Caponata Siciliana

Pra inaugurar uma nova Categoria – em Coisas de Mulher – Forno e fogão – uma delícia de gostosura. A caponata é perfeita como um tira gosto agridoce. Leve, fácil e rápida de fazer.

caponata-siciliana

Ingredientes:

  • 3 beringelas médias com casca, cortadas em tirinhas
  • 2 cebolas cortadas em rodelas finas
  • 3 dentes de alho picados
  • ¾ xícara de azeite de oliva
  • 1 pimenta dedo de moça picada
  • casca ralada de meio limão siciliano
  • sal a gosto
  • 2 colher (sopa) de açúcar
  • ½ xícara de uva passa preta
  • ¼ xícara de vinagre branco
  • Fatias de pão ou torradinhas para acompanhar

Modo de fazer:

            Em uma frigideira grande, leve ao fogo médio as berinjelas, cebolas, alho e o azeite. Deixe cozinhar durante uns 15 minutos, mexendo de vez em quando. Quando a berinjela ficar levemente macia, acrescente os ingredientes restantes e cozinhe mais alguns minutos. Deixe esfriar. Sirva sobre fatias de pão ou torradinhas.

            OBS: Esta caponata deve ser guardada no refrigerador.

                    O prazo para consumo é de 7 a 10 dias.

                   Depois de pronta, talvez precise regular o tempero.

caponata

Se preferir, pode amassar com um garfo pra ficar tipo patê.

37 anos de casamento – Bodas de Aventurina

É hoje. 37 anos de tudo que faz da vida a dois, a maior de todas as aventuras humanas. Nada de mapas, bússolas, GPS, roteiros ou agendas. A aventura é radical, e única.

A jornada, heróica. Obrigada meu amor, por me querer como companheira de uma vida.

Pesquisando sobre a pedra que homenageia a boda, fiquei surpresa com a Aventurina. Sequer conhecia a pedra. Lendo as propriedades da mesma, tenho de admitir que a escolha da pedra é perfeita para o momento da vida conjugal. Meia idade, menopausa, aposentadoria …

Elias e eu no Swartzwalt, - em outubro de 2016 - Alemanha
Elias e eu no Swartzwalt – Alemanha, em outubro de 2016.

AVENTURINA. É uma pedra de cor verde que significa prosperidade e é muito positiva. Purifica mentalmente e emocionalmente. Neutraliza as emoções, trazendo o equilíbrio para o corpo físico. Elimina o medo e cura problemas relacionados à doenças de pele. Inspira independência, criatividade e saúde. Ajuda a relaxar, especialmente para aqueles que tem problemas ao dormir. Nos traz paciência e ajuda a acalmar nossos nervos e controlar a raiva. Encoraja a tolerância e a aceitar sugestões vinda de outras pessoas. Encoraja a regeneração do coração. Estimula nosso metabolismo e reduz o nível de colesterol. Aventurina tem efeito anti-inflamatório, ajuda em doenças de pele, erupções e alergias em geral.

foto de internet
foto de internet

Preparando a casa para o Natal

Quase o pinheiro inteiro.
Quase o pinheiro inteiro.

Dias atrás alguém me disse que deveríamos estar com a casa arrumada e preparada o ano todo, não concordando com esta história de arrumar a casa para o Natal. Em parte, até concordo. Casa limpa e organizada faz bem pra saúde, pro olhar, pra vida, pra tudo o ano todo. Mas tem que ter equilíbrio, senão vira mania de limpeza, TOC e outras excentricidades, dignas de constar de algum compêndio de psiquiatria.

