Os vinhos da Austrália

 

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Na Austrália, a vitivinicultura é mais antiga, portanto, bem mais desenvolvida. Como o programa desta viagem incluía Melbourne e Adelaide (South Australia), aproveitamos para conhecer Barossa Valley (a mais famosa região vinícola australiana) e McLaren Vale Wine Region (na minha opinião, os melhores vinhos).

IMG-0978No Barossa Valley, nos hospedamos na cidadezinha de Greenock e durante dois dias degustamos vinhos mais encorpados e maduros em diversos cellars: Chateau Yaldara (imperdível), Grant Burge Wines, Jacob’s Creek, Lambert Estate Wines, Penfolds Wines, Rockford Wines, Seppeltsfield Estate Winery, St Hallett e Whistler Wines.

IMG-0973De Adelaide até McLaren Vale Wine são uns 40 Km. Visitamos os cellars Bekkers Wine, Chapel Hill Winery, Coriole Vineyards, Cradle of Hills, d’Arenberg, Penny’s Hill, Primo Estate e Yangarra Estate Vineyard.

Em Western Austrália, (costa leste) próximo a Perth, anos atrás, conhecemos as regiões vinícolas de Margareth River e Swan District.

IMG-0871O que encanta neste universo etílico-alquímico-saboroso mundo dos vinhos é o casamento perfeito entre vinho, arte, música e design.

Tanto na Austrália como na Nova Zelândia, a visita à vinícola não se limita apenas à degustação de vinhos. Exposições de arte (pintura e escultura), concertos de música, cerâmica, acessórios para adega, livros (vinhos, paisagismo, gastronomia, cães e gatos …) enriquecem o passeio. Assim como os jardins, as vinhas, a gastronomia, os ambientes caprichosos.

No Brasil, o mais próximo que conheci foi a Vinícola Villa Francioni, em São Joaquim (SC).

E mesmo assim, muito aquém de outras regiões vinícolas. Na serra gaúcha (que conheço muito bem) nem Miolo, nem Valduga, nem Petterlongo, nem Carraro, nem nenhuma das vinícolas, respira ou transpira esta energia contagiante do mundo dos vinhos. Tudo se resume à equação simples e muito rudimentar de compra e venda.

Os vinhos da Nova Zelândia

Gostar de vinho quase todo mundo gosta. Pelo menos deveria gostar.

Afinal, além de gostoso, o vinho é reconhecidamente, uma bebida saudável. Quase um remédio para o corpo e a alma. Dadas as proporções, uma taça diária de vinho faz bem e vai bem em praticamente todas as refeições. Desde uma simples tábua de frios até um jantar mais elaborado.

É perfeito a sós, a dois, em grupo. Vai bem no inverno e no verão. E tem, pra todos os gostos. A diversidade de cepas e sabores é astronômica.

Anos atrás, descobri que meus antepassados alemães, a família von Brentano, fabricava o vinho von Brentano às margens do Rio Reno, em Winkel, próximo a Rudisheim, 60 Km de Frankfurt). Na casa de campo da família, a Brentano’s Haus, o vinhedo denuncia o DNA da família.

Possivelmente meu primeiro contato com o vinho tenha sido através do meu avô, Eugênio Brentano, que bebia religiosamente, um pequeno “schluck” (que é como ele chamava seu pequeno copo de vinho de garrafão) tanto no almoço, quanto no jantar. Menina ainda, nos Natais e Kerbs, bebia “sangari” (vinho misturado com água gelada e açúcar). Era a Coca-Cola das festas. Adulta, conheci os vinhos Aliança, Sangue de Boi, Malvasia de Candia da Granja União, e outros tantos. Felizmente, esquecidos.

Felizmente também, assim como acontece com tudo aquilo em que investimos, meu paladar e gosto pelos vinhos foi e continua evoluindo. De uns 15 anos para cá, o consumo, a curiosidade e o apreço pela bebida teve saltos quânticos. A ponto de hoje participarmos de degustações frequentes e organizarmos viagens para conhecer os melhores vinhos. Foi neste embalo que conhecemos Napa Valley – na Califórnia (EUA), os vinhos da França, Austrália, Itália e África do Sul. Também no quesito evolução, nossas viagens etílicas, tem melhorado consideravelmente. Tanto em qualidade quanto em quantidade.

