Caponata Siciliana

Pra inaugurar uma nova Categoria – em Coisas de Mulher – Forno e fogão – uma delícia de gostosura. A caponata é perfeita como um tira gosto agridoce. Leve, fácil e rápida de fazer.

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Ingredientes:

  • 3 beringelas médias com casca, cortadas em tirinhas
  • 2 cebolas cortadas em rodelas finas
  • 3 dentes de alho picados
  • ¾ xícara de azeite de oliva
  • 1 pimenta dedo de moça picada
  • casca ralada de meio limão siciliano
  • sal a gosto
  • 2 colher (sopa) de açúcar
  • ½ xícara de uva passa preta
  • ¼ xícara de vinagre branco
  • Fatias de pão ou torradinhas para acompanhar

Modo de fazer:

            Em uma frigideira grande, leve ao fogo médio as berinjelas, cebolas, alho e o azeite. Deixe cozinhar durante uns 15 minutos, mexendo de vez em quando. Quando a berinjela ficar levemente macia, acrescente os ingredientes restantes e cozinhe mais alguns minutos. Deixe esfriar. Sirva sobre fatias de pão ou torradinhas.

            OBS: Esta caponata deve ser guardada no refrigerador.

                    O prazo para consumo é de 7 a 10 dias.

                   Depois de pronta, talvez precise regular o tempero.

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Se preferir, pode amassar com um garfo pra ficar tipo patê.

37 anos de casamento – Bodas de Aventurina

É hoje. 37 anos de tudo que faz da vida a dois, a maior de todas as aventuras humanas. Nada de mapas, bússolas, GPS, roteiros ou agendas. A aventura é radical, e única.

A jornada, heróica. Obrigada meu amor, por me querer como companheira de uma vida.

Pesquisando sobre a pedra que homenageia a boda, fiquei surpresa com a Aventurina. Sequer conhecia a pedra. Lendo as propriedades da mesma, tenho de admitir que a escolha da pedra é perfeita para o momento da vida conjugal. Meia idade, menopausa, aposentadoria …

Elias e eu no Swartzwalt, - em outubro de 2016 - Alemanha
Elias e eu no Swartzwalt – Alemanha, em outubro de 2016.

AVENTURINA. É uma pedra de cor verde que significa prosperidade e é muito positiva. Purifica mentalmente e emocionalmente. Neutraliza as emoções, trazendo o equilíbrio para o corpo físico. Elimina o medo e cura problemas relacionados à doenças de pele. Inspira independência, criatividade e saúde. Ajuda a relaxar, especialmente para aqueles que tem problemas ao dormir. Nos traz paciência e ajuda a acalmar nossos nervos e controlar a raiva. Encoraja a tolerância e a aceitar sugestões vinda de outras pessoas. Encoraja a regeneração do coração. Estimula nosso metabolismo e reduz o nível de colesterol. Aventurina tem efeito anti-inflamatório, ajuda em doenças de pele, erupções e alergias em geral.

foto de internet
foto de internet

Adolescer e envelhecer: ciclos que se repetem

Sensibilidade ao toque, ao olhar, no sentir e viver.

Um momento de vida,

A sensibilidade aranhando a alma.

Meno Pausa = menopausa = última menstruação = fim de um ciclo.

Antes dela, o Climatério.

Soa cemitério. Morte de um ciclo.

O renascer se inscreve.

Um novo ciclo está por vir.

Tempo de encontros e desencontros.

Um adolescer tardio.

Que identidade servirá neste momento?

Tenho um amigo que escreve de frente pra parede, num quarto pequeno e mal arejado. Já eu escrevo de frente pro mar. Ando escrevendo pouco. Já ele, escreve muito. Acho que ando me perdendo nas ondas e nas cores à minha frente e à minha volta. Ando me perdendo também, de mim mesma.

Ando às voltas com meus hormônios.

De novo.

Da primeira vez – e faz tempo isso – os hormônios bagunçaram toda minha vida.

Adolesci e adulteci num piscar de olhos.

Caí de cabeça e me afoguei no universo de gente grande.