espaço criança
espaço criança

Preparar a casa para o Natal é quase como preparar a casa para a chegada de alguém muito querido, como um filho, um neto, amigo, parente, um bichinho de estimação , até mesmo, para a chegada da primavera/verão/outono/inverno. Toda esta expectativa e preparos remetem à reverência e respeito. Alguém que chega e que importa. Que faz a diferença. Que traz alegria e promessa de bons e novos momentos. Sabe como é, visita é bom, mas nada de exageros, senão …

outro pedacinho do espaço criança
outro pedacinho do espaço criança

Quando alguém avisa que vem me visitar, procuro adequar, na medida do possível, meu espaço ao espaço do outro. No mínimo, uma gentileza. Quando as estações se revezam, revezo a própria casa. Mesmo preferindo as estações mais amenas ou o frio do inverno, o sufocante verão também recebe as boas vindas, com cangas e conchas esparramadas aqui e acolá por toda a casa. Na primavera a delícia de  alguma planta nova, a troca das mantas de lã por cangas de praia ou mantinhas de linha. E o que dizer do milagre que acontece quando trocamos bugigangas e adornos de lugar – ou doamos, ou restauramos e pintamos móveis antigos e judiados. As casas pedem, imploram por mudança de ares, novas perspectivas e algum incremento. Pode até parecer dispendioso, mas nem sempre é.

Presépio que meu pai deu pra minha mãe há 40 anos atrás. Anos atrás uma amiga restaurou todo o presépio. Este camelo sempre foi minha paixão.
Presépio que meu pai deu pra minha mãe há 40 anos. Ele foi restaurado há algum tempo. Este camelo foi minha grande paixão natalina, quando criança.

Particularmente prefiro restaurar o antigo a comprar algo novo. O familiar me conforta e vem embebido de histórias e recordações. Na casa nova, além dos móveis sob medida (basicamente armários e balcões) todo o resto foi repaginado, restaurado ou resignificado. Foram meses de experimentações, até encontrar o canto certo pra cada coisa. Sobre restaurações de móveis, prometo escrever outro post. Óbvio que vem algumas modernidades por aí.

Uau!!! Pedaço de mesa + resto de tudo misturado.
Uau!!! Pedaço de mesa quariquara + resto de tudo misturado.

Voltando ao Natal. E preparar a casa para o Natal.

A tão esperada visita. O sagrado do Natal: Jesus/Maria/José. Todo o presépio foi disposto em souplat de espelho (estes repaginados do casamento da Fernanda)
A tão esperada visita. O sagrado do Natal: Jesus/Maria/José. Todo o presépio foi disposto em souplat de espelho (estes repaginados do casamento da Fernanda)

O kit básico que faz toda a diferença quando o assunto é decoração natalina é a cola quente (de boa qualidade) + os arames + (sprays são opcionais) e muita, muita inspiração. Criatividade e tempo também são fundamentais nesta equação. Melhor reservar alguns dias para fazer tudo sem pressa.

Uma vaso antigo + bolas de tecido + pinhas + arame = bouquet natalino.
Uma vaso antigo + bolas de tecido + pinhas + arame = bouquet natalino.

Sou uma colecionadora de Natal. Sempre que posso, trago alguma traquitana do lugar por onde andei. Normalmente compro coisas pequenas, de preferência de tecido ou madeira e, leves. Algo típico e diferente.

casal de papai e mamãe noela trazidos na última viagem.
casal de papai e mamãe noela trazidos na última viagem.

Pra começar a preparar a casa, trago as trocentas caixas de tudo que tenho guardado há mais de 35 anos. Esparramo tudo pra lembrar de tudo que tenho. Inclusive álbuns de Natais passados.  

Cada ano repito a operação de esparramar tudo. Jamais a decoração se repete.
Cada ano repito a operação de esparramar tudo. O prêmio é sempre uma decoração inédita.

É difícil dizer por onde começo. Gosto de pensar que começo com quem me chama primeiro. Limpo, separo e começo a colar o que descolou do ano anterior. Quando invento de reformar algum arranjo antigo, opto por destruir tudo e começar tudo praticamente do zero (manter a base pode ser fundamental, mas, nem sempre) e acrescento coisas que sobraram de outras destruições.

