Entrevista via Wathsapp + email = Ping Pong

Fazia tempo que não escrevia para jornal. Anos atrás, quando ainda estava na ativa, era comum escrever ou dar algum tipo de depoimento a respeito do tema jornalístico em questão.
O tema, agora proposto é o casamento na atualidade. Pra quem for ler, que fique claro tratar-se da opinião de uma psicóloga terapeuta de casais enferrujada, mulher antenada, escritora afiada.
O contato aconteceu assim:
Segunda-feira, 18:25h. – Boa tarde, Suzete! Tudo bem? Adicionei você pois estou preparando uma matéria sobre casamento para o jornal O Informativo do Vale. Quem me passou seu contato foi a minha colega Luciana. Busco seu conhecimento em comportamento para esclarecer alguns aspectos sobre novos modelos de casamento e a importância de celebrar as datas. Podemos conversar a respeito? Qual é o seu telefone de contato? Abraços e obrigada desde já.
– Olá Taciana. Estou morando em Florianópolis. Se quiseres me mande uma relação de perguntas e escrevo, ou um pequeno texto, ou as respostas às suas perguntas. O que vc acha? Tenho um blog e acho que tenho algum post sobre o assunto, já que minha filha casou anos atrás e escrevi algo a respeito. Vou procurar e te repasso. Meu blog ó bysuzete.wordpress.com. Grande beijo
– Olá, obrigada pelo retorno. Vou providenciar algumas perguntas sobre o tema e envio para você amanhã de manhã. Poderá me responder até quarta-feira? Um grande beijo pra você também.
– OK. Fico no aguardo. Bjo
TER 17:28. – Boa tarde, Suzete! Estou enviando as perguntas por aqui, conforme combinamos. Meu prazo de entrega esticou. Se puder, me responda até quinta-feira? Agradeço desde já.
Quais são os principais desafios enfrentados pelos casais modernos? De que forma os casais vivenciam o casamento hoje em dia? Quais aspectos tem alterado o “padrão” dos relacionamentos ao longo das últimas décadas? Qual é o papel do homem e da mulher nas relações atuais? Como manter um relacionamento saudável, apesar das dificuldades? Quais são as maneiras significativas capazes de marcar uma conquista no relacionamento? Celebrar as datas/bodas é importante, na sua opinião? Conte-nos histórias que possam inspirar outros casais… Qual é a melhor forma de celebrar estas datas?
TER 22:09. – Olá Taciana. Meu dia foi corrido. Amanhã passo as respostas. Pode ser num formato de crônica? Me manda seu email. Grande beijo.
QUA 17:53. – Oi, Suzete! Ideal seria se pudesse responder as perguntas. Sinta-se livre para responder o que achar pertinente e, se quiser acrescentar, ainda assim, uma crônica, tudo bem. Um beijo
– Ok. Amanhã cedo estará em suas mãos. Podes mandar seu email?
QUI 07:38. – Taciana, suas respostas estão prontas. Espero que esteja de acordo com sua matéria. Preciso de seu email para encaminhar o texto. Podes me enviar?
– Ou preferes que mande para o jornal a seus cuidados?
Ping Pong

Quais são os principais desafios enfrentados pelos casais modernos? Todos os casais, enfrentam desafios durante toda a jornada a dois. Os desafios somente mudam conforme avança o casamento e a idade de cada membro do relacionamento. No início, as questões mais desafiadoras dizem respeito às regras que regerão o casamento: quais valores e princípios familiares serão adotados pelo casal (os dele ou os dela?), existe uma disputa mais acirrada pelo poder na relação (é quem manda e decide: desde o sabão em pó comprado no supermercado, até o momento de ter filhos, comprar a casa própria ou uma simples bicicleta). Com o passar do tempo, vem a rotina e os problemas comuns da própria vida: filhos, dificuldades financeiras, doenças, crises variadas. Alie-se a tudo isso o fato de o casamento ter se transformado numa instituição frágil – meio “fast” para alguns casais com baixa tolerância à frustração – onde a possibilidade de divórcio é constante no horizonte; onde homens e mulheres – cada vez mais – insistem em seus próprios direitos; onde ceder representa submissão ou inferioridade. O vínculo amoroso tem que ser substancialmente maior do que qualquer ímpeto egoísta e individualista. Outras questões vem com a própria modernidade: as mídias digitais (tipo Facebook ou wathsapp) quando não bem discutidas e combinadas a dois, geram enormes dores de cabeça, cenas de ciúme e rompimentos; a urgência no “ter” faz com que casais desgastem o relacionamento pelo excesso de trabalho e distanciamento afetivo.