Tive uma vida pra me adaptar. Algo em torno de quarenta anos.

Não conto mais com este elástico temporal.

Conto apenas com a maturidade.

Algo, por demais subjetivo,

que julgo ter alcançado.

Em partes. Talvez plenamente.

O tempo de agora é de costurar a vida vivida

E se preparar para algo maior ainda.

A própria morte.

Como da primeira vez

Meu todo luta bravamente.

Não quer deixar nem o momento,

Nem a vida vivida.

Conto com o elástico temporal.

Enquanto isso …

Minha atenção e minha memória andam pregando peças. Permito-me a contemplação. Me disseram que isso passa. Deus te ouça. Ando farta de esquecer nomes, palavras, números, compromissos. Ando farta de esquecer o que fui buscar, o que eu queria dizer ou fazer. A sensação beira um pré-alzheimer. Bato na madeira. Ainda não. Para sempre Alice (o filme) não está em nenhum dos meus planos. Percebo também a falta de paciência com as pequenas coisas, com quase todas as pessoas. Talvez o maior motivo de não estar clinicando. Tratar da dor do outro exige carinho, atenção, cuidado e tolerância em doses cavalares. O que tenho a dar são parcas migalhas. Alguém me disse que este momento era meu. Osho, um guru indiano, diz que devemos ser – primeiramente – egoístas e nos deixar transbordar. Pra só então se doar. Ando em compasso de espera para este transbordamento. Tem também coisas idiotas que me tiram do sério. A política, por exemplo. A corrupção. A violência. A pobreza. As doenças.

Ando farta disso tudo.

O mundo teve tempo de sobra pra melhorar. Porque não melhorou?

O mundo somos nós.

O que fizemos com o mundo em que vivemos?

Me decepciono com a raça humana.

Me decepciono comigo mesma.

O que eu posso fazer pra melhorar o mundo em que vivo tem sido um dos meus grandes questionamentos. Ainda estou tateando a direção a seguir.

E quanto à escravidão das dietas? Ando farta de todas elas. Ando mesmo é me deliciando com o prazer da boa mesa e dos bons vinhos. Sem culpas? Só quando me olho no espelho ou não entro numa roupa que adoro. Mas já não me incomoda tanto quanto incomodava tempos atrás. Estar saudável importa mais que estar bonita. O corpo precisa de combustível e energia. A alimentação ganha uma nova conotação. O equilíbrio também. Pena que a ansiedade não percebeu nada disso e continua sendo uma grande vilã. Concluí que meu problema não são os quilos extras, mas sim, o processo insano e mirabolante, de inflar e desinflar de tempos em tempos. Ok. É a maldita retenção de líquidos + o metabolismo lento. Por conta dessa piada de mau gosto da evolução humana, meu guarda-roupa aposentou de vez o tamanho P. Continuo com as roupas M e G, e horrorizada, vejo o GG se instalando em cabides e gavetas, sem nenhuma cerimônia ou educação. Estou em dúvida se volto ou não ao endocrinologista. Eu bem que avisei que aqueles quase cinco quilos perdidos em quase um mês, ou eram erro da balança, doença desconhecida ou perda de líquidos. Podia ser pior, sei disso. Mas não estou a fim de reconhecer nos olhos do meu médico o que o espelho cruelmente me esfrega nos olhos. Também não estou a fim de sermão. O fato é que minha calça de veludo azul mal sobe os quadris.

Para as dores generalizadas, descartei a hipótese de fibromialgia. O colapso hormonal que me domina por inteiro repercute no corpo, na alma, na mente. Tudo dói. Tenho feito automassagens. Meu corpo agradece. Mesmo assim, dói. Vai passar, me disseram. Enquanto isso, desmarco academia, tomo analgésicos. Quando dá faço Pilates. Quando dá é quando tenho vontade. Vontade e desejo tem sido reféns da oscilação de humor e da depressão. As mais do momento.

Tem também a insônia. Um assunto recorrente. Um sintoma enervante.