Depois do tombo de ponta cabeça, a solução foi manter a base, mas refazer todo o resto.
Depois do tombo de ponta cabeça, a solução para o arranjo, foi manter a base, refazendo todo o resto.

Tem também aqueles objetos que estão prontos, eternamente prontos. O máximo do possível é trocá-los de lugar.

Paixão à primeira vista desde sempre.
Paixão à primeira vista desde sempre.

 

Lembranças

Cada um tem um jeito diferente de viajar e lembrar da viagem que fez. Tem aqueles que lembram da viagem pelas paisagens, pela companhia, pela comida, bebida, por situações vivenciadas, por compras realizadas. Além das fotos, fatos, filmagens e alguns jantares, o que mais aguça minha memória são os cacarecos que trago dos lugares por onde passei. Passado algum tempo, o souvenir funciona quase como um portal do tempo e espaço. A imagem, o cheiro, o gosto, o toque, me transporta para o momento ou lugar de onde veio o objeto comprado. Chamo meus souvenirs de cacarecos de viagem. Prefiro objetos de madeira (mais leves) do que de pedra. Prefiro objetos de tamanho compatível com o espaço onde pretendo colocá-lo. Raramente compro algo que não sei onde colocar. Quando compro é porque foi amor à primeira vista. Então, qualquer lugar serve. Evito escritos do lugar. Tipo: lembrança de Paris, ou simplesmente, a palavra Paris escrita na peça. O objeto, por si só, deve me remeter ao lugar de onde vem. E compro de tudo: colher de pau, tela de pintura à oleo, panela, pano, livro, adorno, prato, abajour, toalha, roupa, brinco, caneca, lenço, enfim … Se for bonito, de preço razoável, não for muito grande, nem muito pesado com certeza encontro espaço e trago comigo. Já trouxe um jogo de Fondue da Suíça (panela, richeau, garfos e pratos) no colo. Já comprei mala pra caber tudo que gostei e comprei (na viagem à Africa do Sul, com o R$ valendo 8 vezes mais que o rand (a moeda sul-africana) não tive nem dúvida, nem dó. Além do que, o artesanato sul-africano é lindo e sempre ultramoderno. O mesmo vale para Bali e Tailândia. Como diz uma amiga: haja disposição pra gastar. Mas, tenho de admitir que minha disposição já não é mais a mesma. Cada vez trago menos coisas. Com o tempo a casa ficou atulhada. Por isso é fundamental trazer peças de bom gosto e totalmente curingas. Fazer um remanejo pela casa, de vez em quando, ou tirar de circulação, pode ser uma ótima opção. Houve épocas em que trazia folders, postais, ingressos pra fazer scrap. Houve épocas em que trazia lembrança para amigos. Hoje, muito pouco. Até trago folders e um ou outro postal. Atualmente tenho preferido os patch que mando colocar numa jaqueta ou mochila de viagem. Para os amigos trago apenas quando acho algo de muito especial. O mesmo vale para a casa.

Ao longo dos anos amealhei uma verdadeira Torre de Babel de tranqueiras e cacarecos. Cada um conta uma história. Cada um fala de pessoas, lugares e momentos que vivi e adoro relembrar.

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Lugar de honra para o Buda trazido de Bangcoc – Tailândia. 

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Uma manadinha de elefantes de pedra, trazida do Kruger Park, África do Sul. Ficam uma graça em qualquer lugar.

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Arte peruana. Moderno e étnico. Combina com qualquer casa e qualquer canto.

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Meu primeiro Buda foi comprado na grande muralha da China, assim como o vaso closonê chinês. Já os candelabros árabes, foram trazidos de Dubai.

