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Quando comecei a escrever o blog, não tinha ideia do quê, pra quem, nem quanto tempo escreveria. Queria apenas um espaço para publicação de pequenos textos, ideias, o dia a dia, os scraps. Enquanto não surgisse uma ideia para um projeto maior era no blog que eu desaguaria minhas escrevinhações. O tempo passou, acrescentei categorias, subdividi-as, exclui outras, comprei o domínio do blog, me empenhei e me embrenhei num compromisso semanal de manter atualizadas minhas ponderações e opiniões. 8 anos. O tempo do bysuzete.com. Os textos estão guardados. As fotos, idem. É deste material que podem nascer projetos maiores: o livro de poesias e miniaturas, o livro de viagens, o setênio da menopausa. Ou não. Talvez o objetivo do blog tenha sido apenas esse: o registro da passagem do tempo sem maiores projetos.

2019 iniciou e com ele novas perspectivas: O retorno às raízes, ao consultório, a um mestrado em psicologia. Preciso de tempo e espaço. Talvez o romance Longe de tudo e de todos, revisado e renovado, ganhe vida. Para que o novo vingue, o antigo deve ser esvaziado. Como tudo na vida, sabia que um dia acabaria. Se transformaria.

Meu muito obrigada a meus seguidores, aos que liam, curtiam e comentavam no blog. Chegou a minha hora de segui-los e ler o que escrevem, com a certeza de que a gente ainda vai se ver por aí.

Até mais.

Registros de viagem

Foi-se o tempo em que na volta dos passeios, viagens ou comemorações, ia-se direto às Fotópticas e H.Meyers para revelar fotos, comprar álbuns e escrever etiquetas. Depois estes álbuns viravam livros de viagem, comemorações e passeios mostrados orgulhosamente para amigos e familiares.

Depois veio a fase dos álbuns de scrap. Além das fotos – agora digitais e portanto impressas – papeis, folders, ingressos, rendas, flores, botões e outros tantos adornos, embelezavam um novo tipo de álbum. Este, com status de álbum artístico e toques jornalísticos, tipo “jornaling”, sacramentava nossas viagens com diário, impressões, cabeçalhos, letras, etcetcetc. Amei fazer mais de 10 álbuns de viagens. São verdadeiras obras de arte, que esporadicamente precisam ser re-colados. Infelizmente o tempo e as variações climáticas acaba descolando fotos e apetrechos.

Depois vieram os álbuns tipo “smash”. Não me adaptei. Tenho dois inacabados. Com grandes chances de continuar assim.

Aí foi um flerte com os álbuns com fotos Polaroid. Poucos clicks.

De alguns anos para cá, comecei a fazer posts com fotos, roteiros, dicas, impressões. Criei a categoria Lugares no blog bysuzete.com. São mais de 60 posts. É lá que tenho registrado lugares incríveis e viagens inesquecíveis. Tipo Alasca, Rota 66, Santiago de Compostela, Tailândia … É só clicar na categoria Lugares e deixar-se levar.

Hoje, ao ler sobre uma viagem, feita anos atrás, me deparei com tantas informações que acabei lendo todos os posts que escrevi ao longo dos últimos anos. De uma época em que imaginava escrever um livro sobre dicas e lugares incríveis por onde passei.

Surgiu daí a ideia de recontar viagens de outros tempos.

Belo jeito de acender a memória e praticar a escrita. Por ora, apenas um projeto.

Mãe e filha

“Filha sai da água, depois você reclama que está morta de cansaço. Água cansa.

Precisa de alguma coisa? Estou aí pra te ajudar. É só mandar.

Filha, come alguma coisa. Você comeu pouco. Vai passar fome durante a viagem. O ônibus só para em Sombrio durante 20 minutos. Tem de ser rápida e anota o número do ônibus, pra não pegar o errado.

Você não precisa fazer xixi? Vai enquanto o ônibus não chega. Vou ficar olhando suas coisas. Se precisar ir durante a viagem, o banheiro fica bem na entrada.

