Uma jornada mensal

Todo mês repito o mesmo trajeto de Florianópolis/SC à Lajeado-Colinas/RS. São 6h30min de viagem pra ir, outras 6h30min para voltar. Se tudo der certo. Se não houverem maiores engarrafamentos, acidentes, necessidades ou imprevistos. São 600 Km entre a minha casa e a casa da minha mãe, mais 25 km para a casa que é mais minha casa. Conheço o trajeto quase de cor. Saindo de Floripa vem São José, Palhoça, Garopaba, Imbituba, Laguna, Tubarão, Criciúma, Araranguá, Sombrio, Torres … a metade do caminho; Os limites de velocidade; Os pardais; Onde se posicionam os policiais rodoviários para flagrar os motoristas mais apressadinhos; Onde ficam os melhores postos de combustíveis; Os melhores banheiros; O melhor café; Onde ficam as curvas mais perigosas; Onde a estrada está pior e exige mais atenção … O trecho gaúcho é pura nostalgia. Mais 300Km observando a paisagem, as placas dos outros carros (pra saber de onde vem ou quão longe de casa estão), relembrando verões, passeios, almoços de outras épocas e ocasiões … a possibilidade de ir por outro caminho – a Rota do Sol – passando por São Francisco de Paula, Canela, Gramado, Nova Petrópolis, Garibaldi. Estrada de pista simples cheia de curvas, belas vistas e maiores perigos. A escolha, habitualmente,  é a Free Way. E assim, faço o trajeto em pista dupla de Floripa à Lajeado, num traçado seguro, rápido e bonito.

CAVALOS

Adoro viajar e dirigir. Sozinha. Quase uma forma de meditação. Durante a viagem, converso comigo mesma, gesticulo, organizo ideias e pensamentos. Tomo decisões ao som de CDs antigos e muita porcaria (balas e salgadinhos) pra comer. Embarco no carro numa ponta e só saio quando chegar na outra ponta. Paradas cortam minha determinação e foco. Na medida do possível, paro apenas, quando for absolutamente necessário.

Nestes 600 km, existem lugares que sempre me encantam. Alguns trechos com vista para o mar, criações de ostras, a ponte Anita Garibaldi, em Laguna. A região dos bananais, as figueiras no entorno da Lagoa Itapeva, entre Torres e Terra de Areia.

figueira

O Parque eólico de Osório. A Lagoa dos Quadros seguida pela Lagoa dos Barros, com suas lendas, assombrações e um dos mais belos pores-do-sol do mundo. A Arena do Grêmio, os arrozais, e o traçado decorado de uma vida inteira da BR 386 até chegar em Estrela, cruzar a ponte sobre o Rio Taquari, avistar Lajeado, pegar a faixa da direita na entrada do Parque do Imigrante, e enfim, acionar o portão e adentrar na antiga e esvaziada garagem de casa.

buganvile

Quando chego, chego estranha. A casa está vazia. Nada nem ninguém vem me receber. Apenas o alarme piscante e cadenciado, o buganville e os gerânios sempre floridos. A piscina espia em tons azulados ou esverdeados, quando não terrosos. Os buxos arredondados, os palmitos e palmeiras espevitados parecem esculturas congeladas no tempo de toda uma vida. Desde que me lembro, estão lá, ladeados pelas fênix, cicas e kaizucas. A atração da última temporada, foi a jabuticabeira que pela primeira vez, em mais de 20 anos, “arrombou”, como dizem os manezinhos de Floripa. Carregou com suculentas e saborosas jabuticabas. Ao lado, a pokan e os quatro cachos de banana, sinalizam a eterna fartura do pequeno pomar. Mal estaciono o carro e todo este universo me invade e preenche. Saio do carro apenas com a bolsa, o computador, o celular, algum livro. O resto fica aguardando sossegadamente no carro … quando chegar a horra, descarrego tudo. Mas, só quando chegar a hora.