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Adoro pratos e cerâmicas. Os pratos servem como porta trecos, apoio de copos e transformam qualquer cafezinho informal numa viagem internacional. Basta usá-los como pires de xícaras de café ou chá. Este veio da Rota 66.

quadro-de-tecido-africano

Tecido africano/tribal transformado nesta bela tela que fica bem em qualquer lugar. Esta já decorou hall de entrada, serviu como tela de fundo de cabeceira de cama, decorou corredores, enfim … basta ter uma parede. A carranca, trazida do Rio São Francisco, dá as boas vindas e afasta possíveis mau-olhados.

imas

De tempos em tempos retomo minha coleção de ímãs. Se tivesse guardado tudo o que já trouxe das nossas viagens, hoje a geladeira estaria recoberta de cima a baixo.

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Sem comentários. Um souvenir brega. Mesmo assim, adoro estes globos de água.

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O globo chinês. A companhia perfeita para os livros de viagem.

cuco

Esta foi a grande aquisição trazida na nossa primeira grande viagem à Europa. Hoje o relógio está desativado – por causa do barulho – mesmo tendo um dispositivo pra calar o cuco – que de meia em meia hora sai de casa e canta. O nosso cuco é antigo e ainda funciona à corda, diferente dos atuais, que já funcionam com bateria. 

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Cestaria africana. Uma eterna paixão. 

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Uma ânfora grega. Minha peça predileta.

apache-americanoUm apache americano. Reconheço que é brega, mas lembra minha infância e o Forte Apache do meu irmão. Volta e meia eu surrupiava alguns apaches pra brincar com minhas bonecas. (USA)

caixa-peruana

O porta porpouri foi trazido de Cancun, de Krabi veio o sapinho coaxante preto, a caixa peruana dourada serve de caixa de tesouro de bugigangas e papeizinhos e o cristal sueco branco, é um legítimo castiçal Costa Boda.

buda-vermelho

O último Buda comprado. Este veio de Bali.

Tem mais coisas? Tem. Tem muito mais. Cada coisa no seu canto. Ou na sua caixa.

 

 

Adolescer e envelhecer: ciclos que se repetem

Sensibilidade ao toque, ao olhar, no sentir e viver.

Um momento de vida,

A sensibilidade aranhando a alma.

Meno Pausa = menopausa = última menstruação = fim de um ciclo.

Antes dela, o Climatério.

Soa cemitério. Morte de um ciclo.

O renascer se inscreve.

Um novo ciclo está por vir.

Tempo de encontros e desencontros.

Um adolescer tardio.

Que identidade servirá neste momento?

Tenho um amigo que escreve de frente pra parede, num quarto pequeno e mal arejado. Já eu escrevo de frente pro mar. Ando escrevendo pouco. Já ele, escreve muito. Acho que ando me perdendo nas ondas e nas cores à minha frente e à minha volta. Ando me perdendo também, de mim mesma.

Ando às voltas com meus hormônios.

De novo.

Da primeira vez – e faz tempo isso – os hormônios bagunçaram toda minha vida.

Adolesci e adulteci num piscar de olhos.

Caí de cabeça e me afoguei no universo de gente grande.

Tive uma vida pra me adaptar. Algo em torno de quarenta anos.

Não conto mais com este elástico temporal.

Conto apenas com a maturidade.

Algo, por demais subjetivo,

que julgo ter alcançado.

Em partes. Talvez plenamente.

O tempo de agora é de costurar a vida vivida

E se preparar para algo maior ainda.

A própria morte.

Como da primeira vez

Meu todo luta bravamente.

Não quer deixar nem o momento,

Nem a vida vivida.

Conto com o elástico temporal.

Enquanto isso …

Minha atenção e minha memória andam pregando peças. Permito-me a contemplação. Me disseram que isso passa. Deus te ouça. Ando farta de esquecer nomes, palavras, números, compromissos. Ando farta de esquecer o que fui buscar, o que eu queria dizer ou fazer. A sensação beira um pré-alzheimer. Bato na madeira. Ainda não. Para sempre Alice (o filme) não está em nenhum dos meus planos. Percebo também a falta de paciência com as pequenas coisas, com quase todas as pessoas. Talvez o maior motivo de não estar clinicando. Tratar da dor do outro exige carinho, atenção, cuidado e tolerância em doses cavalares. O que tenho a dar são parcas migalhas. Alguém me disse que este momento era meu. Osho, um guru indiano, diz que devemos ser – primeiramente – egoístas e nos deixar transbordar. Pra só então se doar. Ando em compasso de espera para este transbordamento. Tem também coisas idiotas que me tiram do sério. A política, por exemplo. A corrupção. A violência. A pobreza. As doenças.