De que forma os casais vivenciam o casamento hoje em dia? Eu diria que com reservas. São raros os casais que vão com tudo pra fazer o relacionamento dar certo. É comum haver um Plano B (consciente ou inconsciente) em alguma gaveta do casamento. Hoje, o casamento é sempre uma possibilidade que pode dar certo. Ele, não necessariamente precisa dar certo. Se o casamento fracassar, outro pode se concretizar em curto espaço de tempo. Existe uma certa sensação de banalidade na autenticidade dos sentimentos que mantém muitos dos relacionamentos humanos. As pessoas confiam muito pouco umas nas outras, e qualquer mal entendido pode virar tempestade em copo d’agua.

Quais aspectos tem alterado o “padrão” dos relacionamentos ao longo das últimas décadas? Na década de 50/60 a liberdade sexual feminina se instalou com a descoberta dos anticoncepcionais (o sexo passou a representar prazer, além de fecundidade e procriação). Com a entrada das mulheres no mercado de trabalho, a independência financeira a libertou de casamentos desgastados e complicados podendo se divorciar e retomar uma nova vida. A necessidade da mulher competir e se sobressair no mercado do trabalho, levou a batalha dos sexos para a arena conjugal, dentro da própria casa. Existe pouca paciência e tolerância – feminina e masculina – para as questões do dia a dia.

Qual é o papel do homem e da mulher nas relações atuais? Me parece que a mulher entrou numa rota sem volta, e ela vai seguir em frente, em busca de maior independência prática e financeira. A mulher se fortaleceu como ser individual. Ela almeja depender o mínimo possível dos homens, tidos por muitas, como fracos e perdidos. Este “levante feminino” embaralhou tudo o que os homens pensavam e queriam das mulheres. E eles estão sim, em busca de um novo papel social. Óbvio que existem mulheres que preferem e se mantém submissas e dependentes dos homens. Óbvio que existem homens seguros e autoconfiantes. A verdade é que estamos num momento de encruzilhada quanto aos relacionamentos. A sociedade como um todo vive este momento. O certo é, que homens e mulheres precisam um do outro, e não apenas para procriar como espécie. Também não mais, como no tempo das cavernas, quando o homem saía pra caçar e a mulher cuidava da colheita e da prole; não mais como o homem que saía pra trabalhar e tudo podia, enquanto a mulher ficava em casa cuidando dos filhos e odedecia aos mandos e desmandos do marido; não mais como duas feras que competem no mercado de trabalho e se engalfinham na cama como machos e fêmeas em busca de sexo, estando o amor encolhido e escondido com medo de mostrar a fragilidade inerente à espécie humana. Um simples FF (Foda Fixa), Pau Amigo, Garota de Programa, Ficante ou a Transa de uma Noite, não dão conta da necessidade humana de carinho, amor, cuidado, segurança e afeto. O sexo pelo simples sexo escancara o grande vazio em que podemos transformar a relação a dois. Não acredito num modelo de papel feminino e masculino massificado que dê certo. Somos todos seres únicos e diferenciados, e assim devem ser nossos relacionamentos. Precisamos encontrar a melhor forma de viver a dois, respeitando a individualidade de cada um.

Como manter um relacionamento saudável, apesar das dificuldades? Basicamente com amor, diálogo e respeito. O amor é a base para absolutamente tudo na vida. O diálogo corrige enganos e acerta rumos. O respeito mútuo permite ser quem verdadeiramente somos enquanto seres humanos, enquanto casais. Quando um destes pilares da conjugalidade falha, a estrutura despenca, o relacionamento desaba, o casamento termina.

Quais são as maneiras significativas capazes de marcar uma conquista no relacionamento? A felicidade e a realização conjugal são a maior conquista de qualquer casamento: Filhos, gratificação sexual e afetiva, sucesso profissional e financeiro, uma casa para morar, uma viagem por ano ou de vez em quando, amigos, saúde, paz, etcetcetc são medidas para avaliar as conquistas no relacionamento. Talvez a grande questão seja como dimensionar estas conquistas. Tem o eterno insatisfeito que quer sempre mais. Tem sempre aquele que se contenta com pouco. A busca pelo equilíbrio é a grande conquista.