Porque chego aos poucos. Alguns pedaços meus ainda estão viajando. Largo a sacola de comida na cozinha. Abro uma caixa de leite ou uma garrafa de vinho. Jogo amendoins torrados no pote improvisado, descasco laranjas, bananas ou maçãs. Preparo uma bandeja de boas vindas. Subo ao quarto. Ligo antigos abajures, arrumo a cama, cubro com o edredon de pelúcia, afofo os travesseiros e me ponho a ler. Nada de banho, nem dentes escovados. Me satisfaço com o toque do velho pijama antigo e maltrapilho. Me aconchego ao som da brisa suave e do ronronar dos carros ao longe. Chego cansada da viagem, da vida, da rotina, de ser quem preciso e optei ser. Chego cansada de mim mesma. Preciso de uma longa noite de sono e sonhos e de uma manhã interminável e descompromissada.

É assim que chego na manhã seguinte à minha chegada. Acordo outra. Passo o café, sento no sofá, observo e espio o que acontece. Me acalmo. É quando meu corpo encontra minha alma adormecida. Com o movimento da manhã ou da tarde, retiro a agenda da bolsa, as roupas da mala. Abro as janelas, afasto as cortinas, espio o horizonte e os vizinhos, identifico sons. Ligo para alguns amigos. Saio de casa, me embrenho no jardim, piso na grama, vou ver as plantas no canil, recolho as bromélias floridas. Caminho ao redor da casa. Verifico a caixa de correspondência. Enfim, estou em casa. Inteira e verdadeira.

Colinas 1

 

Organizando a biblioteca

Há anos venho tentando organizar os livros da família. Depois de selecionar, desapegar, doar e distribuir inúmeros títulos chegou a hora de organizar a biblioteca. Ano após ano, venho remanejando livros entre nichos e prateleiras buscando uma melhor distribuição e localização. Reparo melhoras a olhos vistos. Da prateleira improvisada da casa dos meus pais à primeira estante, depois as primeiras prateleiras de parede inteira, montei enfim, minha primeira biblioteca com cara de biblioteca. O processo não é nada simples e tenho ainda alguns livros que não encontraram seus semelhantes ou afins.

Além dos 8 metros lineares de prateleira que recobrem em “L” o escritório, criei um grande quadrado com 32 nichos de dimensões variáveis, com profundidade única de 0,30 cm.

Nos oito metros de prateleira estão acomodados livros de pouco uso: enciclopédia Barsa + Geopédia + Obras Completas de Freud + Livros de Congressos de Engenharia + Coleção Casanova + Livros de Viagem + Livros Infantis + Livros Juvenis, entre muitos títulos de livros de capa grossa, cuja única função tem sido embelezar prateleiras e ambientes. Só não me desfiz de muitos destes títulos e coleções, pois não se sabe o dia de amanhã (nos dias mais sombrios, fico imaginando a possibilidade de um colapso universal de energia e internet). Mas principalmente, óbvio, porque tenho espaço. E gosto de ver aqueles velhos livros alinhados com objetos e souvenirs de viagem. São oito metros de história familiar e viagens no tempo que me fazem muito bem. Tem até partituras de Tom Jobim, Chique Buarque e Vinícius de Morais. Sabe como é, vai que um dia, eu aprenda a tocar piano …

Nos 32 nichos, aos poucos percebo uma unidade harmoniosa: Duas colunas (12 nichos) acomodam a biblioteca de Psicologia: Psicologia Infantil, Adolescência, Casal, Família, Diagnósticos, Técnicas e Testes Psicológicos, Psicanálise, Teoria Sistêmica, Jung e Arteterapia, Auto Ajuda e temas diversos como Grupos e Dinâmicas.

Nos outros 20 nichos uma miscelânea de temas e estilos. Poesia, decoração, literatura nacional e internacional, meu favoritos, os russos, os clássicos, biografias, crônicas, livros em outros idiomas, livros de bolso, etcetcetcetc.

O espectro é amplo e bem diversificado.