Ando farta disso tudo.

O mundo teve tempo de sobra pra melhorar. Porque não melhorou?

O mundo somos nós.

O que fizemos com o mundo em que vivemos?

Me decepciono com a raça humana.

Me decepciono comigo mesma.

O que eu posso fazer pra melhorar o mundo em que vivo tem sido um dos meus grandes questionamentos. Ainda estou tateando a direção a seguir.

E quanto à escravidão das dietas? Ando farta de todas elas. Ando mesmo é me deliciando com o prazer da boa mesa e dos bons vinhos. Sem culpas? Só quando me olho no espelho ou não entro numa roupa que adoro. Mas já não me incomoda tanto quanto incomodava tempos atrás. Estar saudável importa mais que estar bonita. O corpo precisa de combustível e energia. A alimentação ganha uma nova conotação. O equilíbrio também. Pena que a ansiedade não percebeu nada disso e continua sendo uma grande vilã. Concluí que meu problema não são os quilos extras, mas sim, o processo insano e mirabolante, de inflar e desinflar de tempos em tempos. Ok. É a maldita retenção de líquidos + o metabolismo lento. Por conta dessa piada de mau gosto da evolução humana, meu guarda-roupa aposentou de vez o tamanho P. Continuo com as roupas M e G, e horrorizada, vejo o GG se instalando em cabides e gavetas, sem nenhuma cerimônia ou educação. Estou em dúvida se volto ou não ao endocrinologista. Eu bem que avisei que aqueles quase cinco quilos perdidos em quase um mês, ou eram erro da balança, doença desconhecida ou perda de líquidos. Podia ser pior, sei disso. Mas não estou a fim de reconhecer nos olhos do meu médico o que o espelho cruelmente me esfrega nos olhos. Também não estou a fim de sermão. O fato é que minha calça de veludo azul mal sobe os quadris.

Para as dores generalizadas, descartei a hipótese de fibromialgia. O colapso hormonal que me domina por inteiro repercute no corpo, na alma, na mente. Tudo dói. Tenho feito automassagens. Meu corpo agradece. Mesmo assim, dói. Vai passar, me disseram. Enquanto isso, desmarco academia, tomo analgésicos. Quando dá faço Pilates. Quando dá é quando tenho vontade. Vontade e desejo tem sido reféns da oscilação de humor e da depressão. As mais do momento.

Tem também a insônia. Um assunto recorrente. Um sintoma enervante.

