dos atuais, que já funcionam com bateria. 

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Cestaria africana. Uma eterna paixão. 

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Uma ânfora grega. Minha peça predileta.

apache-americanoUm apache americano. Reconheço que é brega, mas lembra minha infância e o Forte Apache do meu irmão. Volta e meia eu surrupiava alguns apaches pra brincar com minhas bonecas. (USA)

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O porta porpouri foi trazido de Cancun, de Krabi veio o sapinho coaxante preto, a caixa peruana dourada serve de caixa de tesouro de bugigangas e papeizinhos e o cristal sueco branco, é um legítimo castiçal Costa Boda.

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O último Buda comprado. Este veio de Bali.

Tem mais coisas? Tem. Tem muito mais. Cada coisa no seu canto. Ou na sua caixa.

 

 

Repaginando o jardim 1

O tempo passou. Conforme tínhamos planejado, arregaçamos as mangas – meu marido e eu – e fizemos o nosso jardim. Nós mesmos. Sem ajuda alguma. Algumas coisas deram certo, outras não. A maioria não deu. Pelo menos, a entrada de serviço – feita com uma seleção de arbustos – ficou exatamente como tínhamos imaginado. Este ano, possivelmente. faremos a primeira poda e modelagem.

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Costumo dizer que não basta apenas ter vontade pra fazer jardim. Tem que ter conhecimento, equipamento e principalmente, força. Força física mesmo. Foi aí que nossa vontade e nosso jardim se perdeu. A natureza cobrou o preço pelo amadorismo e improviso e avançou. Somadas à falta de força, juntou-se a falta de tempo e regularidade. Jardim precisa de carinho e atenção constantes. O tempo da natureza não é o mesmo tempo da gente. Você até pode ficar um tempo sem fazer nada, descansando ou esperando pelo melhor clima ou temperatura. A natureza não espera. Ela simplesmente acontece. Quando a gente percebeu, ela escapou das nossas mãos, se rebelou e tomou conta.

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Desde sempre jardins me encantam. Adoro o verde, o colorido e o perfume das plantas. Adoro pisar na grama recém aparada, colher frutos das árvores e fazer arranjos de flores com o que tem no jardim. Sem contar que um jardim bonito, planejado e bem arrumado é um dos melhores lugares para se ficar, meditar, orar e agradecer, apreciar e conviver entre amigos, família e amores. E não foi nada disso que conseguimos com o nosso jardim autodidata. Ele me deixava nervosa e deprimida. Fui a primeira a jogar a toalha. Precisávamos de ajuda. Difícil foi convencer o marido. Ainda é difícil, mas agora, sem volta. O jardim já está nas mãos de dois experientes jardineiros.

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Coube a uma paisagista apenas a feitura do cactário. A logística de carregar terra, areia, pedras e plantas para o topo do escritório exigia uma fenomenal força física. Um dia de trabalho, dois homens num sobe e desce frenético, para enfim, o cactário ganhar forma.

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Refazer o jardim, neste momento, tem algumas vantagens: de tanto olhar e experimentar já sei o que dá e o que não dá no nosso terreno. Das plantas que plantamos, nasceu um grande amor por algumas: destaco as costelas de Adão (Monstera deliciosa)e as orelhas de elefante pretas (alocasia gigante orelha de elefante). Foram elas quem nortearam toda a reforma da frente de casa, junto com a compra de 3 vasos pretos enormes. Gosto de pensar que a frente e os fundos da casa precisam conversar entre si. Por isso os vasos foram distribuídos na área da piscina(1) e a frente de casa(2). Dois bambus mossôs + grama amendoim para revestimento do canteiro principal + as resistentes babosas finalizaram a entrada principal. Agora é esperar e ver como fica.

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Com certeza, a reforma do jardim manteve nossa ideia original. A concepção inicial era paisagismo sem modismo. Queríamos um jardim que tivesse personalidade, usando  plantas comuns, relativamente baratas, mas principalmente, plantas de que gostamos. A reforma segue em frente. O luxo de que disponho são um a dois dias por semana com a ajuda dos dois jardineiros + um orçamento enxugado + muitas plantas pra reaproveitar.

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Próxima etapa: a área da piscina.