Meus favoritos vão do poeta Mario Quintana ao guru Paulo Coelho. Marian Keyes, John Katzembach, Irwin Yaloon, Rosamunde Pilcher, Virgínia Woolf e Ernnest Heminway. Mirian Leitão, Danusa Leão e outros tantos e tantas preenchem vazios da biblioteca, como também os próprios vazios e cheios de toda uma vida. Companheiros sempre presentes, os livros se prestam a praticamente todas nossas necessidades humanas: são amigos, colegas, críticos, terapeutas, soníferos, remédio, afago, orientação, modelos, conhecimento, diversão, passatempo, professores.

Por isso, organizar a biblioteca é como acomodar amigos compatíveis numa mesa de festa. Um ou outro podem até destoar da maioria, mas os essenciais estão lá. E muitos me olham convidando para uma releitura. Um passeio a dois. Saí de mãos dadas com Cathy Lamb, doida pra reler “Terapia do chocolate”. Um livro saboroso, leve e divertido, do nicho “Literatura para beira da piscina”.

Arrumando livros

Definitivamente livros, mofo e mar não combinam. Se tiver alguma casa em construção à volta, dias chuvosos e maresia no ar, a situação piora ainda mais. Pois este tem sido o cenário onde minha biblioteca e eu temos tentado sobreviver. E 2018 foi chuvoso de ponta à ponta. De janeiro à novembro.

Além daquelas arrumações básicas e semanais do tipo afastar levemente os livros e tirar o pó com pano e lustra móveis, duas vezes por ano baixo a biblioteca inteira. Prateleira por prateleira. Nicho por nicho. Livro por livro. Tudo passa pela esponja, pano úmido, pano seco, sol e ar puro. Livros também precisam respirar e arejar!!!!

Esta função pode levar a semana inteira.

Além da limpeza, alguns livros exigem consertos: lombadas rasgadas, capas descoladas, folhas descosturadas. E todo ano, nesta mesma época, lembro o quanto gostaria de ter feito um curso profissionalizante pra restaurar livros antigos. Com os conhecimentos que tenho consigo um resultado razoável, usando fita durex larga e algum capricho. A gente tenta. E faz o melhor que pode.

Entre os livros mais detonados estão os de quando eu fazia parte do Círculo do Livro. Ou seja, livros da época da adolescência. Outros livros dignos de maiores cuidados são aqueles que leio mais de 3 vezes. Sem contar os livros usados – e não mais editados – comprados em sebos ou na Estante Virtual.

Apesar de trabalhosa, adoro esta função.

Rever livros esquecidos, lidos e não lidos. Livros perdidos e dispersos entre os mais diversos temas. Retirar postits, bilhetinhos, recados, cartões, anotações e outros marcadores. Reencontrar flores secas de viagens vividas e lidas. Reler orelhas e comentários, páginas marcadas, frases sublinhadas … enfim, os livros seduzem.

Se permitir e facilitar só um pouquinho, a função na biblioteca pode levar bem mais do  que uma semana. Mantenho o foco e resisto bravamente.

 

Eleições 2018

As eleições de 2018 serão um marco na história do nosso país. Enfim, a sociedade acordou, teve acesso e informações sobre o que aconteceu em quatro mandatos do PT – o Mensalão, a Operação Lava Jato, o Petrolão, a queda do governo Dilma, 14 milhões de desempregados, recessão, violência desenfreada e tantos outros escândalos. O Facebook e o WhatsApp bombaram as campanhas políticas e o povo brasileiro, pode se envolver diretamente na escolha de seus representantes a governador, deputados estaduais e federais, senadores e presidente.

Pra guardar um recorte do que vivemos neste período, onde “petistas” e “bolsonarianos” batalhavam virtualmente por seus candidatos (Fernando Haddad e Jair Bolsonaro respectivamente) selecionei um dos posts em que houve troca de ideias na minha página de Facebook entre eleitores de ambos os candidatos. Durante todo o processo eleitoral evitei discussões desnecessárias (tive apenas uma mais calorosa). Mesmo assim, as mídias sociais tornaram-se terra sem lei, uma arena onde se brigou e discutiu como nunca. Amigos foram bloqueados e banidos … Outros silenciados.