Vocês não estão com calor? Enfim, depois de perceber que todos andam muito confortáveis em blusões e casacos e salas fechadas, cheguei à conclusão de que o problema com o calor é comigo mesma. Nada a ver com janelas trancadas ou pouca ventilação. A sensação de estar sufocando ou entrando em combustão é somente minha. Por enquanto algo que presumo serem mini-fogachos. Não quero nem imaginar os fogachos normais. Minha mãe não teve nem fogachos, nem cólicas menstruais. Dizem que estas coisas do feminino são genéticas. Já eu tive cólicas menstruais homéricas uma vida inteira … e, parece não ser da minha mãe minha herança genética para as coisas do feminino. Estou otimista e um pouco realista. Fazer o quê!! Do limão uma limonada!! Resolvi fazer uso de leques charmosos e exóticos, souvenirs trazidos de muitos lugares e viagens. Mas é só sacar o leque e começar a me abanar que todo mundo olha. Sem contar os comentários: tá na menopausa? Eu não senti nada. Tenho amigas que sofrem muito. Vai fazer reposição hormonal? Chá de amora branca ajuda bastante. Cápsulas de prímula, também. E por aí vai. Já não me incomodo mais com o olhar masculino, nem mesmo do meu marido. Leques lembram matronas gordas e ultrapassadas. Espalhei os meus pela casa toda. No carro. Nas bolsas. Decidi fazer dele o mesmo que fiz com lenços e mantas. Uma marca pessoal. Um jeito de ser. Pode parecer que os melhores tempos estão se perdendo. Penso que estão se reciclando. O processo de entrar na menopausa e envelhecer me remeteu ao processo de me tornar adolescente. A busca por uma nova identidade, as mudanças corporais, as alterações de humor (irritabilidade, depressão) são comuns aos dois processos. Um se encontra na subida do desenvolvimento humano, o outro, na descida. Um reporta à extroversão, a busca do outro, as conquistas materiais e afetivas. O outro reporta à introversão, a busca de si mesmo, a preservação do que foi conquistado e a manutenção dos vínculos afetivos. Pode parecer que o processo de subida é melhor (e penso que é) mas é no topo e na descida que vislumbramos melhor o todo.

Ando fazendo uma retrospectiva da minha própria vida, avaliando escolhas, repensando atitudes e valores. Sei que meu elástico temporal começa a cansar e lassear. As coisas que ainda quero fazer e sentir pressionam por decisões e atitudes. Querem acontecer ou ser deixadas em paz. O bom de se estar na descida é que é agora ou nunca. O que os outros vão dizer ou pensar conta cada vez menos. Ainda bem.

Diferentemente da subida

  • quando o esforço é grande –

A descida sugere um deixar rolar e acontecer,

Aprecie a paisagem

deixe o vento acariciar o rosto e bagunçar os cabelos

Grite de alegria

Levante os braços e comemore.

Sinta o coração palpitar

O estômago embrulhar

Viva o momento.

Sinta a vida!!!!!

Do jeito que for

Deixe acontecer.

Aproveite a vida e a paisagem.

Repaginando o jardim 1

O tempo passou. Conforme tínhamos planejado, arregaçamos as mangas – meu marido e eu – e fizemos o nosso jardim. Nós mesmos. Sem ajuda alguma. Algumas coisas deram certo, outras não. A maioria não deu. Pelo menos, a entrada de serviço – feita com uma seleção de arbustos – ficou exatamente como tínhamos imaginado. Este ano, possivelmente. faremos a primeira poda e modelagem.

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Costumo dizer que não basta apenas ter vontade pra fazer jardim. Tem que ter conhecimento, equipamento e principalmente, força. Força física mesmo. Foi aí que nossa vontade e nosso jardim se perdeu. A natureza cobrou o preço pelo amadorismo e improviso e avançou. Somadas à falta de força, juntou-se a falta de tempo e regularidade. Jardim precisa de carinho e atenção constantes. O tempo da natureza não é o mesmo tempo da gente. Você até pode ficar um tempo sem fazer nada, descansando ou esperando pelo melhor clima ou temperatura. A natureza não espera. Ela simplesmente acontece. Quando a gente percebeu, ela escapou das nossas mãos, se rebelou e tomou conta.

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Desde sempre jardins me encantam. Adoro o verde, o colorido e o perfume das plantas. Adoro pisar na grama recém aparada, colher frutos das árvores e fazer arranjos de flores com o que tem no jardim. Sem contar que um jardim bonito, planejado e bem arrumado é um dos melhores lugares para se ficar, meditar, orar e agradecer, apreciar e conviver entre amigos, família e amores. E não foi nada disso que conseguimos com o nosso jardim autodidata. Ele me deixava nervosa e deprimida. Fui a primeira a jogar a toalha. Precisávamos de ajuda. Difícil foi convencer o marido. Ainda é difícil, mas agora, sem volta. O jardim já está nas mãos de dois experientes jardineiros.