Vocês não estão com calor? Enfim, depois de perceber que todos andam muito confortáveis em blusões e casacos e salas fechadas, cheguei à conclusão de que o problema com o calor é comigo mesma. Nada a ver com janelas trancadas ou pouca ventilação. A sensação de estar sufocando ou entrando em combustão é somente minha. Por enquanto algo que presumo serem mini-fogachos. Não quero nem imaginar os fogachos normais. Minha mãe não teve nem fogachos, nem cólicas menstruais. Dizem que estas coisas do feminino são genéticas. Já eu tive cólicas menstruais homéricas uma vida inteira … e, parece não ser da minha mãe minha herança genética para as coisas do feminino. Estou otimista e um pouco realista. Fazer o quê!! Do limão uma limonada!! Resolvi fazer uso de leques charmosos e exóticos, souvenirs trazidos de muitos lugares e viagens. Mas é só sacar o leque e começar a me abanar que todo mundo olha. Sem contar os comentários: tá na menopausa? Eu não senti nada. Tenho amigas que sofrem muito. Vai fazer reposição hormonal? Chá de amora branca ajuda bastante. Cápsulas de prímula, também. E por aí vai. Já não me incomodo mais com o olhar masculino, nem mesmo do meu marido. Leques lembram matronas gordas e ultrapassadas. Espalhei os meus pela casa toda. No carro. Nas bolsas. Decidi fazer dele o mesmo que fiz com lenços e mantas. Uma marca pessoal. Um jeito de ser. Pode parecer que os melhores tempos estão se perdendo. Penso que estão se reciclando. O processo de entrar na menopausa e envelhecer me remeteu ao processo de me tornar adolescente. A busca por uma nova identidade, as mudanças corporais, as alterações de humor (irritabilidade, depressão) são comuns aos dois processos. Um se encontra na subida do desenvolvimento humano, o outro, na descida. Um reporta à extroversão, a busca do outro, as conquistas materiais e afetivas. O outro reporta à introversão, a busca de si mesmo, a preservação do que foi conquistado e a manutenção dos vínculos afetivos. Pode parecer que o processo de subida é melhor (e penso que é) mas é no topo e na descida que vislumbramos melhor o todo.

Ando fazendo uma retrospectiva da minha própria vida, avaliando escolhas, repensando atitudes e valores. Sei que meu elástico temporal começa a cansar e lassear. As coisas que ainda quero fazer e sentir pressionam por decisões e atitudes. Querem acontecer ou ser deixadas em paz. O bom de se estar na descida é que é agora ou nunca. O que os outros vão dizer ou pensar conta cada vez menos. Ainda bem.

Diferentemente da subida

  • quando o esforço é grande –

A descida sugere um deixar rolar e acontecer,

Aprecie a paisagem

deixe o vento acariciar o rosto e bagunçar os cabelos

Grite de alegria

Levante os braços e comemore.

Sinta o coração palpitar

O estômago embrulhar

Viva o momento.

Sinta a vida!!!!!

Do jeito que for

Deixe acontecer.

Aproveite a vida e a paisagem.

Repaginando o jardim 1

O tempo passou. Conforme tínhamos planejado, arregaçamos as mangas – meu marido e eu – e fizemos o nosso jardim. Nós mesmos. Sem ajuda alguma. Algumas coisas deram certo, outras não. A maioria não deu. Pelo menos, a entrada de serviço – feita com uma seleção de arbustos – ficou exatamente como tínhamos imaginado. Este ano, possivelmente. faremos a primeira poda e modelagem.

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Costumo dizer que não basta apenas ter vontade pra fazer jardim. Tem que ter conhecimento, equipamento e principalmente, força. Força física mesmo. Foi aí que nossa vontade e nosso jardim se perdeu. A natureza cobrou o preço pelo amadorismo e improviso e avançou. Somadas à falta de força, juntou-se a falta de tempo e regularidade. Jardim precisa de carinho e atenção constantes. O tempo da natureza não é o mesmo tempo da gente. Você até pode ficar um tempo sem fazer nada, descansando ou esperando pelo melhor clima ou temperatura. A natureza não espera. Ela simplesmente acontece. Quando a gente percebeu, ela escapou das nossas mãos, se rebelou e tomou conta.