Você lembrou de trazer um casaquinho? Olha que no ônibus o ar condicionado é forte. Se precisar, fala com o motorista. Não vai ficar doente.

Minha filha, esta roupa não fica bem em você. Sou sua mãe e tenho de lhe dizer. Você não é gorda, mas aquela calça com a blusa de bolinhas te deixou mais fofa. Possante. Você não é gorda. Você puxou o corpo da sua tia Ivone. Usa aquele seu vestido longo que te deixa bem.

Vai descansar. Deixa que eu arrumo a cozinha. Aproveita as férias. Comprei doce de amendoim que você adora. E balas também. Quer que eu faça torta de carne moída? Encomendei “pizzinhas” da Rejane. Não vai passar fome aqui em casa.

Vou tocar piano pra você. “Sobre as ondas” ou “Danúbio Azul”? Seu avô adorava o “Adeste Fidelis”.

Minha filha, faça como você quiser: quer ir dormir em Lajeado? Vai. Quer dormir aqui em casa? Dorme. Eu penso que cada um deve fazer as coisas do jeito que gosta. Sei que você adora ficar em casa sozinha. Eu também gosto. Não precisa se preocupar comigo. Eu estou bem. Muito bem pra minha idade. Porque quando eu ficar velha, aí sim, vou precisar de ajuda.”

Porque mãe é tudo igual.

Esta é a minha, aos 80 me tratando como se eu tivesse 5 anos.

Bom saber que tem alguém que ama a gente assim: sem medidas.

Quando eu crescer quero ser igualzinha a ela.

8 anos de BySuzete

Oito anos de BySuzete.com. Oito anos escrevendo, lendo, pesquisando, fotografando, postando. Pelo menos uma vez por semana, normalmente nas segundas-feiras, escrevo posts e os agendo para divulgação. Tem semanas com mais assunto. Aí escrevo mais. Às vezes, raramente, reservo dois, três dias na semana para escrever. É então que percebo que quanto mais leio, mais escrevo. E quanto mais escrevo, mais vontade de escrever eu tenho. É assim que funciona. E por funcionar assim, sobrevivemos: eu e o bySuzete. São quase 950 posts escritos. Mais de 100 seguidores. E uma vontade enorme de continuar escrevendo. Do blog está saindo o livro de poesia “Os elefantes voam – poesia, amor e arte” a ser publicado durante o ano. Assim espero. Porque escrever é fácil – apesar de difícil – como me disse uma vez o professor Gilson de poesia, no Museu Lasar Segal, em São Paulo. Difícil é publicar. E é mesmo.

Dias atrás assisti um vídeo intitulado “O blog morreu?” de Tiago Novaes, professor de Escrita Criativa. Entre dicas e comentários, ele cita o exemplo do escritor Andy Weir, que escreveu o livro “The Martian”(O marciano), traduzido no Brasil como Perdido em Marte. O livro virou o filme estrelado por Matt Damon. Mas antes de se tornar um filme baseado num livro, o escritor Andy postava os capítulos do seu livro aos poucos, em seu site, de forma gratuita. Ou seja, num blog. Com o sucesso, seus leitores pediram que ele liberasse todo o texto agrupado. Ele publicou o e-book na Amazon, por US$ 0,99. Sem nenhuma pretensão, o livro foi um dos mais vendidos do Kindle na categoria de ficção científica, passando de 35.000 unidades vendidas em apenas 3 meses.

Me animei. Quem sabe mais adiante eu comece a postar, capítulo por capítulo, o romance “Longe de tudo e de todos”. Quem sabe.

Férias

Enfim, férias.

Quase surtei.

No processo e na viagem.

Mas, cá estou. Sozinha. Em Lajeado. O dia é de café, livros e sonecas.

A música, os sons que me cercam.

Os pedidos, apenas o que o corpo e a alma sussurram.

