Emma

Me dá um certo nervoso quando depois de 15 dias, ainda não consegui terminar de ler  um  livro. Este não é livro pra desistir. É livro pra persistir. E insistir. “Emma” de Jane Austen tem me enervado. O ritmo lento, o enredo circular desprovido de ação e as letras miúdas do texto, tem me posto a dormir há duas semanas. Pelo menos, isso.

Organizando a biblioteca

Há anos venho tentando organizar os livros da família. Depois de selecionar, desapegar, doar e distribuir inúmeros títulos chegou a hora de organizar a biblioteca. Ano após ano, venho remanejando livros entre nichos e prateleiras buscando uma melhor distribuição e localização. Reparo melhoras a olhos vistos. Da prateleira improvisada da casa dos meus pais à primeira estante, depois as primeiras prateleiras de parede inteira, montei enfim, minha primeira biblioteca com cara de biblioteca. O processo não é nada simples e tenho ainda alguns livros que não encontraram seus semelhantes ou afins.

Além dos 8 metros lineares de prateleira que recobrem em “L” o escritório, criei um grande quadrado com 32 nichos de dimensões variáveis, com profundidade única de 0,30 cm.

Nos oito metros de prateleira estão acomodados livros de pouco uso: enciclopédia Barsa + Geopédia + Obras Completas de Freud + Livros de Congressos de Engenharia + Coleção Casanova + Livros de Viagem + Livros Infantis + Livros Juvenis, entre muitos títulos de livros de capa grossa, cuja única função tem sido embelezar prateleiras e ambientes. Só não me desfiz de muitos destes títulos e coleções, pois não se sabe o dia de amanhã (nos dias mais sombrios, fico imaginando a possibilidade de um colapso universal de energia e internet). Mas principalmente, óbvio, porque tenho espaço. E gosto de ver aqueles velhos livros alinhados com objetos e souvenirs de viagem. São oito metros de história familiar e viagens no tempo que me fazem muito bem. Tem até partituras de Tom Jobim, Chique Buarque e Vinícius de Morais. Sabe como é, vai que um dia, eu aprenda a tocar piano …

Nos 32 nichos, aos poucos percebo uma unidade harmoniosa: Duas colunas (12 nichos) acomodam a biblioteca de Psicologia: Psicologia Infantil, Adolescência, Casal, Família, Diagnósticos, Técnicas e Testes Psicológicos, Psicanálise, Teoria Sistêmica, Jung e Arteterapia, Auto Ajuda e temas diversos como Grupos e Dinâmicas.

Nos outros 20 nichos uma miscelânea de temas e estilos. Poesia, decoração, literatura nacional e internacional, meu favoritos, os russos, os clássicos, biografias, crônicas, livros em outros idiomas, livros de bolso, etcetcetcetc.

O espectro é amplo e bem diversificado.

Meus favoritos vão do poeta Mario Quintana ao guru Paulo Coelho. Marian Keyes, John Katzembach, Irwin Yaloon, Rosamunde Pilcher, Virgínia Woolf e Ernnest Heminway. Mirian Leitão, Danusa Leão e outros tantos e tantas preenchem vazios da biblioteca, como também os próprios vazios e cheios de toda uma vida. Companheiros sempre presentes, os livros se prestam a praticamente todas nossas necessidades humanas: são amigos, colegas, críticos, terapeutas, soníferos, remédio, afago, orientação, modelos, conhecimento, diversão, passatempo, professores.

Por isso, organizar a biblioteca é como acomodar amigos compatíveis numa mesa de festa. Um ou outro podem até destoar da maioria, mas os essenciais estão lá. E muitos me olham convidando para uma releitura. Um passeio a dois. Saí de mãos dadas com Cathy Lamb, doida pra reler “Terapia do chocolate”. Um livro saboroso, leve e divertido, do nicho “Literatura para beira da piscina”.

Arrumando livros

Definitivamente livros, mofo e mar não combinam. Se tiver alguma casa em construção à volta, dias chuvosos e maresia no ar, a situação piora ainda mais. Pois este tem sido o cenário onde minha biblioteca e eu temos tentado sobreviver. E 2018 foi chuvoso de ponta à ponta. De janeiro à novembro.