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Quando decidimos viajar pela Nova Zelândia, reservamos alguns dias para conhecer as regiões vinícolas e seus melhores vinhos. Conhecendo a fama, o sabor e o aroma dos sauvignons blancs neozelandeses, pesquisamos o necessário para desfrutarmos do passeio e da bebida. Além do Goooogle, o livro “1000 vinhos para beber antes de morrer” fornece informações preciosas sobre os melhores vinhos (brancos, tintos e rosês) ao redor do planeta. Sublinhamos os que queríamos degustar, escolhemos as vinícolas que ficavam no caminho das atrações turísticas elencadas e organizamos nossas visitas. Na Ilha Norte, em Hawke’s Bay , vale citar a Vinícola Graggy Range. Não pelo vinho, mas pelas instalações e a vista do Te Mata Peak (montanha semelhante a Table Montain em Cape Town – África do Sul).

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A região vinícola mais famosa é Marlborough, na Ilha Sul. Entre plantações de cerejas, morangos e framboesas, é possível alugar bicicletas e fazer as degustações pedalando. O terreno é plano e as ciclovias foram pensadas para circular entre os vinhedos e as vinícolas. Nos hospedamos em Blenheim e percorremos o Marlborough Wine Trail onde conhecemos as vinícolas Saint Clair, Hunter’s, Nº 1 Family Estate, Glesen, Nautilus Estate, Forrest,, Wairau River, Cloudy Bay e Villa Maria. 9 vinícolas em dois dias.

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De lá fomos para Cromwell, região de vinhos de Central Otago. Rodamos por Bannockburn (Wines Mt Difficulty), Cromwell (Wooing Tree Vineyard) e a região encantadora de Gibbston (Mt Rosa Wines, Peregrine Wines, Gibbston Valley Wines e Amisfield Winery & Bistro)

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Também aí é possível conhecer as vinícolas pedalando. A paisagem é inesquecível, as vinícolas estilosas, os jardins simpáticos, e o vinho, maravilhosamente, jovem.

 

 

 

 

Click, click, click … Nova Zelândia. Action!!!!!

VoandoRodar pela Nova Zelândia era projeto antigo. Nesta nossa quarta ida à Austrália, optamos   pelo país que foi set de filmagem da Trilogia O Senhor dos Aneis, de quem sou fã assumidíssima. Além de visitar Hobbiton Set (o Condado de Frodo e seus amigos hobbits), em Matamata, outro grande desejo era conhecer as regiões vinícolas e seu famoso e frutado sauvignon blanc. Entramos por Auckland, na Ilha Norte, e saímos por Queenstown, na Ilha Sul. Rodando de carro, em mão inglesa, nos encantamos com as árvores gigantescas e centenárias das mais diferentes espécies e o imenso rebalho de ovelhas. O país é pouco populoso, e basicamente, agrícola. Povo fascinado por esportes radicais, não tem cidade ou região em que não sejam oferecidos passeios de bicicleta, trilhas, lanchas e caiaques, quando não, saltos em buggie jump, etcetcetc. A comida temperada e muito saborosa, surpreende com as misturas mais inusitadas. Há de se ter cuidado com a pimenta preta. Por todo o pais, os motorhomes transitam livres, leves e soltos. Haja vontade de estar no meio do mato o tempo todo. A geografia e os eventos geológicos estendem-se de norte a sul, seja no relevo plano, ondulado ou acidentado; nos lagos e fiordes impactantes; nos rios caudalosos de água verde turquesa; nos parques geotérmicos com geisers e enxofre ativos, etcetctc. Por ora, um breve relato. E fotos, muitas fotos, destes dias embriagantes entre a magia e a beleza, os sauvignon blancs e as montanhas, os vinhedos, os parques, as flores, a arte. Tudo, absolutamente tudo, excedeu as expectativas.

 