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Desde sempre jardins me encantam. Adoro o verde, o colorido e o perfume das plantas. Adoro pisar na grama recém aparada, colher frutos das árvores e fazer arranjos de flores com o que tem no jardim. Sem contar que um jardim bonito, planejado e bem arrumado é um dos melhores lugares para se ficar, meditar, orar e agradecer, apreciar e conviver entre amigos, família e amores. E não foi nada disso que conseguimos com o nosso jardim autodidata. Ele me deixava nervosa e deprimida. Fui a primeira a jogar a toalha. Precisávamos de ajuda. Difícil foi convencer o marido. Ainda é difícil, mas agora, sem volta. O jardim já está nas mãos de dois experientes jardineiros.

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Coube a uma paisagista apenas a feitura do cactário. A logística de carregar terra, areia, pedras e plantas para o topo do escritório exigia uma fenomenal força física. Um dia de trabalho, dois homens num sobe e desce frenético, para enfim, o cactário ganhar forma.

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Refazer o jardim, neste momento, tem algumas vantagens: de tanto olhar e experimentar já sei o que dá e o que não dá no nosso terreno. Das plantas que plantamos, nasceu um grande amor por algumas: destaco as costelas de Adão (Monstera deliciosa)e as orelhas de elefante pretas (alocasia gigante orelha de elefante). Foram elas quem nortearam toda a reforma da frente de casa, junto com a compra de 3 vasos pretos enormes. Gosto de pensar que a frente e os fundos da casa precisam conversar entre si. Por isso os vasos foram distribuídos na área da piscina(1) e a frente de casa(2). Dois bambus mossôs + grama amendoim para revestimento do canteiro principal + as resistentes babosas finalizaram a entrada principal. Agora é esperar e ver como fica.

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Com certeza, a reforma do jardim manteve nossa ideia original. A concepção inicial era paisagismo sem modismo. Queríamos um jardim que tivesse personalidade, usando  plantas comuns, relativamente baratas, mas principalmente, plantas de que gostamos. A reforma segue em frente. O luxo de que disponho são um a dois dias por semana com a ajuda dos dois jardineiros + um orçamento enxugado + muitas plantas pra reaproveitar.

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Próxima etapa: a área da piscina.

Você sabe ler?

 

Pois foi esta pergunta que um oftalmologista me fez. Tinha acabado de lhe responder que meus dias aconteciam entre livros, tintas e outras artes e fiquei sem resposta. Óbvio que eu sei ler respondi ofendida à pergunta estranha. Quero saber se você sabe como ler de forma adequada. Entendi. Quantas horas você lê por dia? Depende. De 30 minutos a 7 ou mais horas. Ele arregalou os olhos e me disse que eu realmente não sabia ler. Buscou um desenho esquemático de um olho e me mostrou a estrutura de músculos utilizados e necessários para que possamos enxergar. Por duas vezes me disse que o olho humano foi programado para localizar e fugir dos predadores e encontrar caça para sobreviver e não para passar horas lendo, digitando ou escrevendo. Ok, entendi. O correto é ler 30/35 minutos e parar 4/5 minutos para descansar a musculatura do olho. Ler agride o olho, enfatizou o médico, assim como correr agride os músculos das pernas. “Você pode ler o tempo que quiser se respeitar estes períodos de descanso. Além do que, seu cérebro também não registra tudo o que você lê durante todas essas horas. Ele também é um músculo e precisa de períodos de descanso.” Saí da consulta feliz por não ter aumentado o grau das minhas lentes. Seu problema é fadiga ocular, sacramentou o experiente profissional. Normalmente ocorre uma estabilização no grau dos óculos entre 51 e 52 anos. Existem exceções. Porém, muito raras. “Faça óculos para perto com a lente mais barata que você encontrar. Esses anti- reflexos, anti-riscos são só pra encarecer o valor das lentes. Não fazem grande diferença.” Adorei o médico. A conclusão a que cheguei é de que meus olhos e cérebro são meus músculos mais sarados. Para o cérebro sei o quanto é importante esta malhação inclemente para evitar doenças degenerativas como o Parkinson e o Alzheimer. Saber que o declínio da visão se estabiliza entre 51 e 52 anos foi uma novidade muito bem vinda. Aquela receita médica irá para a pasta de documentos, já que daqui pra frente será sempre este o grau das minhas lentes. Que venham armações de cores vibrantes e formatos charmosos. A sugestão foi do próprio oftalmologista. Outra sugestão foi que escrevesse este post. Taí, depois de quase 30 dias sem escrever.