De pouco em pouco, algumas ideias cochicham:

“Lá fora agora, alguns latidos e pios. Marieta, como sempre, reclamando de alguma coisa. Mal escuto. Parece eco nesta manhã fresquinha de um verão escaldante. Alguns carros rodam lentamente no paralelepípedo molhado. A garoa me transporta para uma manhã de inverno a cinco meses de distância. Um sino bate. Maria Edite recebendo visitas. As vozes alegres – que bom!!! – vem de longe. Longe é com “g” e não com “j” como acabei de escrever. Obrigada corretor de texto. Preciso dormir mais. Fechar portas e janelas e me recolher em mim mesma. Onde já se viu: “lonje”.

“Iniciei 2019 terminando de ler “Minha História” de Michelle Obama – que obviamente não consegui terminar de ler em 2018. Recomendo a leitura. Me identifiquei com várias passagens da vida da ex-primeira dama dos EUA, mas uma frase, da página 202, faço questão de assinalar: “Os legisladores me pareciam, em geral, praticamente tartarugas de casco duro, lentas e cheias de interesses próprios.” Penso exatamente o mesmo sobre a maioria dos políticos brasileiros.”

As obras completas de Freud sorriem.

Trouxe o primeiro volume.

Por enquanto, apenas dormimos juntos.

O namoro pode ser sério: 24 volumes e uma antiga e eterna vontade de criar um grupo de estudos pode me direcionar por um caminho longo, muuuuito longo.

Tenho mais dois dias sem nada pra fazer.

Da cama, olho a tela na parede.

Estou como ela. Com um buraco no centro.

Adoro esta tela.

Do buraco saem raios amarelos e dourados.

Renascimento puro.

Descanso merecido

Vinte e seis e vinte e sete de dezembro. Dois dias da mais sublime e merecida preguiça. Dois dias lendo, escrevendo, cochilando. Ajeitando um pouco aqui e ali. Dois dias me recuperando das visitas e hóspedes dos últimos 10 dias. Capacidade máxima atendida? 15 hóspedes. Cama, café da manhã, almoço, jantar + passeios. Casa de praia tem disso. E já já chegam outras visitas e hóspedes. Por isso, o descanso. Novos preparativos a partir de amanhã.

Continuo às voltas com a biografia de Michelle Obama – Minha História – o relato de 438 páginas. Será que vou conseguir finalizar a leitura ainda em 2018? Pouco provável. A partir de sábado, estarei às voltas com minha mãe. E o companheiro dela. Este ano passaremos o réveillon juntos. Um fato inédito.

Como faço há anos – entre o Natal e o Ano Novo – hoje tirei um tempo pra meditar, avaliar o ano que passou e pensar no ano que está por vir. Coloquei as cartas do tarô, seguindo um esquema que repito anualmente. 2019 será um ano de colheitas e algumas mudanças. A carta da Morte apareceu no quesito Criatividade. Gostei. Não sei exatamente o que isso significa, nem como isto afetará meu ano e minhas produções. Sei apenas que a carta da Morte representa a possibilidade de uma transformação inevitável. Tem coisas que simplesmente precisam fluir e acontecer. Gosto disso.

Sigo lendo Michelle.

Juntas, estamos ingressando na Universidade de Princeton, aos 17 anos. Bom se agarrar no cangote de alguém e perceber o mundo através de outro olhar. Em algum momento desta hibernação de verão retomarei meu próprio caminho. Minha (própria) História.


Simplificando o Natal

Acho que todos já ouviram falar da célula killer, aquela que dá início ao processo de destruição e morte do corpo humano. Há quem diga que também temos uma célula killer que elimina e aniquila emoções: decisões, sonhos e concepções de mundo. Algo como Complexo de Sabotagem. É quando a gente se ferra porque – consciente ou inconscientemente – escolheu se ferrar, mesmo sem entender porquê. Acredito na célula killer afetiva. A danadinha habita a superficialidade do nosso Ego. Ela acredita que tudo pode, merece e consegue fazer. E ambivalentemente, ela acredita que não merece o tudo de bom que tem, se sente culpada pela própria felicidade, pela sorte, pelas bênçãos conquistadas, por tudo de bom que existe no simples viver.