Auckland

Primeiro dia: Amanhecemos em Auckland (NZ).  Limpa, pequena e charmosa, Auckland suspira uma energia tranquila. Os ônibus, carros e barcos, chegam à cidade sem grandes alardes. Homens engravatados, esportistas, aposentados, mulheres com carrinhos de bebê, salto alto, asiáticas, brancas, polinésias, desfilam sem pressa à nossa volta. Zanzamos feito zumbis, depois da noite de avião, pelo centro sonolento da capital neozelandesa. Tomamos um simplório café no “Hollywood Metro”, nas imediações do porto. O Albert Park, do ladinho da surpreendente Auckland Art Gallery, encantou com suas árvores centenárias (figueiras, plátanos, umbus, pinheiros, sequoias, seringueiras ..) e jardins bem cuidados. Sem contar na vista deslumbrante da Sky Tower. Uma rápida esticada até Devenport de catamarã, alguns sauvignons blancs, a subida na Sky Tower, e por fim, o jantar. Foi quando percebemos o quanto de asiáticos vivem na cidade. A tarefa de encontrar um restaurante (que não fosse chinês, japonês, nem lanchonete) exauriu o que restava de pernas e energia. Encravada numa ruazinha estreita do centro, encontramos uma steak house. Escolhido o corte de carne crua na prateleira refrigerada, e o ponto de cozimento, o “churrasqueiro” neozelandês enfumaçou um pouco – ainda mais – o ambiente já esfumaçado e lotado de carnívoros esfomeados, grelhando carnes e salteando com saladas mistas. Adorei a salada de feijão (branco, mouro) cebola e salsão.

Segundo dia: depois de uma noite de sonhos e pesadelos, pernas relativamente descansadas, amanhecemos cedo mais uma vez. O roteiro de hoje passa por Hobbitolândia, Rotorua e termina em Taupo. O dia começa com o custo extra de NZ$ 57,00 (dólares neozelandeses) para a tradução da carteira de motorista, a dita carteira de motorista internacional (que a Nova Zelândia exige) e a aventura de dirigir, 100% em mão inglesa. Primeira parada: Hobbiton Movie Set. Tem como não se emocionar com o cenário do Condado do Senhor dos Aneis e Hobbit? Como não se apaixonar pelas árvores gigantescas e impressionantemente maravilhosas? Para chegar em Taupo, passagem por Rotorua, Waiotapu (mud pools) e Huka Falls.

Terceiro dia: Primeira noite (na vida) hospedada num BackPacker (hostel, hotel para mochileiros). Passável. De manhã um passeio pela feirinha de artesanato. No mundo todo, os artesões se viram. Mostram seus trabalhos. Vendem. De lá, um pulinho até Lava Glass. Exposição ao ar livre e fábrica de vidros. A evolução do Murano italiano. É nestas horas que o peso da mala fala mais alto. Adorei o jardim com flores de vidro, o arco iris, as bolas e os caleidoscópios gigantes. A arte do vidro fascina, com suas cores e formatos. À 25 minutos de Taupo, o Orakei Korako Cave & Thermal Park, é um passeio impressionante. Além das mud pulls, fumaça, lagos e geisers que expõe a água, enxofre e a soda que borbulham do centro do planeta. Chegada em Hawke’s Bay, onde inauguramos o formato de estadia AirB&B. Uma das idéias da viagem é experimentar novos formatos de hospedagem. Degustação na Vinícola Graggy Range e a compra do primeiro sauvignon blanc neozelandês. A montanha Te Mata Peak se impõe no vale dos vinhedos e cellars da região vinícola da Ilha Norte. O por do sol no topo da montanha é imperdível. 360º de cidade, mar e montanha. A noite foi no restaurante “Deliciosa”.  A comida, deliciosa.

Quarto dia: viagem de  300 km de Hawke’s Bay à Wellington, passando pela Rota do Vinho de Martinborough. No caminho, uma parada no Pukaha Mount Bruce, onde vimos o kiwi: o bicho. Não a fruta. E albino. A paisagem bem interiorana, com muita ovelha – como em toda Ilha do Norte, até agora – e o gado angus. Nossa busca pelo mais frutado sauvignon blanc neozelandês tem sido decepcionante. A Ilha do Sul, promete mais. Em Wellington, ficamos em Owhiro Bay. AirBnB com vista para o mar. O Te Papa Tongarewa – Museum of New Zealand, é impressionante. Um museu extremamente interativo e dinâmico. Uma homenagem ímpar ao povo maori. Uma aula sobre o origem do planeta, a colonização inglesa, a flora e a fauna, o povo neozelandêz. Para fechar o dia, jantar no Nicolini’s. O melhor ravióli e tiramissu do mundo!!!!!!

Quinto dia: Saída de Wellington em direção à Blenheim, via ferry. São 4 horas de viagem de navio. A entrada na Ilha Sul é muito linda, com o mar invadindo os fiordes. Trocamos de carro e agora o desafio de dirigir em mão inglesa aumentou: o carro é com marcha. Visitamos duas das vinícolas listadas: Cloudy Bay e Villa Maria. Nesta, Fillys foi super atenciosa, e o vinho, muito superior. As vinícolas fecham entre 16:00h e 16:30h. O comércio também fecha cedo. Jantar no restaurante Mia, com degustação de sauvignon blancs durante o jantar. São 3 taças de vinho servidas e colocadas à frente do prato. A cidade – ensolarada ainda – parece fantasma.