Ponto de Equilíbrio

Acabei de voltar da ioga. Ando, pra variar às voltas, com dieta e academia. Pra variar também, estou acima do peso, sem perspectivas de emagrecer. O que perco com tortura e sacrifício em 3/4 dias (este tem sido meu tempo de tolerância pra alface e proteína e restrição de carboidratos e doce) recupero numa noite de queijos e vinhos e sorvete com morangos. Ando completamente indisciplinada e revoltada com os resultados dos meus esforços. E jurei pra mim mesma, não fazer nem dietas malucas, nem tomar medicamentos. Não sobreviveria comendo 2 ovos por dia + 4 biscoitos cream cracker como fez uma conhecida. Morreria de fome, desgosto e apatia. Também não sobreviveria comendo somente proteínas. A imagem de uma cobra com um boi entalado na garganta, me define perfeitamente nesta condição.

Decidi que, por enquanto, vou comer e beber o que alimenta meu corpo e minha alma. Decidi me amar do jeitinho que sou e estou. E vou ficar bem.

Sobre a ioga de hoje. Posso garantir que foi a primeira e última vez que fui. Pelo menos com esta professora, adepta – sem sombra de dúvida- de tortura física e humilhação coletiva.

Posso explicar: ainda não. Meus braços continuam tremendo e minha cabeça ainda não encontrou o ponto de equilíbrio.

Entrevista via Wathsapp + email = Ping Pong

Fazia tempo que não escrevia para jornal. Anos atrás, quando ainda estava na ativa, era comum escrever ou dar algum tipo de depoimento a respeito do tema jornalístico em questão.
O tema, agora proposto é o casamento na atualidade. Pra quem for ler, que fique claro tratar-se da opinião de uma psicóloga terapeuta de casais enferrujada, mulher antenada, escritora afiada.
O contato aconteceu assim:
Segunda-feira, 18:25h. – Boa tarde, Suzete! Tudo bem? Adicionei você pois estou preparando uma matéria sobre casamento para o jornal O Informativo do Vale. Quem me passou seu contato foi a minha colega Luciana. Busco seu conhecimento em comportamento para esclarecer alguns aspectos sobre novos modelos de casamento e a importância de celebrar as datas. Podemos conversar a respeito? Qual é o seu telefone de contato? Abraços e obrigada desde já.
– Olá Taciana. Estou morando em Florianópolis. Se quiseres me mande uma relação de perguntas e escrevo, ou um pequeno texto, ou as respostas às suas perguntas. O que vc acha? Tenho um blog e acho que tenho algum post sobre o assunto, já que minha filha casou anos atrás e escrevi algo a respeito. Vou procurar e te repasso. Meu blog ó bysuzete.wordpress.com. Grande beijo
– Olá, obrigada pelo retorno. Vou providenciar algumas perguntas sobre o tema e envio para você amanhã de manhã. Poderá me responder até quarta-feira? Um grande beijo pra você também.
– OK. Fico no aguardo. Bjo
TER 17:28. – Boa tarde, Suzete! Estou enviando as perguntas por aqui, conforme combinamos. Meu prazo de entrega esticou. Se puder, me responda até quinta-feira? Agradeço desde já.
Quais são os principais desafios enfrentados pelos casais modernos? De que forma os casais vivenciam o casamento hoje em dia? Quais aspectos tem alterado o “padrão” dos relacionamentos ao longo das últimas décadas? Qual é o papel do homem e da mulher nas relações atuais? Como manter um relacionamento saudável, apesar das dificuldades? Quais são as maneiras significativas capazes de marcar uma conquista no relacionamento? Celebrar as datas/bodas é importante, na sua opinião? Conte-nos histórias que possam inspirar outros casais… Qual é a melhor forma de celebrar estas datas?
TER 22:09. – Olá Taciana. Meu dia foi corrido. Amanhã passo as respostas. Pode ser num formato de crônica? Me manda seu email. Grande beijo.
QUA 17:53. – Oi, Suzete! Ideal seria se pudesse responder as perguntas. Sinta-se livre para responder o que achar pertinente e, se quiser acrescentar, ainda assim, uma crônica, tudo bem. Um beijo
– Ok. Amanhã cedo estará em suas mãos. Podes mandar seu email?
QUI 07:38. – Taciana, suas respostas estão prontas. Espero que esteja de acordo com sua matéria. Preciso de seu email para encaminhar o texto. Podes me enviar?
– Ou preferes que mande para o jornal a seus cuidados?
Ping Pong

