Minha relação com a escrita e a leitura 2

Sempre soube que quanto mais leio, melhor escrevo.

E ler, sempre foi uma paixão. A escrita, um momento de reflexão.

Quando comecei a me dedicar à literatura comprava livros recomendados por amigos e pela lista dos mais vendidos das revistas Veja e Claudia. Depois vieram os livros recomendados pelos professores e colegas entendidos das Oficinas Literárias. Tenho meus “abacaxis” numa prateleira que chamo de “Livros para os quais não estou pronta”. Qualquer indicação, por melhor que seja, é totalmente subjetiva. A possibilidade de unanimidade não existe. Sem contar o gosto pessoal, o estilo, o momento de vida, a evolução da própria maturidade literária. Tenho colegas que dizem não ler Paulo Coelho. Tenho todos os livros dele e adoro. Também leio livros de autores consagrados. Ernest Hemingway é um dos meus favoritos. Mia Couto, também. Tem os russos, que aprendi a amar. Rosamunde Pilcher, Saramago, Irvin Yaloon, e outros tantos. Isabel Allende, Anais Ninn. Tem os novos nomes, elogiados por alguns, desprezados por outros. Tem os que gosto mais, os que leio dormindo, os que apenas leio. Cada um tem seu momento e seu tempo no meu tempo que também tem seus momentos.

Com algumas exceções, tenho lido livro bom e barato. Autores desconhecidos, baixas tiragens, livros de amigos, livros que não figuram nas listas dos mais vendidos e novidades. Compro o passado literário. Colho outros “abacaxis” que vão para aquela mesma prateleira. Aquela … Um dia estarei pronta para eles.

Interessa o prazer de ler, aprender palavras novas, fixar a nova ortografia. Descobrir novos jeitos e estilos. Circular pelas possibilidades que todo livro oferece. O máximo que pode acontecer é “aquela” prateleira virar duas prateleiras, e alguém ficar muito feliz, num futuro ainda bem distante. Sou generosa com livros e autores. Dou-lhes inúmeras chances de mostrar a que vieram.

Uma coisa interessante na literatura é que você vai descobrindo um universo literário rico e diversificado. Quase todo livro indica ou cita outro livro, filme ou artigo. E assim, como num rosário de contas, você vai mergulhando e viajando nas ideias e mundos de pessoas interessantes e inteligentes. Tempo e espaço se expandem e sua visão de mundo se agiganta.

A escrita vem no paralelo. Além do livro publicado “Os segredos de Serena” e vários outros projetos literários, a criação do blog bysuzete.com há oito anos, me obriga a escrever sempre. E escrevo de tudo um pouco: poesia, contos, crônicas, receitas, ensaios, textos técnicos. Tem texto bom. Texto nem tão bom. De tempos em tempos dou uma revisada e melhoro a forma de alguns escritos que me parecem de harmonia duvidosa. Normalmente corto pronomes, advérbios, artigos e adjetivos. Mas tem texto que precisa de uma repaginação total.

Ao me inscrever no curso online de Escrita Criativa o desejo é de aprimorar e consolidar técnicas aprendidas em oficinas literárias realizadas anos atrás. Aprender a escrever sem depender de inspiração, me parece ser uma forma de dominar o ofício da escrita.

Minha relação com a escrita e a leitura 1

Para 2019 apenas o que der prazer … um dos pedidos para o ano. Quando vi estava inscrita num curso online de Escrita Criativa. OK. Fui impulsiva, talvez. Verdade é que a ideia vinha me assuntando há tempo. E pq não? Depois de 8/10 anos das primeiras oficinas literárias, me parece adequado revisar conceitos e técnicas e atualizar conhecimentos. Meu primeiro curso online na vida. Já estou sentindo falta de conversar com meus colegas de curso. A turma é grande. Vou ter de me acostumar com a voz do professor e com as aulas às 13 horas de segunda-feira. Tem os temas também. E o  primeiro é este: Minha relação com a escrita e a leitura. Preparei 2 textos de 500 palavras cada. História demais pra contar. Por aqui, vou postar todos. Comente o seu preferido. Te respondo qual mandei para o professor.

[Vem de longa data minha relação com a escrita e a leitura.

Dos tempos do colégio de freira, os incentivos para ler e escrever eram grandes. As redações, sempre elogiadas. Professor Osvino gostava de como eu brincava com as vírgulas. As leituras eram obrigatórias: Dom Casmurro, Escrava Isaura, Senhora. Até eu descobrir Sidney Sheldon e O outro lado da meia noite … no fundo escuro e não recomendável da biblioteca das freiras. Veio a faculdade de Psicologia e a leitura de textos, livros técnicos e a redação de laudos, estudos de caso e avaliações. Aprendi a ser descritiva e objetiva para deixar meus pareceres claros e inteligíveis.

Mesmo tendo cursado Psicologia, flertei com o Jornalismo e as Letras a vida inteira. Um caso de amor platônico. Sabia que um dia, além das palavras ditas enveredaria pelo universo das palavras escritas.

Quando a vida me conduziu por um novo caminho, levei na mala os livros comprados ao longo dos anos, um laptop usado, canetas, cadernos e uma vontade imensa de escrever meu primeiro livro. Um ano longe do consultório me apresentou ao universo dos livros e escritores e a certeza de que havia perdido a desenvoltura com as palavras. Precisava reencontrar a menina que brincava com as vírgulas e pesquisava palavras no dicionário.

Para me auxiliar nesta busca fui atrás de cursos de Escrita Criativa. A primeira oficina foi com a professora Noemi Jafe, na Casa do Saber. Depois veio o professor Gilson – de poesia – no Museu Lasar Segal e a constatação de que “é fácil escrever um livro, difícil é publicá-lo.” Encerrei o ciclo de oficinas de escrita criativa, em São Paulo, com as aulas de Ficção do professor Assis Brasil.

Não encontrei a menina das vírgulas. O conhecimento das técnicas de escrita, muitas vezes, tumultua meus momentos de inspiração e entrega literária.

Mesmo assim, publiquei o romance “Os segredos de Serena”. Um livro escrito por uma leitora. “Longe de tudo e de todos” é o romance escrito no período das oficinas de escrita criativa. São oito anos de revisões e abandonos. Neste meio tempo, criei o blog bysuzete.com onde pratico, brinco e publico. É escrevendo e lendo que vou me reencontrando.

Leio de tudo. De Paulo Coelho a Proust. De Danuza Leão a Isabel Allende. Ano após ano venho montando minha biblioteca. São livros indicados por revistas, professores e colegas. Muitos livros compro por impulso, pela vontade de conhecer novos autores, formas de pensar e escrever. E assim, vou colecionando “livros para os quais não estou pronta” e “abacaxis literários”. Por melhor que sejam os livros indicados, a subjetividade e o gosto pessoal definem quais livros e escritores vou ler e continuar lendo. Mesmo assim, guardo meus abacaxis e livros abandonados. Sei que em algum momento vou ler. A gente vai mudando, nossos gostos também. A maturidade literária acontece.

Decidi fazer o curso online de escrita criativa para rever conceitos e técnicas. E, se tudo der certo, publicar meu segundo romance.]