 

Sexto dia: Dia de passeio de carro por The Queen Charlotte Rail, saindo de Blenheim, passando por Picton e retornando para Blenheim. A paisagem passa entre os fiordes. No retorno, passamos por diversas vinícolas do Wine Trail de Marlborough: Saint Clair, Hunter’s, Nº 1 Family Estate, Glesen, Nautilus Estate, Forrest, Wairau River. Totalizamos assim 9 vinícolas visitadas, 45 vinhos testados (cada um) e a certeza de que vinho é tudo de bom.

Sétimo dia: Viagem de Blenheim a Christchurch. 9 horas de carro passando por Rotorua Lake, Rotoiti Lake e Castle Hill (local onde foi filmada uma cena de ataque dos orcs do filme “O senhor dos Aneis”). Com chuva, pouco vimos do famoso Arthur’s Pass e do local das filmagens. Tiramos as fotos de dentro do carro. Cansados, chegamos em Christchurch, com chuva e fome. A noite foi de comida italiana.

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Oitavo dia: Dia de prestigiar a fauna e a flora neozelandesas. Passeio pelo Orana Wildlife Park, um zoológico de tamanho médio, onde vimos pela primeira vez o “diabo da Tazmânia”, lêmures e suricatos + um casal de kiwis, sem contar nos Yaks do Tibete, bisões americanos e os sempre maravilhosos leões, rinocerontes, girafas, gorilas e cheetahs, entre tantos outros animais e pássaros. De lá , para o Jardim Botânico da cidade, onde passamos o dia. O rio Avon, com suas gôndolas, separa a cidade e o próprio Jardim Botânico do Hagley Park. Os jardins impressionam pela diversidade e mistura de flores. E as árvores, sempre um espetáculo à parte. A estufa, em frente ao Rose Garden, mostra a flora dos países tropicais, orquidário e cactário. Passeio pelas ruínas da catedral de Christchurch destruída no terremoto de 2016. No Christchurch Art Gallery – Te Puna o Waiwhetu – a exposição de “Jacheline Fahey: Say Someting” e o “Yellow Moon” foram bem interessantes. Fechamos o dia com uma paella espanhola no Curator’s House Restaurant. Destaque para o limão siciliano na paella.

Nono dia: Viagem para Cromwell, região de vinhos de Central Otago. O Lake Tekapo e o Lake do Mount Cook só não roubaram totalmente a cena do dia por causa das flores silvestres – os coloridos lupinos – verdadeiros tapetes floridos e coloridos à beira da estrada. O dia nublado tirou um pouco do azul das águas, mesmo assim, os lagos são maravilhosos. Na primeira região de vinhos, passando pela Felton Road, Bannockburn, conhecemos a vinícola Mt. Difficulty. Depois, em Cromwell, a vinícola Wooing Tree, onde comemoramos nossas Bodas de Carvalho. Os rieslings são divinos. A cidadezinha de Cromwell, às margens do Lake Dunstan, é extremamente pacata.

Décimo dia: No caminho para Queenstown, a região vinícola de Gibbston foi uma agradável surpresa. Na vinícola Mt. Rosa, a paisagem para passar o dia olhando. Indescritível!!!! Os vinhos também. O atendimento, as lavandas, as esculturas de ramas de videira … tudo perfeito. Depois, a Vínicola Peregrine, Gibbson Valley … Chard Farm. Entre as montanhas e o incrível rio verde turquesa, o vale de uvas e ciclistas. Chegada em Queenstown. O centrinho, é pequeno e animado cercado pelas montanhas, também cenário em Senhor dos Aneis.

Décimo Primeiro dia: Última manhã em Queenstown. Passeio de gôndola (bondinho, teleférico, cable car) que leva à montanha com uma vista maravilhosa da cidade.

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Último dia tem aquela coisa de fim. É dia de preparar malas, fechar conta em hotel, chegar ao aeroporto, devolver o carro, e esperar. Não importa quanto tempo demore, no último dia a gente espera que a viagem acabe.

Que algo novo comece.