Celebrar as datas/bodas é importante, na sua opinião? Conte-nos histórias que possam inspirar outros casais… É importante celebrar, sim. O casamento é um ritual que demarca, tanto para a sociedade, quanto para o casal, uma mudança de papel e de status como indivíduos. Todas as formas de ritual tem esta função: batismo, festa de 15 anos, ida ao exército, vestibular, noivado, casamento, funerais, etcetcetc. O que está faltando é um ritual para o divórcio (até existem algumas tentativas individuais e pessoais, mas nada no âmbito social) Assim como o casamento anuncia à sociedade a união de um homem e uma mulher, não existe nada que anuncia o rompimento desta união.

Qual é a melhor forma de celebrar estas datas? A forma que o casal achar que combine mais com suas necessidades e interesses. Pode ser um jantar em família ou a dois, uma festa de arrasar quarteirão, uma viagem, a compra de algo significativo. Ambos devem conversar e definir o que melhor combina e agrada aos dois. Tem aqueles que preferem não fazer nada. Se a decisão de deixar passar a data “a ver navios” for conjunta, tudo bem. O que desgasta a relação é um dos cônjuges querer e fazer tudo a seu jeito, sem ouvir e respeitar o que o outro cônjuge gostaria de fazer. O diálogo na vida a dois é fundamental desde sempre.”

O texto ainda não chegou até Taciana, pois ainda não recebi o email dela. Se chegar, tomara que se transforme em matéria de jornal. Já estou curiosa pra ver como vai ficar. Curiosa também estou, pra conhecer Taciana.

A dor da perda

21/4/2011 23h37m – Geral
Mistério felino: Onde está Logan?

Lajeado – O nome dele era Logan. Feroz, cara de mau, garras em prontidão, desconfiado. Enfim, a descrição perfeita de um gato arisco, encontrado abandonado. A psicóloga que entende de gente e adora escrever fez questão de levá-lo para casa. Foi o seu presente de Natal do ano passado, e apesar de tê-lo achado na rua, foi seu presente valoroso. Após se afeiçoar e passar muitos momentos com o bichano preto e branco, eis que o destino lhe reserva a maior surpresa. Há três semanas, o bicho de estimação de Suzete Herrmann sumiu. A psicóloga colocou anúncio no jornal e se vê diante de inquietações mil: onde está Logan? A maior agonia é por não saber o que aconteceu com ele. Suzete, que sabe tudo de ritos de passagem e de como o ser humano lida com eles, não consegue passar pelo seu, porque não houve um ponto final entre ela e animal parceiro.
Logan, que virou Lolinho com a convivência, não tem mais o chamego da dona. “Eu nem ao menos sei se ele morreu.” Na noite anterior ao sumiço havia indícios de que Logan teria brigado com um gato forasteiro. Mas são apenas suposições da psicóloga que descreve seu bicho como caseiro e receoso. “Ele mal cruzava a rua, era muito medroso.”
Suzete acaba de estabelecer um consultório em São Paulo e divide-se entre Lajeado e a capital paulista. O gato ficava aqui, fazendo a maior festa ao avistá-la. Suzete chegou a dedicar uma crônica ao bichano no seu blog – “Logan: companheiro de uma história ainda sem fim”.
A família de Suzete é apegada aos bichos. Mania de família tratar os animais como merecem ser tratados. E até com deferência. Se Logan fosse velho o suficiente para morrer de morte natural, ele seria enterrado no cemitério particular em Colinas. A mãe de Suzete, Lires Brentano, há anos destinou um espaço especial aos animais. No cemitério estão enterrados os bichos de estimação da família: gatos, cachorros e até um hamster.

Amor incondicional
Suzete entende de gente. E compreende que os bichos aceitam a gente como a gente é. Então, a rigor, oferecem companhia e amor sem as exigências dos seres humanos. Aceitam os tutores sem os julgamentos que os tutores fazem de outras pessoas. É por isso que homens e animais criam vínculos fortes, saudáveis e duradouros. Porque os últimos dão incondicionalmente. “Vivemos em uma sociedade em que não somos magros o suficiente, nem inteligentes demais, nem bonitos demais. Mas o animal é teu amigo e não espera nada de ti. Te aceita feia, bonita, triste ou braba.”
Segundo Suzete, para a criança o animal faz a função do amigo imaginário. “Além de ser uma companhia, um amigo, tem a função de preparar para a responsabilidade. Por isso é importante que os pais deleguem aos filhos a função de dar comida e levar o bichinho para passear.” Com o animal, a criança aprende a se relacionar, a trabalhar valores como amor e compaixão, e administrar o egoísmo.