O futuro é incerto. Cada lado luta por ideais, verdades, medos, desconfianças. A eleição parece absolutamente polarizada entre os extremos de direita e esquerda. Certeza ninguém tem de nada. O que me move, e move grande parte da população é um sentimento anti-petista (PTNUNCAMAIS) e a outra parte, o #elenão.

Que passem as eleições. Que comecem os novos governos. Que o Brasil saia da crise. Que o povo se acalme. Que as amizades se restabeleçam. Que a vida retorne ao doce balanço dos dias com a certeza da batalha travada e vencida, independente do resultado das urnas. Que vença o melhor. Pelo país e pelo povo.

Bolsonaro

“EU: Aqui em casa também!

Ana: Na minha tb.

Beatriz: Na minha também. Dentre eles o de acolher a todos os humanos, de respeitar as diferenças, de lutar por justiça social, de não aceitar autoritarismo, de valorizar cada vida independente da raça, cor, credo, religião, condição social…

Juliana: Tudo isso que citaste Beatriz e muito mais! Sem corrupção, sem apoiar ditaduras socialistas, sem mentiras, sem ilusão!

Beatriz: Sim…sem ditaduras, sem corrupção de todos os tipos e níveis, sem mentiras (tipo fake news), sem ilusões… Inclusive sem acreditar em mitos e em salvadores. Por isto mesmo me encontro entre a cruz e a espada hoje.

EU: Todos nos encontramos. Mas Beatriz e Jussara,13 anos de governo PT nos colocaram na situação que estamos hoje, com índices de violência e desemprego assombrosos, saúde e educação deficitárias … Precisamos de mudança. E só podemos mudar fazendo diferente. Vc realmente acredita que 46% da população brasileira votou em Bolsonaro pq somos fascistas, homofóbicos, machistas, torturadores? A equação é simples: PT roubou assombrosamente. Investiu fora do Brasil e isso não é Fake NEWS. Vivi isso pessoalmente. Lembra que mudei para Venezuela? A África era destino frequente de muitos executivos que ainda hoje frequentam a minha casa (engenheiros e CEOs das grandes empreiteiras do país que foram e estão sendo punidas via Operação Lava Jato). Por isso minha determinação em PT Nunca Mais. O que foi investido e perdoado nas ditaduras fora do Brasil pelo governo PT, poderia ter sido alento e avanço para nossa população e nosso país. Se o PT vencer é o fim da Lava Jato. Pq o que veio à tona até agora é apenas a ponta do iceberg. Ontem mesmo esteve na minha casa um ex executivo da Odebrecht que ainda vive em Angola, e que acaba de finalizar o mestrado na mesma Universidade do citado Ministro de Economia de Bolsonaro. O que ele disse é simples: se o governo não se meter e priorizar saúde, segurança e educação, a economia vai crescer, o desemprego cair. A vida do brasileiro vai melhorar. O Brasil precisa desta parada. Tentar outro caminho. Votar no PT, nunca votei, e não vai ser agora que vou votar. Quero o bem do meu país e do meu povo. Se só temos estas duas opções, eu não tenho nenhuma dúvida. Os avanços em termos de direitos humanos são garantidos pela constituição, e os até aqui, 46% da população não vão mudar isto e vão resguardar. Disso eu tenho certeza. Bolsonaro não representa a perpetuação no poder. Daqui a 4 anos, poderemos reavaliar. Ele representa uma parada no avanço do PT. Tenho amigos na Venezuela e o que está acontecendo lá é estarrecedor. Tenho certeza de que esses próximos 4 anos serão difíceis, mas necessários. E nós, como brasileiros, precisamos nos unir para que nosso país se torne um lugar melhor, mais justo de se viver. Somos um país riquíssimo e mais de 50% da nossa população vive na pobreza. É só olhar ao redor.

Jussara: Tenho muito medo deste jeito Bolsonarodeser.