Tudo isso só pra dizer que às vezes a gente joga contra a gente mesmo.

A gente se sabota.

Se inflige dor, sacrifícios, renúncias.

Há anos recebo amigos por ocasião do Natal. Decoro a casa com o maior prazer e piloto a cozinha como a Dona Benta de Jurerê Internacional. Asso perus deliciosos, preparo molhos e farofas de comer sentado. Literalmente. Pelo menos eu como, pois meus joelhos e pés chegam ao ponto de não conseguir me manter de pé, tamanhos cansaço e dor. Ano após ano, prometo que vou mudar minha atitude e ser mais complacente comigo mesma. Encomendar peru assado de padaria, fazer arroz e maionese. Um trivial básico salpicado com muita uva passa.

No Natal de 2017 uma amiga sugeriu que minha casa comportava um pinheiro maior do que aquele que eu vinha preparando desde os tempos de São Paulo. Com o pé direito 3 xs maior, concordei com ela. E lá nos recônditos do meu ser, comecei a sentir minha célula killer afetiva se movimentando, ganhando espaço e atropelando minha decisão de simplificar a vida e meus Natais. Quando chegou o mês de outubro ela estava pronta pra dar o bote fatal e planejei ir ao Paraguai comprar a árvore dos sonhos da minha amiga, que agora, por tabela, também era a árvore dos meus sonhos. Facilitei a vida e comprei por internet. Em 3 dias,  estava em casa, a colossal caixa do pinheiro dos sonhos.

Montar e decorar o monstro de 3,5m exigiu 3 escadas em torno da circunferência de 1,7m, uma sacola cheinha de bolas, pinhas, anjos, papais noéis, etcetctec, pendurada no pescoço, e um sobe e desce frenético para dispor de forma uniforme, absolutamente tudo que encontrei que pudesse compor minha nova árvore de natal. Suplício foi pouco para definir a dor das pernas e joelhos. Estar fora de forma também. E só não despenquei do topo de nenhuma das escadas por detalhe. Cada nova investida ao topo exigia a conferência de que estava munida com absolutamente tudo que fosse precisar. Chega uma hora que os joelhos não dobram mais e as pernas recusam a empreitada. E apesar de todo esforço e de repetir a meu marido (e a mim mesma) a todo momento: “Como foi possível viver nesta casa sem uma árvore de Natal deste tamanho?”, por mais que eu coloque badulaques na árvore, ainda falta muito adorno para que ela fique realmente com a cara da árvore de Natal dos meus sonhos.

Para o próximo ano, aquela viagem ao Paraguai deverá ser melhor planejada, e colocada em prática. Não acredito que vá encontrar na internet um mini-guindaste. Nem uma metralhadora pra eliminar de vez minhas células killers afetivas. Sem contar, nos enfeites de Natal. Ou compro ou faço.

Quanto a simplificar a vida e os Natais? Acho que ainda vou aguentar um tempo. Porque a árvore ficou linda e não sei mesmo como pude viver tanto tempo nesta casa sem uma árvore de Natal deste tamanho. São estes pequenos – porém grandes – detalhes que fazem parte da alegria do Natal.

Um Feliz e Abençoado Natal a todos!!!!

Que assim como eu estão sentados de tão cansados; ou estão satisfeitos com o pinheiro de vaso na mesa de canto da sala de estar; ou com o peru encomendado da padaria; ou que vão presentear com vale-presente; ou simplesmente vão assistir o Natal dos outros na telinha da televisão, nos filmes cheios de neve e compras de última hora em New York; ou vão dormir e simplesmente, deixar passar. Porque amanhã é dia 26, a vida segue, e Natal é apenas Natal. Viva-o do seu jeito. Talvez nem todos sejamos vítimas de células killers natalinas.