Além daquelas arrumações básicas e semanais do tipo afastar levemente os livros e tirar o pó com pano e lustra móveis, duas vezes por ano baixo a biblioteca inteira. Prateleira por prateleira. Nicho por nicho. Livro por livro. Tudo passa pela esponja, pano úmido, pano seco, sol e ar puro. Livros também precisam respirar e arejar!!!!

Esta função pode levar a semana inteira.

Além da limpeza, alguns livros exigem consertos: lombadas rasgadas, capas descoladas, folhas descosturadas. E todo ano, nesta mesma época, lembro o quanto gostaria de ter feito um curso profissionalizante pra restaurar livros antigos. Com os conhecimentos que tenho consigo um resultado razoável, usando fita durex larga e algum capricho. A gente tenta. E faz o melhor que pode.

Entre os livros mais detonados estão os de quando eu fazia parte do Círculo do Livro. Ou seja, livros da época da adolescência. Outros livros dignos de maiores cuidados são aqueles que leio mais de 3 vezes. Sem contar os livros usados – e não mais editados – comprados em sebos ou na Estante Virtual.

Apesar de trabalhosa, adoro esta função.

Rever livros esquecidos, lidos e não lidos. Livros perdidos e dispersos entre os mais diversos temas. Retirar postits, bilhetinhos, recados, cartões, anotações e outros marcadores. Reencontrar flores secas de viagens vividas e lidas. Reler orelhas e comentários, páginas marcadas, frases sublinhadas … enfim, os livros seduzem.

Se permitir e facilitar só um pouquinho, a função na biblioteca pode levar bem mais do  que uma semana. Mantenho o foco e resisto bravamente.

 

Influências Literárias

Quando 2018 começou, dei-me conta de quão poucos posts havia escrito sobre os livros lidos em 2017. Daí surgiu a ideia de relacionar todos os livros lidos (de cabo à rabo) no decorrer do ano que se iniciava. Ler e escrever, foram metas prescritas para o ano. E, como bem afirmou Austin Leon, em seu criativo livro “Roube como um artista – 10 dicas sobre criatividade”: “Assim como você tem uma genealogia familiar, possui também uma genealogia de ideias. Você não pode escolher sua família, mas pode selecionar seus professores e amigos e a música que escuta e os livros que lê e os filmes aos quais quer assistir. Você é de fato um mashup do que escolhe deixar entrar na sua vida. Você é a soma das suas influências.”(p.19)

Sobre as influências literárias do ano, segue a lista abaixo:

  1. A Origem – Dan Brown
  2. A amiga Genial – Elena Ferrante
  3. História do novo sobrenome – Elena Ferrante
  4. História de quem foge e quem fica – Elena Ferrante
  5. História da Menina Perdida – Elena Ferrante
  6. Uma noite na Praia” – Elena Ferrante
  7. A filha perdida” – Elena Ferrante
  8. A mulher que roubou minha vida – Maryan Keyes
  9. Mentes Depressivas – Ana Beatriz Barbosa Silva
  10. Vou chamar a polícia – Irwin Yallon
  11. A química – Stephenie Meyer
  12. O amante japonês – Isabel Allende
  13. Roube como uma artista, 10 dicas sobre criatividade – Austin Kleon
  14. Faça boa Arte – Erros Fantásticos – Neil Gaiman
  15. Loucura – A busca de um pai no insano sistema de Saúde – Pete Earley
  16. A mágica da Arrumação – a arte japonesa de colocar ordem na sua casa e na sua vida – Marie Kondo
  17. Presente do mar – Anne Morrow Lindberg
  18. Minhas Vidas – Shirley MacLaine
  19. Dançando na luz- Shirley MacLaine
  20. O Caminho – Uma jornada do espírito – Shirley MacLaine
  21. Floripa, sua linda – Maria Gabriela Cherem Luft
  22. Ansiedade 3 – Ciúme, o medo da perda acelera a perda – Augusto Cury
  23. Senhora Einstein – a história de amor por trás da Teoria da Relatividade – Marie Benedict
  24. Telegramas 140 X 180 mm – Lucão
  25. Brigitte Bardot – Lágrimas de Combate
  26. Hippie – Paulo Coelho
  27. Cuide dos pais, antes que seja tarde – Fabrício Carpinejar
  28. Um cartão, sentimentos cotidianos – Pedro
  29. A mulher na janela – A.J. Finn
  30. Prisioneiras – Dráuzio Varella
  31. Tempos Extremos – Miriam Leitão
  32. Karen – Ana Teresa Pereira
  33. Não me abandone jamais – Kazuo Ishiguro