Vestindo a casa de Natal

 

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Tem gente que não gosta. Já eu, adoro Natal e Reveillon. Tenho de reconhecer que `a medida que os anos passam, a vida vai puxando o tapete e as pessoas que amamos, e cada vez mais, juntar quem a gente ama pra fechar o ano, brindar, trocar presentes e confraternizar, vai ficando mais difícil. Aquele familiar que faleceu, o que não pode vir, os filhos que fazem uma programação própria, … o ano que passou e levou com ele sonhos e ilusões, a percepção das perdas e fracassos, dos projetos parados ou adiados. Tanta coisa a lamentar. Independente a isso, todos temos algo pra comemorar. A começar pelo simples fato de estarmos vivo em tempos tão violentos, termos o básico necessário para viver, ter a quem amar e ser amado, ter amigos, uma casa pra morar, roupas pra vestir.

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Enfim, alguns mais, outros menos, mas todos temos algo porque se alegrar e fazer valer este período de festas. O espírito natalino pede espaço pra invadir nossos corações e nossas casas. Cabe a nós permitir esta invasao.

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Costumo vestir a casa, de cima a baixo, para o Natal. São mais de 35 anos inovando, aprimorando, reformando e adaptando utensílios e decorações. Cada ano que termina traz consigo uma nova ordem, um outro olhar sobre o velho, o antigo, o desgastado.

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Gosto de reservar alguns dias para decorar a casa. É quando limpo, colo e pinto o que se estragou neste período encaixotado. É quando a cola quente, os sprays dourados, os glitters e as pinhas, renovam velhos arranjos natalinos. É quando a casa vem abaixo e os papais noeis procuram um novo lugar para ficar.

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Tem objetos esperando pelos netos (que ainda são meras promessas). Tem objetos comprados no impulso que nunca encontram onde ficar. Ou voltam para as caixas ou são doados. Tem objetos consagrados que apenas mudam de lugar, quando muito. Tem lugar garantido há anos pois trazem o sagrado do Natal.

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Outros objetos trazem recordações de outros tempos e lugares. No todo, reaproveito quase tudo. E antes de comprar qualquer coisa nova, avalio a real necessidade da aquisição.

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O coringa da decoração de Natal são as pinhas. Elas combinam com absolutamente tudo e são a cara do Natal.

LAREIRA NATAL

Gosto delas ao natural. Nada de sprays dourados. As minhas são da época em que morava em Lajeado. Catei elas nas caminhadas que fazia na beira do Rio Taquari – onde havia um pinheiro muito produtivo. Passado o Natal, elas voltam para a caixa de papelão, onde ficam guardadas o ano todo, esperando fazer bonito em novos arranjos, árvores, fruteiras e tantos outros detalhes natalinos.

Jardinando novidades

Jardim Floripa 014Depois da casa parcialmente pronta – e a recusa em contratar paisagista e equipe de jardinagem – porque não fazemos nós mesmos o nosso jardim? sentencia o marido,  exausto dos gastos exorbitantes e dos preços astronômicos pra “plantar grama e algumas plantinhas”. Ok, combinado, e lá vou eu pesquisar plantas, imaginar e planejar um novo jardim.

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Terreno na beira da praia só tem areia, certo? Certo. Então, antes de colocar o tapete de Grama Esmeralda ao redor da casa, foi necessário acertar a topografia do terreno, e cobrir com 10 cm de barro vermelho, terra preta e algum adubo. Em várias etapas, a grama foi cobrindo o terreno, além de plantas e mudas trazidas da antiga casa. E assim, sem planejamento algum, começa a nascer nosso novo jardim.

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Amador, mas bem a nossa cara.

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A concepção inicial era paisagismo sem modismo. Queríamos um jardim que tivesse personalidade, E, com as plantas de que gostamos. Queríamos árvores frutíferas, temperos, chás, plantas bonitas, cheirosas, floridas e coloridas. De preferência, com preço atraente e diferente dos jardins padronizados e uniformizados que vemos ao nosso redor. A idéia era criar setores em pontos distintos do terreno: o setor de plantas tropicais, o jardim europeu e o deserto! Além do Orquidário. Exagerados? Não, apenas apaixonados pela natureza e pelas plantas.