A segunda fase da viagem vai começar. Próximo destino: Melbourne (AU)

 

 

Sobre a Arte 2

Com o passar dos anos e das viagens, viajar tem sido um excelente exercício para os sentidos. Além de alguns pontos turísticos indicados, um dos programas tem sido a visita à museus e galerias. Na medida certa que é nada de exageros.

Ao visitar o impressionante National Gallery of Vitoria, em Melbourne – AU, pode-se observar a evolução da arte decorrente da própria evolução da raça humana, da arte e dos próprios artistas. Obras de Matisse e Picasso, de início de carreira, me empolgaram (eles também fizeram trabalhos questionáveis). Por toda a galeria, – ela própria um verdadeira obra arquitetônica da arte contemporânea – a exposição “Linguagem dos Ornamentos” mostra a evolução da arte (pinturas e esculturas), roupas, móveis, utensílios domésticos(cerâmicas e porcelanas) até chegar ao momento atual com impressoras 3D, o computador e o cinema 3D.

A mudança no conceito de arte – do século 13 até os dias atuais – exorbita aos olhos: a Arte Sacra, uma Pietá originária da Alemanha, Marco Antônio e Cleópatra, entre tantas outras esculturas, talhadas à mão, em mármore e pedra, evoluindo para os polímeros sintéticos das caveiras de Ron Mueck; a pintura lúgubre de El Greco à coloridíssima de Mark Rothko e Andy Warhol … sem contar a arte dinâmica de Yayoi Kusama (onde todos somos convidados a participar, colando flores adesivas em qualquer espaço do apartamento exposto), além da grande tela formada com espaguetes coloridos de piscina (coloquei a minha lá) … Pela primeira vez, cheirei aromas da natureza em peças de exposição. Sissel Tolaas é uma smell designer. Sua biblioteca pessoal é de 7000 aromas (como será que ela guarda os cheiros? Tipo essência?). Para ela aroma é informação. Quantas lembranças surgem instantaneamente quando algum cheiro familiar é deflagrado? Lembrei de um perfume da Avon que usava quando adolescente: Sweet Honesty: O aroma, ainda hoje, me transporta àquele tempo e lugar. Uma viagem no tempo e no espaço. E sem sair do lugar.

Sobre a arte? Ela mudou. E muito.

À primeira vista, a impressão é de pressa, pouco detalhamento, pouco acabamento, pouco conhecimento, pouco talento. Mas esta é a arte do nosso tempo. Ela, assim como os aromas, transmite quem somos e como vivemos. Nosso tempo. Nossa época. A abstração como forma metafórica de se fazer entender.

 

 

Lava Glass

Visitas assim me inspiram.

 

Dá até vontade de mexer no barro, papel, lã, tinta, mosaico. Quando o Outro acredita e faz, sinto-me convidada a fazer também. Porque de vez em quando bate aquele cansaço. Aquele desânimo. Porque tem hora que fazer Arte (artesanato&arteterapia) parece mera ocupação de tempo e espaço de vida. Quase um tempo perdido.

Esta exposição, próxima à Taupo na Nova Zelândia, surpreende pela ousadia. Exposição ao ar livre e fábrica de vidros. A evolução do murano italiano. É nestas horas que o peso da mala fala mais alto. Adorei o jardim com flores de vidro, o arco iris, as bolas e os caleidoscópios gigantes. A arte do vidro fascina, com suas cores e formatos.

Os lugares de 2017

Neste ano, revisitar lugares vistos no decorrer de toda uma vida, aconteceu quase que por acaso. Assim como eu, alguns lugares surpreenderam, outros decepcionaram. Foz do Iguaçu (PR) foi uma grata surpresa. A infra-estrutura do parque é coisa de primeiro mundo. E as cataratas, únicas também. Já o Itaimbezinho (RS), decepcionou. Há 22 anos, quando conheci a região dos Canyons, a paisagem exuberante era selvagem e o acesso ao canyon feito com carro próprio. Hoje, a impressão é de abandono e pouco interesse na exploração e melhorias do local. Uma pena! O Canyon Fortaleza (RS), ainda rústico e selvagem, encheu os olhos e a alma de emoção. Macapá (AP) ainda é pobre, mas o Rio Amazonas, sempre majestoso, compensou. Até banho tomei nas águas mornas em praia de areias negras! Pra quem não sabe o Marco Zero cruza a cidade de Macapá, no Amapá.  Aquele por onde passa a Linha do Equador. Em Belém (PA), sujeira e pobreza. Mas, o que dizer dos sucos? Das frutas? E da comida? Simplesmente, divinas. Ver o peso, Icoaraci e a Estação das Docas, os pontos turísticos visitados. Faltou, porque sempre falta ver algo. O que fazer quando o calor e a umidade intimidam até o mais intrépido turista? Deixar para outra vez. O Cactário Horst, em Imigrante (RS), o maior de toda America Latina é sempre uma visita inesquecível. Assim como a serra e o litoral catarinense (Jurerê e Serra do Rio do Rastro) minha querida Colinas (RS), a fazenda dos amigos(SC), o Parque Ibirapuera (SP). O mundo, esta enorme aldeia global. Um mosaico de possibilidades.