Quais são os principais desafios enfrentados pelos casais modernos? Todos os casais, enfrentam desafios durante toda a jornada a dois. Os desafios somente mudam conforme avança o casamento e a idade de cada membro do relacionamento. No início, as questões mais desafiadoras dizem respeito às regras que regerão o casamento: quais valores e princípios familiares serão adotados pelo casal (os dele ou os dela?), existe uma disputa mais acirrada pelo poder na relação (é quem manda e decide: desde o sabão em pó comprado no supermercado, até o momento de ter filhos, comprar a casa própria ou uma simples bicicleta). Com o passar do tempo, vem a rotina e os problemas comuns da própria vida: filhos, dificuldades financeiras, doenças, crises variadas. Alie-se a tudo isso o fato de o casamento ter se transformado numa instituição frágil – meio “fast” para alguns casais com baixa tolerância à frustração – onde a possibilidade de divórcio é constante no horizonte; onde homens e mulheres – cada vez mais – insistem em seus próprios direitos; onde ceder representa submissão ou inferioridade. O vínculo amoroso tem que ser substancialmente maior do que qualquer ímpeto egoísta e individualista. Outras questões vem com a própria modernidade: as mídias digitais (tipo Facebook ou wathsapp) quando não bem discutidas e combinadas a dois, geram enormes dores de cabeça, cenas de ciúme e rompimentos; a urgência no “ter” faz com que casais desgastem o relacionamento pelo excesso de trabalho e distanciamento afetivo.

De que forma os casais vivenciam o casamento hoje em dia? Eu diria que com reservas. São raros os casais que vão com tudo pra fazer o relacionamento dar certo. É comum haver um Plano B (consciente ou inconsciente) em alguma gaveta do casamento. Hoje, o casamento é sempre uma possibilidade que pode dar certo. Ele, não necessariamente precisa dar certo. Se o casamento fracassar, outro pode se concretizar em curto espaço de tempo. Existe uma certa sensação de banalidade na autenticidade dos sentimentos que mantém muitos dos relacionamentos humanos. As pessoas confiam muito pouco umas nas outras, e qualquer mal entendido pode virar tempestade em copo d’agua.

Quais aspectos tem alterado o “padrão” dos relacionamentos ao longo das últimas décadas? Na década de 50/60 a liberdade sexual feminina se instalou com a descoberta dos anticoncepcionais (o sexo passou a representar prazer, além de fecundidade e procriação). Com a entrada das mulheres no mercado de trabalho, a independência financeira a libertou de casamentos desgastados e complicados podendo se divorciar e retomar uma nova vida. A necessidade da mulher competir e se sobressair no mercado do trabalho, levou a batalha dos sexos para a arena conjugal, dentro da própria casa. Existe pouca paciência e tolerância – feminina e masculina – para as questões do dia a dia.