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Então, o que temos até agora, além da grama esmerada e da grama preta, é: 1 cerca viva com 200 Podocarpos, 1 Abélia, 3 Alamandas amarelas e 1 roxa, 4 Antúrios, 2 Lírios da Paz, 5 Ráfias, 1 Árvore da Felicidade, 2 Crótons Petra, 2 Fênix, 4 Helicônias vermelhas, 2 Helicônias Bihai, 1 Hibisco Variegata Colorama, 2 Jasmins do Cabo, 3 Jasmins dos Poetas, 1 Mil Cores branca, 6 Costelas de Adão, 2 Palmeiras Macarthur, 3 Palmitos, Lavandas, Unhas de Gato, Rabos de Gato, Xaxins, Bromélias Ananás Mini e outras tantas trazidas de Lajeado, Espadas de São Jorge, vários tipos de Cactus, Comigo Ninguém Pode, Samambaias, Babosa, Cicas, 1 Bromélia Imperial, 1 Quaresmeira, 2 Patas de Elefante, Fitônias, Fucreas Amarelas e 1 Buganvile.

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Faltam os Fórmios, as bubines, o Ipê Amarelo e mais 2 Palmeiras Macarthur.

Jardim Floripa 015Nossa tempereira já tem Arruda, Boldo, Camomila, Cana Limão, Cânfora, Sálvia, Alecrin, Bonsai de Romã, Mangerona, Pimenta, Salsa, Cebolinha. Nosso pomar já tem Jabuticabeira, Limão Galego e Siciliano, Pitangueira e Laranjeira Japonesa. Todas ao redor da piscina, quem diria!!!!

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Faltam o Figo, a Acerola, a parreira de Uva, a Pokan, a Bergamota do Céu, as Bananeiras, alem dos maracujás e chuchus. Essas frutíferas devem ficar esparramadas pelos cantos do terreno. Concordamos com o paisagista que diz que “Uma frutífera no terreno é algo a ser reverenciado. Merece tornar-se a protagonista do jardim.” Elegemos várias e só não colocamos mais, por absoluta falta de espaço. Afinal, comer fruta do pé é delicioso.

Jardim Floripa 008Sei que a lista de plantas está enorme. Ela deve aumentar. Estamos aguardando o Pinheiro Alemão de Natal (presente da amiga Ivone) e outras plantas de que gostamos, mas que ainda não encontraram o seu espaço.

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Assim, o projeto vai se ajeitando conforme as plantas vão chegando e cochichando entre si. Como diz o escritor Edgar Allan Poe “Fico surpreso que ninguém tenha descrito o jardineiro como poeta, pois a formação de um jardim oferece às musas a perfeita oportunidade de criação.”

O nascimento de um jardim

jardim Lajeado 4Sinceramente, acho difícil fazer um projeto paisagístico e não alterar os planos. Tratando-se de um jardim, então, parece uma tarefa simplesmente impossível!!! Na casa antiga em que morava, ao longo de 15 anos, fiz várias alterações no jardim, contratei duas paisagistas em momentos diferenciados, até assumir eu mesma, sua última reforma. Óbvio que é mais fácil fazer pequenas adequações e adaptações, do que começar o jardim do zero. Por isso, é importante saber que o jardim é um organismo em constante e freqüente processo de transformação. Ele nunca fica pronto!!!! E, assim como nós, ele passa por diferentes fases e precisa se readaptar o tempo todo. Mas, a natureza ensina tudo que precisamos saber. Basta ser observador e atencioso.

jardim Lajeado 7E o mais importante, que se goste de trabalhar com plantas. Elas diferenciam o amor verdadeiro do amor condicional.

jardim Lajeado 5Jardinagem tem que ser um hobby prazeroso, jamais uma tarefa estafante e obrigatória. Tem planta que gosta de sol, tem aquela que gosta de sombra, outras adoram muita água, outras só um tantinho. Algumas precisam do sol para realçar a cor, outras precisam de adubos e complementos pra ter uma floração abundante, outras, só precisam ser podadas … Ou seja, cada planta é singular e exige ser reconhecida, entendida e respeitada. Costumo conversar com as minhas, dar bom dia aos pássaros, andar com pés descalços no gramado, abraçar as árvores, acariciar as folhas, observar atentamente a transformação da flor em fruto. Esta é minha forma de meditação. E dela, não abro mão.

jardim de Lajeado pássarosUma das coisas que mais sinto falta na casa nova é do jardim maduro, harmonioso e reconfortante que foi estudado e trabalhado ao longo de muitos anos. Vejo-me repetindo este processo na casa nova. E por mais que compre e plante espécies crescidas e adultas, o conjunto revela a imaturidade do jardim embrionário que começa a despontar do terreno arenoso, plano e estéril. A única habitante antiga – que parece guardar na casca grossa e enrugada, a alma do meu novo endereço – é uma Aroeira plantada por algum funcionário encarregado de plantar algo nas calçadas do empreendimento imobiliário lançado muitos anos atrás. O lugar escolhido por ele é dela por direito e respeito. É ótima tê-la zelando por nós do lado de fora, em frente à casa.