Pensando nos passeios e viagens que fiz, lembrei de um conto africano:

“Certo dia, um índio viajou de trem pela primeira vez na vida. Ao chegar ao seu destino, a última estação do trem, ele desceu, se sentou num banco e ali ficou por horas a fio, sem se mover. Um senhor que trabalhava por ali, intrigado com aquele índio sentado há horas no mesmo banco, aproximou-se e perguntou o porquê dele estar ali sem fazer nada. Então, o índio, com aquela calma, típica dos serenos, respondeu que ele não estava sem fazer nada. Que como a viagem tinha sido muito rápida, ele  estava esperando a sua alma, que ainda não havia chegado.”

Creio que minha alma esteja por aí. Me procurando. Me buscando. Pronta pra se perder de novo. Afinal a grande viagem do ano ainda está por vir.

Assim como o ano que finda, viagens são um convite para a distração e o desencontro. Hora de desacelerar e se inteirar.

 

 

 

 

Outono na Europa

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Nossa primeira grande viagem internacional aconteceu há 25 anos atrás. A escolhida – pra inaugurar uma das coisas que mais gostamos de fazer – foi a Europa. Na época optamos – meu marido e eu – pelo leasing de um carro Renault e passeamos pelo continente europeu durante 45 dias, rodando pouco mais de 11.000Km.

O roteiro + ou - seguido em 18 dias de viagem. De 06 a 23/10/2016.
O roteiro + ou – seguido em 18 dias de viagem. De 06 a 23/10/2016.

Passado todo este tempo, resolvemos refazer – em parte – o antigo traçado com um grupo de amigos.

Alguém precisava registrar o momento.
Alguém precisava registrar o momento. E lá fui eu.

A ideia era mostrar um pedacinho da Europa. Tipo o interior da Alemanha e circular pelos Alpes (Alemanha, Áustria, Norte da Itália, França e Suíça) além de Viena (Áustria), Mônaco e Veneza (Itália). Foram 4.800Km em 18 dias, 6 casais, 3 carros.

Rodando pelo Swartzwalt.
Rodando pelo Swartzwalt.
À caminho de Chamonix - França.
À caminho de Chamonix – França.

Não é fácil rodar, circular, estacionar e coordenar um grupo tão grande e singular – tem os que atrasam pela manhã, os que se perdem nas lojinhas de quinquilharias, os que não seguem o GPS, os que não querem participar de todos os passeios, os que tem mais e menos pique … enfim.

Placa de um restaurante alemão em Titisee.
Placa de um restaurante alemão em Titisee.

Apesar dos encontros e desencontros, todos sobrevivemos e cada um viu o que realmente lhe interessava. Alguns mais, outros menos.

Comprando canivetes suíços em Shafhausen, num belo dia chuvoso, Alemanha.
Comprando canivetes suíços em Shafhausen, num belo dia chuvoso, Alemanha.

Presenciamos belas nevascas, dias de sol e chuva, e principalmente, belíssimas paisagens.

Uma nevasca memorável.
Uma nevasca memorável.
O amarelo do plátano e o azul-violeta das lavandas contrastam com o dia ensolarado.
O amarelo do plátano e o azul-violeta das lavandas contrastam com o dia ensolarado.

Da neve branca à vegetação em tons de terracota, pudemos presenciar a passagem do verão para o outono nas regiões mais baixas e a chegada do inverno nos picos gelados e afastados.

Na base do ponto mais alto da Alemanha, o Zugspitze
Na base do ponto mais alto da Alemanha, o Zugspitze.

Nos apaixonamos pelo Riesling alemão (tomado em taças), devoramos “wursts”, “haxels” e “apfelstrudels” na Alemanha (além de deliciosas “kartofensalat”).