“Após um período em que cada um o chamava como queria, o nome Logan caiu como uma luva. Lembram? Logan, Volverine, garras retráteis de adamantium, X Man? Era a cara dele. Feroz, cara de mau, garras em prontidão, desconfiado. Enfim, o nome perfeito.”
(Suzete Her-rmann, psicóloga, adotou Logan, o gatinho que sumiu)

Andréia Rabaiolli
andreia@informativo.com.br

Esta foi a matéria que saiu no Jornal Informativo sobre o desaparecimento do meu Lolinho. Era para ser uma simples notinha, mas saiu meia página do jornal.( Meu marido quis saber se vou reservar o jornal inteiro para ele, caso ele desapareça. Quem sabe!!!!!) Recebi a notícia em Sampa e fiquei muito triste, imaginando o que aconteceu com meu mimoso. Chegando ao sul recorri a tudo para localizá-lo: procura por terrenos baldios e obras, conversa com os vizinhos, contato com entidades protetoras de animais, classificados, matéria no jornal. Fiquei surpresa com a quantidade de histórias sobre gatos que somem. E porque isto acontece: para morrer longe do dono, para buscar um novo lar, estão em choque ou perdidos. Alguns simplesmente somem por meses e de repente reaparecem. PLIN, como que por encanto ou milagre.
Sinceramente, não sei o que pensar. Meu bom senso diz que ele morreu. Minha intuição diz que ele está vivo e que vai voltar. Assim, num PLIN.
Só o tempo dirá. Por enquanto só posso ficar aguardando. Já fui ver vários gatos resgatados, mas nenhum era meu Lolinho. Incrível como um gato vira-lata preto e branco, modelito popular, é único e singular. Basta apenas um olhar.
Agradeço aos amigos, conhecidos e até desconhecidos que me escreveram e foram solidários relatando seus amores, dores e histórias envolvendo seu relacionamento com animais de estimação.
Ainda dói não saber onde meu Lolinho está. Quem sabe qualquer dia destes: PLIN. E ele voltará a espreitar e caçar passarinhos desavisados, dormirá preguiçosamente pelos sofás da casa e me esperará resmungão e mal humorado, e ambos faremos a maior festa por nos reencontrar. E viveremos felizes para sempre.
PLIN. PLIN. PLIN. PLIN. PLIN.

Os segredos de Serena

Esta foi a matéria que saiu no jornal “O Informativo” , no dia 02/10/2009, por ocasião do lançamento do meu livro.

Os segredos de Suzete

A psicóloga Suzete Herrmann, que trabalhou no Centro Evangélico Alberto Torres
até 2006 e atua como terapeuta de casais e de família, mostra agora seu lado escritora.
O romance será lançado na Feira do Livro de Lajeado.

A psicóloga Suzete Herrmann faz sua estreia como escritora, autora de um romance, na Feira do Livro de Lajeado. O livro Os Segredos de Serena será lançado com sessão de autógrafos no dia 8 de outubro, a partir das 18h, no estande da Livraria Cometa.
Quando morou na Venezuela, em 2006, Suzete redescobriu o prazer de escrever. Seu primeiro livro, “Um Ninho pra chamar de seu”, ainda sem edição, reflete o momento de guinada em sua vida, retratado por meio de crônicas.
O livro que acaba de sair da editoria, conta a história de Serena, uma bem sucedida psicóloga clínica que esconde um grande segredo em sua vida. Num determinado momento este segredo começa a ser desvendado e revelado, deixando Serena ambivalente e insegura com o que virá a partir de então. A trama que se segue procura retratar o lado humano e falho de qualquer psicólogo. Com o objetivo de retratar as emoções e os sentimentos de todos os personagens envolvidos na vida de Serena, de forma intensa e bem urdida, o livro procura também mostrar as dúvidas, os conflitos, as angústias e os erros que uma profissional de saúde mental pode cometer.
Outra característica marcante da trama é a constante repetição de situações e sentimentos, demonstrando a circularidade nos relacionamentos e nas estruturas familiares. “Apenas repetimos aquilo que não está resolvido em nossas famílias e em nossas vidas”.
Suzete conta um pouco sobre a produção da obra.