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É a partir dela que todo nosso jardim está nascendo.

Fazendo poesia no jardim

A esta altura, o canteiro embaixo do beiral da casa já havia sido totalmente modificado. Brómélias foram substituídas por cicas e estrelitzas.
A esta altura, o canteiro embaixo do beiral da casa já havia sido totalmente modificado. Brómélias foram substituídas por cicas e estrelitzas.

Todo mundo conhece a minha mãe. É só falar da casa de esquina de Colinas, onde sempre tem Coelhos na Páscoa e Papais Noeis no Natal subindo pelas paredes, dependurados em árvores, espiando pelas flores, enfiados em vasos, janelas e portas … dá entrevista na RBS, rege coral de idosos e cantores de igreja, e todo mundo sabe quem é. Ela também tinha um jardim maravilhoso com pinheiros frondosos, muitas algarves e orquídeas, ganhou prêmio de jardim mais bonito de Colinas.

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Os anos passaram, minha mãe entrou na melhor idade – palavras dela – e o jardim a acompanhou. Aos poucos, as britas foram ganhando espaço, as plantas se agigantaram, a grama ficou mirradinha – e minha mãe, com o dedo verde – o que enfiava na terra, brotava, junto com vasos, esculturas, pedras, gatos, o que se pode imaginar num jardim que envelheceu junto com seu dono.

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Como qualquer pessoa acima dos setenta, certas mudanças soam como ir pra lua. E, assim como joguei armários infestados de cupim no lixo, dei fim em xícaras sem alças e travessas rachadas ou lascadas, sumi com cortinas de gabardine bege com bandô marrom … achei que era hora de mergulhar no jardim e dar a ele o vigor de seus melhores anos. Jardins são benções e verdadeiros santuários em nossas casas. Assim como nós, precisam ser reciclados e revitalizados. Amo o verde do gramado, dos arbustos e árvores. Gosto do coloridos das flores e plantas permanentes, e torço o nariz para as florzinhas de época. Dão muito trabalho e duram pouco.

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Como já reformei meu próprio jardim algumas vezes, me considero uma paisagista autodidata, que enfia a mão na terra, estuda as plantas, carrega pedra, planta, replanta, e principalmente, adora experimentar e inovar. Basta uma boa equipe de jardineiros, o olhar atento e observador, arregaçar as mangas, enfiar o pé na bota e não ter medo de errar. A natureza ensina. O básico – como tudo na vida – é o respeito. Cada planta tem suas preferências – existem as que gostam de sol, sombra, terra fraca, adubada, seca, úmida. Melhor respeitá-las.

Antes das bromélias engolirem o canteiro. Excessos!
Antes das bromélias engolirem o canteiro. Excessos!

Em tempos de mão de obra cara e falta de tempo, plantas de baixa manutenção, cactos e leguminosas, algumas pedras gigantes, e clean, é como o jardim deve ser. Nada de excesso de informação. O muito polui e ofusca a beleza dos detalhes. A natureza é bela na minúcia que só precisa de espaço para se mostrar.

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Quando começamos a reformar o jardim da minha mãe, pensamos pequeno. Só um canteiro. Depois veio o replantio de cicas, bromélias, cactos, estrelitzas, recolher vasos, derrubar o  coqueiro podre, sucatear as hortênsias azuis e japonesas, podar as azaleias, desfolhar palmeiras, cortar galhos secos, arrancar espadas de São Jorge, arrancar bubines, arrancar, arrancar e arrancar e replantar a grama, fazer um muro natural para as orquídeas, reposicionar os pisantes, e, ufa. ¼ do jardim  ganhou roupa nova.

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Como é fazendo que se vê como fica, decidimos relocar Juliana de pedra e os vasos romanos. O jardim, faceiro com tanto cuidado e atenção, foi se exibindo e ressurgindo, pedindo cada vez mais. Ele ainda quer mais. Sabe que pode mais. Mas, decidimos nos brecar e dar tempo. Agora é hora de crescer e florescer.

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Concordo com o escritor Edgar Allan Poe “Fico surpreso que ninguém tenha descrito o jardineiro como poeta, pois a formação de um jardim oferece às musas a perfeita oportunidade de criação.” Também me surpreendo com a poesia que germina da semente e do universo que se cria quando nasce um jardim.

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