E aí desandei.

Há quase 3 meses do final do ano, a pilha dos livros inacabados aumentou; me vejo roçando os dedos pelas lombadas dos mais diversos temas, enveredei por livros para os quais não estava pronta … comecei a estudar e pesquisar temas específicos para o trabalho e posts futuros.

Perdi o foco.

Resolvi fechar todos os livros, e brincar com As Cartas do Caminho Sagrado, de Jamie Sams. Brinco de ler, meditar e relaxar. Um pouco cada dia. E assim, vou descansando dos meus excessos literários do ano.

A pilha dos livros inacabados segue firme e forte.

livros

Sobre o Caminho

“Dançando na luz” abriu a maratona Shirley MacLaine. Depois li “Minhas Vidas” e agora “O caminho – Uma jornada do Espírito”.  O interesse pela autora é antigo e se conecta com o interesse dela por vidas passadas, esoterismo e misticismo. Nada a ver com religiosidade. “O caminho” – título do livro – é o caminho de Santiago de Compostela, que fiz (uma parte) em 2010. Ele anda acenando e me convidando a voltar. A caminhada completa, 30 a 40 dias de peregrinação, foi pensada junto a Santo Tiago na Catedral de Compostela. Pelo que lembro, nem ele nem eu, cumprimos o combinado.

Enquanto leio e relembro a caminhada, reflexões como esta, me instigam a repensar o combinado, e, quem sabe, me levem a refazer a caminhada.

“Toda a vida é uma lição de autoconhecimento. Quanto mais entendermos sobre nós mesmos, mais seremos capazes de lidar com qualquer coisa.

Os líderes do mundo atual são exemplo disso. Cada um deles sofre da falta de autoconhecimento, por isso tantos agem de maneiras destrutivas. Eles são, na verdade, autodestrutivos. Destroem não apenas a si mesmos, mas as pessoas que lideram – Clinton, Milosevic, Osama bin Laden, os mulás do Irã, os governantes da China, e assim por diante. Os líderes que eu conhecera que haviam estado na prisão em confinamento solitário – Gandhi, Nelson Mandela – tinham resolvido muito dos seus conflitos interiores por terem sido forçados ao isolamento. E todos afirmaram que aquele foi o período mais importante de suas vidas. Hoje, poucos dedicam tempo à busca interior, e disso vem o estado do mundo, que beira o desastre. Com certeza, as pessoas comuns em qualquer sociedade não tem tempo para a busca interior porque estão presas à competição pela sobrevivência, devido ao materialismo furioso. As pessoas no mundo parecem presas a uma esteira de sobrevivência, ignorando as alegrias da evolução que só poderiam conhecer se gastassem algum tempo para descobrir quem são.”

(O caminho – Uma jornada do espírito, Shirley MacLaine, p. 114/115)

Livros Usados – Estante Virtual

Há trocentos anos atrás –  quando ainda adolescente ou jovem adulta – li o livro “Dançando na Luz” de Shirley MacLaine. Fiquei impressionada. Alguns anos atrás – passados uns 30 anos da primeira leitura – reli o livro. Através dele, fiquei sabendo de outros livros escritos pela autora: Minhas Vidas, Em busca do Eu, O caminho: uma jornada do espírito (encomendados) entre outros. Como são livros antigos, e não mais editados, tive de recorrer à Estante Virtual.