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Coube a uma paisagista apenas a feitura do cactário. A logística de carregar terra, areia, pedras e plantas para o topo do escritório exigia uma fenomenal força física. Um dia de trabalho, dois homens num sobe e desce frenético, para enfim, o cactário ganhar forma.

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Refazer o jardim, neste momento, tem algumas vantagens: de tanto olhar e experimentar já sei o que dá e o que não dá no nosso terreno. Das plantas que plantamos, nasceu um grande amor por algumas: destaco as costelas de Adão (Monstera deliciosa)e as orelhas de elefante pretas (alocasia gigante orelha de elefante). Foram elas quem nortearam toda a reforma da frente de casa, junto com a compra de 3 vasos pretos enormes. Gosto de pensar que a frente e os fundos da casa precisam conversar entre si. Por isso os vasos foram distribuídos na área da piscina(1) e a frente de casa(2). Dois bambus mossôs + grama amendoim para revestimento do canteiro principal + as resistentes babosas finalizaram a entrada principal. Agora é esperar e ver como fica.

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Com certeza, a reforma do jardim manteve nossa ideia original. A concepção inicial era paisagismo sem modismo. Queríamos um jardim que tivesse personalidade, usando  plantas comuns, relativamente baratas, mas principalmente, plantas de que gostamos. A reforma segue em frente. O luxo de que disponho são um a dois dias por semana com a ajuda dos dois jardineiros + um orçamento enxugado + muitas plantas pra reaproveitar.

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Próxima etapa: a área da piscina.

Você sabe ler?

 

Pois foi esta pergunta que um oftalmologista me fez. Tinha acabado de lhe responder que meus dias aconteciam entre livros, tintas e outras artes e fiquei sem resposta. Óbvio que eu sei ler respondi ofendida à pergunta estranha. Quero saber se você sabe como ler de forma adequada. Entendi. Quantas horas você lê por dia? Depende. De 30 minutos a 7 ou mais horas. Ele arregalou os olhos e me disse que eu realmente não sabia ler. Buscou um desenho esquemático de um olho e me mostrou a estrutura de músculos utilizados e necessários para que possamos enxergar. Por duas vezes me disse que o olho humano foi programado para localizar e fugir dos predadores e encontrar caça para sobreviver e não para passar horas lendo, digitando ou escrevendo. Ok, entendi. O correto é ler 30/35 minutos e parar 4/5 minutos para descansar a musculatura do olho. Ler agride o olho, enfatizou o médico, assim como correr agride os músculos das pernas. “Você pode ler o tempo que quiser se respeitar estes períodos de descanso. Além do que, seu cérebro também não registra tudo o que você lê durante todas essas horas. Ele também é um músculo e precisa de períodos de descanso.” Saí da consulta feliz por não ter aumentado o grau das minhas lentes. Seu problema é fadiga ocular, sacramentou o experiente profissional. Normalmente ocorre uma estabilização no grau dos óculos entre 51 e 52 anos. Existem exceções. Porém, muito raras. “Faça óculos para perto com a lente mais barata que você encontrar. Esses anti- reflexos, anti-riscos são só pra encarecer o valor das lentes. Não fazem grande diferença.” Adorei o médico. A conclusão a que cheguei é de que meus olhos e cérebro são meus músculos mais sarados. Para o cérebro sei o quanto é importante esta malhação inclemente para evitar doenças degenerativas como o Parkinson e o Alzheimer. Saber que o declínio da visão se estabiliza entre 51 e 52 anos foi uma novidade muito bem vinda. Aquela receita médica irá para a pasta de documentos, já que daqui pra frente será sempre este o grau das minhas lentes. Que venham armações de cores vibrantes e formatos charmosos. A sugestão foi do próprio oftalmologista. Outra sugestão foi que escrevesse este post. Taí, depois de quase 30 dias sem escrever.