EU: quando optei por votar no Bolsonaro, fiz uma pesquisa no Google, e realmente fiquei indecisa. Aí veio a facada e uma serie de situações, entre elas eu ter sido insultada em minha timeline. O que sei é que desde o início deste processo eleitoral, tudo sinalizava para os dois extremos. Bolsonaro jamais imaginou que se tornaria um dia um presidenciável. Falou porcaria pra caramba. PQ? Sabe-se lá. A verdade é que todos nós, nossos familiares e amigos já falamos e pensamos coisas politicamente incorretas. Só que não fomos gravados, nem estamos concorrendo pelo poder maior em nosso país. A política é suja e desleal e a sede de poder cega. Já circulei por Brasília (morei 2 anos lá) e quem lá vive, vive numa bolha. Não existem escrúpulos para se manter no poder. Felizmente, todos nós mudamos e evoluímos como seres humanos. Acredito que Bolsonaro também. Ele tem tido apoio de negros, gays e mulheres que não querem mais ser vistos como minoria e vitimizada . Ele não é nosso salvador da Pátria. Isso não existe. Somos nós, o povo brasileiro que temos de fazer diferente. Ser mais honestos e menos corruptos. Precisamos resgatar valores e ser modelo para as gerações mais novas.Precisamos nos unir e não nos dividir. Somos um só povo.

Jussara: meu problema é … será que vamos ter essa possibilidade de nós espressar que foi um direito adquirido e que agora podemos colocar na lata de lixo.

EU: mais garantido com Bolsonaro do que com Haddad. O processo venezuelano foi sutil, mas muito do que vi dos 13 anos do PT aconteceram por lá. Com a morte de Chaves, Maduro apenas apressou o processo de desmantelamento do país. Vive bem lá, quem é do partido. Aqui no Brasil, vive bem quem faz (fez) alianças com o partido. E isso tem de acabar. Precisamos voltar a valorizar a meritocracia. Lembro que eu tinha uma faxineira e pedi pra ela como era viver na Venezuela de Chaves. E ela, apavorada, olhou ao redor, e me disse cochichando: não posso falar, as paredes tem ouvido. Já era uma ditadura. Tenho um amigo que foi deputado federal por SC e tinha seu gabinete ao lado do de Bolsonaro. O cara não é um monstro, foi o que ele nos disse, impressionado pelo Tsunami que Bolsonaro representa. Vejo neste movimento por Bolsonaro um desejo patriótico por um país melhor.Por isso meu voto é dele. Sem medo de errar.

Jussara: nisso não concordo….não voto no PT … espero estar enganada com esse tal de Bolsonaro…esquecem tudo o que ele falou…

EU: não esqueço. E pesquisei. Por isso, o povo tem de se unir. Estar atento. Acho que toda esta discussão política mostra o quanto o povo quer e precisa de mudança. O que vejo é uma sociedade doente, neurótica e paranóica. Tenho lido e visto tantos absurdos que me entristeço com o que nos tornamos como sociedade. Todos queremos o mesmo: um país melhor. Um povo menos sofrido. Se vc pesquisar tudo o que Lula disse ao longo dos anos … E tenha certeza, meu envolvimento político não vai se esgotar com o final das eleições. Vou seguir em frente, acompanhando tudo o que estiver sendo feito. E se tiver de voltar a ir para as ruas, eu volto. Acho que todos os brasileiros precisam pensar e agir assim.

Jussara: Não aceito nada do Lula.. mas a livre expressão continua .. podemos falar o que pensamos…espero estar enganada. Acho que isso não vai mais existir.