Pra quem não conhece – e o pouco que conheço e sei, vivi encomendando e recebendo livros – A Estante Virtual é um site no qual encontramos qualquer livro publicado. Muitas vezes, os livros que nos são indicados não estão mais disponíveis nem nas lojas, nem nos sites mais conhecidos, nem mesmo nas distribuidoras. São livros esgotados, que deixaram de ser reeditados. Pra encontrá-los só em sebos, onde, experiência própria, nunca encontrei livro recomendado algum. O máximo que encontrei foram espirros e olhos vermelhos.

Na Estante Virtual, até encontro livros novos. Mas, habitualmente, quando navego no site, estou em busca de livros sumidos. Esgotados. Não reeditados. Foi assim que encontrei Minhas Vidas, de Shirley MacLaine.

Shirley

Meu livro usado mais usado até agora.

Veio de Nova Friburgo, RJ, com aquele cheiro de sebo e umidade, cor de livro velho, textura e orelhas de abano típicos de livro bem, bem usado. Os outros dois, ainda estão à caminho e vem do Sebo do Brechó, de Ribeirão Preto, SP.

Pelo que sei, a Estante Virtual interliga vários sebos e livrarias de todo país. Ao escolher e encomendar seu livro, vc já vê se é usado ou novo e de onde ele vai vir. Quando encomendei “Minhas Vidas” encomendei o livro mais barato (pois todos os listados eram usados). Paguei R$ 3,14. Normalmente, o preço dos livros usados é baixo. Meus 3 livros da Shirley custaram R$ 11,71. O caro é o frete. Pra receber os três livros, de dois sebos diferentes (um do RJ, o outro de SP) paguei R$ 21,95. Mesmo assim, vale à pena. Importa saciar a curiosidade que certos livros despertam na gente. Sei que existe bibliografia atual e livros novos sobre o tema de Vidas Passadas.

Escolhi iniciar minha jornada pelas Vidas Passadas

de carona com Shirley MacLaine;

Folheando as  vidas passadas destes livros sumidos,

– em primeira pessoa –

Minha jornada também se inicia.

Arrumação: apego ao passado ou medo do futuro?

Duas vezes por ano, normalmente antes do Natal e nas férias de inverno – há muitos e muitos anos – faço uma senhora arrumação em casa. Do tipo

  • esvaziar, limpar e reorganizar guarda-roupas, armários, gavetas, prateleiras;
  • revisar, colar, lavar, polir, pintar, lixar, envernizar ou passar óleo de peroba/betume em adornos e móveis menores ou de apoio;
  • lavar ou mandar para lavanderia roupas mofadas ou amareladas e para a costureira, roupas que merecem algum tipo de ajuste ou concerto (não tenho mandado nenhum calçado ao sapateiro, o custo benefício tem sido inviável.

Ou seja, viro a casa do avesso, e com ela, viro do avesso também. Ao longo dos anos, fui fazendo e aprendendo. Costumo dizer que sou algo bagunceira, algo indisciplinada e algo organizada. Em parte, pelo tanto que produzo (velas, cerâmica, scrap, mosaico, pintura, literatura) e pelo tanto que guardo (do fio ao pavio, folhas, botões, chaves velhas, papeis, adornos quebrados, etcetcetc). Tudo, absolutamente tudo, pode ser reaproveitado e transformado. Reciclado e estilizado no melhor estilo “fui eu que fiz”. Haja disposição, criatividade, dinheiro e tempo. Tempo é fundamental. Só comece se tiver tempo pra terminar. Por isso, estipule uma meta: Um fim de semana, uma semana, um mês. Aproveite para desintoxicar sua casa e reencontrar muita coisa. Mas termine o que começou. E já planeje a próxima etapa. Além de selecionar, limpar e colocar no sol pra ventilar roupas e demais artigos, pratique o desapego.

O DESAPEGO é a parte mais importante da arrumação. Do que vou me desfazer. O que vai pra doação? O que vai para o lixo?

A dificuldade de se desfazer de coisas que não usamos mais, pode ser decorrente do apego ao passado ou medo do futuro. Ambas podem governar o modo como nos relacionamos com coisas, e, pessoas. Trata-se de um padrão de funcionamento. Mantemos em nossas vidas apenas o que realmente queremos? Ou estamos entulhados de objetos, reféns de uma sociedade de consumo? Nos transformamos em acumuladores compulsivos e competitivos?