Lazer – Como surgiu a ideia de escrever um romance?
Suzete Herrmann – Adoro ler romances, livros policiais, de suspense e drama. Escrever o romance talvez seja um sonho antigo, pois quando menina pensava ser jornalista, e quem sabe um dia, me tornar escritora. Me tornei psicóloga, leitora voraz de livros técnicos da minha área. Aos poucos percebi que poderia escrever de forma não técnica, um livro interessante e envolvente e que abordasse de forma clara e leiga o universo Psi. Quando surgiu a oportunidade, diga-se tempo e disposição, coloquei no papel a história de Serena.
Lazer – A história de Serena tem a ver com a tua própria história como psicóloga? Tem inspiração nas experiências relatadas por teus colegas de profissão?
Suzete – Serena tem um pouco de mim e um pouco de vários profissionais psicólogos com quem convivi ao longo dos anos. A história de Serena, ou seja, o enredo do livro, é pura ficção.
Lazer – Qual o público que tu pretendes destinar tua obra?
Suzete – Qualquer pessoa que goste de ler. Para profissionais da área da psicologia acredito que o romance crie oportunidades de identificação, quem sabe de aprendizado. Para as demais pessoas é uma leitura gostosa, penso eu, que conduz o leitor de uma situação pacata e cotidiana para uma reviravolta onde os fatos, sentimentos e lembranças se sucedem de forma intensa, criando suspense e expectativa com relação à história e ao passado de Serena.
Lazer – O livro tem uma mensagem especial, algum tipo de reflexão para a vida das pessoas e de outros profissionais?
Suzete – Acredito que a maior de todas as mensagens é de que o erro faz parte de todo e qualquer aprendizado. É com ele que podemos nos transformar em pessoas melhores. O contrário também é possível. A história de Serena aborda o erro e suas consequências e demonstra como podem haver erros transgeracionais (que se repetem entre gerações) e de como podemos lidar ou elaborar nossos próprios erros através do erro de outras pessoas.
Lazer – Para tua carreira, o que simboliza o livro?
Suzete – Digo que é meu terceiro filho, que foi gestado ao longo de vários meses e agora vai ser lançado ao mundo. A publicação e o lançamento são quase como um parto. Tem sido difícil e me vejo angustiada e aflita com a recepção que ele terá. Sei que vai agradar alguns e decepcionar outros. Profissionalmente, demarca um novo caminho, uma nova possibilidade. No dia a dia como psicóloga sigo teorias, estratégias e diretrizes, segundo preceitos testados e aprovados dentro da ciência da Psicologia. Como escritora me permito a liberdade da criação, da imaginação, do brincar com as histórias, de transmitir coisas sérias na forma de um romance, por exemplo. Quando escrevo, não é a psicóloga que escreve, é a pessoa Suzete que está escrevendo, com suas experiências, suas percepções, lembranças, opiniões, e que por acaso, é uma psicóloga.

Desde o lançamento, “Os segredos de Serena” tem tido excelentes feedbacks, me deixando feliz e animada a prosseguir. Ele ainda é um filho tímido em busca de reconhecimento num universo maior e desconhecido, mas já cumpriu uma importante missão: colocar-me em movimento, me reinventando enquanto pessoa.
Todos devemos buscar movimento e transformação.
Com certeza, a publicação do livro foi, e ainda é um marco em minha vida. Ele demarca uma nova fase: A fase do tornar-se. Do ainda não ser. Mas do querer ser. No meu caso, ser escritora.
Sempre que me perguntam o que faço digo com toda segurança e orgulho que sou psicóloga até o último fio de cabelo. Sinto-me integralmente como tal e não tenho dúvidas quanto a isso.
Ser escritora ainda não se incorporou a minha identidade pessoal e profissional. Estou na fase do tornar-me. Ou seria melhor dizer: sentir-me escritora. É algo como dizer “estou ligeiramente grávida”. Ainda não estou/sou mas estou a caminho de estar/ser.
Ao longo da vida vários são os momentos em que somos investidos de novos papeis e funções. Alguns tem a ver com nosso querer, outros não. E os que tem a ver com este “querer ser” muitas vezes geram medo, incerteza e ansiedade.
Particularmente acredito que SOMOS O QUE ESCOLHEMOS SER. E fazer escolhas não é uma tarefa fácil: podemos errar ou acertar.
Alguém duvida disso?
Por isso gosto da expressão “tornar-se”. Soa como algo em movimento, em transformação. O que nos dá tempo de digerir e processar nossas escolhas, permitindo-nos mudar ou alterar rotas e destinos, adequando-os constantemente ao nosso querer.
Acho que é por isso, que ainda sinto que “estou ligeiramente escritora”.