Beatriz: eu entendo os argumentos. Mas coaduno com Jussara sobre o medo desse jeito de ser Bolsonaro. Tenho duras e sérias críticas ao PT, mas discordo que 50% da população viva em situação de pobreza. E vejo com meus olhos o quanto melhorou a situação de muitos com os governos do PT. Não que esteja ótimo. Entretanto, pesquisei muito o Bolsonaro e jamais votaria em alguém como ele. Acredito que corremos risco, sim, de ver morrer a democracia em nosso país. Ele, além do mais, demonstra um despreparo gigantesco. Sobre os extremismos, sou totalmente contra. E, amiga, assim como foste insultada por te posicionar favorável a ele, eu fui (e ainda sou) por me posicionar contrária. Tenho um cuidado extremo com as minhas manifestações, inclusive não replicando frases prontas e ofensivas aos apoiadores de, mas muitas vezes vi na tua timeline frases ofensivas aos que são contrários… só para pensarmos e estou aberta a me apontares se tenho sido ofensiva de alguma forma. Detesto essas discussões em fundamento, mas adoro debater pontos de vista diferentes, pois assim é que crescemos. Confesso que quando vi teu apoio a ele e também de outras pessoas que considero bastante, fiquei em dúvidas. Por isso mesmo fui pesquisar mais e mais… vejo que ele mudou a postura depois do atentado, mas não conseguiu me convencer. Sobre os 46% que votaram nele, me perdoe, mas muitos são os que seguem as massas sem sequer saber o que fazem, outros tantos são violentos, machistas, homofóbicos, preconceituosos. E poucos são conscientes. Da mesma forma em relação só PT. Infelizmente. E, por conta disso, a maioria sofre.

Beatriz: sobre a meritocracia, minha opinião é que em condições desiguais ela apenas reforça as desigualdades.

Jussara: Beatriz concordo contigo…

Jussara: A mulher que lutou para conquistar seu espaço tá votando num ser que não valoriza nem um pouco a nossa luta ..

Beatriz: Jussara, na verdade é muito mais profundo do que isto, no meu entendimento. Entendo que as mulheres lutaram justamente para ter o direito de escolha, livremente. Portanto, se preferem votar nele, paciência, desde que tenham consciência da escolha. Me preocupa muito mais essa credibilidade de que, caso não governe como se espera, que o tirarão. Eu não acredito que se consiga. Tenho visto colocações absurdas dos seus pares, inclusive querendo tomar atitudes ilegais e inconstitucionais. Até concordo que a constituição precisa ser revista em alguns pontos, mas o radicalismo que demonstram (sem contar a violência que se espalha por conta de seguidores mais fanáticos) me assusta.

Eu: Beatriz e Jussara, entendo os medos de vcs com Bolsonaro. O meu medo do PT é exponencializado centenas de vezes. Convivi de perto com o poder das empreiteiras e dos políticos. O Brasil é um país riquíssimo com uma economia contida, o estado inflado e uma população empobrecida. O Lula fez um brilhante primeiro mandato. E foi só. Se os gaúchos não reelegem governador/partido pq reelegeremos pela 5a vez o mesmo partido que nos colocou na posição que estamos? Talvez vcs não acreditem na venezuelização do país. Estamos no caminho, sem sombra de dúvidas. Basta pesquisar e ver tudo que foi noticiado e documentado. Por isso, minha posição por Bolsonaro é basicamente Anti -PT. Entre quem vota em Bolsonaro tem gente violenta, homofóbica etcetcetc. Tem. Tem também no PT. Tenho procurado não ser hostil nas minhas postagens. Meu maior objetivo é fazer com que as pessoas se deem conta de que o que o PT fez no Brasil é muito grave. Desculpa se ofendi. Também me senti ofendida muitas vezes. Mas é assim que é. Estamos todas pensando no melhor para o nosso país e nosso povo. E cada um tem sua opinião. Desde quando me posicionei a primeira vez, foi a única coisa que pedi: respeito à minha opinião. Respeito a de vcs. Se respondi a estes comentários, coisa que tenho evitado, é por consideração e por saber que vcs também são gente de bem. E dia 28, de um jeito ou de outro estaremos votando no futuro do Brasil. PT ou Bolsonaro. Depois é torcer e fiscalizar de perto tudo o que vai acontecer. Meninas, gosto muito de vcs e não vejo a hora de voltar a postar sobre literatura, cerâmica, psicologia e arte. Fiquem bem. Bjo

Beatriz: concordo contigo. Eu já retomei minhas potagens. Porque se ficarmos somente na política, o coração não aguenta. é muita sensibilidade afrontada. Amor deve ser a tônica!!! Bjo.

EU: Beatriz, assim mesmo!!!! Grande beijo

Jussara:‪ não quero ter me arrepender.

Letícia: Aqui também!!