Qual é o papel do homem e da mulher nas relações atuais? Me parece que a mulher entrou numa rota sem volta, e ela vai seguir em frente, em busca de maior independência prática e financeira. A mulher se fortaleceu como ser individual. Ela almeja depender o mínimo possível dos homens, tidos por muitas, como fracos e perdidos. Este “levante feminino” embaralhou tudo o que os homens pensavam e queriam das mulheres. E eles estão sim, em busca de um novo papel social. Óbvio que existem mulheres que preferem e se mantém submissas e dependentes dos homens. Óbvio que existem homens seguros e autoconfiantes. A verdade é que estamos num momento de encruzilhada quanto aos relacionamentos. A sociedade como um todo vive este momento. O certo é, que homens e mulheres precisam um do outro, e não apenas para procriar como espécie. Também não mais, como no tempo das cavernas, quando o homem saía pra caçar e a mulher cuidava da colheita e da prole; não mais como o homem que saía pra trabalhar e tudo podia, enquanto a mulher ficava em casa cuidando dos filhos e odedecia aos mandos e desmandos do marido; não mais como duas feras que competem no mercado de trabalho e se engalfinham na cama como machos e fêmeas em busca de sexo, estando o amor encolhido e escondido com medo de mostrar a fragilidade inerente à espécie humana. Um simples FF (Foda Fixa), Pau Amigo, Garota de Programa, Ficante ou a Transa de uma Noite, não dão conta da necessidade humana de carinho, amor, cuidado, segurança e afeto. O sexo pelo simples sexo escancara o grande vazio em que podemos transformar a relação a dois. Não acredito num modelo de papel feminino e masculino massificado que dê certo. Somos todos seres únicos e diferenciados, e assim devem ser nossos relacionamentos. Precisamos encontrar a melhor forma de viver a dois, respeitando a individualidade de cada um.

Como manter um relacionamento saudável, apesar das dificuldades? Basicamente com amor, diálogo e respeito. O amor é a base para absolutamente tudo na vida. O diálogo corrige enganos e acerta rumos. O respeito mútuo permite ser quem verdadeiramente somos enquanto seres humanos, enquanto casais. Quando um destes pilares da conjugalidade falha, a estrutura despenca, o relacionamento desaba, o casamento termina.

Quais são as maneiras significativas capazes de marcar uma conquista no relacionamento? A felicidade e a realização conjugal são a maior conquista de qualquer casamento: Filhos, gratificação sexual e afetiva, sucesso profissional e financeiro, uma casa para morar, uma viagem por ano ou de vez em quando, amigos, saúde, paz, etcetcetc são medidas para avaliar as conquistas no relacionamento. Talvez a grande questão seja como dimensionar estas conquistas. Tem o eterno insatisfeito que quer sempre mais. Tem sempre aquele que se contenta com pouco. A busca pelo equilíbrio é a grande conquista.

Celebrar as datas/bodas é importante, na sua opinião? Conte-nos histórias que possam inspirar outros casais… É importante celebrar, sim. O casamento é um ritual que demarca, tanto para a sociedade, quanto para o casal, uma mudança de papel e de status como indivíduos. Todas as formas de ritual tem esta função: batismo, festa de 15 anos, ida ao exército, vestibular, noivado, casamento, funerais, etcetcetc. O que está faltando é um ritual para o divórcio (até existem algumas tentativas individuais e pessoais, mas nada no âmbito social) Assim como o casamento anuncia à sociedade a união de um homem e uma mulher, não existe nada que anuncia o rompimento desta união.

Qual é a melhor forma de celebrar estas datas? A forma que o casal achar que combine mais com suas necessidades e interesses. Pode ser um jantar em família ou a dois, uma festa de arrasar quarteirão, uma viagem, a compra de algo significativo. Ambos devem conversar e definir o que melhor combina e agrada aos dois. Tem aqueles que preferem não fazer nada. Se a decisão de deixar passar a data “a ver navios” for conjunta, tudo bem. O que desgasta a relação é um dos cônjuges querer e fazer tudo a seu jeito, sem ouvir e respeitar o que o outro cônjuge gostaria de fazer. O diálogo na vida a dois é fundamental desde sempre.”

O texto ainda não chegou até Taciana, pois ainda não recebi o email dela. Se chegar, tomara que se transforme em matéria de jornal. Já estou curiosa pra ver como vai ficar. Curiosa também estou, pra conhecer Taciana.