Como diz Marie Kondo, no livro A mágica da Arrumação – A arte japonesa de colocar ordem na sua casa e na sua vida: “Há três maneiras possíveis de lidar com nossos pertences: encará-los agora, algum dia ou evitá-los até a morte. A escolha é sua. Acredito piamente que é bem melhor encará-los agora. Se reconhecermos o apego ao passado e o medo do futuro ao analisar com sinceridade nossas coisas, conseguiremos enxergar o que é realmente importante.”

Li o livro, enquanto reorganizava a casa.

Marie Kondo dá várias dicas interessantes para REALMENTE arrumar a casa. Não concordo com todas. Talvez porque seja psicóloga e o passado faz parte do meu fazer profissional. Talvez por ser arteira e qualquer caco pode ser reciclado e transformado. Talvez por ser ecologicamente correta, diminuir o consumo e reciclar é fundamental, enfim …

Para mim, organizar a casa é organizar a própria vida. Quando não estou bem, minha casa (de alvenaria, madeira ou pau a pique) e meu corpo físico (espírito, alma) também não estão. À medida que a casa fica arrumada e ordenada, me ajeito também. Ver as coisas limpas, organizadas e colocadas em seus devidos lugares dá tranquilidade e leveza. A casa – e a própria alma – se enchem de energia e alegria. Prontas para o próximo passo.

Dentre os apontamentos da autora, de mais de dois milhões de livros vendidos, achei interessante:

  • faz mais sentido classificar as pessoas – no quesito organização – por suas ações do que por seus traços de personalidade. Existem os que “não conseguem jogar fora”, os que “não conseguem colocar de volta no lugar” e 90% dos casos, os que “não conseguem nem jogar fora, nem colocar de volta no lugar”. Ufa, a grande maioria.
  • Há dois tipos de organização: a “diária” e a “organização como evento especial” (esta que estou fazendo agora). Ela sugere que se pegue cada peça/objeto e ao observá-lo, perceber se ele nos traz felicidade. Se sim, fica. Se não, descarta.
  • Além do valor material, existem outros fatores que atrapalham na hora do descarte: funcionalidade, informação, apego emocional e raridade.
  • É importante organizar (e descartar) por categoria. Junte tudo, retire do cabide, das prateleiras, das caixas. Jogue tudo no centro da sala ou do quarto. Olhe peça por peça, dialogue com ela. A primeira categoria a ser trabalhada são as roupas, depois vem os livros, papeis e documentos, itens variados, e por último, artigos de valor sentimental. Ao manusear artigos de valor sentimental e decidir o que descartar, você processa seu passado.
  • O tipo de organização chamado de “enviar as coisas para a casa dos pais” deve ser evitado. Despachar objetos para outro lugar é como varrer a sujeira pra debaixo do tapete.
  • O “clique do suficiente” é difícil de ser alcançado. O certo é que vivemos com mais coisas do que de fato, precisamos.

Ok. Preciso trabalhar alguns destes tópicos. Mas, nada de exageros.

Percebo como o menos tem me agradado mais. O quanto tenho descartado. Quão pouco tenho comprado. Encontrar nos armários, balcões, gavetas e caixas aquilo que gosto, os livros organizados, o ateliê idem, alguns móveis restaurados e reposicionados, tem trazido leveza à minha vida.

Ao descartar o que não mais me define, abro espaço para o novo.

De “novo, novo mesmo” pretendo adotar uma conversa diária com a casa que me acolhe, com os móveis que participam do dia a dia em família, com as roupas e calçados que me agasalham, com os livros, fotos e documentos que registram momentos e acontecimentos. Aos objetos descartados, agradecimento. Foram úteis, importantes, necessários. Também eles precisam seguir em frente.

Sabe aquele presente que você ganhou e não tem nada a ver com você, mas que você guarda assim mesmo? Desapegue. Ele já cumpriu a função dele: foi o presente que alguém escolheu pensando em você. É hora dele seguir adiante.