Vanessa: Up #B17

Juliana: Estamos criando uma fantasia que vai se instaurar a ditadura militar! Só não se dão conta que o projeto de poder do PT é instalar uma ditadura socialista! O que é o foro de SP?? A Ursal e todos esses devaneios socialistas dessa turma??! Acordem!

Paula: Aqui também…

Renata: Também faço parte deste grupo.”

PS: Todos os nomes foram alterados pra garantir a privacidade.

 

 

A repor

Hoje era dia de reposição de duas aulas de cerâmica que perdi no último mês. Poderia participar com a turma da manhã e da tarde. Duas aulas de três perdidas. Amanhã, vou perder a quarta aula do mês. Serão dois dias inteiros pra recuperar quatro tardes de aulas perdidas. Eu bem que poderia ter ido hoje. Preferi colocar o sono, a solidão e a leitura em dia. Verdade, verdade é que eu havia programado perder todas a aulas de cerâmica do mês de outubro – pois estaria no RS – e repô-las em novembro. Ir hoje era ir contra minha programação. Além do mais, não estava com vontade alguma. É como faltar na academia. Pra manter o hábito tem que ir sempre. Mas, voltando à cerâmica. Nas próximas duas semanas preciso recuperar aulas perdidas e colocar em dia todo meu trabalho e peças. Estranho pensar, mas esta conclusão já faz parte do processo de finalização de 2018.

Além da cerâmica, outros temas e metas aguardam suas próprias conclusões.

O ano está acabando. Releio na minha agenda o que havia programado para 2018. Hoje, aquela lista irrealizada não me entristece mais. Sei que ela serve apenas como direção, o norte a seguir. A vida nos coloca frente à tantas questões imprevistas, que o previsto muitas vezes padece em segundo plano e o simples findar do ano, já me alegra. Com o passar dos anos a gente aprende que não pode tudo. A gente aprende que nem tudo depende apenas do querer da gente. As coisas acontecem ou não acontecem. E sim, a gente pode brigar, insistir, persistir. Ou pode simplesmente, aceitar que não era mais aquilo ou aquele não era mais o momento. Aprendi a desistir. Aprendi a esperar. Aprendi que tudo e todos tem seu tempo. Em parte, devo à cerâmica este aprendizado. Assim como ela, eu também tenho meu tempo e meus momentos.

Por isso, cá estou eu, terminando de ler o livro de crônicas de Miriam Leitão, “Refúgio no Sábado”. Aliás, naquela lista da agenda 2018, um dos itens era escrever no mínimo uma crônica por mês. Pelo que pesquisei no blog, atendi a contento este item. Já, o item escrever pelo menos um conto por mês, fracassou completamente. Quem sabe em 2019.

Eldorado Destruído

Éramos um jovem casal com uma filha de 4 anos. Estudantes universitários engolidos por estágios, trabalho, aulas, estudos, o serviço de uma casa, a educação de uma filha, a manutenção de um casamento cheio de sonhos, planos e projetos. E muito amor. Os tempos eram de vacas magras, muito trabalho e economia doméstica ao extremo.

Em meio a tudo isso, fui convencida a comprar uma chácara em Eldorado do Sul, próximo à Guaíba, do ladinho de Porto Alegre/RS, a meia hora de Chevette usado, em sociedade com uma tia-avó entendida em abelhas. Minha concordância tinha resquícios do sonho adolescente hippie de plantar, colher e alimentar minha filha com frutas, hortaliças e mel 100% orgânicos. Na hora de escolher o lote, o laguinho de desenho animado sinalizou onde fincaríamos nosso sonho, nosso suor e nossos finais de semana.