Almoço em Frankfurt- Alemanha, comida genuinamente alemã.
Almoço em Frankfurt- Alemanha, comida genuinamente alemã.

Começamos pela encantadora cidade de Rudesheim, a 60 Km de Frankfurt, às margens do Rio Reno.

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O jantar no Restaurante Schloss teve comida, música, dança e trajes típicos. Inesquecível e absolutamente recomendado.

Antigamente esta era a videira que produzia o riesling "von Brentano"
Antigamente esta era a videira que produzia o riesling “von Brentano”.

Descendente da família Brentano, no sábado pela manhã, visitamos a casa de verão da Família Brentano, em Winkel, a poucos km de Rudesheim. Bom conhecer um pouco da história da família e se reconhecer nela.

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A casa – em processo de restauração – guarda um pouco da história da poesia romântica alemã, onde Goethe e Clemens Brentano são os nomes mais conhecidos. A casa está sendo preparada para se tornar museu e um ponto de encontro para escritores e poetas.

Fachada do castelo de Heidelberg - Alemanha.
Fachada do castelo de Heidelberg – Alemanha.

Rodamos pela Rota Romântica e dos Vinhos passando pelo Swartzwald, Heidelberg e Konstanz. No Lago Titisee, a primeira grande nevasca. Sensacional.

Castelo de Neuschwanstein.
Castelo de Neuschwanstein.
Palácio de Linderhof.
Palácio de Linderhof.

Bom rever o castelo de Neuschwanstein e Linderhof, passando por Garmisch.

Outro palácio a caminho de Linderhof.
Outro palácio a caminho de Linderhof.

O passeio pelo Lago de Konigsee aconteceu, apesar da chuva.

Vista do lago na sacada do Hotel Schiffmeifter.
Vista do lago na sacada do Hotel Schiffmeifter.
A charmosa igrejinha de Sao Bartolomeu, parada obrigatória do passeio, após ouvir os 7 ecos de trompete em meio aos Alpes recém nevados.
A charmosa igrejinha de Sao Bartolomeu, parada obrigatória do passeio, após ouvir os 7 ecos de trompete em meio aos Alpes recém nevados.

Infelizmente, não pudemos ir ao Ninho da Águia em Berchtesgaden. O refúgio alpino de Hitler, por causa da nevasca do dia anterior.

O Zugspitze.

Também a subida ao Zugspitze foi prejudicada pelo tempo.

Dia de chuva pede uma carona. Tadinhos dos cavalinhos!!!!

Em Salzburh, para fugir da chuva, o passeio de charrete foi a solução.

Viena pede pelo menos 4 dias de visita.
Viena pede pelo menos 4 dias de visita.

Em Viena, além do City Tour nos ônibus amarelos, um recital de música clássica com pitadas de ópera e ballet, ganhou a noite junto com o famoso “Viene Snitzel” (bife à milanesa) e sempre, muita batata.

Muita emoção ao visitar o museu de Freud, Viena.
Muita emoção ao visitar o museu de Freud, Viena.

A visita ao museu e casa onde Freud viveu por 50 anos e criou a Psicanálise, foi um dos pontos altos de Viena. Mesmo sabendo que sobraram poucos móveis daquela época – já que Freud fugiu de Viena e se refugiou em Londres, durante a Segunda Guerra – foi bom sentir a energia e conhecer um pouco da intimidade do Pai da Psicanálise.

De Vaporetto pelo Gran Canal.
De Vaporetto pelo Gran Canal.

E Veneza continua linda. E alagada.

A Praça São Marcos vista de outro ângulo.
A Praça São Marcos vista de outro ângulo.

Diferentemente da primeira vez, o dia foi de sol e o passeio de gôndola, finalmente aconteceu.

Gôndola pra lá de Chiquetosa. Nada de "dai-me um corneto". O passeio é ao som de remos e algumas informações sobre a cidade e a vida dos gondoleiros.
Gôndola pra lá de Chiquetosa. Nada de “dai-me um corneto, muito crocante, é mui cremoso, é da Gelatto …”. O passeio é ao som de remos e algumas informações sobre a cidade e a vida dos gondoleiros.

Assim como o passeio à ilha de Murano (absolutamente desnecessário).

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O Pinot Griggio italiano foi quem surpreendeu. Como da primeira vez, a comida italiana não encantou, apenas forrou o estômago e deu um tempo para as extravagâncias gastronômicas.