A primeira árvore plantada foi uma figueira, na entrada da chácara. Se tivesse sobrevivido teria hoje uns 34 anos e todo o esplendor das barbas-de-pau agasalhando uma imensa copa e longos galhos abraçando e sombreando o que seria hoje um refúgio de final de semana. Além da figueira, foram plantados mais de 30 tipos diferentes de árvores frutíferas, canteiros de hortaliças, temperos e chás e 36 caixas de abelhas. Minha responsabilidade eram os canteiros, que aos poucos, recebiam gérberas e rosas. Meu marido ficava com o trabalho pesado de cavar buracos e transportar caixas de abelhas. Nossa tia-avó recolhia tortas de cocô de vaca usadas como adubo orgânico. E nossa filha, além de esvoaçar os cabelos loiros correndo pra cima e pra baixo entre os canteiros, observava sorridente as rosinhas e gaitinhas da água do laguinho de desenho animado, expressando da forma mais alegre, nosso sonho de ter a nossa própria terra.

Até que um dia, recebemos a notícia de que nossa chácara havia sido invadida pelos “Colonos sem Terra” hoje MST.

Da noite para o dia, nosso sonho foi destruído por um trator. E tudo, absolutamente tudo, jogado no poço artesiano e enterrado com a terra que era a promessa de fartura na mesa de nossa casa. Nossa chácara foi arrasada para parecer terra improdutiva.

Chorei a tristeza do olhar do meu marido, o choro inconsolável de nossa tia-avó. Chorei minhas mãos calejadas pelo trato da terra, pela pele esturricada ao sol. Chorei pelos fins de semana acampada numa barraca, pela figueira despedaçada, pelos limoeiros, laranjeiras, bergamoteiras, bananeiras … pelos canteiros de cenouras e beterrabas … pelas abelhas perdidas voando sem casa, sem caixa, sem teto.

Chorei a maldade humana em destruir o trabalho, os sonhos e os projetos de tanta gente. As chácaras dos meus vizinhos também foram varridas pelo trator dos ditos “colonos sem terra”.

Quem ama e quer terra não a destrói.

Não arrasa o solo onde sonhos e planos são plantados.

Ao longo dos anos acompanhei outras invasões, e o descaso certo do então INCRA e de governos que fizeram da reforma agrária uma grande palhaçada nacional. Basta olhar o que aconteceu com tantas áreas produtivas tomadas à força, por puro interesse político. Sei que existem pessoas decentes que realmente precisam de terra e de ajuda governamental. Uma grande minoria. Infelizmente o projeto de Reforma Agrária perdeu seu foco, faliu e se tornou um movimento político, quase um exército vermelho, que faz mais mal do que bem ao nosso país. Favelas de lonas pretas e campos empobrecidos surgiram por toda a parte.

sem terra

São terras arrasadas, consumidas por gafanhotos humanos.

Dias atrás troquei mensagens via Facebook com a filha da nossa tia-avó, hoje com 91 anos. Disse-me que ela ainda tem esperança de reaver aquele pedaço de terra.

E porque não?

Fomos roubadas e saqueadas. Roubaram nossa terra. Destruíram nosso sonho de uma chácara em Eldorado do Sul, onde uma figueira nos receberia de braços abertos; onde colheríamos frutas do próprio pé; onde apreciaríamos o por do sol por trás daquele laguinho encantador.

Tão bom resgatar sonhos.

E, sentir que enquanto houver esperança, tudo pode acontecer …

Getúlio

Ontem, uma hora antes do debate entre os presidenciáveis na Globo e a entrevista do Bolsonaro na Record, assisti ao filme “Getúlio”, na Netflix. Política é bicho esquisito desde sempre. E quanto mais vemos e lemos, menos entendemos; mais nos assustamos, mais nos decepcionamos.

O filme, continua … muda o cenário, os protagonistas, as artimanhas, as maquinações. Mas o apetite pelo poder continua o mesmo, ou até pior. Devastador e aniquilador. O país e o povo, que se fodam. Importa a soberania sobre a riqueza deste país. Da carta testamento – recomendo a leitura do texto completo – escrita horas antes do suicídio de Getúlio Vargas, reverberam ainda suas últimas palavras: “Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.”

Terminado o filme – que também recomendo -, assisto o final da entrevista de Bolsonaro na Record. Depois, assisto alguns minutos do debate na Globo. Desligo a televisão. Desligo meu desejo de entender.

Quem sabe um dia, a História explique. Ou justifique.