Bateu Aquela saudade dos tempos de Ayrton Sena.
Bateu Aquela saudade dos tempos de Ayrton Sena.

Uma parada em Maranello, visita ao museu da Ferrari, passeio com o modelo conversível Califórnia da marca e muita emoção no cockpit de um simulador pilotando uma Ferrari no circuito de Monza.

Golfo dos Poetas - Marggiori.
Golfo dos Poetas – Marggiori. Itália.

La Spezia foi destino novo e o passeio de trem pelo Golfo dos Poetas (Riomaggiore) era o que tinha para ser visto na cidade portuária. Pra quem quiser conhecer, vá de barco e veja as 5 cidades encrustadas e esparramadas pelas encostas.

O cais de St Tropez.
O cais de St Tropez.

Da Itália à Cote d’Azur, seria bom começar a contar desde o início a quantidade de tuneis e viadutos nos quase 300Km percorridos pela auto-estrada. Algo entre 100 e 150.

Nice, Cannes, St Tropez. Luxo e bom gosto.
Nice, Cannes, St Tropez. Luxo e bom gosto.

De St. Tropez à Menton passando por Mônaco pela orla marítima, a quantidade de marinas, iates e lanchas surpreendeu.

Um fim de tarde cheio de luz no principado onde Ayrton Sena era Rei.
Um fim de tarde cheio de luz no principado onde Ayrton Sena era Rei.

Em Mônaco, por 10 euros pudemos entrar no Cassinode Monte Carlo e assistir roletas e jogos de baralho acontecendo.

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O jantar fechou a noite e o dia ensolarado com direito a passeio pelo circuito de Fórmula 1 de Mônaco.

À caminho de Chamonix.
À caminho de Chamonix.
A belíssima Chamonix - França.
A belíssima Chamonix – França.
Mont Blanc. O topo do França.
Mont Blanc. O topo do França.

Chamonix/Mont Blanc, Zermat e Grindelwalt foram simplesmente espetaculares.

Grindelwald

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As imensas e nevadas montanhas dos Alpes são impactantes.

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Em Grindelwalt não encontramos a famosa gruta de gelo eterno do mais intenso azul. O aquecimento global fez desaparecer o ponto turístico há vários anos.

Materhorn, em Zermat. A cara dos chocolates suíços.
Materhorn, em Zermat. A cara dos chocolates suíços.

E Zermat, é inesquecível no alto do inverno (em janeiro) quando a cidade é engolida pela neve e tomada por esquiadores de todas as idades. Pegamos a cidade em fase final de preparativos para a alta temporada, um verdadeiro canteiro de obras. Nela não se pode transitar de carro comum, apenas com carro elétrico.

A cidade dos alpinistas. Zermat.
A cidade dos alpinistas. Zermat.

Mas a vista da famosa montanha Matterhorn – aquela que ilustra as embalagens dos famosos chocolates suíços – compensou, assim como a travessia do carro por trem pelos Alpes e as paisagens do Tirol e Bavária.

Entardecer primoroso na passagem por Luzern.
Entardecer primoroso na passagem por Luzern.

Zurique foi apenas passagem e a visita ao Instituto Jung ficou para uma próxima vez. Além de não ter agendado a visita, a certeza de encontrar a casa fechada num sábado pela manhã, me fez desistir da empreitada. Ficou o desejo de voltar.

A ponte de Luzern. Sempre linda. Sempre florida.
A ponte de Luzern. Sempre linda. Sempre florida.
À caminho de Frankfurt.
À caminho de Frankfurt.

Passamos nossa última noite de viagem na mesma cidade onde dormimos na primeira noite: Rudesheim. Às margens do Rio Reno. Uma volta completa.

Pra sempre querer voltar. Rudesheim é sempre aconchegante e charmosa. E linda.
Pra sempre querer voltar. Rudesheim é sempre aconchegante e charmosa. E linda.

No domingo o almoço de despedida foi no Restaurante Wagner, em Frankfurt, onde encontramos amigos de Jurerê, para um típico almoço alemão, com direito à vinho de maçã, chucrute, batatas e carne de porco. Pra finalizar, aquele apfelstrudel.

No centro antigo de Frankfurt, com os amigos Ivone e Marino.
No centro antigo de Frankfurt, com os amigos Ivone e Marino.

E a certeza de que voltaremos à região bem antes de transcorrer outros 25 anos.